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terça-feira, novembro 22, 2005

PRODUÇÃO ACADÊMICA

PRODUÇÃO ACADÊMICA – TEOLITÉRIAS


Este espaço também visa promover a poesia produzida em nossa Faculdade. Uma forma de promover a poesia é tornando-a pública, coletiva. Um texto só se concretiza na leitura do outro. Não existe linguagem ensimesmada; não existe linguagem que esconda em si mesma seu ato de expressar. Acreditamos que a veiculação dos textos traduz o espírito de Orfeu, o espírito das ondas poéticas que transcendem espaços em busca de contato. Seguem alguns textos selecionados. Que nos deliciemos na dúvida da palavra e desafiemos nossa própria compreensão:
envie sua poesia para seleção ou comentários no endereço elet.: romulo@unescnet.br


WESLLEN MAKEL
*Acadêmico do 2º período DE LETRAS e pesquisador efetivo do grupo TEOLITERIAS


CARCERAGEM

O perdão cego do mudo
Alegria do surdo
Palavras vendidas em troca
Do suor do inocente
A mente atraída
Pelo branco dos dentes

Vejo pernas tortas dos que olham para cima
Cantei para surdos
Cantei!
Cantei!
O olhar sem graça
Pele quente da fumaça
Surdos festejam na praça

Estou perto do abismo
Más tenho asas

O livre arbítrio que me prende
Corta meus pulsos
Alvedrio.

CRÍTICA LITERÁRIA
PONTOS RELEVANTES: uso coeso dos símiles; produção de imagens representativas; ironia; paradoxos exegéticos; libertação dos referenciais; crítico.


TRANSLAÇÃO

O vento sopra lento
Lentamente pessoas caminham
Caminho lento diante da caminhada

Noite escura
Fogo sem brasa

Passos passados que passam sobre passos
Passos futuros que tropeçam no passado
Solo marcado por passos pesados

Pessoas curvas, flutuam sobre os passos

O futuro ausente
Dos passos presentes
Do passado que somos

CRÍTICA LITERÁRIA
PONTOS RELEVANTES: Trocadilhos; encadeamentos sonoros por reiteração; melopéia desenvolvida; aliterações e assonâncias bem constituídas; entrecruzamento da escala tempo com o ser; predisposição poética a libertar o signo dos referenciais e abrir lacunas;


MESSIAS PEREIRA
*Acadêmico do 4º período DE LETRAS, pesquisador, cronista e poeta.


OLHOS

A visão do cego
Embassada, acelerada
Pulsa descompassada
Visão sentida
Ferida, abalada

O escuro tornou-se
Mais sombrio
Negro músculo
Da visão sentida
Não via, não ria
Ficou fria

Os olhos há muito
Morrido havia
A visão sentida
Também se ia

CRÍTICA LITERÁRIA
PONTOS RELEVANTES: Ótima impressão rítmica; enumerações em bom compasso; jogo sinestésicos; caráter minimalista na composição do mural semiológico; valorização do termo; polissemia; boa escala representativa;


SIMONE MATIA DA SILVA
*Acadêmica do 2º período DE LETRAS e pesquisadora efetiva do grupo TEOLITERIAS


Ao cego, resta
Contar com as visões
Que ainda tinha

Busco resposta no infinito
E me defronto com a menina dos teus olhos
E ouço! Ouço vagarosamente tudo
Tudo nado a nada

Com o galopar estridente da alma, insólita
E vejo e sinto!
A cólera desvanecida
Que finda, a ida, partida
De uma busca inalcançável

CRÍTICA LITERÁRIA
PONTOS RELEVANTES: Maravilhoso grau de polissemia; Boas caracterizações das dimensões espaciais e temporais; diálogo com tridimensional; boas noções de movimento; coesão semiótica (signos que se coadunam por modulações sêmicas). Boa enumeração rítmica;


JANETE CLAIR ANTUNES FERREIRA
*Acadêmica do 2º período de LETRAS e pesquisadora efetiva do grupo TEOLITERIAS

Conhecer o inferno ao tocar o Céu
E flutuar na Terra ao andar no mar
Ver o verde “amante”, sonhar, nada pensar
É morrer e viver ao léu

Chorar a mais próxima distância
Num futuro incerto de presente
Na verdade de uma mentira estranha
Talvez certo... ausente...

Ouvir, no silêncio de um abraço as lágrimas do coração
E vidas cruzadas, nem dor nem distância, emoção.
Sentir renascer do nada o tudo,
Recomeço, belas palavras num olhar eterno e mudo.


CRÍTICA LITERÁRIA
PONTOS RELEVANTES: Fulgurante função poética: cruzamento perfeito do “belo” enunciativo com doses polissêmicas; elegia em tom delirante; subjetividade;


POETA CONVIDADO

ANTÔNIO DE BARROS
*professor de Literatura, especialista em Língua Portuguesa e poeta da
nossa região.


À PROCURA DE ROSA

Quando eu penso
Não sinto Rosa em mim
Nas desventuras sentimentais
Rosa mora num labirinto

Nas aventuras sentimentais
Sinto o amor vindo de Rosa
Quando eu sinto
Rosa dentro de mim

Quando penso não sinto
Quando sinto não penso
Labirinto e Rosa.

Penso voando
Sinto vivendo
Rosa, vai embora.

COLINAS

O olhar quente daquela Rosa
Queima mistério e dói
Em seu exterior escuro
Há colinas, campina e rio.

Tesouro sem dono?
E no seu interior
Há a força da metamorfose
Um paraíso por todos.

Um néctar doce
Que a natureza criou
Que domina o destino

Amanheceu o dia na colina
Sentimento e pensamento
Colinas, campina e rio

songs of: silence, .

A Escrava Isaura e desfecho das atividades

A Escrava Isaura (Bernardo Guimarães) by Elizabete e Sirlene







Bem;
este é o último post sobre os grupos que se utilizaram de caracterizações
qualquer comentário ou sugestão, comunique-me:
e-mail: romulo@unescnet.br



songs of: silence total

Lucíola e Senhora - Caracterizações part III

Senhora (Jose de Alencar) by Maria Andrea, Miriam e Jucylaine

Senhora e Seixas:


Senhora e Grupo:


Lucíola (José de Alencar) by Maria Aparecida e Lucineide




Transgressão total, Senhora e Lucíola:


songs of: American Music Club (band)

Memórias de um Sargento de Milícias e A Pata da Gazela

A pata da Gazela (José de Alencar) by Roseli e Ângela






Memórias de um Sargento de Milícias (Manuel Antônio de Almeida)
by Andressa, Inara e Tatiele.





Songs of: American Music Club (band)

APELO VISUAL E LITERATURA

Em minhas últimas aulas de Literatura Brasileira tenho recorrido ao recurso da caracterização como suporte didático. Observo que o apelo visual exercita a re-criação das personagens, permite uma nova releitura dos enredos e uma melhor assimilação das obras. Com as vestes, amplificamos os códigos culturais inerentes ao aspectos social dos textos, dando uma atualização no caráter informativo dos mesmos.

Inocência (Visconde de Taunay)by Helem, Quesia e Francis Kely





O Guarani (José de Alencar) by Fairuse e Lucidagma





songs of: Nick Drake, In: Fly

sexta-feira, setembro 30, 2005

PAZ SEM VOZ NÃO É PAZ

PAZ SEM VOZ NÃO É PAZ
É MEDO

Gente, bem, já faz algumas décadas que não escrevo aqui, muitas coisas já se passaram, águas e águas rolaram por cima da ponte (Nova Orleans) ou águas de março publicadas em Setembro, finaizinhos.

EDIT: A revisão destes textos está sendo feita ao som de “O patrão nosso de cada dia”, SECOS E MOLHADOS.

Temor é respeito?

Vc confia em quem tem medo de Vc?

Vc confia no silêncio?

Nada mais belíssima que esta já clássica frase do O RAPPA; bem, enquanto ela estava lá, pendurada na favela em homenagem ao rito, em homenagem à cultura popular brasileira, eu não a via; estava invisível a mim; logo, eu precisei de um sopapo da mídia, uma paulada da Carnavalização; precisei ouvir a música cantada pela Maria Rita. (não que a ache referência para qualquer coisa; talvez referência que o vazio cultural necessita para sobreviver nas massas). Bem, sou massa, metonimicamente faço parte dessa “vida de gado”.

Parem e pensem nessa frase: Paz sem voz não é paz é medo;; hummm
Uma paz ausente de ação, uma paz ausente, perdida em meio a si mesma; a paz enquanto negação do direito de “agir/falar” é repressão, não é paz. Na construção foram utilizados recursos simples da semântica/semiótica que podem ser descritos da seguinte forma:

PAZ nominalizador / ícone; atribuído “sem” ausência; (não-poder-fazer/ser);
Por silogismo, ou predicação de símiles: medo é a permuta. No medo está o não-saber (mistério, surpresa) o não-poder/fazer, o não poder/ser.
Os semas agregados constituem um isotopia entre “medo” e “sem voz”. O sema contextual / virtuema “repressão” é possibilitado mediante a conexão entre potências enunciativas. (GREIMAS, 1999)

O novo / velho disco do Rappa está por aí “O silêncio que precede o esporro”;

E nele encontrei algumas coisas literariamente interessantes; ouvi, pensei (ou pensei e ouvi) e .... ainda estou a ouvir. Mas acho que há algo novo no ar. Um método de escrita interessante, que exige uma espécie de EX- Tudo. “Reza Vela”; “Linha Vermelha”. Bem, pessoal, acho que devamos resgatar “o processo de composição aparente do RAPPA”. Merece uma olhada científico / literária. (voltarei a falar disso com mais dados, espero).

ROCK and RULES

Realmente a coisa anda muito Rock no Brasil. Pedreiras que desabam em dossiês, CPI, e tudo mais. Agora, ROCK mesmo anda os Shows que estão acontecendo pelo Brasil; será que nos tornamos uma civilização, economicamente estável, e portanto, economicamente POP? Se isto, é MAGNÍFICO. Todos devem ter acesso ao que acontece de bom no mundo.
No dia 23 de outubro, nada mais nada menos do que um set de pauladas, pasmem:

MIA, Árcade Fire, Kings of Leon e Strokes.

Simplesmente o set do ano. No mesmo dia. (TIM festival). Ninguém precisa falar de Strokes para entender o pós-punk/mais punk/Velvet Undergound/Internet que já vimos até hoje. A revolução Strokes está/esteve por aqui no Brasil, sendo abertos pelo Kings.




MIA, no termo indie, já virou carne de vaca. Inventou de mixar/divulgar o puro sangue funk carioca. No meu humilde critério musical, algo como dendê no bacalhau, tomadas as devidas proporções. Já tocando em minha razão pura, ou senso de musicalidade interior, não curti muito.

O que anda empurrando os autofalantes em casa é Kings of Leon. A mais perfeita face Pop do Cowtry. Melodias e rapidez, talvez a fórmula do Rock atual, talvez a minha fórmula de música nesse instante da minha vida.


Por falar em Indie: tem gente dando surtos de “efeito Placebo”, afirmando que a Banda Placebo acabou. Sim, acabou. Pelo simples fato de ter tocado aqui, ter sido democratizada, todos agora amam suas músicas, quem não tinha acesso compra no streetshopping (vulgo camelô). Isto é ruim? Só porque os mauricinhos não vão poder perguntar: vc conhece Placebo? Não; Há. Magnífica banda. Vc precisa escutar. Silogismo 2. Vc conhece Placebo. Sim!!!. Péssima banda.

LITERATURAS

Não existe nada melhor que perceber como os processos de criação literária andam, veiculam, e criam marcas na linguagem. Na política literária, a forma procura o conteúdo como os corpos se procuram nos dias de namoro. Entender a condição de criação literária a partir do preâmbulo do processo, é algo que deve ser atentado. Este pequeno ensaio tenta resgatar os estudos literários e o pensamento crítico que o pós-estruturalismo viabilizou nas décadas de 70 e 80. Vamos a ele.


QUESTÕES DE ESTÉTICA


a) O QUE ME FAZ CONSTRUÍDO PELO DISCURSO LITERÁRIO, COMO SER E COMO SUJEITO DA CULTURA?


