quarta-feira, abril 25, 2007

ANÁLISE DO POEMA "PÓ / ÉTICA"

Análise metodológica do Poema PÓ / ÉTICA;
Poema: Prof. Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes
Autores: Andressa Gomes Borges, Deloir Schreiber, Fairuse Moreira Rodrigues, Geisy Emiliana Maurício, Inara Luiza Salvi Dallolmo, Jucilayne Regina Cambuí, Maria Andréia Garcia, Messias Pereira, Miriam Bomfim. (Acadêmicos do 7º período de Letras)
“PÓ/ ÉTICA”.
Digo não:
Ex-cravo
Não escrevo, encravo
No ex de tudo
Trono
De tono
Detrono a tibia
Verso meu de todo dia
De tudo isso
Não insisto
Apena:
IN saio
OU tudo
OU NADA
A nada
No D do dado
No ser do seio
Do próton ao nariz do pluto
A arte é sempre a mesma
Um pingo de ti e uma letra de mim
Um gesto, assim, desaforado.
Palavra da lava, mentira suja lavada
Prata e preto
Plutão e Plutarco
Quem arqueará meu arco?
Não sei se sabe
O se sabe não sei
Interno e Externo
Amparo e lumiar
Lumiei uma vontade de ser Ético
O engraçado é que cético
Não é ereto no teto.
Flúor e dente: Limpeza e arte
Cada um em um
Em bate, bate, bate,
Palavra VERSUS arte:
Todo combate
Reconhecem?
Signal
Signal amigos
Totalmente signal
O horóscopo neste signo
Naturalmente suspira sentido!
Metodologia à análise do poema concreto.
  • Identificar o binarismo na poesia: pares sonoros
  • Identificar os aspectos de vebicovisualidade:
Verbicovisual: visão (disposição, contraste); sonoro (binariedade, equivalência sonora e equivalência semântica); verbal (multi-dimensidade, equivalências semânticas).
  • Considerar as palavras como “coisas”: é preciso negar o caráter semântico e ler apenas a materialidade (a porção material, a porção concreta).
  • Observar a relação dicotômica: fundo/forma, pois o poema concreto possui várias expressões que se cruzam na produção do múltiplo;
  • Identificar a materialidade e unidade do constructo: as partes existem sem o todo, mas o todo não existe sem as partes;
  • Observar a disposição gráfica do poema;
  • Perceber os isomorfismos presentes;
  • Ler ao invés de interpretar: a redação
  • Não procurar os sentidos;
  • Observar a substituição da sintaxe pela arquitetura.
  • Observar cores;
  • Observar a disposição, traço;
  • Observar a espacialidade, proporção;
  • Observar a simetria (estabilidade), assimetria (instabilidade);
  • <!--[if !vml]--><!--[endif]-->Observar ícone (representação primeira, visual);
  • Observar índice (representação convencionada);
  • Observar símbolo (representação, socialização legítima);

