MENU PRINCIPAL

quinta-feira, outubro 18, 2012

RESENHA DA OBRA “INTRODUÇÃO À ANÁLISE DO DISCURSO” CAPÍTULO I – HELENA H. NAGAMINE BRANDÃO


CAPÍTULO I – ANÁLISE DO DISCURSO

Rômulo Giácome de O. Fernandes[1]
Leiliane Xavier Azevedo[2]
João Valter Gabriel[3]
Sandra Maristela[4]
Tércio Silva Flor[5]
Valdomiro de Jesus [6]
Valéria Fagundes[7]

 1 ESBOÇO HISTÓRICO

Este trabalho tem por finalidade apresentar ao público leitor um resumo sintético sobre a Análise do Discurso (AD) do ponto de vista da autora Helena H. Nagamine Brandão em sua obra Introdução à análise do discurso em segunda edição publicada em 2004.

quinta-feira, outubro 11, 2012

SEMARTE 2012: JOSÉ EDUARDO MARTINS, CIPRIANO LUCKESI, ROSANA NUNES ALENCAR E SÉRGIO CANIBAL

SEMARTE 2012: 

Presença do Doutor Cipriano Luckesi, Educador e especialista em Avaliação, junto ao Coordenador do Curso de Pedagogia, prof. Nelson Rangel. (Foto 01) Mesa-Redonda com Rosana Nunes Alencar, especialista em Literatura Contemporânea, pesquisadora do GEPOEC, junto   ao poeta, professor e pesquisador na área de  Linguística, Dr. Sérgio Nunes de Jesus. (Foto 02). Dr. Francisco Cetrulo, Coordenador Pedagógico da UNESC, junto ao conferencista, José Eduardo Martins de Barros Melo, professor, poeta e partícipe do movimento "Independentes" do Recife na década de 80.(Foto 03). 




sexta-feira, outubro 05, 2012

SEMIÓTICA E JOÃO CABRAL DE MELO NETO: FRAGMENTOS DE UMA METODOLOGIA DE ANÁLISE


UM OLHAR SEMIÓTICO EM JOÃO CABRAL: “A EDUCAÇÃO PELA PEDRA” e “FÁBULA DE UM ARQUITETO”
By Rômulo Giácome

MINICURSO APLICADO NO SELL 2012, VILHENA, NOS DIAS 04 E 05 DE OUTUBRO DE 2012


A semiótica de linha americana pode ser muito bem aplicada no corpus literário. Simplificando marcas textuais da camada superficial em recursos, poderíamos ter, grosso modo, as seguintes relações:

    a)      Ícones: adjetivos e substantivos que remetem e inferem um sentido sensorial, (primeiridade);

O poema de João Cabral de Melo Neto, Educação pela Pedra, é imprescindível para ilustrar o intento teórico acima. Por meio de alguns ícones que irrompem de sua tessitura, tais quais: “resistência fria”; “flui”; “muda”; “carnadura concreta”; todas estas iconicidades remetem ao sensorial e tendenciam a eclodir na poética Cabralina da coisificação. No entanto, esta coisificação busca a tridimensionalidade do signo e não simplesmente a coisa / ser / objeto. É a face aparente, velada, áspera, sonora (...). Vejamos o poema para recolocar os ícones listados.

Uma educação pela pedra: por lições;
Para aprender da pedra, frequentá-la;
Captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
Ao que flui e a fluir, a ser maleada;
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:
Lições da pedra (de fora para dentro,
Cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
E se lecionasse, não ensinaria nada;
Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
Uma pedra de nascença, entranha a alma.
Em sequência temos o índice. (secundidade)

      b)      Índices: Verbos e formas verbais que traduzem a dinâmica narrativa do texto;

Entendendo o poema de Cabral como uma micro-narrativa, teríamos a seguinte estrutura formal / verbal: Ação principal: “Aprender”; sub-ações específicas e necessárias: “frequentar”; “captar” (sentido diferente de escutar ou ouvir; estes são estáticos enquanto que captar pressupõe uma ação do ouvinte); “fluir”; “adensar-se”, verbo importante para a identidade do texto, uma vez que forma o sujeito “aprendiz” (que não se revela pois é impessoal); “adensar-se” possui forias relacionadas ao ato de se fortalecer, aprofundar. E por fim, um “soletrar”.
É possível inferir, por meio de uma relação actancial (sujeito à objeto) que o sujeito cognitivo do poema é impessoal e não necessita personalização ou referência; no entanto o “professor” mudo é a pedra. Podemos tentar propor que além de pedra / professor, ela é pedra / sílaba (verbo soletrar) e pedra / signo. Isto porque a pedra possui uma dicção de existência e não de voz. Basta existir para ensinar. E basta a experiência do homem sobre ela e sobre as formas naturais e puras para se entender e aprender.

       c)       Símbolos: referências demarcadas e legitimadas; (Terceiridade)

A forma narrativa / argumentativa do poema Educação pela Pedra evoca três disciplinas necessárias, que irrompem por meio dos símbolos: Moral, Poética e Economia; mesmo que esta economia encontre homônimo na máxima Cabralina, sua função simbólica é evidente. Assim, varremos e identificamos estes três símbolos acima descritos.