Não posso considerar a obra de arte literária simplesmente por aquele suporte material (texto) que me irrompe na consciência lingüística, visto de maneira parcial na folha do papel, emoldurado à publicação. Nem tampouco limitar sua existência dentro do meu hemisfério de sentido, dentro da minha solitária compreensão de signos. A obra é uma somatória de toda uma performance da cultura. Desde o momento da criação, à escrita (enunciação), publicação e aceitação pela plataforma simbólica social. (Note que este momento inicial de criação está premeditado no feedback do autor, que não é só parte total dele: existem as impressões do momento, as leituras do momento que volúveis, escaparam sobre suas mãos, o amor, o clima, a palpitação que avassalaram sua formação, dados que não estão mais presentes). Quando a obra passa pela crítica, já está intimamente filtrada por uma convenção discursiva, por meios de analisar, por critérios políticos, sociais e econômicos. Não podemos de todo, então, afirmar que a obra que nos vem em mãos é simplesmente o novo pelo novo. A bola de neve que o processo criativo incitou em dado momento histórico, avassala toda uma gama de informações que vão sendo agregadas ao texto, que ora metamorfoseado de outra coisa ainda não previsível, está em andamento e acabamento. E eis que o mistério desta jornada da obra frente ao mundo cultural, como um projétil a cruzar o hiper-espaço semiótico, recebendo impactos adversos de outros textos, novas leituras e novas posturas, atritos maiores ou menores, brilhando mais ou menos, nada mais é do que a obra em formação. Se dado o longíquo trajeto, ela ainda permenecer viva e pulsante, com o frescor natural que o combate da viagem cultural não esgotara, estará em nossas mãos ainda uma pequena parte do que chamamos de obra. Ainda haverá o peso do nome. O nome autoral. Sua autoridade diante das ideologias, sua permanência e sua inerência dentro dos novos discursos. Ainda haverá o peso do gênero. Constrito dentro de sua excelência ou sofistificação, aberto pelo popular. Achará abrigo no coração do servo ou do senhor? Ainda haverá a minha existência enquanto senhor do meu plano interpretativo. Senhor parcial dos meus motivos. Senhor minoritário dos meus sentidos. E escravo dos meus sentimentos.
Logo, aquilo que chamamos de obra, esta pequena fração textual, resíduo material do processo, não é mais nada senão a fagulha da lembrança, o sêmem incitador da reconstrução do processo. Aquilo que ora nos cai à mão, como folha de papel e tipografia, será o gene da memória coletiva e individual, que abrirá as câmaras ocultas do processo literário, acordará os fantasmas da composição, do primeiro momento onde o grito fora dado pelo autor, ainda em sua consciência. Recobrará o momento onde o projétil fora lançado, todo seu percurso pelo universo semiótico e será muito mais pleno e glorioso.
Faço parte do texto enquanto um maravilhoso e sublime processo literário. Posso, com a escrita, compor OBRA. Sou eu e o texto dando relevo ao nome: OBRA. E dessa forma incorrer à iniciação, onde o processo abrirá frente aos olhos, terminando parcialmente nas últimas instâncias da minha emoção. Decodificando o mistério textual, inscrito não em palavras, mas em códigos (signos) que carregam todo o peso da ancestralidade e cultura de outrora, sou leitor, passo a re-construir eras e momentos, passo a renomear e irremediavelmente, projeto-me enquanto emoção e passo a existir enquanto ser. O meu re-conhecimento próprio enquanto “saber” está construído pela plataforma da representação. Existindo enquanto representação “imagem” e “conceito” passo a comunicar-me integralmente com a literatura. Crio em mim um espaço de existência onde convivo com os símbolos mais naturais e mais artificiais à minha própria noção de vida.
Obra é um vago nome para um infinito processo. O que é fato, é que dada as proporções disto, ter um discurso coerente sobre a arte é apenas excitá-la naquilo que ela tem: o poder de representação.

“A mitologia grega possibilitou a primeira forma de intersecção de um plano semiótico superior, onde os signos pudessem estar dentro de um ambiente de espacialidade semiótica. Este espaço semiótico já fora previstos nos códigos estéticos do Iluminismo. Eriçados no plano espistemológico e ouriçados no discurso social. Hoje, o intercâmbio de novos signos volúveis dão a dimensão de um Hiper-Espaço semiótico, onde a história já nos possibilitou hierarquizar discursos. O Cyber-espaço dá a dimensão do futuro, onde não só as relações estão horizontalizadas, mas também verticalizadas. Paradigmas cruzam-se à paradigmas. A importância maior de tudo é a viabilidade da comunicação simbólica.”

Nota avulsa sobre Espaço Semiótico incitado por Umberto Eco.

b) POSSO ENTENDER A LITERATURA (ARTE) COMO A DILUIÇÃO SIMBÓLICA (LINGUAGEM) DA IMAGEM, O SENTIDO E O BELO?

Imerso no desconhecer apenas sinto. Imerso no desconhecer ambiciono, tensiono, e não poupo esforços para desvendar o “novo”. A novidade atrai pelo caráter puro das relações. Os sentidos impuros são os apontados pelos “clichês” naturais de nossa aprendizagem. A arte sempre nos ensina a desaprender. Relacionando pelas sensações estamos a definir um grau zero. Não existem fórmulas prontas, não existe história senão aquela dada de assombro pela antiguidade do verso. Pensar pelo sentimento é enxergar somente a imagem. A imagem sem dono, a imagem ausente, a imagem pulsante e sensorial não possui nome. Renomear é minha atitude frente ao signo, que desleixado, que à procura de dono, entrega-se de corpo e alma a minha ostentação simbólica. Renomeio e procuro neste ato um prenúncio de contato. Um ponte de coesão onde surgem apenas banalidades. Procuro no banal um motivo para escapar do óbvio. O óbvio massifica, caustifica o nome, e o que queremos é o ato de renomear. Renomear sem relação aparente com o real. Que o mais ínfimo real seja apenas imagem. Seja apenas suporte para chegar ao novo, para chegar no topo de onde quero estar: o sentido. Não renomeio por acaso, renomeio o “nome” porque sinto. Sentir é meu processo e a imagem é minha oração. No entremeio de uma explicação parcial ao meu ato de renomear, desdobro sentidos. O que são estes senão partículas de minha intenção de sentir? O que são estes senão minha vontade de existir enquanto discurso?
A linguagem sustenta as imagens que procuro para sentir. Sentido-as, renomeio e explico meus motivos. Minha incapacidade de explicar meus motivos é polissemia.

Nota avulsa incitada por Júlio Cortásar, In: Valize de Cronópio.



ESPECIALMENTE, PUBLICAREI MEU BLOG TODAS AS SEGUNDAS FEIRAS, NA RESSACA DO NADA / TUDO FAZER E DO NADA / TUDO SER, DOMINGO A TARDE....
CONTO COM A PRESENÇA DE TODOS NESTE ESPAÇO.

OBS: PRÓXIMO BLOG TEREMOS TRÊS POETAS DO CURSO DE LETRAS EM PERFORMANCES ANTOLÓGICAS.

Abraços.

segunda-feira, setembro 05, 2005

PUBLICANDO ÚLTIMOS TEXTOS

Uma linha na solidão branca;
Nos sonhos leves delírios;
Neves vivas olhos em sangue;
Lírios em mim em nós;
Por todo o corpo um cheiro azul;
Espalhando escamas no rosto branco da musa;

Não; não existem idéias;
palavras tem cheiro; e nada mais

Estão escassas as ruas nuas ainda que vão;
Quem me disse da estruturas ou das escrituras?
Louvado seja eu, que nasci escrito;
Apenas uma linha na solidão branca;
(Rômulo Giácome - 2004)



O fogo repleto em um espaço incerto
Inseto morto no cume da água
queimava mais que lágrimas
No tato incerto de uma língua fogosa
Vagando Moribundo
Marimbondo
tocando a ponta do teu começo
Trombone d´água rugindo nua
Dizendo sempre: tua, tua.
Mas é por demais assim
Um inseto morto no leito
d´água
Lançando fogo no olhar sedento
Sede queimando o momento
Sede de tempo e de vento.
(Rômulo Giácome – 2003)

procuro um estado onde a palavra não trema
o som não saia
e não pingue em mim
um clarão de luz
procuro um estado onde a sorte tarde
e tardiamente vazia
recaia
o por do sol

procuro a mancha da idéia em teu sorriso
caustificando
a claustrofóbica dúvida
no contorno da sua presença
um fio de razão
cortando o tempo e a emoção
vazando as nuvens
letargicamente inspirando os mortos a aparecer

vestidos de vida aparecem os mortos
cruzes empunhando o juízo
poças de vida por sobre o asfalto
poças de texto em cima do texto
pingos de i em cima do ponto
pontos na pele de um urso branco

na ressurreição da terra
uma pequena gota de água
sulcando o solo
sulco de espera
lacuna conjuntiva
desesperado o poema procura
um lugar no céu ou no inferno
um lugar para cair
um lugar para morrer em paz





ACEITAÇÃO

as paredes da casa fechavam por sobre os ombros,

alinhados sob a muralha de consciências disparadas na imensidão dos sonhos

juntam restos humanos por sobre folhas mortas atadas ao toco

sustenta o resto da vida que existe no peito depois do horror?

O tempo batuca nas cabeças vazias
O espaço estica na órbita do olho
O resto de jeito que fica no certo
Um resto de certo que fica no torto
Um resto de mundo que fica no texto
Um resto de texto que fica no mundo

Rômulo Giácome, junho de 2005

quinta-feira, agosto 25, 2005

O ATO CRIADOR VERBAL

A criação verbal é um ato que perpassa o individual para o coletivo.
A linguagem compartilhada, os códigos compartilhados, um espelho sígnico que nos abre os olhos e permite dissipar, momentaneamene, as considerações genéticas. Evoluir do grau de ser biológico, para um ser existencial e singular, é a presença forte da "singularização" que nossos amigos linguistas já propunham.

Para apreciarmos a arte verbal sob o âmbito humano, bastamos "fruir" e sentir um langor de existência corar a língua e abdicar dos contornos da palavra, livre do dicionários ela voa por sobre os paredões sintagmáticos, procurando rastros de formas perdidas no
desconhecer.

Mas, apreciar a obra também é atuar por sobre a linguagem velada do óbvio. A partir daí temos a análise literária. Como diagnóstico e descrição do fenômeno poético.

