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quinta-feira, maio 19, 2005

METODOLOGIA PARA A CRÍTICA LITERÁRIA

PARADIGMAS PARA UMA “NOVA” CRÍTICA LITERÁRIA
Org. Professor Rômulo Giácome Oliveira Fernandes


1. A crítica literária dividida em duas ações: (metodologia básica)

a) Desdobrar a obra do ponto de vista dos “sentidos”, propondo releituras e revisões interpretativas, relatando estas leituras através de meta-textos;

b) Averiguar e descrever a qualidade da obra segundo parâmetros centrais da crítica literária atual.


Estas ações estão pautadas na estratégia e postura central da ciência TEORIA DA LITERATURA: a análise literária. Através desta, poderemos desmontar o texto, procurando diagnosticar os recursos / terminológicos logo abaixo citados.

2. A questão da qualidade:

2.1. A qualidade enquanto “constructo”; matéria verbal trabalhada de modo a propiciar as categorias centrais estudadas pela Teoria da Literatura: (eis abaixo as terminologias que são senão componentes operacionais “identidades” que a análise propicia diagnosticar)

a) Modulação: (capacidade de abstração do signo; do denotativo para o conotativo) Iuri Lotman; Greimas
b) Literariedade: (relação harmônica do sentido com a forma; a beleza estética da escolha e combinação para erigir sentidos múltiplos) Ezra Pound; Terry Eagleton
c) Polissemia: (uma obra aberta e neutra do ponto de vista semântico; sem necessidades de compreensões literais e possibilidades de múltiplas escolhas e substituições) Greimas e Todorov.
d) Significação: (a potência de relacionar-se com determinado contexto elocutório e significativo e a partir dele conseguir manter-se nova e viçosa, apontando novas possibilidades culturais, antropológicas, teóricas e interpretativas); Roland Barthes
e) Função Poética: (a relação entre o eixo da seleção e o da combinação verificando a literariedade deste processo, bem como se a função dominante é a poética ou metalingüística)

2.2. A qualidade enquanto sistema representativo de dada cultura (manifestação humana) e histórica na confecção do discurso da humanidade:

a) Performance do Signo: Seu poder de diálogo com outros signos dentro do sistema poético, possibilitando relações multi-dimensionais;
b) A representação do discurso: se o discurso possibilita links com outros discursos prontos ou não, evidenciando o caráter de hipertexto da teia verbal; (o sentido de um texto é outro texto; o sentido de um signo é outro signo).
c) Coesão Semiótica: ao nível da teia e signos e semas, a existência de coesão das células semânticas entre si;

2.3. A qualidade enquanto processo estilístico da forma e da retórica poética:

a) Logopéia: beleza das imagens (descrição); caráter inovador das imagens, coerência imagética, acabamento visual;
b) Melopéia: beleza da sonoridade; criatividade nas harmonias; possibilidade de sentidos e grau estético dos ritmos (pontuação, cadência dos versos, classificação das rimas, numeração tônica); relação do sentido com a “música” do poema;
c) Figuras de linguagem: acabamento na confecção das metáforas e alegorias; uso dos símbolos; as metonímias; figuras de inversão;

2.4. A qualidade do texto enquanto ente fundado no “cânone” estético; (Harold Blom, Yale, 2004)

a) Perceber relações do texto com um cânone estético, possuidor de características literárias, históricas e sócio-culturais; definir qual é este cânone;
b) Detectar e descrever as relações existentes entre o poeta analisado com autores específicos do cânone a que a obra reside; (fazer contraponto com um ou dois autores)
c) A qualidade do texto estará determinada pelo “uso” do cânone poético com suas variáveis:
a. O autor conseguiu manter coerência a um cânone; esta verossimilhança canônica propiciou ao autor qualidade de manutenção dos atributos básicos da poesia naquele momento;
b. O autor evoluiu e inovou seu cânone; trouxe a tona novos procedimentos e novas visões poéticas; sua qualidade estará analógica a seu valor de inovação e transcendência à norma estética;
c. O autor está à margem e inferior ao seu cânone; sua obra reproduz um censo-comum, com quantidade exorbitante de clichês poéticos que estão desatualizados e não causam estranhamento;
d. O autor não possui cânone aparente; a semiose destitui a obra de não estar ancorada em algum cânone; ou temos um mix canônico ou uma obra primitiva, sem embasamento formal e poético de construção;


Notas sobre o discurso crítico:

