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sexta-feira, fevereiro 11, 2005

A Teoria da Arte: A Todos os Acadêmicos

Novamente amigos,
vivo e confiante

Recentemente li um artigo do Sociólogo da Cultura, Sérgio Rouanet, que abordou o assunto
Nacionalismo Cultural, um perigo emergente. (Veja, 5 de Janeiro).
Sua abordagem mostrava o perigo do nacionalismo exagerado, aquele ufanismo que faz com
que pessoas não aceitem a cultura estrangeira, principalmente a Americana, por tratá-la como dominadora e possível destrutora de nossas raízes. Este nacionalismo cultural provoca um verdadeiro xenofobismo, um radicalismo que não aceita nada de fora, determinando aquilo que é bom dentro da cultura estrangeira (o que sobra segundo eles quase nada).

Amigos acadêmicos, em época de globalização, conhecimento unificado, linguagens convertendo-se, culturas se reconhecendo, moedas padronizadas, músicas universais, ainda temos tempo para discursos nacionalistas, do tipo: não tome coca-cola porque é americana, compre tuxaaua que é da amazônia; ou, vi na televisão americana que a amazônia não é mais nossa; isto é discurso de retrógrados culturais. Existem milhares de motivos para pararmos com esta conversa absurda de que devemos preservar o que é nosso: então lanço a pergunta: o que é nosso realmente? a nossa imagem preservada a esmo de preguiçosos e malandros (espertalhões)? A imagem de mulatos sambando em rodas de cerveja na praia? Sim, porque se olharmos a teoria da arte e a sociologia da cultura, veremos que nossas configurações artísticas são frutos de cânones
transmitidos pela língua, pela cultura e formação universal. Vejam só:

- O samba, o pagode e derivados são ritmos extraídos de ancestrais bumbos e atabaques africanos, que no princípio ativo básico, segue a ritmia cabocla / escrava oriunda dos rincões coloniais, quando mais do recôncavo baiano do coco.

- O Axe e tão venerados sub-gêneros, seguem o ritual paradigma africano do Fast Reggea, que sem força para manter-se vivo na mass media e no consumo do povo, aliou-se ao samba (É o tcham), aliou-se à dance e sua sample, e quando muito ao Maracatu, coco e filiados.

- Os nossos poetas simbolistas foram ávidos copistas dos Sete Poetas Malditos franceses (Rimbaud e companhia) que por sua vez sofreram influencia nítida dos célebres poetas russos;

- O Barroco Brasileiro foi a frivolidade técnica e retórica dos velhos poetas portugueses, até mesmo por nacionalidade;

- O nosso Romantismo, que primeiro grunhiu o Nacionalismo exarcebado em Gonçalves Magalhaes tiveram livre inspiração de Goethe e Lione.

- A Semana de Arte moderna foi o retorno rápido e passageiro das vanguardas nacionalistas que já haviam deflagrado a primeira guerra mundial

- Os estrangeirismos de que tanto falamos mal sempre existiu na história das formações lingüísticas, é só conhecer um pouco de filologia e ver os troncos latinos e gregos; (não existe formação lingüítica sem uma certa dominação).

Reconhecendo a arte em sua formação contínua e panorâmica, através de uma dinâmica de cânones reciclando-se, descobrimos primeiro que:
- Arte não possui nacionalidade, portanto não podemos ser nacionalistas de nossa própria arte, e
considerá-la melhor ou pior do que outra formação;

- Aquilo que muitos defendem, principalmente aqueles Nacionalistas exacerbados, muitas vezes nem é arte; possui qualidade duvidosa e pelo pouco conhecimento crítico, é arte de consenso.

- Reconhecer uma formação artística é primeiramente uma técnica, que deve receber o tratamento da Teoria da Arte;;

Logo, quanto mais largo o conceito que temos de arte, mais incorreções correremos quanto aos nossos conceitos depositados nela; em suma, é mais fácil errar, e erramos.
A pura formação estética, a verdadeira, recebe as influências como força motriz de sua existencia, ativando o brincolage perpétuo do ato de criar.

Quando nossa arte passa a ser cânone?
Quando Machado ergueu sua voz; João cabral escreveu seus poemas; Guimarães Rosa perpetuou o regionalismo ao Universal;;;

Bem, de maneira didática é isso; tomem cuidado ao criticar uma música americana; procurem antes saber de sua qualidade efetiva; bem como não esteja calçado de ALL Star acreditando que é Che Guevara...

Abraços a todos..

Bom final de Semana.

Um comentário:

Anônimo disse...

O Blog é um bom canal de comunicação