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terça-feira, novembro 05, 2019

CORINGA E A DITADURA DO RISO


por Rômulo Giacome de Oliveira Fernandes

Coringa chocou porque é um filme sem firulas. E o que choca é a realidade, nua, simples. Um filme feito com o corpo, simplesmente. E pessoas, onde os vilões são todos nós, bem como as vítimas.


            Coringa não é um filme tenso. Coringa é apenas a realidade vista no detalhe. O mais cruel detalhe do dia a dia. Nas esquinas, nos trabalhos mais simples executados pelas pessoas mais simples em busca de identidade. Nas pessoas ao nosso lado, que esperam. Em nós mesmos que esperamos. Naquilo que deixamos de falar e fazer ao outros e esperamos sempre. E isto sufoca e nos faz ter reações incontroláveis. E muitas vezes estas reações são absurdas, como o riso e a alegria falsa, a foto mentirosa e a vida fácil. Mas Coringa levanta uma questão simples e do conhecimento comum: a ditadura do riso.

         Aquele riso que vem patológico, obrigatório e coreográfico. O riso de falsete e antecipado de propósito. O simulacro desse riso expõe as nossas fraturas. A necessidade que temos de parecer rindo, como que vitoriosos. Como uma competência obrigatória do novo tempo, rir para parecer forte, e rir para estimular situações que não são de riso.
            

        Mas o riso esconde uma performance oculta da sociedade. Somos impelidos a rir para apresentar nossos êxitos e, às vezes, nosso desdém. Somo obrigados a rir, como quem é obrigado a assistir um tipo de filme, um tipo de livro ou um tipo de música. E na verdade, percebemos que, impelidos a rir, temos que entregar nosso cartão aos outros e dizer: me ajudem, estou rindo, mas por dentro choro. E o perigo não está em rir, mas sim em se obrigar a rir. Assujeitar-se a um comportamento que não é seu ou não é o momento. Assujeitar-se a sempre rir como quem se apropria do que é certo em nossa civilização.
        

         E além disso, rir como quem emburrece; como quem perde maior parte do seu tempo fazendo coisas que não levam a nada. Que na verdade, nos levam ao ciclo vicioso dos interesses alheios ao nosso bem-estar. Mas quem pode julgar? E de que lugar? Estamos todos com a nossa carteirinha de patologia do riso.
         

          Este texto não é uma desvalorização ao riso. Mas uma observação descritiva das nítidas sugestões indiciais que o texto nos aduz. A maquiagem obrigatória que esconde o Crown; o gesto marcante de construir o sorriso com os dedos em si próprio e nos outros; essas camadas de maquiagem do palhaço é o filtro da existência que usamos para assegurar as correntes e grilhões que nos assolam.
           


segunda-feira, setembro 02, 2019

CONSTRUINDO UMA METODOLOGIA DE APLICAÇÃO SEMIÓTICA NA ARGUMENTAÇÃO POR DANO MORAL


Por Rômulo Giacome de Oliveira Fernandes

A partir dos pressupostos abaixo, considerando o uso dos sememas e seus sentidos como valores de um jogo que jogamos dentro da linguagem e do discurso jurídico, buscaremos configurar uma metodologia de análise semiótica, fazendo uso da linha Francesa e Semântica Estrutural, para compreender melhor o uso das palavras na argumentação que objetivam as ações específicas de Dano Moral.


Pressupostos da teoria
    

       Toda movimentação linguística é passiva de efeito semântico; a palavra escrita ou prolatada, sua união com outras palavras produzem alteração da carga de sentido ao destinatário;
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    Levando em conta os actantes que agem na linguagem, quando um sujeito ganha um objeto, ele é alterado por este e ocorre modificação de sentidos; a alteração de situações deflagra mudança de percepção de valores; quando o sujeito perde a relação com algo ele também sofre variações de sentidos; quando um sujeito age sobre outro sujeito, ocorre carga semântica; em suma, os sentidos surgem da transformação de realidades linguísticas provocadas pelos actantes, ou seja, sujeitos do discurso. 

segunda-feira, agosto 26, 2019

ENEM - ESTUDO COMPLETO DA PROVA DE LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS

Analisamos todas as questões da Prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, do ENEM 2018,  descrevendo e avaliando questão por questão, classificando-as em: nível de dificuldade, tipo de suporte (imagem, campanha, poesia, etc), Competência e Habilidade relacionada, bem como chave de resposta de cada uma.