Existem muitas maneiras de construir um discurso crítico. (a resultante de todo este trabalho crítico). Por existir fórmulas perfeitas, algumas dicas tornam-se relevantes:

a) O discurso crítico possui um juízo baseado em valores muitas vezes parciais. O DC deve apresentar a obra ao leitor, mostrando o que ela possui de sentido (via de sua interpretação no meta-texto) e indicando sua potência de significação (o que ainda podemos extrair dela); deve reapresentá-la em suas características positivas e também negativas, apresentando neutralidade; cabe ao leitor ponderar sobre os atributos dados pelo DC e concluir se a obra é boa ou ruim;
b) Quanto mais sentidos um crítico consegue extrair da obra, teremos mais possibilidades do leitor evoluir o processo; o crítico é o primeiro a “garimpar” o texto; as pegadas deixadas por seu trabalho conduzirão a novas hipóteses do leitor; nunca o DC deve fechar a obra a outras interpretações, mais sim motivá-la e incitá-la;
c) O crítico é o primeiro a divulgar uma obra; muitos leitores lêem o texto pelos olhos do crítico; criar estereótipos prejudica o processo de significação; por outro lado, propiciar ao leitor comum maneiras mais fáceis de abordar a obra é latente; o crítico sempre deve ser um divulgador e empolgado pela obra, um admirador da qualidade.
d) A linguagem deve ser objetiva e clara; acessível a todas as categorias verbais e culturais; esclarecer os critérios apresentando as provas (análises) e diagnosticando a qualidade segundo padrões lúcidos e informativos.

ANÁLISE CRÍTICA DOS AUTORES ÁRCADES: POR BOSI

ESTUDO DOS AUTORES PELA ÓTICA DE ALFREDO BOSI
Professor. Rômulo Giácome O Fernandes


“Mais de um fator contribuiu para que Cláudio Manuel da Costa fosse o nosso primeiro e mais acabado poeta neo-clássico”. (p. 61)

1. CLÁUDIO MANUEL DA COSTA (GLAUCESTE SATÚRNIO)
Com esta citação abrimos este estudo sobre os autores Árcades na obra História Concisa da Literatura Brasileira. Como prenúncio de uma possível valorização imediata de Cláudio, o adjetivo primeiro e mais acabado nos dão um detalhe peculiar. Cronologicamente, Cláudio foi o primeiro poeta de nossa geração neoclássica. Por outro lado, o acabamento dado aos seus versos, atribuíram-no o título de artesão-mor do período. Criticamente, estas marcas de juízo deixadas como pegadas por Bosi, serão mensuradas ao final desta resenha. De um modo geral, podemos avaliar Cláudio por sua configuração, detalhada abaixo:

1. SOBRIEDADE E CULTURA HUMANÍSTICA. Um quesito primordial para a confecção de uma poética neoclássica, é o reconhecimento de todos os meandros da cultura helênica e romana, tendo os referenciais mitológicos, estruturais e temáticos necessários ao projeto de poética árcade. Sóbrio é uma atitude frente ao verdadeiro material poético do clássico, a verdade, o nobre, a essência mimética que pode ser contemplada através da retórica. Positivo.
2. CULTISMO x NEOCLÁSSICO. A estréia de Cláudio se deu no cultismo, ecos do barroco advindos da cultura portuguesa. Mas o poeta estava contaminado pelos ideais estéticos da Arcádia Lusitana, e logo, passou a veicular a idéia do Bom gosto (gosto melhor). Positivo.
3. GOSTO MELHOR. Este paradigma de poética (cânone) pode ser resumido na síntese entre uma estética formal camoniana e laivos bucólicos. Esta fórmula é específica do autor, mas notem que se faz necessário uma etiqueta árcade no modo de encarar a literatura. Positivo.
4. FIGURAS FEMININAS. A presença de figuras femininas das mais variadas promovem por dois momentos um embevecimento da forma sentimental lírica, emulada pelo desejo e pelo amor. A questão centra-se sobre o “não-ter”, ou “não-poder” que tornavam estas ardências inalcançáveis. Esta informação será melhor evidenciada a seguir. Positivo.
5. PRADOS, RIOS, MONTES E VALES. Avultam-se na obra e passam a ter enlevos de contexto. Querem exprimir como co-autor, demonstrando sua presença sentimental, um segundo Cláudio, que apresenta suas emoções pela terra natal. Este ventriloquismo (a rocha falar pelo autor), promove a ambivalência entre o rústico e o urbano sofisticado. Positivo.
6. PETRARCA. Os líricos europeus se utilizaram agudamente da Influência deste autor na forma dos versos (torneios frásicos e rítmicos), bem como o uso da natureza como consolo ou confidente, que muitas vezes pode ser confundido com aspectos pré-românticos. Neutro (manutenção do cânone).
7. ERÓTICO MUNDANO X ÉTICA CLÁSSICA. Uma crise existencial convivia com a arte neoclássica. O retorno ao lúgubre sensual medieval persistia na mentalidade urbana, que procurava no homem citadino motivos de evasão moral. Este duelo entre um desejo ardente reprimido pela força dos valores clássicos de nobreza, honra e verdade, diluídos na visão cristã, contornaram um perfil de amor distante, idealizado como em momentos radicais de Camões. “Toda uma vertente platonizante sulca nossa poesia clássica”. (p. 63).
8. DUPLA VALÊNCIA. O limite entre um prestígio literário na Arcádia e na metrópole e o enraizamento mineiro canalizando no bruto e no rústico “rocha”, deu o tom da ambivalência de Cláudio. Como maneira de dar vazão a este interstício, compôs épicos de qualidade mediana (ver Vila Rica), comprometendo a qualidade total de seu projeto poético. Negativo.
2. BASÍLIO DA GAMA (O Uraguai, 1769)

O reconhecimento da obra de Basílio da Gama de dá, segundo Bosi, pela sua dinâmica em imprimir um épico transgênico ao seu tempo, com possibilidades de inovação muito mais plenas do que em Cláudio, poeta este amarrado ao seus motivos “da estética da criação”.

