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sexta-feira, outubro 23, 2009

VERTENTES DA LITERATURA CONTEMPORÂNEA - SELL XIV - UNIR VILHENA

Produção apresentada em Mesa Redonda no XIV SELL, Seminário de Estudos Linguísticos e Literários da UNIR, Vilhena, em 08 de Outubro de 2009, com a participação do professor, Dr. Aguinaldo José Gonçalves e Rubens Vaz Cavalcante, ambos com histórias tranversais em minha carreira literária. O professor Aguinaldo devo a satisfação e o conhecimento necessário de ter sido seu orientando no Mestrado, e sem ele não teria conseguido. E o "Binho", por ser incansável companheiro na busca do "novo" e do seu entendimento.

VERTENTES DA LITERATURA CONTEMPORÂNEA
por Rômulo Giácome
1 DESFACELAMENTO DOS MODOS DE PRODUÇÃO E RE-ADAPTAÇÃO E MIGRAÇÃO AOS NOVOS SUPORTES

Com a digitalização dos conteúdos, novas formas de ver e veicular o conhecimento tornaram o próprio entendimento cultural diverso daquele que se estabelecia com o mercado editorial comum. Agora, novas formas artísticas e criativas riscam o céu cybernético em busca de um aporte de leitura.

2 É POSSÍVEL PERCEBER UMA VERTENTE?A falta de uma localização geográfica para a produção literária, que antes era celebrada pelo eixo Rio / São Paulo / Nordeste e hoje, com o advento da rede Web diluiu fronteiras, complicou para a crítica degludir toda a produção poético / literário brasileira. Assim, também do ponto de vista do fazer poético, os temas aproximam-se do urbano popular, cristalizam-se o interesse policial e fica, ainda fortalecido, o verbi-voco-visual inaugurado pelos irmãos Campos e Pignatary na década de 50, além da aproximação da subjetividade individual, privada, focada no eu para com a antagonia do ser universal, neutro e sem diversidade própria. De certo modo, vertentes são unidades temáticas, estruturais e modos de produção poético. No entanto, a fragmentação das unidades é reflexo da liberdade contemporânea e da forma individualizada do fazer poético. Liberdade demarcada desde a forma semantizada de um Everaldo Moreira Veras, em Cantos de Sal, até o Marçal Aquino, com sua narrativa hiper-realista.


3 ONDE ESTÁ A GRANDE MUDANÇA?
A grande mudança concentra-se na substituição do Suporte verso para o novo suporte, SIGNO POÉTICO; inaugurado por Mallarmé, no poema um “Lance de dados”, depois ressaltado pelos simbolistas / cubistas como Apollinaire, desconstrucionistas como Pound e James Joyce. O ápice do movimento é o plano piloto do movimento concreto, tendo como baluartes as teorias do provável dos irmãos campos e Décio Pignatary. O hoje demarca as novas formas de comunicar e construir uma poesia estrutural, voltada ao signo e suas potencialidades comunicativas, como Arnaldo Antunes e sua poética da interface. Esta poética estruturalista e sígnica, suportada pelo signo poetencial, constrói uma poética da performance, onde a significação irrompe de vários ângulos e formas e das mais inquietantes sugestões, como a própria tendência no core. Ou seja, narrativas desconexas, em fluxos randômicos e constantes de representação, utilizadas na linguagem jovem.


4 CONCEITO DE INTERFACE LITERÁRIAO texto literário tem sido matriz de formas artísticas midiáticas, como a música, o vídeo-clip, a moda e o cinema, o grande cume desta linha de possibilidades. As várias facetas que a palavra consegue produzir neste celeiro de suportes digitais e visuais é um processo concêntrico e, mutatis mutandis, será progressivo, determinando o fim dos gêneros poéticos conhecidos como tal. Esta possibilidade de apresentação dos textos em novos suportes chamamos de interfaces poéticas, que acaba constituindo uma tendência espiralada de criação e seus desdobramentos. Os exemplos nítidos desta produção rumo à interface texto / verbo para o cinema, podem ser referendados na obra de Lourenço Mutarelli, O Cheiro do Ralo e Nome Próprio, baseado na produção da Clara Averbuck.




5 FRANCISCO ALVIM: “ELEFANTE” ANGÚSTIA DA INFLUÊNCIA?
A obra de Francisco Alvim é um retrato das novas formas de encarar a influência. O determinismo fatalista que afirmava a influência ser danosa à produção estética, problematizada por Harold Bloom na obra “Angústia da Influência” pode ser revista na obra de Francisco Alvim como um processo de referência. Esta substituição conceitual de Influência para referência mostra o quanto o diálogo entre produções criativas deva ser encarado como situação corriqueira do nosso tempo. A proximidade de Alvim com Drummond é uma proximidade de trabalho a ser completado, parafraseado e re-constituído do ponto de vista do novo artesão, sob uma nova forma e uma nova ferramenta.

3 comentários:

Thonny Hawany disse...

Passei aqui pelo seu blog. Não resisti e li o texto sobre Vertentes da Literatura Contemporânea. Aprendi muito com suas lições de catedrático da Literatura. Gostei muito de vê-lo compondo mesa com grandes nomes, a exemplo do dr. Agnaldo, que por sinal foi seu orientador. Parabéns!!!

meiacasa disse...

Como você mesmo diz: "bicho" SE(LL) tá saidinho, heim!
Ao passo que os meios massivos de comunicação (TV, Rádio e Jornal Impresso) contam com um emissor e um grande público - massa - receptor, a internet, por sua vez, ao mesmo tempo que nos faz receptores nos torna emissores (blog, e-mail, youtube, iorgute, toddinho e o diabo)e (re)formuladores da notícia, do texto etc. A Net é muito mais democratizadora da informação.

Laurindo Fernandes disse...

Blog do LOurenço Mutarelli

http://lourencomutarelli.blogspot.com/