Quinta-feira, Março 01, 2012

O METAPOEMA "AUTOPSICOGRAFIA" DE FERNANDO PESSOA

A TEORIA REVELADA NA PRÓPRIA CRIAÇÃO

By Tássyla Fernanda*



O poema “Autopsicografia”, de Fernando Pessoa, nos leva a questionar a intenção do autor ao escrevê-lo. Observa-se uma característica recorrente do modernismo, a metalinguagem, já que o autor refere-se à criação da própria arte.
Deixa claro que se trata de uma análise psíquica da criação (devido ao prefixo auto), à medida que descobria / revelava sua fruição poética e suspeitava a fruição lida, referida ao leitor nos versos da segunda estrofe. Para elevar sua obra ao campo da arte o autor precisa fingir uma dor, não apenas sentir e transcrever a dor real. Entretanto, ao ler a primeira estrofe, parece-nos que o autor sugere a dor da criação, aquela que sente ao ter que fingir algo que não sente no processo de criatividade; então sugere que não basta haver uma poesia, e sim, é necessário que haja imaginação para encaixá-la na forma artística e ser considerada arte.
São perceptíveis quatro dores: uma real, outra fruto do fingimento, a lida e a dor sentida pelo leitor. Estas são encontradas nos versos da segunda estrofe que expressam a emoção do leitor, os sentimentos frutos da dor fingida pelo autor.
Aparentemente, a terceira estrofe apresenta uma conclusão dizendo que a criação do poema dá-se a partir das sensações sentidas pelo autor e imaginação, respectivamente, coração e razão. Devido à conjunção coordenativa “E” que inicia a segunda e terceira estrofes é possível entender que o poema é constituído por três partes lógicas: a primeira refere-se ao autor e sua fruição artística, a segunda, ao leitor e a interpretação da dor por ele feita, e a terceira, como já fora dito, a conclusão.
Nota-se que os verbos estão todos no presente com exceção da forma verbal no pretérito perfeito teve; os verbos no presente só tendem a confirmar o que fora dito acima, a respeito da análise psicológica feita pelo autor em seu processo de criação. Há repetições de palavras que relembram um processo que marca a criação poética, o fingimento, para tal o autor utiliza de verbos como nas formas verbais finge e fingir e do substantivo fingidor. Há também uma insistência na dor como ponto de partida para a criação. Faz-se necessário ressaltar também as rimas cruzadas com intenções do autor em deixar claro os pilares da criação, fingidor/dor e coração/razão.
Sinteticamente, o autor deixa-nos claro a metalinguagem, através do processo de análise psicológica que explica, de acordo com a ideia de Fernando Pessoa, os pilares para a construção poética. A obra faz isto de maneira rápida e precisa, condensando a linguagem, diz tudo o que quer dizer em poucas palavras.



Acadêmica do Quinto período de Letras/UNESC e pesquisadora na área da Teoria Literária

Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012

Opinião - "ARREPENDA-SE"

ARREPENDA-SE
Por Bernardo Shimidt Penna*


É bastante comum ouvirmos pessoas, sobretudo em entrevistas, dizerem que “não me arrependo de nada”. Ou ainda: “só me arrependo do que não fiz”. Embora tenham se tornado clichês, trazem uma gigantesca carga de soberba.
O festejado dicionário Aurélio define arrepender como “sentir mágoa ou pesar por falta ou erro cometido; Mudar de procedimento, de parecer, de pensamento.”Ora, será que esses que afirmam não se arrepender de nada, consideram que tudo que fizeram foi bom ou certo? Não erraram, nem nunca mudaram de comportamento ou pensamento?
Não reconhecer os erros é lamentável e desastroso. Infelizmente pouca gente os reconhece, em que pesem os inúmeros erros cometidos dia a dia. Pior ainda é quando essas condutas atingem terceiros. Será que os pedantes “não-arrependidos” passam ao largo também dos atos que praticaram e que vieram a prejudicar outrem?
Aqueles presunçosos que não se arrependem de nada perdem a oportunidade de doravante, evita-los. Reconhecer o erro e conserta-lo não deve ser motivo de vergonha e sim de nobreza e crescimento.
Arrepender-se pode significar um bom caminho. No Direito, por exemplo, o arrependimento eficaz, que significa a prática de ato que impeça o resultado crime, mesmo depois de cometidos os atos de sua execução, pode gerar o não reconhecimento da conduta como criminosa ou ainda afastar a punibilidade do agente, dependendo da interpretação. De todo modo é uma boa opção arrepender-se a tempo.
Podem cair ainda em um paradoxo aqueles que atestam se arrepender só do que não fizeram. Se suas omissões geraram desconforto e são, reconhecidamente, causas de arrependimento, suas ações correlatas devem ter sido desastrosas, portanto. Se erraram ao não fazer alguma coisa, como podem ter acertado na conduta inversa? Isso eles não explicam.
Como o arrependimento está umbilicalmente ligado ao reconhecimento dos erros e à mudança de postura, parece-nos mais interessante – e melhor para o desenvolvimento social - deixarmos de lado esse “compromisso” com o erro em nome de uma inflexibilidade ou falta de humildade em se reconhecer que todo mundo erra, inclusive você, que não se arrepende.