Procuro graduar a análise por sobre dois fatores:

a) a metodologia utilizada
b) a qualidade do sentido

a) Quanto ao método, devemos estar esclarecidos sobre o âmbito da forma e do conteúdo (campo de expressão e campo do conteúdo). Ninguém analisa algo sem antes passar pela materialidade dos recursos utilizados. Descrever estes recursos ajuda a aprofundar uma leitura.
Toda forma projeta sentidos, e logo, aprofunda leituras.

b) por outro lado, agir por sobre o conteúdo poético não é apenas "descrever" o que o poema já disse. É uma metalinguagem mais produtiva, onde vem a tona as expectativas de sentido e seus devidos recursos propositais. Contudo, poemas pedem determinadas leituras.
Existem poemas de ampla latência literária, que deve ser observado detalhe a detalhe. Neste "detalhe a detalhe", observa-se a arte de interpretar (substituir) e aprofundar uma leitura individual realizável (comprovada via de recursos). Outros poemas exibem imagens ou alegorias planas, sendo que devemos encará-los como hipóteses de leitura. Já outros poemas que são ideológicos por natureza, falando da sociedade ou de lacunas humanas que não permitem devaneios, e que devem ser tratados com novas visões ou atualizações no contexto presente.
Em suma, devemos prestar atenção, sempre, (visto que não é fórmula) em alguns elementos fundamentais:
- a presença de contradições e suas representações;
- a força individual do signo; seu paradigma de sentidos e o motivo real de sua permanência no texto;
- A presença marcante do EU e suas potências;
- As relações sêmicas;

IN(LEITURA) or Leitura por Dentro========

POEMA DE JUCYLAINE REGINA CAMBUI (Poeta do 4 período - Letras)

ECOS DE MORTE

Lentamente vou chegando - ANDO
ao final de minha vida - IDA
o imã da morte me atrai - AI
pouco a pouco estou partindo - INDO

Quem por mim chora - ORA
qual um choro de menino - (h) INO
Clama, pede, implora - ORA
E mais alto é o choro do sino - (h) INO

Enquanto ergue-se o sol da tarde - ARDE
O cortejo vai saindo - INDO
Em choros agudos e graves - AVES
Soluços da minha partida - IDA

No lugar que estou agora - ORA
Unem-se o feio e o belo - ELO
Os lamentos não nos consomem - (h) OMEM
Mas a terra - ERRA


Ecos de morte pode ser um pequeno lamento afetivo. Mas não é um pequeno lamento literário. Outrora fossem vozes, do infiel a vida Casimiro de Abreu, para quem a morte é mais viril que a velhice. Outrora fosse apenas uma poesia em um erário de pequenas e frágeis vozes, que soerguendo os bracinhos, olhando timidamente o hecatombe,
não se desesperaria com o fim. Na realidade efetiva das artimanhas poéticas, são conclusões precipitadas por sobre um código plano de possibilidades. O uso criativo e oportunista, da manutenção sonora de eco final, desesperadamente soando anacrônico, sutilmente encaixa
como símbolo de toda a plataforma plástica do verso predecessor.
Lentamente vou chegando - ANDO. O contraste da dupla narração, simultânea, permite uma dupla perspectiva de visão da mesma cena: ao horizonte vemos o eu chegando; o eu se vê caminhando. A magnífica tridimensionalidade de vozes, que propiciam uma terceira pessoa e outra primeira pessoa, pode não estar prevista na mente criadora da autora, mas estava dentro da lógica universal da palavra poética, estava na entranha da composição literária, ressucitada, revelada.
Este comentário não tem tom solene; não procura grandiloqüência; apenas está surpreso. (A MILHOES DE COISAS A SEREM DITAS, MAS DEIXEMOS QUE SOEXISTAM)

Uma das grandes revelações que me bateram os subwofers foi Art Brut;

O Punk de novas dimensões está de volta? sim (coro). O Punk está sozinho? (não) coro. Como ele está hoje? (simplesmente, o mesmo, só que hoje).




Já para os tweters, nada Melhor que Arcade Fire. Pois aí vai a capa do disco e a foto dos cara. (Na minha concepção, o melhor disco de 2004).
- Enxuto
- Grandiloqüente
- Do down para o up
- Artístico
em suma, PARADIGMA.








ABRÇÃO A TODOS QUE ME AJUDAM A SER FELIZ COM A LITERATURA
--- não importa o que aconteceu; se mudou ou não alguma coisa; o que
importa é que continuemos o mesmo -----RG

quinta-feira, agosto 18, 2005

RECURSOS PARA ANÁLISE LITERÁRIA

ASPECTOS FORMAIS (DESCRIÇÃO)

1. Disposição gráfica do texto (formato visual, extensão do verso)
2. Ritmo; (Sintaxe e pontuação)
3. Melopéia: (sonoridades: fluídas, ásperas, duras, etc)
4. Versificação (classificação quanto ao período)

5. Escolhas morfológicas:
a) ações; (verbos) Implica em presença forte do ser / fazer / parecer / oposições e embates com algo (passion)
b) nominalizações (substantivos) Implica descrições / estados / visualidade / referências / pictórico
c) caracterizações (adjetivos); Implica opiniões / parcialidade

6. Identificação do “Eu” poético
a) Quais os conflitos?
b) Com quem?

ASPECTOS DA FORMA QUE PROJETAM INFORMAÇÕES SEMâNTICAS (DESCRIÇÃO COM FORMAÇÃO DE SENTIDOS)

1. Figuras de Sentido
a)metáforas
b)símbolos
c)paradoxos
d)antíteses, etc

2. Perversões Sintáticas
3. Imagens: logopéia (realização)
4. Signos dominantes;
a)título
b)deteminantes


- Por que o autor quis colocar isto aqui?

- O que a forma “projeta” de sentidos;

- Quais as informações que ela me proporciona

- qual a “hipótese” de leitura que irei desenvolver;

- quais os dados que ela me fornece para prosseguir em minha “escolha” de sentido;

RESSALTAR A LITERARIEDADE
- O que a obra tem de valor literário;
- quais os “códigos” visíveis de Arte, presentes no texto;

SISTEMAS SEMIÓTICOS
- posso conduzir a análise a uma leitura de outro sistema semiótico: pintura; sociedade; vida; etc.

- Sempre deve existir citações do texto para comprovar minhas idéias;

Isotopias - Relações sêmicas (semas) e novos sentidos (vertical)
Criação de elementos pré-simbólicos
Isotopias - Relações sêmicas dentro do sistema; procura de identidades
(classemas) sema contextual

quarta-feira, agosto 17, 2005

Projeto de Iniciação Científica: NORTEandos II




PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA – GRUPO TEOLITÉRIAS

LITERATURA POPULAR E LITERATURA BEAT: LIGAÇÕES COM O ERUDITO

1. Apresentação

O novo contexto de produção artística propiciou uma melhor integração entre o erudito e o popular. Este contexto de diálogos entre o regional e a Pop Art deflagrou um campo propício aos estudos da literatura como portadora cultural de identidades locais e de consumo. A quebra de barreiras entre uma latente veia acadêmica com a produção em massa, produz ótimos temas de pesquisa, que vão desde o resgate histórico das tradições bem como dialogismos com a nova cultura Beat que surge dos novos meios de comunicação.

2. Objetivo
Desenvolver atividades de pesquisa que derivem em uma condição crítico/histórica da produção artística/literária no bojo da tradição e da novidade.

3. Orientador
Prof. Ms Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes

4. Temas
MangueBeat e a geração Chico Science
Literatura de Cordel (Zé da Luz e Patativa do Assaré)
Anos 80: Punk Rock e releituras poéticas
Tropicalismo (de Torquato Neto a Caetano, Gil e Chico)
Música Sertaneja: Pop ou regional?
O novo Romance Pós-moderno: Leitura de Silviano Santiago
Cultura HIP HOP – O discurso trágico em Racionais MC

5. Metodologia
1ª Etapa: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA; Pesquisa para catalogação de Informações; Compilação de Obras de Referência; Leitura-Produtiva; Painel Histórico; (mês de AGOSTO)
2.ª Etapa: Leitura Produtiva Analítica e Crítica; Seleção de Fontes Bibliográficas; Resenhas de Materiais selecionados; (mês de SETEMBRO)
3ª Etapa: Produção Científica de Artigo; (mês de OUTUBRO)
4.ª Etapa: Apresentação na III Semana de Jornada Científica





5. Alunos Inscritos

Literatura de Cordel (Zé da Luz e Patativa do Assaré)
RENAN DE OLIVEIRA MACEDO(2.º B)
WESLLEN MAKEL LIMA DA SILVA (2.º B)

Tropicalismo (de Torquato Neto a Caetano, Gil e Chico)

SIMONE MATIA DA SILVA(2.º B)
JUCILEY FERREIRA DA SILVA (2.º B)

Música Sertaneja: Pop ou regional? (Levantamento Crítico)
Miriam Alexandra da Silva (2.º B)Ana Carolina Amaral (2.º B)Edinéia Aparecida Raimundo (2.º B)Música

Sertaneja: Pop ou regional? (Levantamento Histórico e Temático)
Janete Clair Antunes Ferreira (2.º A)Martinez da Silva (2.º A)Silvana Isbrecht Dallemole (2.º A)Elaine Alves Amorim (2.º A)

Cultura HIP HOP – O discurso trágico em Racionais MC
Rones CarvalhoAnderson Vicente FerreiraAna Maria MannRosiele Silvia Renata de Oliveira MacedoEliane Cristine

sexta-feira, junho 10, 2005

Paradigmas para o entendimento do pós-moderno

VETORES DE ESTUDOS DA LITERATURA PÓS-MODERNA
Por Prof. Ms. Rômulo Giácome Fernandes

1. A literatura pós moderna não pode ser confundida com pós-modernidade;a pós-modernidade situa-se na confluência de situações expostas pela sociologia da cultura; onde as manifestações culturais e sociais podem ser analisadas por um perfil de manifestação da sociedade; na literatura, o conceito de pós-modernidade é rotular, e serve como denominação estética e não social; demarca o momento de um início de “crise” literária a partir das manifestações neo-concretas.

2. O pós-modernismo tem sua existência condicionada ao ato da semana de arte moderna e seus derivados; a pós-modernidade literária tem relação com o avanço dos estudos da linguagem das primeiras décadas de 1900, com o aglomerado de teorias existenciais, fenomenológicas, físicas e outras que fomentaram o espírito da ciência e da experiência humana; o vínculo com os estudos da escola de Frankfurt assinalaram o vínculo da arte com o mercado e a mass-media, o consumo do objeto estético.


3. A pós-modernidade (literária) tem seu arcabouço na visão cética do mundo, da arte, da vida, do sentimento e da própria ciência teórica, que foi levada a cabo pelo advento das ciências experimentais objetivas; é uma espécie de anti-ideologia, por encarar o fim do processo histórico, o fim das lutas de classe, o fim de um ponto em si mesma. É a ausência de motivos.

4. Ela buscou no advento da comunicação de massa, mass-media, que tem a possibilidade de ecoar por uma área maior, novas formas de mídia e veiculação, aproximando-se na música popular; neste momento existe uma adequação aos padrões da “Indústria Cultural”, onde ela essencialmente deixa de possuir alteridade; neste cruzamento de intencionalidades, a literatura no Brasil passa a ser vinculada ao mercado editorial, deixando de lado a premissa do estado como mentor e provedor.


5. Foi um campo propício às tendências e tendenciosos, visto que o celeiro intelectual estava povoado de novas idéias e outras não tão novas assim; esta proliferação acometeu-se no multiculturalismo. (crítica feminista, homossexual, parasexual, proletariada, capitalista, colonialista, multigeneralista). Este povoamento se deu pelo fato de uma literatura do esgotamento (Jonh Bart) e de uma crise da consciência européia, onde abriria as portas para um “vácuo” intelectual, povoado por novas tendências.

6. A proximidade com outras mídias, criou no mundo mediático, a possibilidade de gêneros mesclarem-se e perderem a sua conceitualização antiga: “a velha rixa letra de música não é poesia”; passam a dialogar a imagem, o som, o movimento, e outras naturezas mediáticas, como a Internet, a televisão e a revista cultural.


7. As décadas de 80 e 90 foram tomadas pelo conceito semiótico de “síncrese”; (união íntegra e integral do emissor com o interpretante, por meio da analogia passional); podemos exemplificar com a massiva adequação ao imaginário popular de mitos como Cazuza e Renato Russo; uma combinação perfeita de fórmula do “ser”, por meio da relação sintomática de discurso com biografia. (criação de mitos); um falar para quem se quer ouvir, ao mesmo tempo que um dizer que apraz pelo que já foi dito; um saber a quem e como; e um interpretante sabendo o quer ouvir e ouvindo;

8. A possibilidade de criação de Mitos sem a ingenuidade mística e simbólica das religiões, nem com a vertente aproximada do ato heróico; a canonização do ente risível; os mitos passam a ser mais volúveis e voláteis, dependendo do contexto. Não estão mais calcados no pedestal religioso / científico, como explicação do mundo e das coisas inexplicáveis, mas sim relacionados ao “ser” em sua posição central de consumista da própria imagem, do próprio ego. (mitos sexuais, mitos no esporte, mitos na cultura Pop)

9. O niilismo do período pós-punk, dos varões alternativos; o período da contra-cultura universitária (década de 70); a negação da literatura e a negação do livro; valorização do esquecimento e do impressionismo momentâneo; utilização da pop arte, das diretrizes do Marketing e das logo-marcas do consumo ideológico e panfletário; O concretismo possibilitou a supervalorização da linguagem iconográfica, que geriu no pós-moderno os Layouts, o outdoor, as camisetas, como mecanismos de propulsão cultural. A pintura também passou por um momento de re-compilação da arte já produzida e da confecção da arte em série (Andy Warhool).