1. AMBIVALÊNCIA. O mesmo frenesi de popularidade atacou também Basílio. Sua obra concentra-se por sobre um “plano” natural e procura âncora em uma determinação árcade lusitana. Negativo.
2. POEMETO ÉPICO. Não podemos considerar O Uraguai um poema épico por natureza. Alguns detalhes lhe ofuscam a visibilidade clássica pura. A primeira a temporalidade presente. A) O atual, o aqui e agora, não consegue desenrolar um processo de mitificação que a epopéia, por estar no passado, atinge. Não existe uma contribuição do “passado” para a construção de uma memória coletiva. B) Por outro lado, as divisões do enredo heróico não são levadas a rima. Mais uma veleidade neo clássica (ressalte-se aqui o “novo” como também sinônimo de adaptação). Positivo.
3. ESCRITO POPULAR. “O Uraguai lê-se ainda hoje com agrado, pois Basílio era poeta de veia fácil que aprendeu na Arcádia [...]” (p. 65). Os versos são “arredondados” de maneira a manifestar um balanço entre sáficos e heróicos, promovendo uma característica lírica narrativa. Positivo.
4. JESUÍTAS. Enganadores dos Indígenas. Inimigos de Pombal. A veia pombalina também presente em Cláudio é uma forte marca de Basílio. O indígena, potencial vitorioso do embate de O Uraguai, sai senão como vencido do poder de Pombal. A política ofusca a caracterização total de um indígena livre e totalmente revolucionário. Ele sustenta abertamente o marquês (Pombal) caindo no laudatório no caricato, características que diminuem a obra frente a um projeto político nacional. Negativo.
5. ÁGIL E EXPRESSIVA. Bosi afirma que a poesia de Basílio é de boa qualidade, e em seu conjunto, foi o melhor que se fez na época. A dinâmica das cenas, onde a tessitura narrativa composta por versos ricos em sonoridades e melodias harmoniosas, conjugadas por métricas oscilantes entre enjabements e decassílabos livres, produz um diálogo perfeito com as imagens (logopéia), que se articulam como um pano de fundo móvel, travando contato com a superfície textual e semiótica das representações.
6. PAISAGISMO ROMÂNTICO. Sua inovação maior foi o uso dos cenários naturais, que no cânone clássico, agem como moldura, agente que cerceia os limites do primeiro plano (conteúdo, personagens). Aqui o plano natural dialoga (dialogismo) com todas as esferas do texto, não apenas propondo seu quinhão de valor representativo (Cláudio, rochas) mas também fornecem relações de síntese entre as personagens, o conteúdo, à ordem lírico/narrativa e todo o conjunto. Este diálogo é promovido quando a paisagem é vista pelos SENTIDOS.
7. PRÉ-LIBERAL E ILUSTRADO. Não podemos negar que Basílio foi um pré-liberal, e estava mais próximo da Ilustração do que Cláudio. Haja vista que ser liberal é estar próximo dos movimentos e de qualquer célula de revolução. Por outro lado, Basílio não pode ainda ser considerado um Ilustrado, visto que seus desígnios políticos apresentavam a visão da colônia.


3. SANTA RITA DURÃO

Santa Rita Durão se mostrou pouco apto a aceitar as novas idéias Iluministas na integridade. Mostrou-se dialético quanto à sua postura: delineações clássicas na estética, pensamentos coloniais e tradicionais nas temáticas.

