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quinta-feira, abril 03, 2008

TRAFEGANDO PELO NÃO TÃO NOVO ROCK BRASILEIRO

Pulsando nas pequenas veias da net estavam variadas bandas e variados estilos; até quando, como um vírus, o mundo virtual ultrapassou os limites seguros da realidade e invadiu o campo das coisas concretas; as veias viraram artérias, não aguentaram mais a pressão e explodiram em profusão; assim é esta nova cena do rock atual; Bandas que só existiam na Net passaram a fazer shows cada vez mais lotados e com leve apelo mercadológico. (aqui entendido como necessário e vital).
Um ponto a ser observado é que a televisão não consegue mais erigir e manter bandas de qualidade no mainstream, justamente porque aposta na direção errada: bandas de péssima qualidade e gosto duvidoso, envasadas em riffs batidos e um pseudo punk / hardcore que soa pior que Hansons com raiva, além de pequenas tiradas nas letras batidas e gastas como notas de 1 real. A rota da informação na rede, hoje, consegue impelir mais novidades e traduzir aquele espírito rockeiro de antigamente; isto porque atrás do simples ato de escutar o Rock, existe toda a sua mitologia alternativa; a pesquisa de novas bandas, o desconhecimento e o conhecimento; o parecer crítico de quem gosta ou não e os porquês, além das influências e tudo que movimenta esta louca esfera;

Assim, invadindo a cena e "burn, lets go", proponho estas experiências musicais, já conhecidas por quem freqüenta os hot sites de música da Net.

A primeira banda a ser assinalada é o carro chefe de tudo isso: Terminal Guadalupe; seu som é próximo à linha dos anos 80 e assim, poderia ser fácil uma referência direta ao Legião Urbana; o que não acontece por completo, uma vez que o conteúdo poético/social é diferente, mas atende plenamente a insuficiência atual e direciona para o futuro a sonoridade levantada pelos The Strokes; os riffs são mais claros e a harmonia mais pop, com um ritmo quase punk, de levada rápida e interessante. Assim, com a obra A marcha dos Invisíveis o Terminal leva uma boa gama de músicas interessantes como "Pernambuco Chorou", "A marcha dos invisíveis", "Atalho Clichê", que tem uma sonoridade específica, com harmonias claras e uma pegada pop fácil, sem perder a identidade; a canção "de Turim a Acapulco" tem uma variação bacana e é excelente, um das que mais gosto, com uma tirada em relação ao filósofo Nietszche;


Com o álbum Você vai perder o chão o terminal continua com a pegada rápida, mantendo o line up pop. "Lorena foi embora" foi a primeira música que marcou-se a primeira vista; é de certo modo saudosa aos olhos dos anos 80, mas tem uma melodia leve e fluída; além delas, "o peso do mundo", "os bons meninos vão para o inferno" demarcam o espaço definido e mantém esta proporção; com certeza o melhor álbum é a marcha dos invisíveis; mas este Você vai perder o chão congrega vetores e referências interessantes, principalmente na literatura, como na canção "chão de veludo", que é inspirada em um poema; "O peso do mundo" é uma música com uma linhagem ao estilo Snow Patrol ou ColdPlay e traz consigo uma letra, como é de praxe na banda, aberta às abstrações e laivos poéticos; Indico plenamente;

Uma das coisas mais loucas que já aconteceu na minha audição rockeira foi quando iniciei a faixa "delinquentes belos" da banda Violins, e recebi a pancada logo de cara; aquela profusão de peso e microfonia com uma melodia doce e lisa, tocou-me rapidamente; meu histórico com melodias é forte; desde os tempos do Smashing Pumpkins (o disco siamese dreams, para mim um clássico) não deixa margens a dúvidas; Violins foi a melhor descoberta desde quando escutei Lorena foi embora do Terminal Guadalupe; em Violins é intrigante a criatividade dos refrões, como em "delinquentes belos"; a harmonia entre as linhas melódicas e a atualidade dos arranjos pontiagudos, entre pesos, distorções, microfonias e mais peso sobre isto tudo, forma camadas de camadas sobre pontas e fios abertos, atados á uma bela voz e dicção clara, com letras que remontam às crônicas urbandas da pós-modern letter; e esta combinatória louca, beira ao cubismo da capa do álbum Tribunal Surdo.


Um misto de tendência shaznager com o que tem sido feito no novo Rock pós-punk, na linha de Silverchair, Silversun Pickups, Smashing Pumpkins dão a linha do som dos Violins. Linha esta que acontra sua ponta de My Blood Valentine, um clássico antológico dos anos 90, correlatos de Jesus and Mary Chains.
A "músicassa" mais sacada, grandiosa e eloqüente de todo os tempos: "Grupo de extermínio"; andamento rápido, peso que lembra Korn, decorada com pequenos delírios e calafrios de climas e riffs quase Heavy, um saudoso heror Guitar como nos velhos tempos, como quem ainda sonha com a baixista do White Zombie; Simplemente brilhante e capaz; dá gosto de ouvir e curtir; Além disso, a complexidade harmônica e sagaz de "delinquentes belos" faz a ligação de encadeamento com "anti-herói"; um canção com peso e lentidão, quase um Dom Metal, que se espalha em uma letra cínica, eternamente cínica; quem é o herói desta nossa sociedade? Aindo indico com todo o clamor canções como "campeão mundial de bater carteira" e a deliciosa "Il meledito" que tem o refrão mais aguardado de todas as músicas que escutei, perdendo apenas de "tudo ao contrário" dos Los Porongas;

Em suma; este é um pequeno e simples itinerário de audição, uma evocação; não tem intenção crítica e nem metodologia de aplicação; são apenas impressões e indicações;
O rock não morreu; continua forte e pulsante; e para aqueles que acreditam apenas no Rock malhação, saibam que exite muito mais por detrás das cortinas; e para aqueles que acreditam que o Brasil não produz rock de qualidade, calem-se e pesquisem mais.

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