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quinta-feira, setembro 25, 2008

Resenha - "LÍNGUA E LIBERDADE" - CELSO PEDRO LUFT

RESENHA CRÍTICA – LÍNGUA E LIBERDADE

Helem Cristiane Aquino dos Anjos Fernandes[1]

LUFT, Celso Pedro. Língua e Liberdade. São Paulo: Ática. 6ª edição. 1998.

A obra “Língua e Liberdade” de Celso Pedro Luft é composta por uma série de artigos jornalísticos publicados em diferentes épocas e tratam de um mesmo assunto: a importância da reformulação do ensino de língua materna. Esses artigos se colocam contra o ensino gramaticalista e purista da língua, que segundo o organizador só promove a insegurança e a opressão, pois ao invés de desenvolver as habilidades linguísticas dos alunos, os reprimem frente aos desvios cometidos em relação à norma culta da língua. Isto porque consideram apenas aquilo que é prescrito pela Gramática Normativa, não levando em conta os conhecimentos prévios internalizados, ou seja, conhecimentos que os alunos já chegam na escola sabendo.

De um modo amplo, esta obra fomenta a necessidade de um ensino de língua materna que ajude o aluno a desenvolver-se pessoalmente e criticamente; pessoalmente pelo fato de dar ao discente a liberdade necessária para que ele desenvolva livremente sua criatividade e competência, sem os tolhimentos causados pelos frequentes apontamentos dos erros gramaticais. E criticamente, pois acreditam que o ensino de língua deve propiciar o máximo de experiências de leitura, escrita e fala para que os alunos possam desenvolver seu espírito crítico e comunicativo, tornando-os assim, sujeitos ativos do processo educacional.
Na primeira parte da obra é analisada a crônica de Luis Fernando Veríssimo “O gigolô das palavras”. Luft retira seus principais fragmentos e explica-os de acordo com a sua visão de ensino de língua materna.
Defende que a língua é uma entidade viva e, portanto, deve ser vista, analisada e ensinada como tal. Assinala, também, que o crucial na linguagem é comunicar da forma mais clara possível. Defende que devemos respeitar apenas as regras básicas da Gramática, pois existem regras totalmente dispensáveis para o uso eficiente da língua.
Os autores convergem seus textos na crença de que a língua é autodeterminada pelos seus usuários, isto é, só o costume pode determinar o que é certo e o que é errado. Dessa forma, a sintaxe da língua seria determinada pelo uso, não comportando, regras pré-determinadas. Isso quer dizer que seria desnecessário o longo e cansativo estudo das regras sintáticas.
Enfatiza que o ensino de Língua Portuguesa deve passar por mudanças radicais, a começar com a mudança de postura dos docentes frente ao alienado e alienante ensino gramaticista, que vê o aluno como um ser que não sabe.
É necessária uma prática sem opressão e sem medo, em que professor e aluno possam trabalhar em conjunto, para que assim o aprendiz possa liberar com total segurança suas capacidades, pois vê o professor como um guia motivador, e não como um ditador de regras, muitas vezes infundadas.
O ensino de língua materna deveria, em vez de ensinar os alunos a decorar conceitos e regras gramaticais, propiciar, em primeiro lugar, condições para eles desenvolverem a expressão oral; conscientizá-los como donos da língua, resgatando assim a confiança dos mesmos como falantes nativos.
Ao mesmo tempo, seria necessária a conscientização da importância da escrita, introduzindo e aperfeiçoando-a, ensinando-os realmente a escrever com demonstrações de como se estrutura um texto, de como as frases podem ser melhoradas, enfim, de técnicas de expressão para que eles tornem-se capazes de usar a língua falada e escrita com desembaraço e segurança, em qualquer situação.
Tudo isso é de essencial importância para resgatar o interesse dos alunos pelo aprendizado de Língua Portuguesa, pois até então o que vemos são alunos com aversão a essa disciplina.
É válido ressaltar que a proposta de Celso Pedro Luft é a reformulação do ensino de Língua Portuguesa. Quando ele critica o ensino normativista presente em grande arte das escolas ele não quer dizer que devam ser abolidas as Gramáticas. Luft defende a necessidade de se ensinar à língua de acordo com o que ela é, ou seja, uma entidade viva e em constante evolução. Portanto, que as gramáticas devam passar rapidamente por mudanças profundas, pois não condizem mais com a língua que hoje os alunos falam e conhecem.
Essa visão é totalmente lúcida, pois como continuaremos ensinando aos alunos regras gramaticais que há muito tempo não fazem mais parte da nossa língua? Ou que são totalmente desconhecidas por eles, como por exemplo: conjugações de tempos e modos verbais, pronomes de tratamento arcaicos, enfim, uma série de regras que a cada dia se tornam mais complicadas e infundadas.
Luft discorre e defende um ensino que elimine o excesso de regras, deixando somente as essenciais para o aprendizado da língua. Importante para ele é que o aluno aprenda e, acima de tudo, produza e pratique a leitura, a escrita, a oralidade. Que ele seja capaz de dominar a língua para se comunicar efetivamente por meio de todas as modalidades comunicativas.
O ensino da língua materna deve ser atraente, intrigante, interessante, prático para ser usado em nossa vida cotidiana; deve ser produtivo, para que os alunos possam aprender a sua real função e utilidade.
O ensino normativista, pautado em aulas enfadonhas em que os alunos precisam decorar regras gramaticais, bem como escrever dissertações que normalmente voltam recheadas de correções e que não há a menor expectativa de serem corrigidas pessoalmente, parecem ser úteis apenas para as avaliações. Não ensinam realmente ninguém, pelo contrário, geram cada vez mais aversão a essa disciplina, pois é um ensino opressor que parece querer mostrar apenas uma coisa: que os alunos não sabem de nada, ou melhor, o quanto os alunos são fracos.
Por fim, a leitura desta obra engendrará no profissional das letras e nos iniciantes acadêmicos, um pólo da dialética oposição entre gramática e língua social engendrada nos esteios acadêmicos e práticos. O certo é que, a dinâmica da língua não nos permite ensiná-la encubada. É preciso um ensino que considere seu movimento, suas especificidades. E para isso é preciso repensar este ensino. Suas metodologias e práticas devem estar situadas mais no plano pedagógico / linguístico do que no antigo método decora regras. Uma nova dinâmica da prática textual avança a passos largos, tais como o uso interativo da norma na prática social, novos vocabulários e áreas lexicais, novas formas semânticas de uso da língua aplicada em situações distintas e avaliativas (concursos por exemplo) novos mecanismos de produção textual focados nos gêneros e na funcionalidade. Assim, é preciso sincronizar uma nova língua, por um novo ensino, com novos usos e práticas sociais.