1. A MATÉRIA PRIMA “O ÍNDIO”. O índio foi o grande ponto de contato e dissonância entre Basílio e Durão. Este, apesar de se utilizar dos Tupinambás de modo mais detalhado e evidenciando seus caracteres individuais, procurava apresentar à Europa um índio que metaforizasse a verdade sobre o dogma católico. Este motivo teológico e tradicional, fez com que os selvagens fossem vistos pela ótica sub espécie theologiae. Negativo.
2. A CÓPIA. Imprimir poeticidade aos estudos já variados sobre a flora e fauna brasileiras já seria motivo de menor carga literária. Do ponto de vista de uma época em que a Europa estava habitada pelos ideais libertários, aportar com o índio em terras portuguesas não pode ser considerado ruim, mas literariamente é diminuta. Negativa.
3. O ÍNDIO COMO O “OUTRO”. Esta diminuição da categoria indígena enquanto “ser” presente no marco das questões humana / religiosas, fez com que ele reportasse a cultura natural indígena ao espanto de uma cultura européia civilizada. A antropofagia, a amoralidade, a sexualidade, são motivos indígenas de contestação do modo de entender a alma católica. Negativo.
4. O CHOQUE AOS LIBERTINOS. Contrário a toda forma libertária que preconizasse revolução e anti-colonialismo, Durão não se mostrava tão abismado com os indígenas quanto se mostrou com os filósofos libertinos.
5. O CÂNONE DE DURÃO (O CARAMURU). Podemos sintetizar a ordem estética dos poemas de Durão através da fórmula que priorize uma re-colocação do Cristão Maravilhoso na obra de Camões, apontando nela o que estava de “rachaduras” entre o binarismo cristão x pagão (colocar mais cristão). Por outro lado o excesso de imagens / retóricas ultra-gongoristas, em forma de enumerações profusas e renitentes ao almanaque / enciclopédico.
6. UMA ALTERAÇÃO DA ROTA DE CAMÕES. Achar a obra de Camões incompleta soa forte; mas acreditar que ela mereceria um aprimoramento, esta é a chave. Ironicamente, destituir de Camões o excesso de mitos, que sob a forma híbrida (cristão e pagão) afortunavam o texto português, agora já era hora de uma crítica a estes hibridismos, ressaltando a tendência do século XVIII em cortar a mitologia pagã do seio dos poetas batizados (cristãos). Esta consciência de restauração da orbe cristã-medieval, é um ponto de acerto em Durão, tendo em vista que o romantismo procurou exaurir os excessos mitológicos dos ilustrados rebeldes, renovando e revitalizando o ideal medieval-bíblico. Positivo.
7. POUCO APARATO CRÍTICO EM CARAMURU. Por erros da crítica e localizadamente, a escassez dela, propiciou que esta obra viesse a ser uma ancestral dos motivos Românticos, mais pela sua temática e vitoriosa manifestação cristã, do que pela liberdade estética e trabalho estrutural.
8. CONTRA-REFORMISTA. Durão e sua obra soam aptos a referendar a nova imersão da Igreja Católica em seus pilares, na busca de uma retomada de seus valores e agregação de fiéis. Logo, O Caramuru permaneceu encravado no pedestal das obras importantes à Igreja, na coluna conservadora de Portugal.
9. O PESO DE DIOGO “CARAMURU, DEUS DO FOGO”. Para um projeto de mitificação do herói Diogo, pesa a distorção que o peso da ideologia acarretou em sua figura. Incorporando o missionário e o colonizador, em uma dupla articulação, Diogo torna-se escravo de seus motivos, e não consegue a agilidade necessária a tornar-se mito integral. Esta paralisia está concentrada em sua inércia como herói, marca do guerreiro pacífico e cristão.
10. DESCRITIVISMO. Esta marca retoma a epopéia clássica, baseada em crônicas de feitio histórico.
4. TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA (DIRCEU DE CRITILO)

O fio condutor que liga nossos poetas árcades, deve levar em consideração mais o parentesco de Basílio com Gonzaga do que com Durão. Isto porque se assemelham no parentesco das líricas mais modernas, com forte embasamento bucólico, campestre e de marcas iluministas. Estas últimas são o solo fértil de idéias que embasaram a Ilustração.
Entendemos a Ilustração como este momento real entre um cenário anti-colonialista que compactua com a verve Iluminista de forte apelo Racional. Ilustração pode soar como sinônimo de crítica costumas aos regimes coloniais e aos excessos do ideário Cristão Católico.

1. FINGIMENTO POÉTICO. Bosi assinala o que chamo de ponto tenaz para a literariedade de Gonzaga. A dissociação entre a figura do cético burocrata para o amante inveterado e idílico de Dirceu. O que temos de “pessoa” para entender a obra, também temos de personalidade dúbia entre um racional amante para compreender que quase tudo, senão a obra como estrutura, fora apenas fingimento poético. Positivo.
2. CÂNONE FORTE. O projeto individual de arte Árcade de Gonzaga, é com certeza uma forte manutenção do cânone, que nas palavras de Bosi, não fica a dever nada para as Liras Italianas e Portuguesas.
3. COMEDIMENTO. Um tempero forte no Árcade é o comedimento. Esta chave mostra que não é através do exagero da paisagem e sua beleza tocante, nem tampouco pela intensidade das emoções amorosas que se constrói uma obra neoclássica. Ao contrário, o Árcade lima os exageros de modo a ficar a matéria pura de mimese.
4. A FUGA AO NATURAL. Sociologicamente, o natural, esta fuga ao lócus amenus, é a perspectiva de ver as pressões do burgo opressor, das cidades em expansão, de longe. Fugir para o campo, ou ao menos para a paisagem campestre, não é tão somente o ponto local do idílio, mas também uma forma de evasão ao urbano opressor.
5. O PANO DE FUNDO DOS MOVIMENTOS ÍNTIMOS. Por outro lado, o cenário da natureza é o ponto de apresentar, tal como em um universo paralelo, uma janela na existência, a possibilidade de exaltar os momentos íntimos de emoção, sem a repressão dos ofícios sociais e formais.
6. A JUNÇAÕ HOMEM E NATUREZA. Ainda é prematuro afirmar que no Árcade existiu uma predisposição à aproximar sujeito e espaço. O cenário ainda é intimidado pelos limites da mimese, do ideal a ser representado. Só no Romântico houve esta aproximação integral do cenário e contexto.
7. MONOTONIA DOS TEMAS. Gonzaga é reiterativo em suas temáticas e em seus devaneios poéticos. Negativo.
8. EMOLDURAR O PASSEIO SENTIMENTAL. A natureza para Gonzaga está como uma leve moldura, que palpita de soslaio na tentativa de embelezar o cenário perfeito da sofisticação neoclássica. A natureza para Gonzaga é levada ao modo Árcade clássico.
9. CRESCENTE EMOTIVO. Não há uma distribuição potencial de motivos que criem uma estética forte e tensa. Na realidade, Gonzaga propõem o amaneiramento das sensações, nada trágico, nada demasiadamente dramático. Desde encontros e separações são tratados da mesma forma enunciativa, com o mesmo entusiasmo.
10. OSCILAÇÃO DE CORES E DETALHES. As cores (cor do cabelo de Marília) em como a posição social que ocupa Dirceu (ora humilde árcade, ora juiz) são marcas nítidas da relação com o real e o idealizante de Petrarca. Estes padrões de beleza são explicados através da convenção arbitrária do julgo poético.
11. APEGO LITERÁRIO. “[...] ainda nesses momentos, fala o homem preocupado só em achar a versão literária mais justa dos seus cuidados[...]. Esta preocupação literária desfere fortes golpes ao ato de inserir mais elementos extremados ou românticos, mostrando que ele é um oficial do ato de escrever.
12. CRÍTICAS ABERTAS E FECHADAS. A Tiradentes, como mostra de defesa, agride de forma a mostrar que o alferes possuía algo mais que sua humildade. Gonzaga também desfere golpes duros em seu inimigo (Luís da Cunha Meneses). Mas, como afirma Bosi de maneira veemente, as Cartas Chilenas já vão sem forças para desmistificar aquilo que já em análise é fato: Gonzaga possui um discurso que o diminui frente a qualquer projeto de emancipação da identidade nacional: valoriza o déspota esclarecido e uma mentalidade colonial.