*Advogado e Professor do Curso de Direito da UNESC/Cacoal

Sexta-feira, Fevereiro 17, 2012

TEOLITERIAS RETORNA COM NOVO MEMBRO DA EQUIPE




Novo membro da equipe TEOLITERIAS....




Já está refletindo sobre a poesia, signo, semiótica, cultura pop, ciência degenerada e sem método (pitadas), vivências, viagens culturais ao centro de si mesma...




TEOLITERIAS volta com: Semiótica e Melancolia (Lars Von Drie), A árvore da Vida e o foco narrativo, Fragmentos de uma teoria Literária, Viagem a Costa Marques e muito mais...

Segunda-feira, Novembro 21, 2011

(Viagem) PROJETO REPRESENTAÇÕES ICONOGRÁFICAS DA CULTURA QUILOMBOLA DO VALE DO GUAPORÉ: MITOS E RITOS



VIAGEM DE MOTO À VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE PARA COLETA DE DADOS E PESQUISA SEMIÓTICA
ABAIXO SEGUE PROJETO E RELATO DA VIAGEM DE MOTO DIA A DIA - ACOMPANHE...

PROJETO REPRESENTAÇÕES ICONOGRÁFICAS DA CULTURA QUILOMBOLA DO VALE DO GUAPORÉ: MITOS E RITOS

O presente projeto consiste em duas etapas, a serem cumpridas no município de Vila Bela da Santíssima Trindade. As duas etapas podem ser compreendidas da seguinte forma:
1 – primeira coleta (preliminar) de dados visuais, sonoros e históricos de representações iconográficas da cultura quilombola restante, a partir de fontes confiáveis de líderes e/ou ativistas da causa e manutenção da identidade quilombola. Esta primeira viagem será realizada entre os dias 22 a 25 de Novembro de 2011. E a produção científica dar-se-á até fevereiro de 2012.
2 – segunda etapa consiste no registro da festa do divino, congada e outras manifestações típicas da cultura afro no período de festejos da comunidade vilabelense, no mês de julho de 2012. E a produção científica dar-se-á em outubro de 2012.


O objetivo principal do projeto é coletar dados in loco, a partir da vivência local e de registros das entrevistas a fontes primárias ou confiáveis, que possibilitem a construção semiótica da identidade cultural quilombola do Vale do Guaporé, materializada em um artigo científico.

Objetivos específicos:
- Construir um pequeno inventário e catálogo de experiências e dados Culturais / Iconográficos confiáveis da cultura quilombola.
- A partir dos dados e experiências, aplicar um discurso semiótico com vistas a antever a identidade local da cultura quilombola e suas relações inter-semióticas.
- Produzir um artigo científico com os resultados dos dados e análises;

METODOLOGIA
Coleta de Dados: (entrevistas abertas e semi-estruturadas, registros e vivência)
- Registro fotográfico do locus de vivência da comunidade;
- Registro fotográfico da arte e qualquer outra reprodução iconoclasta da cultura quilombola.
- Registro de entrevista com líder / líderes da Associação Quilombola ou representante direto;
- Registro de entrevista aberta com três fontes primárias remanescentes / líderes ou representantes confiáveis;

Delimitação dos dados:
- Relação histórica de Vila Bela
- Marcas iconoclastas culturais de Ritos (personificações, santos, culinária) e mitos (historicidade, figuras e lendas);
Ambos os dados adquiridos por meio de narrativas ou micro-narrativas.

Tratamento dos dados:
As entrevistas podem convergir em relatos livres, que deverão ser transcritos e analisados qualitativamente; a partir das narrativas ou micro-narrativas, extrair e compilar os registros e informações pertinentes à análise semiótica.
Aplicaremos o método semiótico de análise, a partir da semiótica americana: ícone, índice e símbolo, procurando construir as identidades aplicando conceitos da semiótica estruturalista étnica.

Quinta-feira, Novembro 17, 2011

FAÇA LETRAS!! UNESC

FAÇA LETRAS NA UNESC!