O uso do Pastiche. Um processo de re-modelação dos padrões que deram certo, uma re-colocação do objeto artístico dentro do círculo crítico voltado para ele. O re-posicionamento do objeto estético em lugares não artísticos (muros, praças), que deu vazão ao cultural social (o hip-hop, o grafite). Assim como a utilização de objetos não estéticos em contextos culturais. (o vaso sanitário de Marcel Ducamp no museu de arte moderna).

10. Utilização dos Blogs; sites pessoais onde impera estórias minimalistas que retratam um cotidiano jovem ou banal, com perspectivas líricas volúveis e momentos de mosaicos sociais; crônicas bizarras e contos curtos;

11. Uso do choque pela imagem; das disformidades imagéticas literárias; dissonância como forma de distanciar o objeto do código lingüístico; atrito por mexer com o inventário dos costumes literários, ao negar qualquer padrão de metáfora e linguagem; teoria de Frederic Jamesom “vivemos em um período fetichista pelo visual”; erótico-visual (as forças que movimentam a sociedade estão centradas no id Freudiano, o instinto)


12. Valorização da subjetividade pessoal; descomprometimento com o item universal ou com a causa estética; prazer no ato de expor; função expressionista; o pós-moderno é extremamente auto-biográfico; particular e egocêntrico.

13. Comprometimento com a identidade; o universo de sentido está no autor e não no seu texto; a obra é um portal para a possibilidade do autor e de seu leitor uma proximidade;

14. Desfragmentação do gênero narrativo; destroçamento do núcleo do enredo e da estrutura clássica romanesca; distanciamento do cânone clássico; uso do narrador multi-focal; da personagem intrusa e ausente; falta de definição do código e da mensagem da obra; prática da Brincolagem e do diário como celebração ao ser.


15. A pós-modernidade (literária) age com a movimentação fórica do consumo, com as mesmas estratégias e os mesmo adjetivo quantitativos; Marketing.

16. Uma relação com o real em sua porção diametral: analogia extensiva e em forma de escalas; diminuição da narrativa como forma de atingir a concisão absoluta e o poder da comunicação pelo signo virtual; (virtuema); desproporção caótica, da relação com a teoria do Caos e da formação das esferas de harmonia no interior do Interceptor da mensagem;

sábado, junho 04, 2005

Cláudio Manuel da Costa por Antônio Cândido

Disciplina: Literatura Brasileira I Regente: Prof. Rômulo Giacome Turma: III Período
Cláudio Manuel da Costa – Antônio Cândido

ESTUDOS DE LITERATURA BRASILEIRA
Organizado e Analisado: Prof. Rômulo Giácome

1.À primeira vista o poeta apud pode ser considerado excessivamente Lusófilo; mas escondido entre suas linhas e seu perfeccionismo estético, esconde-se um grande apreciador da beleza mineira;

2.O uso recorrente da rocha é uma marcação de “referência”; o que pode determinar o uso da imagem nítida: emoldurada (presença de totalidade, começo, meio e fim); busca de um referencial artístico, uma forma de não evadir para a totalidade do sentimento;

3.Uso de imagens com caracteres humanos: realça no antropomorfismo o sublime necessário, sem sair do real Arcádio e necessário do clássico; tentar sensibilidade na razão; (tirar leite de rocha).

4.Cruzamento de sensações dentro do limite do natural; formação de uma mentalidade árcade;

5.O uso de montes e penhascos é uma pequena prova do seu uso constante de referência à terra natal; contrapondo planaltos, planícies e pradarias recorrentes na poesia árcade luso-hispânica;

6.Uso de proporções na instância da narrativa dos poemas; isto porque queria um contraponto com a cultura grega;

7.Dialética entre um “momento pátrio e regional” para um “homem beletrista e deslumbrado pela metrópole”;

8.A participação cultural é feita em grande parte pela autoria; ter o sangue mesmo dos portugueses, eis um sonho de produção; mas existe uma esperança de ser aceito e famoso através de seu talento;

9.A dupla convenção de Cláudio o faz vítima de uma dualidade; sentimentalmente ligado aos penhascos de minas; esteticamente deslumbrado dos padrões portugueses;

10.O dilema de manter estas duas identidade, povoa um conceito de fidelidade às duas mães: grande tema de seus pastores e de seu boculismo.

11.Conflito: estrofe (pag87) fruto da dupla fidelidade; por outro lado, ressalta uma nítida contravenção entre o apolíneo e o dionisíaco; bem como entre a razão e o sentimento;

12.A tentativa árcade de exprimir a temática brasileira colonial através do mito exótico, da narrativa heróica, das lutas, como o fez Santa Rita Durão; (caramuru); o contrário perpassou Cláudio; muito ligado à realidade, não conseguia sair do eixo totalmente literário, impregnando sua poética também de fatos e linhas teóricas políticas;

13.O caminho percorrido por Cláudio: do Bairrista; >>> Árcade >>>> Ilustrado >>>> Inconfidente;

14.Cláudio personifica o árcade perfeito e confesso; oriundo de uma linhagem cultista fortemente ladreada pelas academias;

15.A saída do barroco cultista se dá pela força da reforma e do Iluminismo: a busca de respostas seguia paralela a busca de verdades. Esta, estava sempre mais próxima da lógica e da razão do que nos ornamentos e sofismas do cultismo;

16.Cláudio conseguiu uma grande potência poética quando reuniu o refine (refinamento), com o cultismo decadente, entrando nos limiares do populismo, período fortemente enraigado em Portugal.

17.Como pequenos traços de estilo, conseguiu a construção de uma sonoridade harmônica; metáforas com símiles greco-romanos ao mesmo tempo que românticas; como bom sonetista, mantinha a tradição viva de Quevedo bem como o dote popular de Camões;

18.Um dos temas recorrentes de Cláudio é o amante infeliz. Como forma de fuga aos entremeios da paixão, evade-se nas reflexões e contemplações espirituais; busca na retórica barroca um mecanismo de repulsa e por fim, cai na melancolia árcade e seu minimalismo bucólico;

19.Nos poemas (pág 90-91), tensão entre um sentimento expressivo e vivo para um maneirismo árcade e cultista; eis uma tensão pré-concebida;

20.Uso da mitologia como propulsor de variadas intenções poéticas: Mito de Polifemo e Lize, a ninfa; eis sua multiplicidade de vertentes;
- Influência Barroca na busca dos símbolos e mitos integralmente; não como explicação da verdade (neo-clássico) mas como representante da linguagem;
- Utilizou a visão de Metastasio (retirando do tema o lirismo amoroso, a ternura e a nostalgia e deixando o drama, confinando em ópera bufa, manifestando somente os aspectos burlescos; (em outras palavras, utilizou desta versão o estilo, para que fosse possível arcaizar o texto);
- Como forma de lirismo e sentimentalismo, elemento natural, buscou a proximidade de Gôngora, utilizando a retórica barroca e o mito cultista da linguagem;
- Através do drama de Polifemo e Lize, deste grande conflito poético, movem-se as forças para a compreensão da poética de Cláudio: cultista x árcade; emotivo x racional; simplório x adornado; terno x duro; sentimental x filosófico;

21.Vila Rica: ao modo de Caramuru, Uraguai; ao modo do pensamento Romano: Ovídio, Virgílio, Teócrito; Petrarca e o grande Homero; um poema de caracter épico: o foi?

22.“Poema Fastidioso e medíocre”; “abaixo de tudo o quanto fez”; Não aceitou o sistema métrico tradicional; usou uma métrica solta; estava entre o uso de uma forma cultista fixa (pela naturalidade) e tampouco poderia utilizar de um verso branco;

23.Poema totalmente ponderado na “verdade” imediata de fatos históricos e herança iluminista de Voltaire;

24.Têmporas de cópia perante o voluptuosa obra de Basílio da Gama; morte de Aurora; relação branco / índio (precursor em Basílio da Gama);

25.Momento áureo de necessidade de “metamorfose” poética, como em um sentido de necessidade de adequação ao moderno, pelo fracasso que passava Cláudio na metrópole; (sua sina, a de sempre querer o sucesso, banalizou-se na falta dele); a questão espiritual destoa em seus poemas; (pag101)

BASES LINGÜÍSTICAS DA LITERATURA

Caracteres da Função Literária
D´ONOFRIO, Salvatore. Teoria do Texto 1. Ed. Ática. São Paulo: 1992.

Conotação

A linguagem literária, por ser um sistema semiótico secundário que tem como significante o sistema lingüístico, constitui-se num discurso conotado, porque seu plano de expressão já inclui uma siginificação primária.
O termo conotação deve ser reservado para sentidos de uma palavra ou de uma expressão que podem existir virtualmente na experiência que temos da coisa designada por essa palavra, ou nas associações que nascem do uso que se faz dessa palavra na linguagem em geral, mas que só se atualizam por seu emprego particular num certo discurso. A conotação é um sentido que só advém à palavra numa dada situação e por referência a um certo contexto (Lefebvre, 34, p.58).
É preciso distinguir a conotação poética, ou artística em geral, da conotação de outros sistemas semióticos: a da linguagem jurídica, médica, diplomática, dos marginais, gíria, etc. O sentido conotativo dessas linguagens, uma vez descoberto seu código, torna-se denotativo, por que é unívoco. A linguagem literária, pelo contrário, é sempre polissêmica, ambígua, aberta a várias interpretações. Essa ambigüidade não atinge apenas a mensagem em si, mas também o emissor (ambigüidade entre autor e eu poemático), o destinatário (ambigüidade entre receptor textual e virtual), o referente (ambigüidade entre realidade material e realidade ficcional).
O texto literário transforma incessantemente não só as relações que as palavras entretêm consigo mesmas, utilizando-as além dos seus sentidos estritos e além da lógica do discurso usual, mas estabelece com cada leitor relações subjetivas que o tornam um texto móvel (modificante e modificável), capaz mesmo de não conter nenhum sentido definitivo ou incontestável.
Um enunciado poético, pela peculiaridade de sua estrutura fônica, rítmica e sintática, sugere várias significações evocando corres- pondências entre termos que se tornam presentes na memória do leitor, associando significantes lingüísticos a significados míticos e ideológicos, elevando ao nível da consciência os anseios do sub-consciente individual e/ou coletivo.
Conseqüência do caráter conotativo da linguagem literária é que, para a inteligibilidade ou decodificação de um texto poético, não é suficiente apenas o conhecimento do código lingüístico. Há necessidade do conhecimento de uma pluralidade de códigos: retóricos, místicos, culturais, etc., que estão na base da estrutura artístico-ideológica de uma obra literária. "Essa forma de vida que é a ‘língua’ está sempre e necessariamente inserida em situações sócio-culturais e abarca ‘formas de trabalho’ lingüísticas e não-lingüísticas, que se interpretam mutuamente" (114, p.154).