CONCLUSÃO

Captar as marcas, ou pegadas deixadas por Bosi, em seus relatos críticos / didáticos, não deixa de ser uma tarefa um tanto quanto penosa, simplesmente pelas informações limitadas e ambíguas apresentadas. Mas isto não retira o valor sócio / histórico da obra de Bosi, simplesmente por seu valor enquanto fonte fundamental da crítica moderna, mas também pela ampla gama de referências eruditas, que mostram apreensão ao fenômeno estético.
Partiremos para definição de alguns critérios que permearão esta breve análise crítica. Estabeleceremos “deveres” da obra enquanto fruto da verossimilhança crítica, a seguir:
a) O dever da obra enquanto ela mesma; (constructo)
b) O dever da obra enquanto cânone estético;
c) O dever do autor enquanto projeto individual de poética;
d) O dever do autor enquanto projeto de consolidação de uma identidade poética nacional;

A competência para realizar suas obras e seu valor expressivo para literatura brasileira nos permite singularizar Basílio da Gama e Cláudio Manuel da Costa como cumpridores autênticos de uma qualidade inerente aos seus textos; eles não são devedores em nada no que concerne ao constructo, sendo Basílio um poeta ágil, com fortes músculos à lírica narrativa dinâmica, de cunho popular, como para Cláudio, um verdadeiro artesão do verso, qualidades adquiridas de formação, agregadas ao fado do compor cultista. Também não devem ao cânone, dando mostras de força ao agregar o poder da mimese neoclássica, e muitas vezes indo um ponto além, como bem fez Basílio. É natural que se olharmos para Basílio e Tomás Antônio Gonzaga, distantes do mérito do avanço “tecnológico” do lírico moderno, Gonzaga soaria mais intenso ao cânone do que Basílio. Teríamos a presença de Gonzaga lado a lado com Cláudio neste item, visto que Dirceu de Critilo manifestava ardentes desejos formais frente à matéria neoclássica. Mas se Basílio não aponta entre os dois melhores no item de manutenção do cânone, fica intenso e poderoso como projeto mais bem acabado, como obra que permite uma melhor inferência da coesão produtiva e poética. Neste terceiro item, a regularidade do projeto individual de cada autor permite definir uma intensa dominância de Basílio por sobre seus contemporâneos de estilo: Cláudio e Gonzaga.
Na totalidade da análise em contraste com os critérios convencionados, o projeto de Literatura Nacional mais bem acabado fica a cargo de Basílio da Gama. Sua obra manifesta as inquietações do selvagem, que mesmo atrelado ao mítico artificial da Arcádia, agrega caráter libertário e inovador. Mesmo que a transparência seja ofuscada por um colonialismo (Pombalismo) evidente e pernicioso, Basílio soa popular, fresco aos olhos da crítica atual e ligado à tradição revolucionária. Não podemos deixar de perceber em Cláudio um poeta ligado às emoções da terra e do Brasil, mas também não podemos esquecer dele ligado ao prelúdio de sua idiossincrasia, de seu status quo de poeta cultista e metafórico.
Levemente vemos delinear um pequeno signo de vantagem para Basílio, talvez vitorioso pela sua simplicidade e coerência como Projeto de Obra e pela sua inovação ao cânone estético brasileiro, fazendo a ligação canônica com Tomás Antônio Gonzaga. Cláudio está como poeta dominante e introdutor do período, um grande mestre que teve o dom do verso e o dom da dúvida. Em terceiro Gonzaga, sempre fresco em seu vigor Iluminista e Árcade, dotado de plenos pulmões sentimentais de uma mente comedida. A fina metáfora da Sofisticação Lusitana / Italiana. Santa Rita Durão manteve as marcas que o puseram como precoce romântico, e que o afastou do cânone Iluminista / Árcade. Repousaram sobre ele o peso da tradição da contra-reforma e do índio inferior. Nada que não o identifique pela beleza e magistral estatura poética.
Em suma, nossos poetas Árcades, uma vez bem reconhecidos e delineados, apresentam sua estética diluída na pesquisa fina e no trato prestimoso com as palavras.