Exemplo:
É o caso da cruz. Ela é um ícone (de um homem sendo torturado), um símbolo (da fé cristã) e pode ser um índice (quando chegamos a uma cidade e queremos saber onde fica a igreja).
  • Escolher uma direção de leitura e depois experimentar: o segredo da poesia concreta é saber onde ela começa e depois seguir sua leitura na seqüência, trata-se de uma poesia cíclica;
  • Valorizar a holografia;
  • Construir as imagens dos pontos e isomorfismos;
  • Ler os “sons”: porção significante sonora;
  • Perceber a tipografia.
Aplicação da metodologia no poema “PÓ/ÉTICA”
Pó Ética remete ao poder, enquanto PÓ, remete a poeira.
Escravo em seu sentido semiótico cria, remete a imagem no sentido cravado, uma vez que o escravo é cravado aos mandos de seu senhor.
Quando se observa o termo destrono a tíbia, pode representar ou significar, destruir a morte que é representada simbolicamente por duas tíbias cruzadas e duas cabeças. O nariz do pluto e o próton representam a sensibilidade da energia (próton) e o faro (nariz do pluto).
Ao falar de binariedade logo acima, pode-se retirar ou encontrar no poema em questão os seguintes trechos, que a representa:
Pó/ Ética
Esc/ cravo
De/ tono
Ou tudo/ ou nada
Prata/ preto
Plutão/ Plutarco
Interno/ externo
Flúor/ dente
Limpeza/ arte.
Outro aspecto a ser observado é o verbal denotativo, que tem como representantes no poema as palavras: digo cravo, escrevo, cravo, destrono, insisto. Arqueará, sabe, amparo, lumiar, ser, bate, reconhecem, suspirar.
Ao se propor a escolher a direção da leitura, essa pode ser feita em dois sentidos; tanto na forma vertical, quanto na forma horizontal. O visual neste poema é nulo e a leitura dos sons podem assim serem representadas:
Pó/Ética: poética, ex/cravo: escravo e de/ trono: detono.
<!--[if !supportLists]-->1- <!--[endif]-->A caneta, a tinta, o papel e a palavra, independente de verdade ou mentira são matérias-primas da poesia.
<!--[if !supportLists]-->2- <!--[endif]-->O poeta ao escrever, não sabe a quem vai comunicar a sua poesia, assim como também não sabe se quem vai ler, sabe o que está lendo; por isso o poeta concretista deixa pistas.
Não há contextualização na poesia concreta, ela basta por si mesma, descontextualizada. Isso implica na idéia de que a arte não serve para nada.
Outra leitura provável acerca da poesia “PÓ/ ÉTICA”, de Fernandes seria uma leitura metapoética, em que a poesia se vale por ela mesma e explica sua própria existência. Assim, podemos observar um confronto entre o novo e velho dentro da literatura, ora, pois entre o Clássico e o Concretismo. O clássico representado pela palavra “trono”, que pretende evidenciar o poder do tradicional e o Concretismo, por sua vez, representado a partir da palavra “De tono”, ou seja, o movimento concreto surgiu com o intuito de derrubar o poder até então concedido ao classicismo. Veio como a ruptura do “verso meu de todo dia”, quer dizer os sonetos e o emprego dos versos livres, rompendo com a sintaxe.
O Concretismo, portanto é um período complexo, mas com uma sistemática simples. “No D do dado”, percebe-se uma referência ao poema “Um lance de dados”, primeiro poema concreto que pode ser lido de todas as formas e que nunca se esgota, nota-se ainda, na figura do dado, as possibilidades de leitura que um poema concreto pode apresentar. E quando se diz: “Do próton ao nariz do pluto” novamente temos a idéia de projeção do tradicional (clássico) para o novo (concretismo).
Em: “A arte é sempre a mesma/Um pingo de ti e uma letra de mim/Um gesto, assim, desaforado”, observa-se uma alusão ao caráter múltiplo da poesia concreta, isto é, não é o sentido que é múltiplo e sim o código. Desse modo a pessoa que lê um poema concreto não obtém vários sentidos, mas sim várias leituras.
Observe a seguir:
Palavra da lava, mentira suja lavada
Prata e preto
Plutão e Plutarco
Quem arqueará meu arco?
Em se tratando desse fragmento, nota-se uma referência ao poeta e ao ato da escrita, ou seja, mostra-nos que àquilo que o poeta escreve não corresponde necessariamente àquilo que ele pensa; o poeta é, portanto, um fingidor, de modo que cabe ao leitor evidenciar a multiplicidade de leituras.
Ao falar “Não sei se sabe/ou se sabe não sei/Interno e Externo/Amparo e lumiar”, pode-se observar a relação entre o locutor e o interlocutor, a poesia concreta apresenta características internas (conteúdo) e oferece suporte para as leituras (externo), temos assim, uma poesia produto, que demonstra nessa estrofe a ironia, que acontece não no todo, mas no fragmento da poesia. Quando se diz: “Lumiei uma vontade de ser Ético/O engraçado é que cético/Não é ereto no teto, nota-se um recado do poeta é como se ele dissesse: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, mostrando, pois que nem ele mesmo pratica àquilo que ele prega.
Observe agora, as duas últimas estrofes:
Flúor e dente: Limpeza e arte
Cada um em um
Em bate, bate, bate,
Palavra VERSUS arte:
Todo combate
Reconhecem?
Signal
Signal amigos
Totalmente signal
O horóscopo neste signo
Naturalmente suspira sentido!
Inicialmente, percebemos a característica da inovação defendida pelo concretismo, arraigada na palavra “limpeza”, de modo que o movimento nascia com a vontade de colocar o clássico em seu lugar: “cada um em um”, por meio de um conflito “em bate” estabelecido entre os mesmos. Quando se fala: “Palavra VERSUS arte: Todo combate”, é como se a palavra “versus” estivesse sendo utilizada com o sentido de verso, assim, a palavra versus, que quer dizer negação indica nesse contexto a contradição, a negação do verso dentro do concretismo. Temos, nesse sentido, a negação (VERSUS) do verso, representando aqui o combate dos concretistas em relação aos sonetos e a defesa do verso livre.
E por último, evidencia-se o signo (coisa que significa), bem como suas equivalências sonoras e semânticas, respectivamente. Em “o horóscopo neste signo” pode-se observar as possibilidades (previsões) dentro do concretismo, uma vez que o horóscopo não se repete e trabalha com as possibilidades de acontecimentos, temos assim o acaso, igualmente, as leituras do signo, enquanto objeto.