Novidade

A linguagem literária, para poder se afirmar como sistema semiótico segundo, é obrigada a desviar-se da norma lingüística. Na linguagem científica e diária faz-se largo uso de estereótipos, seguindo padrões lingüísticos e petrificando a palavra. O cientista e o homem comum não pensam no código que utilizam: o uso lingüístico cria automatismos psíquicos e intelectuais que levam à perda do sentido do significante. A força da repetição aniquila o significado original da palavra, que perde seu poder de criatividade.
A linguagem poética insurge-se contra o automatismo e a estereopartição do uso lingüístico, reavivando arcaísmos, criando neologismos, inventando novas metáforas, ordenando de um modo diferente e surpreendente os lexemas no sintagma. Os signos poéticos, mais do que expressar conceitos, carregam representações sensoriais através da metrificação, da rima, da assonância, do ritmo, da sinestesia, etc.
A novidade do significante lingüístico causa no leitor um efeito de estranhamento, que o obriga a refletir na formulação da mensagem. Para os formalistas russos, a linguagem poética se caracteriza pelo poder da singularização, pois usa o método da representação insólita: os objetos são descritos como se desconhecidos, como se vistospela primeira vez, deformados de suas proporções habituais. Segundo a bela imagem de Jan Mukarovski, "somente a função estética tem condição de reservar ao homem, em relação ao universo, a posição de um estrangeiro que visita países sempre novos com uma atenção não gasta e não rija, que toma sempre consciência de si, projetando-se na realidade circunstante e medindo essa realidade a partir de si próprio" (42, p.142).
Em suma, o poeta produz uma linguagem que, mesmo usando palavras comuns, recria essas palavras para tornar possíveis relações sempre novas com a realidade. Daí o efeito surpreendente, fascinante, fantástico da linguagem e da cosmovisão artísticas. Refletir nas palavras leva, consequentemente, a pensar no sentido que as palavras encerram. E, como à estereotipação do código lingüístico corresponde, na vida diária, uma ancilose do código ideológico, assim, na obra poética, à violação do hábito lingüístico corresponde uma ruptura com o código ideológico. A novidade do plano da expressão está quase sempre relacionada com uma novidade imaginada no plano do conteúdo. Se o poeta interroga ou, melhor, questiona o mundo, o faz para colocar em discussão o critério dos valores dominantes. E se o material de sua arte é a palavra, é só através do uso invulgar desta que ele pode chamar a atenção dos destinatários para a realidade mais profunda da condição humana.
Resta ainda precisar o conceito de "desvio" da norma lingüística, que confere o caráter de novidade à linguagem poética e que levou Jean Cohen a formular a tese de que a poesia é essencialmente "antiprosa". Diacronicamente, a poesia surge antes da prosa. Os primeiros documentos lingüísticos de um povo são versificados, sendo que a prosa, fruto do pensamento reflexivo, afirma-se posteriormente e como conseqüência da codificação normativa do discurso. Por esse fato histórico inegável, se quiséssemos ver oposição contrastiva entre prosa e poesia, deveríamos coerentemente considerar a poesia como norma e a prosa como desvio, sendo portanto a prosa antipoesia e não o contrário. Seríamos tentados, então, a inverter a perspectiva de especificidade: a linguagem literária constituiria o código geral ou macrocódigo (por ser mais natural e mais livre), de que as outras linguagens (técnica, científica, usual, etc.) seriam subcódigos específicos, que estabelecem regras estreitas de emprego lingüístico para limitar os recursos expressivos da linguagem poética, visando sua adaptação a determinadas práticas sociais.
Além dessa consideração, o conceito de norma é muito vago para ser tomado como medida do poético. À constatação de que a língua varia no tempo e no espaço deve-se acrescentar o fato de que, mesmo num recorte sincrônico e espacial, é sempre difícil estabelecer qual é "o grau zero da escritura": é a norma culta, a científica ou a popular? Como estabelecer limites exatos entre uma norma e outra e como escolher entre as várias modalidades de linguagem sem cometer arbitrariedades? Considerar, como faz Jean Cohen, o discurso científico norma, em relação à qual o discurso literário seria um
desvio, é cometer, para usar seu próprio termo, uma impertinência, pois se confrontam dois discursos que são de natureza diferentes, cada qual possuindo caracteres e escopos próprios.
"Melhor do que definir o poético, baseando-se num conceito tão fluido como o de desvio da norma lingüística, parece mais produtivo encará-lo como uma exploração das velências profundas do sistema" (49, p.177). A linguagem literária não se afirma em oposição à linguagem normal, mas é uma sobreposição de linguagens, em que se manifestam estruturas complexas. O plano da expressão e o plano do conteúdo do sistema lingüístico denotativo não são anulados, mas trespassados pelo acréscimo de significados conotativos a significantes normalmente monovalentes e/ou de significantes novos para expressar o mesmo significado. Desse cruzamento resultam a plurissignificação e a ambigüidade da linguagem poética que põem em xeque o aspecto monolítico, unívoco e monológico do sistema lingüístico normal, renovando e atualizando constantemente as possibilidades expressivas da linguagem humana.
Como releva Roman Jakobson (141, p.84), "as criações metafóricas não representam desvios; são processos regulares de certas variedades estilísticas que são subcódigos de um código geral; e no interior de um subcódigo desse gênero não há desvio quando Marwell designa com um epíteto concreto um nome abstrato (‘um verde pensamento numa sombra verde’), nem quando Shakespeare transpõe metaforicamente um nome inanimado para o gênero feminino (‘amanhã abre suas portas de ouro’)".
Mas, apesar dessas críticas, o trabalho realizado por Jean Cohen sobre a estrutura da linguagem poética apresenta uma grande capacidade operacional, pois, se a teoria do desvio gora ao nível da explicação, ela pode oferecer bons resultados ao nível da descrição do poético.

Ficcionalidade

A literatura é chamada de ficção, isto é, imaginação de algo que não existe particularizado na realidade, mas no espírito de seu criador. O objeto da criação poética não pode, portanto, ser submetido à verificação extratextual. A literatura cria o seu próprio universo, semanticamente autônomo em relação ao mundo em que vive o autor, com seus seres ficcionais, seu ambiente imaginário, seu código ideológico, sua própria verdade: pessoas metamorfoseadas em animais, animais que falam a linguagem humana, tapetes voadores, cidades fantásticas, amores incríveis, situações paradoxais, sentimentos contraditórios, etc. Mesmo a literatura mais realista é fruto de imaginação, pois o caráter ficcional é uma prerrogativa indeclinável da obra literária. Se o fato narrado pudesse ser documentado, se houvesse perfeita correspondência entre os elementos do texto e do extratexto, teríamos então não arte, mas história, crônica, biografia.
A obra literária, devido à potência especial da linguagem poética, cria uma objetualidade própria, um heterocosmo contextualmente fechado. Essa realidade nova, criada pela ficção poética, não deixa de ter, porém, uma relação significativa com o real objetivo. Ninguém pode criar a partir do nada: as estruturas lingüísticas, sociais e ideológicas fornecem ao artista o material sobre o qual ele constrói o seu mundo de imaginação. A teoria clássica da arte como mímese da vida é sempre válida, quer se conceba a arte como imitação do mundo real, quer como imitação de um mundo ideal ou imaginário.

Verossimilhança

A obra de arte, por não ser relacionada diretamente com um referente do mundo exterior, não é verdadeira, mas possui a equivalência da verdade, a verossimilhança, que é a característica, que é característica indicadora do poder ser do poder acontecer. Distinguimos uma verossimilhança interna à própria obra, conferida pela conformidade com seus postulados hipotéticos e pela coerência de seus elementos estruturais: a motivação e a causalidade das seqüências narrativas, a equivalência dos atributos e das ações das personagens, a isotopia, a homorritmia, o paralelismo, etc.; e uma verossimilhança externa, que confere ao imaginário a caução formal do real pelo respeito às regras do bom senso e da opinião comum.
Se faltar a verossimilhança interna, dizemos que a obra é incoerente ou aloucada, aproximando-se do não-sentido; se faltar a verossimilhança externa, entramos no domínio do gênero fantástico, definido por Todorov (107, p.39) como uma hesitação entre o estranho e o maravilhoso, entre uma explicação natural e uma explicação sobrenatural dos acontecimentos evocados.
Mais importante é a verossimilhança interna, a coerência estrutural da obra, porque, quanto à verossimilhança externa, a fuga para o fantástico, para o mundo da imaginação, é comum à literatura. Transformar um homem em animal (O asno de ouro, de Apuleio) ou em inseto (A metamorfose, de Kafka) e conferir a esses seres não-humanos inteligência e sentimentos fazem parte do heterocosmo poético, cujas leis podem ser homólogas, no máximo, mas nunca idênticas às do mundo real. A literatura de ficção supera a antítese do ser e do não ser, do real e do imaginário: a personagem artística é, porque foi criada por seu autor, e, ao mesmo tempo, não é, porque nunca existiu no plano histórico


INTRODUÇÃO A ANÁLISE LITERÁRIA

O ATO CRIADOR VERBAL


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Estamos aqui para falar um pouco de “cultura”:


Esta palavra ultimamente tomou muitos significados; Em uma época onde publicar livros era difícil (Iluminismo, Revolução Industrial), e a qualidade Científica bem como os mecanismos de censura: estado, clero, economia, falavam alto também, talvez o termo fosse menos ambíguo. Existia menos produção, menos informação. Hoje, com o advento da “era” dos “dados”: informática, Internet, e-books, música MP3, revistas e televisão, a quantidade de informações passou a ser tão imensa, que a primeira atitude não é ter acesso a informação, mas sim o que é realmente cultural e o que não é. (entendemos cultural quando sentimos um alicerce de humanidades, ciência e arte). O entretenimento torna difícil a seleção. Apesar que não podemos cobrar muito dos mecanismo tradicionais de comunicação: a TV e a revista. Elas estão amarradas a outros fatores senão o plenamente cultural. Logo, tenhamos cuidado.

Duas informações:

Ítalo Calvino e Umberto Eco já previam e advertiam para a era da Informação exige censo crítico redobrado. É muita informação, reunida sem um índice unitário, sem uma catalogação qualitativa.
Por outro lado, a própria tecnologia tende a melhorar este panorama: Steve Jobs, da Apple, afirmou que em poucos anos será lançada uma tecnologia de depuração de dados, consistindo em uma teia de informações mais elaborada, que busque e catalogue dados mais precisos. Segundo ele, vivemos ainda no sótão de uma imensa mansão de informações.

Várias:

a) Na TV educativa existem dois programas maravilhosos de cultura e crítica literária: PROVOCAÇÕES e RE-CORTE CULTURAL. São entrevistas a poetas e jornalistas, críticos de arte e cinema, músicos e agentes da cultura que falam olho no olho com seus entrevistadores.
b) “Neto perde sua Alma”; filmaço falando da guerra dos farrapos e guerra do Paraguai, utilizando-se de uma linguagem diacrônica / anacrônica, permeada de belas paisagens no Rio grande do Sul, mostrando a vassidão da história, o sofrimento dos negros que lutaram nos caudilhos e ficaram desamparados:
c) OBS: As revoluções sempre acontecem no campo das idéias; servem para re-mexer o panorama social vigente e nomear novos líderes. Quem vence quem? Os burgueses venceram o absolutismo na França. Quem são os burgueses hoje? A democracia venceu a ditadura: quem venceu quem? O que é democracia? O que é liberdade? Tudo depende simplesmente de um ponto de vista teórico; a prática é sempre diferente.
d) Mas as revoluções ainda são as formas mais legítimas de libertar e oprimir. Ainda deve existir enquanto motor central das descobertas, das novas posturas sociais e determinar a nova ordem vigente.
e) A informação que nos vem é insuficiente para nos sentirmos sujeitos conscientes da própria história. A TV, o rádio, a revista, pasteurizada na concepção das Holdings, mostra uma seqüência natural de discurso, que aliado à consciências das massas, deturpa o visionário, o fascinante mundo do desaprender.
f) Um repórter da Revista Caros Amigos, Abraz Júnior, conta que na guerra do Golfo, todo o aparato midiático conseguiu nos convencer que poucos árabes morreram. Todo o aparato da propaganda ideológica americana mostrou apenas a tecnologia, a mira, a visão, o poder de conduzir uma guerra “inteligente”, automática, fugaz. Na realidade, segundo ele, morreram mais de 100 mil árabes. Árabes sem história; árabes culturalmente inimigos de todo o ocidente; árabes inimigos da Igreja; Árabes inimigos de Deus.
g) Abraz Júnior perguntou à uma antropóloga árabe, porque as mulheres usavam aqueles Véus; se era por discriminação, machismo, desvalorização da mulher; ela respondeu que antes mesmo do surgimento do Brasil, séculos antes da colonização americana, muitos séculos antes, antes mesmo de Cristo, elas já usavam aquele Véu: por que não usar?
h) Em “O Sorriso de Monalisa”, a professora vê a aluna casando e deixando a carreira em Yale para virar dona de Casa: ela questiona que aquilo não poderia acontecer, não era a opção correta. Respondeu a aluna: se é possível escolhermos o que queremos para nós mesmos, escolher casar e ser dona de casa é uma escolha tão legítima quanto cursar advocacia.
i) Leiam o Livro dos Sonhos (Jorge Luís Borges); leiam Tomas Mann (Morte em Veneza). Leiam Sobre o Vulcão de Malcom Lowry. Leiam Nelson Ascher. ESTAS SÃO AS MINHAS ÚLTIMAS RE-LEITURAS.
j) A tendência de hoje a fazer pastiche da década de 80 também está refletida no Pop Rock inglês e americano de qualidade. A banda Bloc Party faz esta releitura como nunca. É uma indicação minha de som a la The Cure.
k) Interpol também se reconhece nesta leva. Indico a todos uma audição.
l) Segue a minha lista de bandas mais “escutadas” nestes últimos “segundos” de existência:
- Árcade Fire – Funeral – Simplesmente exuberante
- Bloc Party – O retro-cure falando forte no sub. Bem mellon - colin
- Interpol – Se eu tivesse uma banda e soubesse alguma coisa a banda que eu gostaria de ter.
- Queens of the stone age - A veia guitar está mais forte do que nunca. É a evolução-depuração do rock pesado pro – file.
- Damian Jurado – Simplesmente o pai das melodias mais bonitas que tenho escutado nestes últimos segundos.