sexta-feira, maio 06, 2005

CONHEÇA O GRUPO TEOLITERIAS

Vc quer compartilhar suas idéias sobre arte e cultura?
Receber informações, materiais e orientações sobre teoria literária, semiótica e pós-modernidade? Conheça um pouco mais sobre o grupo de pesquisa TEOLITERIAS. Abaixo veremos a justificativa do grupo, alguns temas centrais e os membros filiados com pesquisa em andamento.
Professor Rômulo Giácome

TEOLITÉRAS


Justificativa

O contexto científico da pesquisa em linguagens poéticas, apreciação crítica de obras literárias, aproximação semiótica das estruturas discursivas da arte e publicidade, seja visual, verbal e sonora, são realidades em ebulição.
Cada vez mais estes estudos compartilham interesse am variadas áreas, desde a psicologia até o Marketing. Inclusive a própria teoria da literatura ganhou força nos últimos anos quando participou da compreensão científica da cultura e suas relações com a arte e a linguagem. (BLOOM, 1995)
O grupo de pesquisa TEOLITÉRIAS procura engajar novas mentes em ebulição que possam conjuntas ao método científico e ao apego poético e/ou semiótico, enveredar por estas áreas do saber, construindo novos trabalhos que engrandeçam mais ainda a teoria literária, a literatura e a semiótica.
TEOLITÉRIAS é sinônimo de trabalho em grupo, onde cada membro pode e deve contribuir no trabalho do outro, formando uma grande teia de referências. O nosso enfoque é sobre temas de relevo científico, que mereçam ser explorados, contribuindo para a produção de artigos científicos, papers, ensaios e TCC´s.

Temas centrais para seleção:

1. O que é poética? Revisão histórica e diacrônica; conceitos e perspectivas; como se instaura no discurso literário;

2. O que faz um texto ser literário? A linguagem literária e sua estrutura; seus componentes e os diálogos travados entre si; aspectos estilísticos e semióticos do constructo poético;

3. O que é poesia? Escolas que estudam este problema; o evento literário; a provocação literária; a natureza estética e sua fundamentação;

4. Como chegar ao texto literário? A postura crítica; a interpretação; a explicação dos processos; a semântica do texto poético; várias leituras; a leitura individual realizável;

5. Como julgar uma obra? O que é Crítica Literária? Seu peso no gosto, julgamento, e análise textual; Onde se embasa? Posso ser um crítico Literário? Quais as perspectivas críticas (históricas e modernas). Posso abordar uma obra que ainda não foi criticada?

6. Entendendo o conceito de crítica literária a partir de Barthes e Frye; Os pilares da estética e estilística;

7. A análise literária: conceitos, sua importância, atitudes; como libertar o sentido do texto; como descrever os processos que engendram o sentido; o estético e a significação; a análise semiótica completa; a análise textual a partir dos cânones;

8. O que é um Cânone? O conceito de Harold Bloom; como aplico o cânone em períodos literários? Qual sua importância para a compreensão dos processos estéticos? O social e o histórico; o antropológico e o psicológico;

9. A teoria da literatura como a ciência da literatura; suas áreas de atuação; seus desdobramentos; histórico e fundamentação na lingüística, AD e semiótica;

10. O evento pós-moderno: como entendê-lo? Suas diretrizes: seu funcionamento: a produção pós-moderna: filmes, músicas, discursos e produção textual;

11. Estudo aprofundado de autores clássicos canonizados: efetuando re-leituras e pesquisa sobre autores universais da literatura; novas visões; novas perspectivas de análise; novos resultados.

12. Estudo comparativo de autores canonizados e do imaginário coletivo; relações da crítica comparada; busca de identidades semelhantes e dissemelhantes;

13. Estudando as identidades de autores já avaliados e comentados, pinçando na crítica já existente; efetuando novas re-leituras; identidades como fuga do eu, o ser, o poder, o parecer, o sexual, o sensual, o erótico, o profano e o divino, o recalque, a anomalia, o grotesco, etc.

14. Compreendendo os fundamentos da semiótica: teorias de base, metodologias de análise, instrumentos e estratégias; terminologias e pensamentos de autores fundamentais: a relação com a semântica: Greimas, Eric Landowski, Claude Zilberberg, Fontenelle, Wittgeinstein, Umberto Eco, Lúcia Santaella, Décio Pignatary, Iuri Lotman, etc.