As tabelas abaixo representam a classificação de cada questão, analisadas utilizando os critérios de analogia e cobrança das proficiências exigidas na Matriz de Referência, bem como aplicando uma tabela subjetiva de nível de possibilidade de acerto, consolidando as questões Médias, Fáceis e Difíceis. (clique nas tabelas)




A partir das tabelas acima, utilizando uma escala subjetiva de probabilidade de acerto dentro da proficiência exigida, classificamos as questões no seguinte quantitativo: 

segunda-feira, agosto 19, 2019

ENEM - ENTENDA AS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES QUE VÃO CAIR NA PROVA DE LINGUAGENS.

Analisamos 25 questões da última prova do Enem 2018, Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, comparando com a Matriz de Referência, classificando cada questão em uma competência e habilidade respectiva. Vejam o que os dados mostram e utilize estes resultados para montar seu planejamento de estudo. 

Quais as Competências e Habilidades mais cobradas na última prova do Enem, Área de Linguagens, Códigos e Tecnologias? Realizamos um estudo com a última prova do Enem 2018, na área de Linguagens. Analisamos detidamente 25 questões, executando as questões várias vezes e classificando as competências e habilidades relacionadas à Matriz de Referência do Inep.

Sabemos que a Matriz de Referência apresenta as competências (09) e as habilidades para cada competência (totalizando 30 habilidades), na Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Em suma, é exatamente o guia do que devemos estudar, pois as questões são construídas a partir da proficiência exigida na da Matriz.

Abaixo segue a tabela construída a partir das análises de 25 questões. Esta tabela classifica nível de dificuldade, competência exigida e habilidade. Bem como uma chave para resolver. 

Observa-se que sob a nossa apreciação, a prova apresenta:

04 questões consideradas Fáceis.
10 questões consideradas
Médias
09 questões consideradas Difíceis

Isso é imprescindível para entendermos o TRI, a teoria de resposta ao item, que determina uma coerência de acertos. Assim, é imprescindível acertar as 14 questões consideradas fáceis e médias para não cometer a incongruência da regularidade de proficiência. Por outro lado, olhando o gráfico abaixo, analisamos que a competência 07 e 06, da amostra  analisada, somam quase 60% das competências requeridas para realização da prova 2018.

Isso quer dizer que, foi preciso estudar e ampliar a competência:

“Competência de área 7 - Confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes linguagens e suas manifestações específicas.”

O que esta competência requer do aluno? Ela exige conhecimento de entendimento e assimilação do "conteúdo" do texto, seja usando a interpretação, seja explicando os recursos utilizados pelo texto de base. 
O candidato deve chegar até a mensagem requerida pelo texto suporte, assim como seus recursos de argumentação, gêneros e elementos linguísticos. 

Outra competência muito requerida, segundo nossa análise, é a de número 06. 
Competência de área 6 - Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.

Essa competência tem algumas semelhanças com a competência anterior, pois ambas requerem necessidade de construir sentidos a partir do texto, principalmente pela interpretação ou compreensão textual. Mas elas separam-se pelas habilidades propostas. E aqui fica a grande contribuição deste estudo.

Observem o gráfico abaixo:

A habilidade 18 foi a mais requerida, junto com a 22. Ela é uma habilidade inserida na competência 6.

“H18 - Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.”

Três questões da amostra exigiam que o candidato compreendesse os recursos utilizados para levar um conteúdo até o leitor. Logo, não basta apenas tentar decodificar o conteúdo dos textos, mas também compreender os recursos utilizados, como inversão da oração, mudança da pessoa verbal, entre outros.

Outra habilidade muito cobrada foi a H22:

H22 - Relacionar, em diferentes textos, opiniões, temas, assuntos e recursos linguísticos

Ela está localizada na competência 07, a grande vencedora das competências exigidas. Ela possui mais de 40% de questões da amostra analisada. As habilidades h21, h23 e h24 também apresentaram destaque, sendo exigidas mais de uma vez.