Segundo Nick Horby, a cultura Pop não é erva daninha, nem tampouco inferior do que outrem. Eu digo o seguinte, abaixo da música erudita, aquela de performance que não pode ser gravada e reproduzida, somente existe o POP. (entendam melhor esta definição estudando Adorno e a escola de Frankfurt).

Bem, abraços leprosos a todos; beijos escarrados e soquinhos do Mike Tyson bêbado e tarado no estômago; fiquem com o Bob Sponja (spo + ninja)

quinta-feira, maio 19, 2005

METODOLOGIA PARA A CRÍTICA LITERÁRIA

PARADIGMAS PARA UMA “NOVA” CRÍTICA LITERÁRIA
Org. Professor Rômulo Giácome Oliveira Fernandes


1. A crítica literária dividida em duas ações: (metodologia básica)

a) Desdobrar a obra do ponto de vista dos “sentidos”, propondo releituras e revisões interpretativas, relatando estas leituras através de meta-textos;

b) Averiguar e descrever a qualidade da obra segundo parâmetros centrais da crítica literária atual.


Estas ações estão pautadas na estratégia e postura central da ciência TEORIA DA LITERATURA: a análise literária. Através desta, poderemos desmontar o texto, procurando diagnosticar os recursos / terminológicos logo abaixo citados.

2. A questão da qualidade:

2.1. A qualidade enquanto “constructo”; matéria verbal trabalhada de modo a propiciar as categorias centrais estudadas pela Teoria da Literatura: (eis abaixo as terminologias que são senão componentes operacionais “identidades” que a análise propicia diagnosticar)

a) Modulação: (capacidade de abstração do signo; do denotativo para o conotativo) Iuri Lotman; Greimas
b) Literariedade: (relação harmônica do sentido com a forma; a beleza estética da escolha e combinação para erigir sentidos múltiplos) Ezra Pound; Terry Eagleton
c) Polissemia: (uma obra aberta e neutra do ponto de vista semântico; sem necessidades de compreensões literais e possibilidades de múltiplas escolhas e substituições) Greimas e Todorov.
d) Significação: (a potência de relacionar-se com determinado contexto elocutório e significativo e a partir dele conseguir manter-se nova e viçosa, apontando novas possibilidades culturais, antropológicas, teóricas e interpretativas); Roland Barthes
e) Função Poética: (a relação entre o eixo da seleção e o da combinação verificando a literariedade deste processo, bem como se a função dominante é a poética ou metalingüística)

2.2. A qualidade enquanto sistema representativo de dada cultura (manifestação humana) e histórica na confecção do discurso da humanidade:

a) Performance do Signo: Seu poder de diálogo com outros signos dentro do sistema poético, possibilitando relações multi-dimensionais;
b) A representação do discurso: se o discurso possibilita links com outros discursos prontos ou não, evidenciando o caráter de hipertexto da teia verbal; (o sentido de um texto é outro texto; o sentido de um signo é outro signo).
c) Coesão Semiótica: ao nível da teia e signos e semas, a existência de coesão das células semânticas entre si;

2.3. A qualidade enquanto processo estilístico da forma e da retórica poética:

a) Logopéia: beleza das imagens (descrição); caráter inovador das imagens, coerência imagética, acabamento visual;
b) Melopéia: beleza da sonoridade; criatividade nas harmonias; possibilidade de sentidos e grau estético dos ritmos (pontuação, cadência dos versos, classificação das rimas, numeração tônica); relação do sentido com a “música” do poema;
c) Figuras de linguagem: acabamento na confecção das metáforas e alegorias; uso dos símbolos; as metonímias; figuras de inversão;

2.4. A qualidade do texto enquanto ente fundado no “cânone” estético; (Harold Blom, Yale, 2004)

a) Perceber relações do texto com um cânone estético, possuidor de características literárias, históricas e sócio-culturais; definir qual é este cânone;
b) Detectar e descrever as relações existentes entre o poeta analisado com autores específicos do cânone a que a obra reside; (fazer contraponto com um ou dois autores)
c) A qualidade do texto estará determinada pelo “uso” do cânone poético com suas variáveis:
a. O autor conseguiu manter coerência a um cânone; esta verossimilhança canônica propiciou ao autor qualidade de manutenção dos atributos básicos da poesia naquele momento;
b. O autor evoluiu e inovou seu cânone; trouxe a tona novos procedimentos e novas visões poéticas; sua qualidade estará analógica a seu valor de inovação e transcendência à norma estética;
c. O autor está à margem e inferior ao seu cânone; sua obra reproduz um censo-comum, com quantidade exorbitante de clichês poéticos que estão desatualizados e não causam estranhamento;
d. O autor não possui cânone aparente; a semiose destitui a obra de não estar ancorada em algum cânone; ou temos um mix canônico ou uma obra primitiva, sem embasamento formal e poético de construção;


Notas sobre o discurso crítico:

Existem muitas maneiras de construir um discurso crítico. (a resultante de todo este trabalho crítico). Por existir fórmulas perfeitas, algumas dicas tornam-se relevantes:

a) O discurso crítico possui um juízo baseado em valores muitas vezes parciais. O DC deve apresentar a obra ao leitor, mostrando o que ela possui de sentido (via de sua interpretação no meta-texto) e indicando sua potência de significação (o que ainda podemos extrair dela); deve reapresentá-la em suas características positivas e também negativas, apresentando neutralidade; cabe ao leitor ponderar sobre os atributos dados pelo DC e concluir se a obra é boa ou ruim;
b) Quanto mais sentidos um crítico consegue extrair da obra, teremos mais possibilidades do leitor evoluir o processo; o crítico é o primeiro a “garimpar” o texto; as pegadas deixadas por seu trabalho conduzirão a novas hipóteses do leitor; nunca o DC deve fechar a obra a outras interpretações, mais sim motivá-la e incitá-la;
c) O crítico é o primeiro a divulgar uma obra; muitos leitores lêem o texto pelos olhos do crítico; criar estereótipos prejudica o processo de significação; por outro lado, propiciar ao leitor comum maneiras mais fáceis de abordar a obra é latente; o crítico sempre deve ser um divulgador e empolgado pela obra, um admirador da qualidade.
d) A linguagem deve ser objetiva e clara; acessível a todas as categorias verbais e culturais; esclarecer os critérios apresentando as provas (análises) e diagnosticando a qualidade segundo padrões lúcidos e informativos.

ANÁLISE CRÍTICA DOS AUTORES ÁRCADES: POR BOSI

ESTUDO DOS AUTORES PELA ÓTICA DE ALFREDO BOSI
Professor. Rômulo Giácome O Fernandes


“Mais de um fator contribuiu para que Cláudio Manuel da Costa fosse o nosso primeiro e mais acabado poeta neo-clássico”. (p. 61)

1. CLÁUDIO MANUEL DA COSTA (GLAUCESTE SATÚRNIO)
Com esta citação abrimos este estudo sobre os autores Árcades na obra História Concisa da Literatura Brasileira. Como prenúncio de uma possível valorização imediata de Cláudio, o adjetivo primeiro e mais acabado nos dão um detalhe peculiar. Cronologicamente, Cláudio foi o primeiro poeta de nossa geração neoclássica. Por outro lado, o acabamento dado aos seus versos, atribuíram-no o título de artesão-mor do período. Criticamente, estas marcas de juízo deixadas como pegadas por Bosi, serão mensuradas ao final desta resenha. De um modo geral, podemos avaliar Cláudio por sua configuração, detalhada abaixo:

1. SOBRIEDADE E CULTURA HUMANÍSTICA. Um quesito primordial para a confecção de uma poética neoclássica, é o reconhecimento de todos os meandros da cultura helênica e romana, tendo os referenciais mitológicos, estruturais e temáticos necessários ao projeto de poética árcade. Sóbrio é uma atitude frente ao verdadeiro material poético do clássico, a verdade, o nobre, a essência mimética que pode ser contemplada através da retórica. Positivo.
2. CULTISMO x NEOCLÁSSICO. A estréia de Cláudio se deu no cultismo, ecos do barroco advindos da cultura portuguesa. Mas o poeta estava contaminado pelos ideais estéticos da Arcádia Lusitana, e logo, passou a veicular a idéia do Bom gosto (gosto melhor). Positivo.
3. GOSTO MELHOR. Este paradigma de poética (cânone) pode ser resumido na síntese entre uma estética formal camoniana e laivos bucólicos. Esta fórmula é específica do autor, mas notem que se faz necessário uma etiqueta árcade no modo de encarar a literatura. Positivo.
4. FIGURAS FEMININAS. A presença de figuras femininas das mais variadas promovem por dois momentos um embevecimento da forma sentimental lírica, emulada pelo desejo e pelo amor. A questão centra-se sobre o “não-ter”, ou “não-poder” que tornavam estas ardências inalcançáveis. Esta informação será melhor evidenciada a seguir. Positivo.
5. PRADOS, RIOS, MONTES E VALES. Avultam-se na obra e passam a ter enlevos de contexto. Querem exprimir como co-autor, demonstrando sua presença sentimental, um segundo Cláudio, que apresenta suas emoções pela terra natal. Este ventriloquismo (a rocha falar pelo autor), promove a ambivalência entre o rústico e o urbano sofisticado. Positivo.
6. PETRARCA. Os líricos europeus se utilizaram agudamente da Influência deste autor na forma dos versos (torneios frásicos e rítmicos), bem como o uso da natureza como consolo ou confidente, que muitas vezes pode ser confundido com aspectos pré-românticos. Neutro (manutenção do cânone).
7. ERÓTICO MUNDANO X ÉTICA CLÁSSICA. Uma crise existencial convivia com a arte neoclássica. O retorno ao lúgubre sensual medieval persistia na mentalidade urbana, que procurava no homem citadino motivos de evasão moral. Este duelo entre um desejo ardente reprimido pela força dos valores clássicos de nobreza, honra e verdade, diluídos na visão cristã, contornaram um perfil de amor distante, idealizado como em momentos radicais de Camões. “Toda uma vertente platonizante sulca nossa poesia clássica”. (p. 63).
8. DUPLA VALÊNCIA. O limite entre um prestígio literário na Arcádia e na metrópole e o enraizamento mineiro canalizando no bruto e no rústico “rocha”, deu o tom da ambivalência de Cláudio. Como maneira de dar vazão a este interstício, compôs épicos de qualidade mediana (ver Vila Rica), comprometendo a qualidade total de seu projeto poético. Negativo.
2. BASÍLIO DA GAMA (O Uraguai, 1769)

O reconhecimento da obra de Basílio da Gama de dá, segundo Bosi, pela sua dinâmica em imprimir um épico transgênico ao seu tempo, com possibilidades de inovação muito mais plenas do que em Cláudio, poeta este amarrado ao seus motivos “da estética da criação”.

