segunda-feira, janeiro 18, 2010

PRÓLOGO PESSOAL DE UM ANO A SER ESCRITO

Bem gente...amigos leitores do TEOLITERIAS;

estou aqui novamente, escrevendo. Principalmente sobre o que mais gosto: minhas andanças e entrâncias pela música, literatura e cinema; até mais um pouquinho, na iconografia popular, na mídia e seus meandros, na cultura em todos os seus desvãos, desníveis e rótulos.

Espero que o ano novo de vós tenha sido extremamente repleto de amizade, alegria e ebriedade, com profusão de boas conversas, passos de dança e gritos de felicidade.

Como é bom reunir! como é bom sentir a ebriedade enquanto a forma exaltada de abertura, alegria e estonteante vontade de querer bem... para mim, viver feliz é estar constantemente em clima de Natal. Natal é um conceito para um ritual pagão: bebericar, festar e conjugar; aproximar; motivo de paz, que deve ser constante;

uma hora ortodoxa; cinco horas de música e maravilhosa comida; ano novo, bacanal.

natal sem música, comida, cultura? o prato deixado pelos avós, tios e pais; os deleites da ceia escondem a memória familiar; o almoço, repleto, intenso; gritinhos e conversas; prazer;
a bebida que azeita relações, conecta pensamentos díspares e fortalece amizades;

"Festa de babete", filme memorável, com esta tônica, esta marca forte do calor fraternal do bom vinho e da boa música.

à família, que próximos estiveram, re-lembranças, reversos de sentimentos que voltam ao corpo em forma de imagens;

aos amigos próximos, re-encontro em breve, saudades;

Ao meu pequeno Pedro e linda Helem, um belíssimo verso da belíssima canção "frágil" de Wado:

Se eu sou frágil e tu és frágil
vamos nos proteger
quero ficar contigo
é bom esclarecer
o bom é a gente junto

aos leitores do TEOLITERIAS, lembrem-se: um olhar subjetivo constrói a plataforma sensorial, a fruição e o prazer sobre qualquer elementos artístico, dada a sua profundidade. Assim,

Como não se deter e arrepiar, reflexo afetivo, nas belíssimas baladas "Frágil" e "Pavão Macaco" do Wado (belíssima descoberta); como não se projetar de cabeça no sentimento, estremecer e chorar?

Como não se acometer de delírios rockers em "O capa dura" de Poléxia? Reter sensações maravilhosas em "A solidão dos plânctons?" Este novo álbum do Poléxia "Força do Hábito" está sensacional.

A muito tempo não tínhamos um desplugado tão bom quanto dos "Autoramas"; forte, rock and roll das antigas nos três componentes alucinados, tocando muito e muito limpo; do início ao fim sinceridade rocker;

A quanto tempo a galera não delirava tanto e alucinava em uma vibe maravilhosa quanto na apoteótica "I Gotta Felling" (black eye pears) e "Sexy bitch" do David Getta.

A construção deste mosaico efervecente que marcou este escritor que agora vos escreve também teve literatura de primeira categoria, beat, ainda por cima.

Pirei com Jack Kerouac em "on the road". Li como quem sorve o último gole de água do deserto. Alguns clichês que eu havia construído por intuição, que motivavam a minha vida e determinavam meu jeito de ser, passaram a ser verdades comprovadas por outro agora. Não especificamente outro, mas sim outra geração, a geração que não está em nenhuma época mas em todas. É um espírito "forever young" indestrutível, que faz de você um andarilho idealista, embatendo na lama da realidade fétida da poeira, da estrada, do óleo dos motores, que hidrata a concepção de realidade que em mim habita.

A estrada e seu fetiche, o automóvel, a motocicleta, a máquina e seu delírio e fascínio; o campo aberto e o projétil de mim nela, correndo, errante, sem tempo, o tempo indeterminado da vida, o tempo biológico da fome e da sede; a chegada e a saída; o andar, os amigos, a solidão.

A foto que abre o blog está sob esta tônica; foi minha aventurosa viagem à Costa Marques; a mais inapropiada das viagens, mas a mais das mais; a intensa. "on the road"; percurso, limite de depuração, conhecimento e re-conhecimento dos limites do corpo e da ilimitude da mente.

Bem, que este ano seja rico em subjetividades; que possamos consumir nosso tempo também pela mente e pelo espírito; que o coração cante mais; que as mãos consigam tecer "seu rude trabalho" enquanto o espírito segue plano e limpo, calmo; que a mente se dilacere em fragmentos de imagens e criatividade e que possamos olhar subjetivamente a matéria e possamos torná-la espiritual, seja na música, no livro e no sonho.

E que possamos ser eternos em pensamento e ação.

Abraços a todos.