[1] Graduada em Letras pela UNESC, pós-graduanda em Metodologia e Didática do ensino Superior (UNESC), professora Universitária e colaboradora efetiva do TEOLITERIAS.

12 comentários:

lindinha disse...

Olá prof.. Gostei muito desse texto, sou aluna de Pedagogia da Unir-Ji-Paraná.. Parabéns

Sandra Maria disse...

Excelente. A cada dia assistimos aluno dizendo que odeiam português e não é pra menos. Penso que deva acontecer imediatamente mudanças no currículo principalmente do E.fundamental e a literatura ser o ensinamento mais importante e que regras gramaticais sejem abolidas. Que com tempo com a leitura se aprende...

Anônimo disse...

É GOSTEI MUITO .

Anônimo disse...

É GOSTEI MUITO .

Anônimo disse...

Gostei do texto e concordo plenamente.

wanderley disse...

sou aluno da ufam e gostei muito do seu comentario e condiz com os meus pensamentos e me ajudou a compreender aindar mais o texto.

Anônimo disse...

Sou aluna de Letras da FAFIRE PE, gostei muito dessa resenha. Parabéns para quem a elaborou!!!

Deise Anne disse...

Ótima resenha. Parabéns!

Tcho disse...

Estou lendo o livro, e como professor de Português estou sendo movido e desafiado a abandonar o ensino gramaticalesco, combatido pelo Luft. O desafio é enorme, visto que os alunos buscam, ainda, um resultado pautado em números - resultado do ENEM - e não na qualidade do que aprendem, além, é claro, das pressões institucionais. Mas a todo aqueles que primam por um ensino que forme bons leitores, recomendo os escritos de Luft. Espero que sintam-se desafiados como estou sendo diante desse livro. Ótima resenha.

Unknown disse...

Sou do curso de letras e vou apresentar esse livro na sala, ficou excelente essa resenha me ajudou muito.

Unknown disse...

Sou do curso de letras e vou apresentar esse livro na sala, ficou excelente essa resenha me ajudou muito.

Unknown disse...

Amei!!!Estou quebrando a cabeça pra fazer uma resenha do livro. ..E está me ajudando muito a ter uma ideia do que fazer