1. AMBIVALÊNCIA. O mesmo frenesi de popularidade atacou também Basílio. Sua obra concentra-se por sobre um “plano” natural e procura âncora em uma determinação árcade lusitana. Negativo.
2. POEMETO ÉPICO. Não podemos considerar O Uraguai um poema épico por natureza. Alguns detalhes lhe ofuscam a visibilidade clássica pura. A primeira a temporalidade presente. A) O atual, o aqui e agora, não consegue desenrolar um processo de mitificação que a epopéia, por estar no passado, atinge. Não existe uma contribuição do “passado” para a construção de uma memória coletiva. B) Por outro lado, as divisões do enredo heróico não são levadas a rima. Mais uma veleidade neo clássica (ressalte-se aqui o “novo” como também sinônimo de adaptação). Positivo.
3. ESCRITO POPULAR. “O Uraguai lê-se ainda hoje com agrado, pois Basílio era poeta de veia fácil que aprendeu na Arcádia [...]” (p. 65). Os versos são “arredondados” de maneira a manifestar um balanço entre sáficos e heróicos, promovendo uma característica lírica narrativa. Positivo.
4. JESUÍTAS. Enganadores dos Indígenas. Inimigos de Pombal. A veia pombalina também presente em Cláudio é uma forte marca de Basílio. O indígena, potencial vitorioso do embate de O Uraguai, sai senão como vencido do poder de Pombal. A política ofusca a caracterização total de um indígena livre e totalmente revolucionário. Ele sustenta abertamente o marquês (Pombal) caindo no laudatório no caricato, características que diminuem a obra frente a um projeto político nacional. Negativo.
5. ÁGIL E EXPRESSIVA. Bosi afirma que a poesia de Basílio é de boa qualidade, e em seu conjunto, foi o melhor que se fez na época. A dinâmica das cenas, onde a tessitura narrativa composta por versos ricos em sonoridades e melodias harmoniosas, conjugadas por métricas oscilantes entre enjabements e decassílabos livres, produz um diálogo perfeito com as imagens (logopéia), que se articulam como um pano de fundo móvel, travando contato com a superfície textual e semiótica das representações.
6. PAISAGISMO ROMÂNTICO. Sua inovação maior foi o uso dos cenários naturais, que no cânone clássico, agem como moldura, agente que cerceia os limites do primeiro plano (conteúdo, personagens). Aqui o plano natural dialoga (dialogismo) com todas as esferas do texto, não apenas propondo seu quinhão de valor representativo (Cláudio, rochas) mas também fornecem relações de síntese entre as personagens, o conteúdo, à ordem lírico/narrativa e todo o conjunto. Este diálogo é promovido quando a paisagem é vista pelos SENTIDOS.
7. PRÉ-LIBERAL E ILUSTRADO. Não podemos negar que Basílio foi um pré-liberal, e estava mais próximo da Ilustração do que Cláudio. Haja vista que ser liberal é estar próximo dos movimentos e de qualquer célula de revolução. Por outro lado, Basílio não pode ainda ser considerado um Ilustrado, visto que seus desígnios políticos apresentavam a visão da colônia.


3. SANTA RITA DURÃO

Santa Rita Durão se mostrou pouco apto a aceitar as novas idéias Iluministas na integridade. Mostrou-se dialético quanto à sua postura: delineações clássicas na estética, pensamentos coloniais e tradicionais nas temáticas.

1. A MATÉRIA PRIMA “O ÍNDIO”. O índio foi o grande ponto de contato e dissonância entre Basílio e Durão. Este, apesar de se utilizar dos Tupinambás de modo mais detalhado e evidenciando seus caracteres individuais, procurava apresentar à Europa um índio que metaforizasse a verdade sobre o dogma católico. Este motivo teológico e tradicional, fez com que os selvagens fossem vistos pela ótica sub espécie theologiae. Negativo.
2. A CÓPIA. Imprimir poeticidade aos estudos já variados sobre a flora e fauna brasileiras já seria motivo de menor carga literária. Do ponto de vista de uma época em que a Europa estava habitada pelos ideais libertários, aportar com o índio em terras portuguesas não pode ser considerado ruim, mas literariamente é diminuta. Negativa.
3. O ÍNDIO COMO O “OUTRO”. Esta diminuição da categoria indígena enquanto “ser” presente no marco das questões humana / religiosas, fez com que ele reportasse a cultura natural indígena ao espanto de uma cultura européia civilizada. A antropofagia, a amoralidade, a sexualidade, são motivos indígenas de contestação do modo de entender a alma católica. Negativo.
4. O CHOQUE AOS LIBERTINOS. Contrário a toda forma libertária que preconizasse revolução e anti-colonialismo, Durão não se mostrava tão abismado com os indígenas quanto se mostrou com os filósofos libertinos.
5. O CÂNONE DE DURÃO (O CARAMURU). Podemos sintetizar a ordem estética dos poemas de Durão através da fórmula que priorize uma re-colocação do Cristão Maravilhoso na obra de Camões, apontando nela o que estava de “rachaduras” entre o binarismo cristão x pagão (colocar mais cristão). Por outro lado o excesso de imagens / retóricas ultra-gongoristas, em forma de enumerações profusas e renitentes ao almanaque / enciclopédico.
6. UMA ALTERAÇÃO DA ROTA DE CAMÕES. Achar a obra de Camões incompleta soa forte; mas acreditar que ela mereceria um aprimoramento, esta é a chave. Ironicamente, destituir de Camões o excesso de mitos, que sob a forma híbrida (cristão e pagão) afortunavam o texto português, agora já era hora de uma crítica a estes hibridismos, ressaltando a tendência do século XVIII em cortar a mitologia pagã do seio dos poetas batizados (cristãos). Esta consciência de restauração da orbe cristã-medieval, é um ponto de acerto em Durão, tendo em vista que o romantismo procurou exaurir os excessos mitológicos dos ilustrados rebeldes, renovando e revitalizando o ideal medieval-bíblico. Positivo.
7. POUCO APARATO CRÍTICO EM CARAMURU. Por erros da crítica e localizadamente, a escassez dela, propiciou que esta obra viesse a ser uma ancestral dos motivos Românticos, mais pela sua temática e vitoriosa manifestação cristã, do que pela liberdade estética e trabalho estrutural.
8. CONTRA-REFORMISTA. Durão e sua obra soam aptos a referendar a nova imersão da Igreja Católica em seus pilares, na busca de uma retomada de seus valores e agregação de fiéis. Logo, O Caramuru permaneceu encravado no pedestal das obras importantes à Igreja, na coluna conservadora de Portugal.
9. O PESO DE DIOGO “CARAMURU, DEUS DO FOGO”. Para um projeto de mitificação do herói Diogo, pesa a distorção que o peso da ideologia acarretou em sua figura. Incorporando o missionário e o colonizador, em uma dupla articulação, Diogo torna-se escravo de seus motivos, e não consegue a agilidade necessária a tornar-se mito integral. Esta paralisia está concentrada em sua inércia como herói, marca do guerreiro pacífico e cristão.
10. DESCRITIVISMO. Esta marca retoma a epopéia clássica, baseada em crônicas de feitio histórico.
4. TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA (DIRCEU DE CRITILO)

O fio condutor que liga nossos poetas árcades, deve levar em consideração mais o parentesco de Basílio com Gonzaga do que com Durão. Isto porque se assemelham no parentesco das líricas mais modernas, com forte embasamento bucólico, campestre e de marcas iluministas. Estas últimas são o solo fértil de idéias que embasaram a Ilustração.
Entendemos a Ilustração como este momento real entre um cenário anti-colonialista que compactua com a verve Iluminista de forte apelo Racional. Ilustração pode soar como sinônimo de crítica costumas aos regimes coloniais e aos excessos do ideário Cristão Católico.

1. FINGIMENTO POÉTICO. Bosi assinala o que chamo de ponto tenaz para a literariedade de Gonzaga. A dissociação entre a figura do cético burocrata para o amante inveterado e idílico de Dirceu. O que temos de “pessoa” para entender a obra, também temos de personalidade dúbia entre um racional amante para compreender que quase tudo, senão a obra como estrutura, fora apenas fingimento poético. Positivo.
2. CÂNONE FORTE. O projeto individual de arte Árcade de Gonzaga, é com certeza uma forte manutenção do cânone, que nas palavras de Bosi, não fica a dever nada para as Liras Italianas e Portuguesas.
3. COMEDIMENTO. Um tempero forte no Árcade é o comedimento. Esta chave mostra que não é através do exagero da paisagem e sua beleza tocante, nem tampouco pela intensidade das emoções amorosas que se constrói uma obra neoclássica. Ao contrário, o Árcade lima os exageros de modo a ficar a matéria pura de mimese.
4. A FUGA AO NATURAL. Sociologicamente, o natural, esta fuga ao lócus amenus, é a perspectiva de ver as pressões do burgo opressor, das cidades em expansão, de longe. Fugir para o campo, ou ao menos para a paisagem campestre, não é tão somente o ponto local do idílio, mas também uma forma de evasão ao urbano opressor.
5. O PANO DE FUNDO DOS MOVIMENTOS ÍNTIMOS. Por outro lado, o cenário da natureza é o ponto de apresentar, tal como em um universo paralelo, uma janela na existência, a possibilidade de exaltar os momentos íntimos de emoção, sem a repressão dos ofícios sociais e formais.
6. A JUNÇAÕ HOMEM E NATUREZA. Ainda é prematuro afirmar que no Árcade existiu uma predisposição à aproximar sujeito e espaço. O cenário ainda é intimidado pelos limites da mimese, do ideal a ser representado. Só no Romântico houve esta aproximação integral do cenário e contexto.
7. MONOTONIA DOS TEMAS. Gonzaga é reiterativo em suas temáticas e em seus devaneios poéticos. Negativo.
8. EMOLDURAR O PASSEIO SENTIMENTAL. A natureza para Gonzaga está como uma leve moldura, que palpita de soslaio na tentativa de embelezar o cenário perfeito da sofisticação neoclássica. A natureza para Gonzaga é levada ao modo Árcade clássico.
9. CRESCENTE EMOTIVO. Não há uma distribuição potencial de motivos que criem uma estética forte e tensa. Na realidade, Gonzaga propõem o amaneiramento das sensações, nada trágico, nada demasiadamente dramático. Desde encontros e separações são tratados da mesma forma enunciativa, com o mesmo entusiasmo.
10. OSCILAÇÃO DE CORES E DETALHES. As cores (cor do cabelo de Marília) em como a posição social que ocupa Dirceu (ora humilde árcade, ora juiz) são marcas nítidas da relação com o real e o idealizante de Petrarca. Estes padrões de beleza são explicados através da convenção arbitrária do julgo poético.
11. APEGO LITERÁRIO. “[...] ainda nesses momentos, fala o homem preocupado só em achar a versão literária mais justa dos seus cuidados[...]. Esta preocupação literária desfere fortes golpes ao ato de inserir mais elementos extremados ou românticos, mostrando que ele é um oficial do ato de escrever.
12. CRÍTICAS ABERTAS E FECHADAS. A Tiradentes, como mostra de defesa, agride de forma a mostrar que o alferes possuía algo mais que sua humildade. Gonzaga também desfere golpes duros em seu inimigo (Luís da Cunha Meneses). Mas, como afirma Bosi de maneira veemente, as Cartas Chilenas já vão sem forças para desmistificar aquilo que já em análise é fato: Gonzaga possui um discurso que o diminui frente a qualquer projeto de emancipação da identidade nacional: valoriza o déspota esclarecido e uma mentalidade colonial.