15. Aplicando a semiótica em sua face entre-textos: o discurso poético e o discurso pictórico. (imagem x texto). (verbal e não-verbal). As relações em que se sustentam; os sistemas complexos e seus subsistemas; os diálogos dos signos e suas estruturas; referências ao mundo cultural (moda, culinária, pintura, poesia, narrativa) engendrando possibilidades de co-relação através das conjunções e disjunções; o campo das categorias; o campo dos signos como representamem; a cor como informação;

16. O discurso sedutor da propaganda; as relações das imagens e do texto no cenário publicitário; o poder persuasivo da linguagem midiática; a mass-media; a Indústria Cultural (escola de Frankfurt e Adorno); a relação discursiva do visual/textual/sonoro.

17. Relações música / literatura; a música popular e suas referências literárias; o Rock e contra-cultura; o pop e sua veia poética; letra e poema, dignos de estudo;

18. Descobrindo novos autores: comprovando seu valor através da crítica e do argumento teórico; a análise e a interpretação.

19. Literatura aplicada à escola: mobilizando projetos para pesquisa de campo; como aplicar a literatura; seu respaldo e sua didática; oficinas e implementações;

20. Filosofia e Linguagem: influências de grandes escolas filosóficas no eixo saber-linguagem-texto; os Tomistas; Existencialistas; Materialistas; Metafísicos; Epistemológicos, etc.


Membros Filiados: (pesquisadores e seus respectivos projetos de Pesquisa)

7.º Período

GISELY STORCH DO NASCIMENTO SANTOS

O ENSINO DE LITERATURA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO ENSINO MÉDIO EM ESPIGÃO DO OESTE/RO

ANDRESS DANIELY ÁVILA MENDONÇA

A RELAÇÃO SEMIÓTICA DA PINTURA DE PORTINARI COM OS SIGNOS REALÍSTICOS / NARRATIVOS DE EUCLIDES DA CUNHA

ETHEL PANDOLFI ERMITA

ANÁLISE E DIAGNÓSTICO DO PROJETO FEDERAL LITERATURA EM MINHA CASA NA ESCOLA RAIMUNDO EUCLIDES BARBOSA

SOLANGE DE SOUZA PEREIRA

UMA PERSPECTIVA LITERÁRIA SOBRE MANOEL DE BARROS: EM BUSCA DA LITERARIEDADE

SONIA KEPPE

MARCAS DE LITERATURA INFANTIL NA POÉTICA DE MÁRIO QUINTANA

DANIELLE AYRES ABREU

OS PROCESSOS SEMIÓTICOS UTILIZADOS NA CONFECÇÃO DOS MICRO-SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO DOS PORTADORES DE SÍNDROME DE DOWN

LEANDRA HELOISA TURRINI

O ENVOLVIMENTO SEMIÓTICO DA IMAGEM E O TEXTO NO DISCURSO ERÓTICO/PERSUASIVO DA DU LOREN.

5.º Período

PRISCILA GOMES DE OLIVEIRA

A SENSUALIDADE COMO ELEMENTO ESTRUTURADOR E SIGNIFICATIVO DO DISCURSO EM NOITES DO SERTÃO DE GUIMARÁES ROSA

LINDA LETÍCIA TURINI

CRÍTICA LITERÁRIA: CONSONÂNCIAS E ATRITOS NA LÓGICA DISCURSIVA EM ANTÔNIO CÂNDIDO, JOSÉ VERÍSSIMO E ALFREDO BOSI

ALCIONE GRACIELA MENDONÇA

O CÂNONE LITERÁRIO: ENTENDENDO O CÂNONE ATRAVÉS DO BARROCO

ROSELI FÁTIMA DE CAMARGO

A INCURSÃO DO ÍNDIO NA POESIA BRASILEIRA COMO ELEMENTO FORMADOR DA ESTÉTICA NACIONAL

ELIZABETH CAVALCANTE DE LIMA

IMAGEM E TEXTO: O PICTÓRICO COMO VEÍCULO DE INTERPRETAÇAO POÉTICA NOS CADERNOS ILUSTRADOS DO MÉTODO POSITIVO

RENATA CRISTINA PESSOA RAMOS

SARAMAGO: RE-LEITURA VISUAL DE UM ENSAIO À CEGUEIRA

3.º Período

HELEM CRISTIANE AQUINO DOS ANJOS FERNANDES

O FANTÁSTICO EM GABRIEL GARCIA MARQUEZ: CEM ANOS DO MARAVILHOSO

GEISY EMILIANA MAURÍCIO

A ARTE VISUAL COMO INFLUÊNCIA INTERPRETATIVA DA LITERATURA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO.

FAIRUSE MOREIRA RODRIGUES

MODERNIDADE EM SAFO: UMA RE-LEITURA DE PAIXÕES

ROSANE PESSOA DOS SANTOS

A LITERATURA COMO JANELA PARA O SABER NAS SÉRIES INICIAIS

MARIA APARECIDA JUSTINO DE ALMEIDA

A LITERARIEDADE E A CONSTRUÇÃO DE UMA LINGUAGEM POÉTICA


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quinta-feira, maio 05, 2005

ASPECTOS GERAIS DO ARCADISMO: Análise de Alfredo Bosi

BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. 41ª ed. São Paulo: ed. Cultrix, 1994.

