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domingo, abril 09, 2006

A ESTÉTICA DA VIOLÊNCIA

Olá a todos!!!
epígrafes da semana:

"Ninguém vai me dizer, o que sentir, meu coração está disperso e é sereno o nosso amor e santo esse lugar(...)estive cansado, seu orgulho me deixou cansando, seu egoísmo me deixou cansado, minha vaidade me deixou cansado, não falo pelos outros, só falo por mim"(...) Marisa Monte & Renato Russo

“A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer
ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível”.
M. Foucault

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Esta postagem terá como âncora a primeira parte da trilogia de textos sobre a estética da violência;
usando como objetos de análises três filmes, a saber: Clube da Luta, Laranja Mecânica e Assassinos por Natureza, a proposta inicial é instigar uma leitura estética das impressões causadas pelo arranjo semiótico das referidas construções cinematográficas; baseia-se na conjunção de forças interpretativas e representativas, para lançar luz ao desafio da violência como motivo estético; esta primeira parte compreende a análise do Filme Clube da Luta (1999);





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A ESTÉTICA DA VIOLÊNCIA


(Tyler Dunder)

você não é um ser bonito e admirável.
você é igual à decadência refletida em tudo.
Todos fazendo parte da mesma podridão.
somos o único lixo que canta e dança no mundo.
você não é sua conta bancária.
nem as roupas que usa.
você não é o conteúdo de sua carteira.
você não é seu câncer de intestino.
você não é o carro que dirige.
você não é suas malditas "gatinhas"
você precisa desistir.
você precisa saber que vai morrer um dia.
antes disso você é um inútil.


Mas!? E o que é a violência? Vc se descobrir falando mal do outro talvez seja um ato de violência? Como saber o peso das ações se estamos a fazê-las? Existe violência no presente para quem faz?

