quinta-feira, fevereiro 23, 2017

CINEMA E TEORIA GERAL DO ESTADO

Filmes que tratam questões sociológicas, filosóficas e jurídicas sobre o Estado e suas relações com o poder e a sociedade são muitos. Aqui neste espaço indicarei três filmes para três posicionamentos reflexivos na Disciplina de teoria Geral do Estado.  
O primeiro filme é “A Onda”; com uma linguagem pop, didática e bem objetiva, ele aponta o trauma alemão da ditadura e dos estados autocráticos, ou seja, geridos por si mesmos, construídos sobre a égide do autoritarismo. Seguem alguns pontos que devem ser observados no filme, principalmente quando tratamos conceitos relevantes como os limites dos poderes do estado, liberdade e igualdade. Assim, devemos ficar atentos para:


1.    A onda acaba por simbololizar um conceito muito poderoso na ciência política e na mídia das massas: a ideologia; comprar uma ideia e praticá-la; ou tratar uma ideia como se fosse sua (assujeitamento);
2.    A autoridade central e centralizadora, onde dela emana a soberania, centrada na figura do estadista, líder.
3.    Um estado com poderes ilimitados sobre a sociedade, implicando na restrição de direitos naturais e fundamentais: liberdade e vida.
4.    Um estado autocrático ou autoritário demanda de propaganda ideológica para ampliar seus domínios;
5.    O sentimento de pertencimento fortalece o grupo, pois a unidade promove soberania e força; mas ao mesmo tempo tende a exclui aqueles que não concordam;
6.    Um paralelo com o Nazismo é inevitável;
7.    A autonomia do estado fica subentendida no ato de perder o controle da situação.

Encontrar as cenas e trechos do enredo que consubstancializam o que foi dito acima é imprescindível.  



Um outro filme extremamente relevante para compreender os estados autocráticos e ditatoriais é "1984"; inspirado no romance de George Orwel, de título homônimo. Este filme aponta o totalitarismo e ingerência, bem como o nível de intervenção do Estado no plano privado. Seguem alguns pontos a serem observados. 

1 O Estado totalitário, seus limites ou falta deles;
2 Como ocorre a manutenção do poder autoritário: quais as ferramente coercitivas e ideológicas.
3 A intervenção do estado na vida provada; o controle como forma de soberania;
4 O direito natural e o direito positivo. A liberdade e dignidade humana;
5 O ser humano frente ao grupo: direito coletivo e direito individual; o que vale cada indivíduo perante o grupo.
OBS: Existe um filme de 1956 e outro de 1984. Os pontos acima estão ligados ao filme de 1984. 
Filme de 1984.


A trama central de V de Vingança está estruturada sobre um poder tirânico que usa de elementos e expedientes questionáveis do ponto de vista dos avanços constitucionais de qualquer nação para manter o poder. Um herói mascarado questiona estes valores, que muitas vezes estão escondidos dentro de discursos nacionalistas e ufanistas. Este herói se utiliza de métodos e técnicas também questionáveis, e que também transcendem a legalidade, impetrando um conceito revolucionário moderno. Assim, seguem alguns pontos de análise:

1 As ferramentas de um governo tirânico para manter o poder: a coação e o filtro ideológico, ou seja, o controle sobre a produção artística / cultural de um povo;
2 Buscar o conceito de revolução: seus pontos positivos e negativos; o que é preciso para revolucionar no mundo de hoje;
3 A batalha ideológica da informação e da contrainformação: no contexto de hoje, sobre as verdades e mentiras das redes sociais.
4 O levante revolucionário; como manter fixação nas ideias e aplicá-las na vida.

5 Os tipos de governo e a soberania dada pelo povo: soberania popular e soberania tirânica.