H21 - Reconhecer em textos de diferentes gêneros, recursos verbais e não-verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos.H23 - Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.

H24 - Reconhecer no texto estratégias argumentativas empregadas para o convencimento do público, tais como a intimidação, sedução, comoção, chantagem, entre outras.

Resumidamente, o candidato deve, a partir das habilidades acima, e da pertinência e regularidade desta cobrança, possuir capacidade de entendimento direto dos seguintes conteúdos:

1 Reconhecer o conceito de gênero e alguns gêneros, como o "Resumo", que caiu na prova 2018. (questão 24)
2 Saber relacionar a linguagem não verbal com a verbal.  (Questão 25)
3 Entender quais são os objetivos do texto: conscientizar, chocar, educar, comparar, etc
4 Entender o que é argumentação e quais os recursos utilizados: persuasão, convencimento, sedução, tentação, provocação e motivação.
5 Funções da Linguagem. Esta habilidade também aparece destacada em duas questões e sempre é relevante estudar.

Como dito nos conteúdos sugeridos para estudo e muito exigidos pela prova analisada, a habilidade abaixo, bem como a seguinte, constituem conteúdos de primeira grandeza.

H19 - Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.

Atentamos também para um conteúdo eternamente sacralizado na prova e que garante sempre duas questões: as variações linguísticas e usos da Norma padrão. Este conteúdo está inserido na Competência 08.

Competência de área 8 - Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade.

H25 - Identificar, em textos de diferentes gêneros, as marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro.
H26 - Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.
H27 - Reconhecer os usos da norma padrão da língua portuguesa nas diferentes situações de comunicação.

Destas competências e habilidades extraímos alguns pontos relevantes de estudo: as variações linguísticas, que podem surgir dentro da oralidade, nas artes e na literatura especificamente.
Na prova 2018 foi perceptível a cobrança de duas questões abordando situações especiais de uso da norma padrão da língua, exigindo do candidato reconhecer estes usos e a importância, bem como os efeitos.

Sempre fiquem espertos para estas cobranças, pois como a prova não exige conhecimentos gramaticais, ela insere usos especiais da norma escamoteados em práticas como: a propaganda, textos literários etc. (observar questões 13 e 08).

Por fim, seguem aqui alguns links de vídeos que tratam do TRi e Matriz de Referência.



segunda-feira, agosto 12, 2019

A MULHER QUE ESCREVEU A BÍBLIA

por Rômulo Giacome

Publicado em 2000, este romance reproduz os dilemas de uma das 700 mulheres de Salomão, que descobre na escrita uma forma de se constituir como personagem inesquecível e inesgotável. 

A literatura contemporânea tem destas coisas... teorias sobre a linguagem e ideologias que o escritor tem que seguir para soar moderno...na crise do esgotamento dos fins do século XX e início do novo século XXI, bem nesta esquina da Crítica, 1999/2000, escrever um romance é antes de tudo por a prova uma cesta de teorias: pastiches, bricolages, pós-modernices e afins. E o romance fica ali, estático, esticado, cheio do botox facial de superfície sem sal...ou seja, que chato ler um romance na modernidade. Ele sempre tem cheiro daquilo que esperamos dele, e acaba por nos enganar no pior sentido. Mas Moacyr Scliar trouxe mais do que isso neste romance... e isso é muito bom.

sexta-feira, junho 21, 2019

CURSO DE SEMIÓTICA FRANCESA EM VIDEOAULAS



GEPESC - Grupo de Pesquisa
[Estudos Semióticos em Comunicação, Linguagens e Mídias].

Universidade Federal de Rondônia/UNIR

DGP/CNPQ.

dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/8257332587338576


Curso de Semiótica Francesa - É uma ação para disseminar e ampliar os estudos semióticos no Estado de Rondônia, bem como fomentar metodologias práticas de abordagem dos textos verbais, não verbais e sincréticos.

Playlist completa: 7 vídeos

Vídeo 01 - Introdução à metodologia semiótica
Vídeo 02 - O quadrado semiótico
Vídeo 03 - Programa Narrativo
Vídeo 04 - Competência e Performance
Vídeo 05 - Destinador - Manipulador
Vídeo 06 - Truques da Enunciação
Vídeo 07 - Semântica Discursiva