terça-feira, abril 10, 2007

MODERNISMO BRASILEIRO

Orientações do Prof. Rômulo Giácome

As vanguardas Européias:
Os "ismos" sempre foram considerados elementos chatos de serem compreendido pelos alunos iniciantes e completamente incensados pelos críticos conteudísticos sociais, uma vez que suas repercussões não reverberam na teia social brasileira do modo como deveria ser. Mas para aqueles literatas preocupados com a teia da linguagem que compõem o casulo da arte verbal, as vanguardas são o ponto máximo da evolução da literatura efetuada pelo simbolismo, uma vez que preconiza o signo como elemento mediador (demiurgo) do elemento sensível com o néctar na poesia, o conteúdo. Vindo ao encontro desta premissa, abordaremos as vanguardas por pequenas dicas intrínsecas a sua constituição semiótica que contribuíram sobremaneira ao entendimento e análise de fragmentos de poemas contemporâneos. Vejam o esquema abaixo:

Separaremos as vanguardas por percepções semiotizadas:

I Verbais

Enfoque nos termos da língua (palavras) que tem como referência a denotação em um movimento de modulação para a conotação.

DADAÍSMO:
Recortes interessantes a serem pontuados: neologismos; ilogismo semântico por meio de novos termos; paranomásia, ou seja, equivalência sonora; manipulação dos dialetos das línguas e referência a outras línguas;

FUTURISMO
Recortes interessantes a serem pontuados: velocidade rítmica da prosa e poesia; ausência de pontuação; violência simbólica a partir de um léxico forte e intenso; onomatopéia (imitação dos sons concretos); imitação da sensação de modernidade; busca de aliterações e assonâncias mecânicas;


II Visuais
Busca da projeção visual dos signos não-verbais descritos nos textos que propiciam a elaboração da "cena informativa";

SURREALISMO
Recortes interessantes a serem pontuados: bloqueio da razão e fluxo da consciência; inconsciência; sonho; elementos telúricos e oníricos; devaneios; abstrações; imagens não figurativas (sem forma definida pelo real); abuso das cores, sensações e emoções;

CUBISMO
Recortes interessantes a serem pontuados: desconstrução do figurativo; presença da imagem; formação geométrica; delineação de pontos oblíquos; definições em ângulos; recortes;

CASO IMPORTANTE:

EXPRESSIONISMO:
O expressionismo possui ambivalência comunicativa; tanto parte de postulados visuais quanto de verbais; ele pode ser facilmente confundido e deve estar classificado como uma categoria e não como uma marca de expressão; a tônica de sua classificação está na função emotiva, onde o sujeito discursivo emana traços expressivos através de expressões verbais na enunciação (interjeições, analogias, repetições) bem como visuais, criando relações entre emoções e sentimentos com cores, traços e formas.

QUESTÃO
O que torna a obra Macunaíma, de Mário de Andrade, modernista?

- O pastiche de uma mitologia racional, estruturada por sobre uma mitologia indígena primitiva, alicerçada em lendas e folclores de ficcionalidade e fantasia surreais;
- A bricolage do folclore indígena por um viés popular, com cores e tons sofisticados a partir da erudição e enciclopedismo de Mário de Andrade.
- Ausência de nexo na pontuação; esta negação permite o fluxo futurista, estruturado a partir do ritmo da prosa moderna de bases Joycianas.
- Tematização a cerca do elemento antropofágico, sugando a seiva da cultura (caldo cultural) como forma de recriação do novo;
- a METÁFORA DO ÍNDIO na perspectiva do anti-herói; a marca da ironia e humor popular de arestas modernistas;
- O vigor da narrativa em terceira pessoa com pessoalizações e internalizações de perspectivas;
- A ligação do campo com a cidade, através do elo indígena e do movimento de viagem e roteiro, dando ênfases épicas à narrativa localista;