A lição de moral, sua resistência fria
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:

Neste momento é interessante explorar a semiótica na formação poética Cabralina. João abandona o símbolo e busca, quase sempre, a (des)referencialização dos signos poéticos.
Cabral abandona os símbolos; trabalha apenas com ícones e índices: (“casa apenas com teto e porta”, como veremos em Fábula de um arquiteto);
Para este raciocínio é preciso compreender uma analogia simples da semiótica poética:

Ícone à sem referência; (não podemos definir peremptoriamente o sentido)
Índice à sem referência; (idem)
Símbolo à referência; ou o mesmo que chamarmos o sentido do símbolo da eterna afirmativa “É”; Por outro lado, esta definição não é literária; definha o ente poético; assim, o símbolo carrega sobre si o estigma da definição, e não do devir (o vir a ser), que concatenará a afirmação correta: “pode ser” e não “é” na esteira das inferências de sentido.
Em outras palavras, o símbolo como limitador do texto Cabralino e de todo o texto poético, não consegue intercambiar-se poeticamente com outras unidades. Para tanto, é relevante entendermos o que chamo (ousadamente) de Transposição semântica.
Um símbolo só se comunica com outro símbolo de modo superficial; (pedra na entranha da alma); já os índices e ícones podem ser transmigrados; ao decompor o símbolo pedra em ícones e índices, ou semas, a transmissão torna-se efetiva
Pedra à rigidez, dureza, concretude, rispidez, resistência àentranha da alma” o Sertanejo é um forte; os semas impregnam na alma, promovendo a transposição do legado semântico do símbolo Pedra (que se (des)referencializa) para o objeto “alma”.

Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
Uma pedra de nascença, entranha a alma

                Ao dialogarmos com um Cabral que trata de “objetos”, devemos perceber que, pela sua necessidade poderosa de fugir dos referentes, sua linguagem evolui de uma espacialidade simples, para categorias mais complexas, incidindo em um conceito mais amplo de “dimensão”. Do espaço e coisa para a dimensão e categoria. Vejamos em fragmento do poema “Fábula de um arquiteto”:

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;

construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;

construir portas abertas, em portas;

            Observamos em “construir o aberto”, “fechar secretos” e “portas abertas” que o signo poético almeja a dimensão maior, designar as formas em sua plenitude: não é a porta. É seu vão, sua forma pura de vazio que permite a entrada, a dimensão do aberto e do permitido. É o espaço de entrada e não a coisa de madeira e seu portal. Nesta busca da forma pura /plena, Cabral chega aos índices, negando a finalização, negando o “fechar”, mas sim o abrir. É uma casa indicial, apenas porta e teto, tal qual Mondrian.

casas exclusivamente portas e teto.

                Nesta dimensão de abrir / fechar, o poema enseja esta dialética do aberto e fechado a partir das casas. Não a “casa”, mas um espaço sem limite / limitado, linhas imaginárias da temporalidade / espacialidade, que se intercalam. No ato de construir “aberturas” que se abrem, portas que se abrem dentro do espaço e sem portas, a lembrança clara da Biblioteca de Babel (Joge Luis Borges) como matriz da construção ilimitada de espaços, até chegar no todo é inevitável.

O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

                Muito que a semiótica discursiva tem buscado é a importância da máxima Greimasiana “de que só existe sentido na diferença”. Assim, a importância do discurso enquanto combinação / sintaxe de semas subterrâneos, conexões improváveis e relações entre termos de inovada elevação de sentido, perfaz o próprio projeto de poemas como Rios sem Discurso e Tecendo Manhã; o primeiro uma clara alusão à sintaxe semântica.
Por fim, no minicurso que deu origem a este texto, no frêmito da aula, exigiu este adendo, que fez todo o sentido e espero que agora o faça também. É importante salientar que o ícone e o índice se comunicam ao perceptum, e não à decodificação racional da linguagem; comunicar-se ao perceptum é uma forma singular de comunicação, pois tem eficiência garantida por meio de outros registros; assim, ícones e índices propiciam esta comunicação perceptiva por meio de cheiros, design, movimento, cores e formas, além de outras categorias sensoriais.
Assim, poderíamos chamar o perceptum de intuição? Ou sensorialismo? (sons, gestos, cheiros)