ASPECTOS ESTÉTICOS, ESTILÍSTICOS E TEMÁTICOS DO ARCADISMO
ALFREDO BOSI
Org. Prof. Rômulo Giácome O Fernandes


- Atenuar os aspectos pesados e maciços do Barroco;
A linguagem Barroca estava amarrada ao signo tanto quanto desvinculada ao princípio do gosto e da graça. Entendida como amaneiramento das formas e conteúdos.
- Busca do Natural; Esquemas rítmicos mais graciosos;
O verso buscou a melopéia quatrocentista de Sannazaro; A lira pastoril de Guarini; (influências medievais).
- A incursão ao mundo do equilíbrio, perpetuou princípios como o claro, o racional, o regular e o verossímil;
Na tentativa maior de arquitetar uma estética própria, o Arcadismo foi antes de tudo político e normativo; intentou formar uma concepção sobre a arte literária, reiterando ares de Poética; Re-inventou as fórmulas clássicas à sua maneira; (Neo-classicismo; Iluminismo)

A estrutura do Arcadismo se dá da seguinte maneira:
A – Um encontro do cenário natural como contorno ideal à obra, bem como contextos de afetação humana, formatados de maneira nítida pelas linhas clássicas, espiritualizada pela condição de imitação (mimese)
B – Ao meio do século XVIII, crítica da Burguesia New Cult, aos abusos do Clero e Burguesia;

 Sonetos de Escola “Arcádia”  Engajamento Pombalino (Basílio da Gama)  Sátira Política (Gonzaga)  Último suspiro Árcade com Rousseuau e Voltaire (José Bonifácio)

1. O verossímil aqui entendido como uma nova manifestação da mimese clássica: cópia da natureza. Real  Cópia = BELO. Que agora data:
2. A mimese verossímil do Árcade: Existe um mediador entre esta cópia real que procura encontrar a beleza escondida nas coisas. Este mediador é a fantasia:

Natural (Real)  Fantasia  Obra: Esta fantasia deve dialogar com a natureza e propor à Linguagem seu produto significante. Não deve avançar rumo ao ilógico ao anti-real. Os mitos são muito utilizados pois uma Fantasia (aqui vista como unidade de representação) que possui configuração humana, mantém relações reais e essenciais ao mesmo tempo. O homem e suas ações no espaço natural são consideradas alegorias perfeitas ao entendimento árcade. No Barroco, os signos do poema valorizam-se mutuamente em uma relação significante, deixando um espaço para multiplicidades; o verossímel árcade amarra o texto à condição humana (contexto) e suas derivações afetivas e conceituais, como forma de atingir a plenitude da essência do belo. O Barroco ignora os limites da natureza.

3. Existe uma nítida necessidade das experiências humanas (Iluminismo); A arte deve existir enquanto elemento pedagógico, reivindicando a máxima de Horácio. Peso da ética como elemento moralizante. (fazer o bem).
4. O gosto ao bom e verdadeiro, que a mimese árcade possibilita. Deva ser verossímel pois não se admite uma fuga ao Real (natural).
5. Existia uma nuança de Hedonismo (Prazer sensível) , no sentido das Àrias que perpetuavam a moda dos salões e boa etiqueta. O bom vivant que celebra a moral clássica greco-Romana.
6. Uma escolha das fontes Italianas são provenientes do apego ao Fantástico e do Prazer no tecido verbal.
7. A Art Poetique de Boileu, torna-se o livro-texto dessa empreitada Árcade rumo ao cenário Francês. Aprovado por Voltaire e utilizado fortemente por Cândido Lusitano, cuja Arte Poética figurou entre as obras de cabeceira dos nossos poetas árcades.
8. “um conceito que não é justo, nem fundado sobre a natureza das coisas não pode ser belo, porque o fundamento de todo conceito engenhoso é a verdade”. Verney. (Verdadeiro Método de Estudar).
9. Ideologicamente, a presença maciça das cidades no novo cenário Burguês, fez com que a paisagem natural fosse um bem perdido, onde os tempos de ouro possibilitavam uma vida pacífica. (Antônio Cândido).
10. O campo pode ser encarado como o “espaço paralelo” do real, que possibilita o poeta cantar idilicamente e sem a sã consciência moralizante do clássico;
11. O mito do homem natural: O Iluminismo estava centrado por sobre a Razão e o Natural; Voltaire representante do enciclopedismo, era forte crítico aos mecanismo absolutistas no meio urbano; Rousseau tinha o caráter passional, buscando ambientes mais propícios à liberdade, ao sentimento. Retratando no natural os princípios de simplicidade e primitivismo. O retorno à natureza como fonte inspiradora das paixões dos poetas.

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Linhas Gerais:
- vcs já ouviram falar em Arcade Fire? Esta banda canadense é daquelas que mudam paradigmas; intimismo; grandiloqüência; estupefação; cool; tudo que uma banda de Rock and Roll pode engendrar aos amantes da boa qualidade musical (pro file) ; procurem na net;
- vcs já ouviram falar no poeta Nelson Ascher? e Arnaldo Antunes? e Paulo Leminsky? Ana Cristina Cézar? está na hora de saber o que realmente acontece na literatura contemporânea;

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