Romper sempre foi selar às avessas um novo modo de perceber as realidades. Perceber a realidade que nos circunda, em certo modo e grau, é derrubar barreiras instituídas à séculos: linguagem, simbologia, mitos, costumes e culturas. A realidade nua é a simples impressão direta. Um cheiro, um contato, um murro. Quantos contatos precisamos ter para sabermos que estamos vivos? Escondidos nas barricadas que construímos, barricadas de pseudo ideologias, pseudo comportamentos. Um abraço em um doente de câncer que perde seus testículos (Bob); chorar no ombro de um tuberculoso nos faz sentir vivos ou potencialmente próximos da morte? Bem, norteando a idéia inicial, tocar o real ou a realidade (concepção) é de certo modo deixar viver, deixar ser livre, ou deixar morrer. Mesmo que em modo de farsa. Mas, e quando tocar simplesmente não tira a insônia fantasmagórica do operário padrão? (Personagem de Edward Norton) Um soco seria muito mais consistente. Um soco acordaria o que sempre se manteve dormindo. Socos e socos trocados. Sangue e dentes caindo da boca; crateras abertas e simplesmente viver ou deixar viver; o soco acorda o Tyler Durden
perdido; sempre existiu maculado ou surgiu agora? Bem, a questão é que sentir não proporciona lugar estável com o parecer, e nem com o sucumbir; apanhar ou bater são simplesmente a mesma coisa (vide cena que Tyler se deixa apanhar pelo dono do estabelecimento, ou quando ele pede para que todos do clube saiam apanhando). Violência é bater? Violência ativa ou passiva? Receber a proposta de um modo de vida único, aceitar as regras de uma sociedade sem regras; macular a vontade de existir escondida dentro da simbologia de uma cultura atônita e desgovernada; a violência simbólica talvez seja mais intensa que a violência nua e crua; caçar na quinta avenida; espalhar carne de veado pela pista abandonada; que tipo de violência se permite sentir e tocar o tocável?
Bem, tudo são descobertas; sentir-se violentado não é maniqueísmo; sentir-se acorrentado à sistematização da cultura é acordar, e acordar é refletir, de certo modo; o que Jack fez foi acordar para o corte; negar o ter pelo ser é premissa por mais simplista; consumista e perturbado, Jack não tinha motivos senão escolher a dor e a morte; escolher o inconcebível no mais profundo do desespero; satisfazer a necessidade de vida é denegrir a vida em sua máxima possibilidade possível; não teme-la; não lhe ser escravo como se é dos móveis da moda; dos eletrodomésticos; do apartamento, do consumo; evitar a vida é cruzar a rua sem olhar para o lado, como fez apersonagem Marla. É soltar o volante e deixar o carro bater em outro carro, como na seqüência; escolher entre a geladeira e levar pontapés não distingue valores morais de nada em relação a nada; a discussão essencial é saber quem exatamente somos e o que podemos fazer sem perceber que fazemos; encontrar-se a si mesmo é levar um tiro na cabeça; Como diz o excentrico Tylor Dunde: "O desastre faz parte da minha evolução natural rumo à tragédia e à dissolução. Estou rompendo meus vínculos com a força física e os bens materiais, porque só destruindo a mim mesmo vou descobrir a força superior do meu espírito". Se deparar com Tyler no quarto é ver a fagulha da lembrança do ato impensado com a família, com o amigo ou com quem quer que seja; defrontar com nossas atitudes, tal qual se pudéssemos defrontar com nosso alter-ego, seria perceber todos os nossos defeitos e acertos, e isto é utópico; destruir o modo de vida americano é por demais fácil; toda megalomania tem brechas na própria excentricidade. O espetáculo de prédios caindo ao som de Pixies é por demais antológico; A noite, as luzes dos prédios são como olhos que deixam de ver; Mas, o difícil é se confrontar e saber que o rastro de sangue foi nós que deixamos;
Por outro lado, o projeto subfragra a mente; absorve o ser; existe ignorância na razão? O anonimato de um projeto comunista de revolução; pessoas que (des)nominalizam pelo “bem maior”; mesmo que o bem maior seja a própria realização de uma pseudo ideologia; as esquerdas e direitas são minorias na sociedade; não existe um por vir, existe um acto in actante; (tempo agora); a representatividade de fazer parte de algo maior, de fazer parte de algo que circule uma necessidade, um algo mais que ative a inatividade, um fazer bem sem resultado; é isso que sente aqueles homens que unidos à Tylor planejam os pequenos atos de vandalismo, terrorismos ou que quer que seja; quebrando obras de arte, pinxando, explodindo computadores, e colocando bombas em dez prédios; planejam sem planejar; são manobrados por uma mente diabólica que se acha no pique entre um certo e um errado; como faz toda ideologia; mas eu digo, argumento errado meu caro Jakc/Tylor!! o epicentro do tremor está na resolução da carne, no primitivismo que incitou tudo; na força que movimentou o grupo a se unir para brigar, unir para montar o projeto; esta força motriz que uniu o clube da luta não é ideológica; ela é puro instinto;
Bem, em suma, o sangue não é tão bonito assim; mesmo que as formas na violência sejam abertas, claras, braços em movimentos longitudinais cortando o espaço, tornando-se componentes sistemáticos desse mesmo espaço; cores e cortes abrindo mentes e cabeças; o sangue dá o ar espectral; mesmo que toda esta estética do sangue soe como um elemento americano; mesmo que ela soe como violência pela violência; mesmo que no subtexto seja uma crítica ao modo “americano” de viver; mesmo que seja a negação do parecer, a negação do possuir e do “representar”, este sangue não tem cheiro e nem cor ideológico; é só o sinal de que algo está aberto na carne; é como um aviso biológico quando a razão tarda e falha; mas será que este corte estanca, ou se faz necessário estancar?

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Uma boa dica de música, para este momento / instante é a ótima banda
"Clap Your Hands say yeah"; o furor melódico aponta para um caminho delicioso; Songs como "this it love" e "heavy metal" compensam à primeira audição; nascida do apontamento indie provocado pela maciça profusão de Blogs, mesmo que no volátil mundo da Net, onde tudo nada vive, a obra demarca um grito de criatividade em meio ao Pastiche / brincolage dos novos tempos; não é o "novo eon", mas é gostoso e simples, em suma, deliciosamente interessante;



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Só para retomar a onda pintura reinante aqui neste espaço,
e (ela não deve morrer jamais) coloquei estas duas telas de Miró,
artista ainda não comentado por aqui;
a efusão de cores alegres e sobressaldos de modelagem já apontam para um caminho da regularidade, mesmo que fugindo ao tom do primeiro momento abstrato; para Miró a arte deve ser feita com prazer; mas, meu caro Joan Miró, mais prazer é ver seus trabalhos, que soam como pontos luminosos no escuro da razão; magníficos; a conjunção entre o ser Pop e ser Belo;





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Abração à turma do Sétimo Período, que vive o momento
práxis da carreira; beijões;
rômulo

2 comentários:

Anônimo disse...

olá!!!!!!!
nossa....esse "inútil"..mto violento.. é horrível ser chamado(a) assim.. é como ser atingido(a) por um punhal.. gostei das telas..... combinações "alegres"... ñ as conhecia..
p.s.: saudades das aulas!!!! to sentindo falta da correria..trabalhos....provas....
1 abraço

Andress Daniely

Rômulo disse...

Valeu Andress;
que prazer ouvir seu comentário;
também estou com muitas saudades;
um grande abraço;;;;;