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Terça-feira, Novembro 15, 2011

PROJETO DE LEITURA NA ESCOLA JEAN PIAGET (ESPIGÃO DO OESTE); JORNADA CIENTÍFICA (MESA REDONDA - MÉTODOS DE PESQUISA); PALESTRA DR MILENA GUIDIO (UNIR)

JORNADA CIENTÍFICA - MESA REDONDA SOBRE MÉTODOS DE PESQUISA - EMBATE QUALITATIVO E QUANTITATIVO


PROFESSORES: REILI AMON-RÁ (ECONOMIA); ABRAÃO ROBERTO FONSECA (PSICOLOGIA); CLEBER ASSIS (PSICOLOGIA)


PALESTRA DRª MILENA CLÁUDIA MAGALHÃES DOS SANTOS GUIDIO - A TRAJETÓRIA DO PESQUISADOR NO ESTADO DE RONDÔNIA - RELATO

GRANDE AMIGA E COLEGA DE MESTRADO - A MAIOR LEITORA DE BARTHES QUE CONHEÇO


PALESTRA NO PROJETO "DISTÚRBIOS DE LEITURA" NA ESCOLA JEAN PIAGET
TEMA: AUGUSTO DOS ANJOS E O PERFIL DO DOCENTE ATUAL
ORGANIZAÇÃO: PROFESSOR AGILSON




GRANDE AMIGO E PADRINHO DA MINHA CARREIRA - PROFESSOR JOSÉ CARLOS CINTRA. MAIOR ESPECIALISTA, DOCENTE E ATIVISTA DA GRAMÁTICA QUE CONHEÇO NO ESTADO.



Sexta-feira, Novembro 11, 2011

(Opinião) - MENTE SÃ EM CORPO SÃO? TALVEZ NÃO

MENTE SÃ EM CORPO SÃO? TALVEZ NÃO

Bernardo Schmidt Penna*


A famosa frase do poeta italiano Juvenal (século I) “mens sana in corpore sano” atravessa os séculos e vem a cada dia ganhando novas interpretações, muitas vezes deturpadas e servindo de mantra para uma vida “correta e feliz”. Será mesmo que precisamos de uma mente sã? Ou o que seria efetivamente uma mente sã?


O genial escritor peruano Mario Vargas Llosa em seus “Cadernos de dom Rigoberto” (Ed Alfaguara, 2010, p. 98) faz dura e absolutamente razoável crítica à famosa expressão. Segundo ele, “quem disse que uma mente sã é desejável? “Sã”, nesse caso quer dizer tola, convencional, sem imaginação e sem malícia, arrebanhada pelos estereótipos da moral estabelecida. (...) Uma vida mental rica e própria exige curiosidade, malícia, fantasia e desejos insatisfeitos, isto é, uma mente “suja”, maus pensamentos, floração de imagens proibidas, apetites que induzam a explorar o desconhecido e a renovar o conhecido, desacatos sistemáticos às idéias herdadas, aos conhecimentos manipulados e aos valores em voga.”
Aduz ainda, na outra banda da questão, que aparentemente a prática de esportes, em que pese tornar o corpo saudável, não redunda numa mente sã, já que hoje se vê – e muito – desportistas se valendo de expedientes vis, trapaças, corrupção de árbitros, dopping etc.
As críticas do escritor, na pessoa do divertido personagem Dom Rigoberto, merecem aplausos. Sobretudo nos dias de hoje em que vivemos sob a “ditadura do bem” ou o “monopólio da virtude” por parte do Estado.
Invariavelmente e cada vez com mais veemência, nos dizem, por todos os canais, o que devemos fazer para termos uma vida “correta”. Mas correta aos olhos de quem? O tempo todo nos dizem o que devemos comer, o quanto podemos beber, que não se pode fumar absolutamente, que devemos praticar alguma religião, trabalhar o máximo que pudermos, o que devemos ouvir (normalmente de gosto duvidoso), ler ou consumir.
Será que tudo isso leva a uma mente sã? A autonomia individual vem sendo cada vez mais reduzida, quando deveria ocorrer o inverso. Se vivemos em uma sociedade pautada pelo liberalismo, a liberdade individual teria de ser promovida e não dirigida. Estamos sofrendo uma espécie de robotização em nome de valores, pessoas e dogmas seguramente questionáveis.
É imprescindível que se questione, que se polemize, que se descubra novos caminhos, sob pena de nos tornarmos servis a uma suposta moral que nem sempre atende de maneira inteligente a todos. Ou que não respeita opiniões ou diferenças. Polêmicas do passado se transformaram em grandes conquistas do presente. Não podemos conceber que ter uma mente sã (se isso for mesmo necessário) seja acatar tudo aquilo que nos impõem.


*Advogado, mestre em Direito e coordenador do curso de Direito da UNESC.