CONCLUSÃO

Captar as marcas, ou pegadas deixadas por Bosi, em seus relatos críticos / didáticos, não deixa de ser uma tarefa um tanto quanto penosa, simplesmente pelas informações limitadas e ambíguas apresentadas. Mas isto não retira o valor sócio / histórico da obra de Bosi, simplesmente por seu valor enquanto fonte fundamental da crítica moderna, mas também pela ampla gama de referências eruditas, que mostram apreensão ao fenômeno estético.
Partiremos para definição de alguns critérios que permearão esta breve análise crítica. Estabeleceremos “deveres” da obra enquanto fruto da verossimilhança crítica, a seguir:
a) O dever da obra enquanto ela mesma; (constructo)
b) O dever da obra enquanto cânone estético;
c) O dever do autor enquanto projeto individual de poética;
d) O dever do autor enquanto projeto de consolidação de uma identidade poética nacional;

A competência para realizar suas obras e seu valor expressivo para literatura brasileira nos permite singularizar Basílio da Gama e Cláudio Manuel da Costa como cumpridores autênticos de uma qualidade inerente aos seus textos; eles não são devedores em nada no que concerne ao constructo, sendo Basílio um poeta ágil, com fortes músculos à lírica narrativa dinâmica, de cunho popular, como para Cláudio, um verdadeiro artesão do verso, qualidades adquiridas de formação, agregadas ao fado do compor cultista. Também não devem ao cânone, dando mostras de força ao agregar o poder da mimese neoclássica, e muitas vezes indo um ponto além, como bem fez Basílio. É natural que se olharmos para Basílio e Tomás Antônio Gonzaga, distantes do mérito do avanço “tecnológico” do lírico moderno, Gonzaga soaria mais intenso ao cânone do que Basílio. Teríamos a presença de Gonzaga lado a lado com Cláudio neste item, visto que Dirceu de Critilo manifestava ardentes desejos formais frente à matéria neoclássica. Mas se Basílio não aponta entre os dois melhores no item de manutenção do cânone, fica intenso e poderoso como projeto mais bem acabado, como obra que permite uma melhor inferência da coesão produtiva e poética. Neste terceiro item, a regularidade do projeto individual de cada autor permite definir uma intensa dominância de Basílio por sobre seus contemporâneos de estilo: Cláudio e Gonzaga.
Na totalidade da análise em contraste com os critérios convencionados, o projeto de Literatura Nacional mais bem acabado fica a cargo de Basílio da Gama. Sua obra manifesta as inquietações do selvagem, que mesmo atrelado ao mítico artificial da Arcádia, agrega caráter libertário e inovador. Mesmo que a transparência seja ofuscada por um colonialismo (Pombalismo) evidente e pernicioso, Basílio soa popular, fresco aos olhos da crítica atual e ligado à tradição revolucionária. Não podemos deixar de perceber em Cláudio um poeta ligado às emoções da terra e do Brasil, mas também não podemos esquecer dele ligado ao prelúdio de sua idiossincrasia, de seu status quo de poeta cultista e metafórico.
Levemente vemos delinear um pequeno signo de vantagem para Basílio, talvez vitorioso pela sua simplicidade e coerência como Projeto de Obra e pela sua inovação ao cânone estético brasileiro, fazendo a ligação canônica com Tomás Antônio Gonzaga. Cláudio está como poeta dominante e introdutor do período, um grande mestre que teve o dom do verso e o dom da dúvida. Em terceiro Gonzaga, sempre fresco em seu vigor Iluminista e Árcade, dotado de plenos pulmões sentimentais de uma mente comedida. A fina metáfora da Sofisticação Lusitana / Italiana. Santa Rita Durão manteve as marcas que o puseram como precoce romântico, e que o afastou do cânone Iluminista / Árcade. Repousaram sobre ele o peso da tradição da contra-reforma e do índio inferior. Nada que não o identifique pela beleza e magistral estatura poética.
Em suma, nossos poetas Árcades, uma vez bem reconhecidos e delineados, apresentam sua estética diluída na pesquisa fina e no trato prestimoso com as palavras.

sexta-feira, maio 06, 2005

CONHEÇA O GRUPO TEOLITERIAS

Vc quer compartilhar suas idéias sobre arte e cultura?
Receber informações, materiais e orientações sobre teoria literária, semiótica e pós-modernidade? Conheça um pouco mais sobre o grupo de pesquisa TEOLITERIAS. Abaixo veremos a justificativa do grupo, alguns temas centrais e os membros filiados com pesquisa em andamento.
Professor Rômulo Giácome

TEOLITÉRAS


Justificativa

O contexto científico da pesquisa em linguagens poéticas, apreciação crítica de obras literárias, aproximação semiótica das estruturas discursivas da arte e publicidade, seja visual, verbal e sonora, são realidades em ebulição.
Cada vez mais estes estudos compartilham interesse am variadas áreas, desde a psicologia até o Marketing. Inclusive a própria teoria da literatura ganhou força nos últimos anos quando participou da compreensão científica da cultura e suas relações com a arte e a linguagem. (BLOOM, 1995)
O grupo de pesquisa TEOLITÉRIAS procura engajar novas mentes em ebulição que possam conjuntas ao método científico e ao apego poético e/ou semiótico, enveredar por estas áreas do saber, construindo novos trabalhos que engrandeçam mais ainda a teoria literária, a literatura e a semiótica.
TEOLITÉRIAS é sinônimo de trabalho em grupo, onde cada membro pode e deve contribuir no trabalho do outro, formando uma grande teia de referências. O nosso enfoque é sobre temas de relevo científico, que mereçam ser explorados, contribuindo para a produção de artigos científicos, papers, ensaios e TCC´s.

Temas centrais para seleção:

1. O que é poética? Revisão histórica e diacrônica; conceitos e perspectivas; como se instaura no discurso literário;

2. O que faz um texto ser literário? A linguagem literária e sua estrutura; seus componentes e os diálogos travados entre si; aspectos estilísticos e semióticos do constructo poético;

3. O que é poesia? Escolas que estudam este problema; o evento literário; a provocação literária; a natureza estética e sua fundamentação;

4. Como chegar ao texto literário? A postura crítica; a interpretação; a explicação dos processos; a semântica do texto poético; várias leituras; a leitura individual realizável;

5. Como julgar uma obra? O que é Crítica Literária? Seu peso no gosto, julgamento, e análise textual; Onde se embasa? Posso ser um crítico Literário? Quais as perspectivas críticas (históricas e modernas). Posso abordar uma obra que ainda não foi criticada?

6. Entendendo o conceito de crítica literária a partir de Barthes e Frye; Os pilares da estética e estilística;

7. A análise literária: conceitos, sua importância, atitudes; como libertar o sentido do texto; como descrever os processos que engendram o sentido; o estético e a significação; a análise semiótica completa; a análise textual a partir dos cânones;

8. O que é um Cânone? O conceito de Harold Bloom; como aplico o cânone em períodos literários? Qual sua importância para a compreensão dos processos estéticos? O social e o histórico; o antropológico e o psicológico;

9. A teoria da literatura como a ciência da literatura; suas áreas de atuação; seus desdobramentos; histórico e fundamentação na lingüística, AD e semiótica;

10. O evento pós-moderno: como entendê-lo? Suas diretrizes: seu funcionamento: a produção pós-moderna: filmes, músicas, discursos e produção textual;

11. Estudo aprofundado de autores clássicos canonizados: efetuando re-leituras e pesquisa sobre autores universais da literatura; novas visões; novas perspectivas de análise; novos resultados.

12. Estudo comparativo de autores canonizados e do imaginário coletivo; relações da crítica comparada; busca de identidades semelhantes e dissemelhantes;

13. Estudando as identidades de autores já avaliados e comentados, pinçando na crítica já existente; efetuando novas re-leituras; identidades como fuga do eu, o ser, o poder, o parecer, o sexual, o sensual, o erótico, o profano e o divino, o recalque, a anomalia, o grotesco, etc.

14. Compreendendo os fundamentos da semiótica: teorias de base, metodologias de análise, instrumentos e estratégias; terminologias e pensamentos de autores fundamentais: a relação com a semântica: Greimas, Eric Landowski, Claude Zilberberg, Fontenelle, Wittgeinstein, Umberto Eco, Lúcia Santaella, Décio Pignatary, Iuri Lotman, etc.

15. Aplicando a semiótica em sua face entre-textos: o discurso poético e o discurso pictórico. (imagem x texto). (verbal e não-verbal). As relações em que se sustentam; os sistemas complexos e seus subsistemas; os diálogos dos signos e suas estruturas; referências ao mundo cultural (moda, culinária, pintura, poesia, narrativa) engendrando possibilidades de co-relação através das conjunções e disjunções; o campo das categorias; o campo dos signos como representamem; a cor como informação;

16. O discurso sedutor da propaganda; as relações das imagens e do texto no cenário publicitário; o poder persuasivo da linguagem midiática; a mass-media; a Indústria Cultural (escola de Frankfurt e Adorno); a relação discursiva do visual/textual/sonoro.

17. Relações música / literatura; a música popular e suas referências literárias; o Rock e contra-cultura; o pop e sua veia poética; letra e poema, dignos de estudo;

18. Descobrindo novos autores: comprovando seu valor através da crítica e do argumento teórico; a análise e a interpretação.

19. Literatura aplicada à escola: mobilizando projetos para pesquisa de campo; como aplicar a literatura; seu respaldo e sua didática; oficinas e implementações;

20. Filosofia e Linguagem: influências de grandes escolas filosóficas no eixo saber-linguagem-texto; os Tomistas; Existencialistas; Materialistas; Metafísicos; Epistemológicos, etc.


Membros Filiados: (pesquisadores e seus respectivos projetos de Pesquisa)

7.º Período

GISELY STORCH DO NASCIMENTO SANTOS

O ENSINO DE LITERATURA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO ENSINO MÉDIO EM ESPIGÃO DO OESTE/RO

ANDRESS DANIELY ÁVILA MENDONÇA

A RELAÇÃO SEMIÓTICA DA PINTURA DE PORTINARI COM OS SIGNOS REALÍSTICOS / NARRATIVOS DE EUCLIDES DA CUNHA

ETHEL PANDOLFI ERMITA

ANÁLISE E DIAGNÓSTICO DO PROJETO FEDERAL LITERATURA EM MINHA CASA NA ESCOLA RAIMUNDO EUCLIDES BARBOSA

SOLANGE DE SOUZA PEREIRA

UMA PERSPECTIVA LITERÁRIA SOBRE MANOEL DE BARROS: EM BUSCA DA LITERARIEDADE

SONIA KEPPE

MARCAS DE LITERATURA INFANTIL NA POÉTICA DE MÁRIO QUINTANA

DANIELLE AYRES ABREU

OS PROCESSOS SEMIÓTICOS UTILIZADOS NA CONFECÇÃO DOS MICRO-SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO DOS PORTADORES DE SÍNDROME DE DOWN

LEANDRA HELOISA TURRINI

O ENVOLVIMENTO SEMIÓTICO DA IMAGEM E O TEXTO NO DISCURSO ERÓTICO/PERSUASIVO DA DU LOREN.

5.º Período

PRISCILA GOMES DE OLIVEIRA

A SENSUALIDADE COMO ELEMENTO ESTRUTURADOR E SIGNIFICATIVO DO DISCURSO EM NOITES DO SERTÃO DE GUIMARÁES ROSA

LINDA LETÍCIA TURINI

CRÍTICA LITERÁRIA: CONSONÂNCIAS E ATRITOS NA LÓGICA DISCURSIVA EM ANTÔNIO CÂNDIDO, JOSÉ VERÍSSIMO E ALFREDO BOSI

ALCIONE GRACIELA MENDONÇA

O CÂNONE LITERÁRIO: ENTENDENDO O CÂNONE ATRAVÉS DO BARROCO

ROSELI FÁTIMA DE CAMARGO

A INCURSÃO DO ÍNDIO NA POESIA BRASILEIRA COMO ELEMENTO FORMADOR DA ESTÉTICA NACIONAL

ELIZABETH CAVALCANTE DE LIMA

IMAGEM E TEXTO: O PICTÓRICO COMO VEÍCULO DE INTERPRETAÇAO POÉTICA NOS CADERNOS ILUSTRADOS DO MÉTODO POSITIVO

RENATA CRISTINA PESSOA RAMOS

SARAMAGO: RE-LEITURA VISUAL DE UM ENSAIO À CEGUEIRA

3.º Período

HELEM CRISTIANE AQUINO DOS ANJOS FERNANDES

O FANTÁSTICO EM GABRIEL GARCIA MARQUEZ: CEM ANOS DO MARAVILHOSO

GEISY EMILIANA MAURÍCIO

A ARTE VISUAL COMO INFLUÊNCIA INTERPRETATIVA DA LITERATURA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO.

FAIRUSE MOREIRA RODRIGUES

MODERNIDADE EM SAFO: UMA RE-LEITURA DE PAIXÕES

ROSANE PESSOA DOS SANTOS

A LITERATURA COMO JANELA PARA O SABER NAS SÉRIES INICIAIS

MARIA APARECIDA JUSTINO DE ALMEIDA

A LITERARIEDADE E A CONSTRUÇÃO DE UMA LINGUAGEM POÉTICA


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