MENU PRINCIPAL

segunda-feira, agosto 31, 2009

MEMORIAL DO CONVENTO - JOSÉ SARAMAGO "HISTÓRIAS QUE (SE) CONFUNDEM"

MEMORIAL DO CONVENTO (JOSÉ SARAMAGO, 1982): HISTÓRIAS E ESTÓRIAS QUE SE CONFUDEM Por Rômulo Giacome O Fernandes

José Saramago é reconhecido principalmente por sua obra Ensaio sobre a cegueira e não tanto por Memorial do Convento. A primeira vista o título “memorial do convento” exala a idéia de uma temática tipicamente portuguesa, na medida em que iconiza a força da igreja no homem e nesta sociedade. Muitas vezes a religiosidade molda ações e convenções, o que pode ser percebido na produção literária do realismo e romantismo português. O certo é que esta obra é muito mais do que ações e convenções religiosas; são os efeitos literários e fantásticos que esta força religiosa constrói em indivíduos e grupos. A história tem como trama principal a construção do convento de Mafra, no pequeno povoado homônimo, que dada as proporções da época, consolidou-se como uma obra fantástica e onerosa aos cofres reais, quase impossível de execução. No início eram apenas acomodações para poucos religiosos; até quanto o regente na época, D. João V, imbuído pelo espírito da grandeza e fé irresoluta, decide ampliar para duzentas acomodações. A obra passa a ser a grandeza do povoado.

Milhares de trabalhadores, de sol a chuva, pedra por pedra, iniciam a construção apoteótica deste templo da fé. E o que vai se construindo, literariamente por detrás desta ambição religiosa do monarca (o que merece um parágrafo de explicação) é o desdobramento do simulacro poético entre a fantástica força, sobre-humana, de um bloco de trabalhadores rudes e miseráveis, em construir um símbolo da fé, calcado pela ordem do luxo e da ostentação, tal qual às formas mais icomensuráveis de resignação religiosa.

quarta-feira, agosto 05, 2009

MEMÓRIA DO POVO INDÍGENA CINTA-LARGA

ORIENTAÇÃO DE PESQUISA - 2007 - PRODUÇÃO

A acadêmica Fairuse Moreira do Carmo, graduada em Letras pela UNESC, desenvolveu entre os anos de 2006 e 2007 vasta pesquisa de campo, coletando, in loco, relatos orais dos povos indíegenas Cinta Larga que constituem narrativas culturais importantíssimas, possíveis de estudos sócio-culturais no campo dos ritos e mitos.
Acima: Defesa da monografia na tenda do Paiter Suruí (Fairuse); Banca composta pelos professores Rômulo Giacome (Orientador), Geane Valeska e Carlos Rodrigues.

A importância da pesquisa da professora Fairuse dá-se em dois amplos aspectos: o inventário raro de narrativas orais registradas e catalogadas, que fornecem subsídios para manutenção do museu imaterial; e segundo pela possibilidade que estas narrativas têm de oferecer estrutura literária e antropológica para análise dos ritos e mitos engendrados na composição cultural dos índios Cinta Larga.
Desta ampla pesquisa, que tive privilégio e ousadia de orientar, foi possível produzir o Trabalho Monográfico de Conclusão de Curso, bem como a produção e publicação do artigo científico de título homônimo. Abaixo seguem algumas considerações teóricas sobre o campo da pesquisa cultural.

CULTURA E MEMÓRIA
Rômulo Giácome
As questões culturais norteiam o centro de discussões do curso de Letras, principalmente quando analisadas pelo prisma das linguagens envolvidas. Os códigos culturais podem ser decodificados a partir da rede de linguagens, segmentadas ou não, simbolizadas ou não, que construídas a partir de uma matéria prima antropológica, viabilizará o entendimento, a análise, a compreensão e a preservação de novas culturas, engendradas pelos seus ritos e mitos.

Todo e qualquer tipo de cultura, das mais simples até as mais sofisticadas, possuem um grau de representação de seus valores antropológicos em uma gama variada de formas e níveis. O escopo das pesquisas iniciadas pelo Grupo TEOLITERIAS, confluíram no entendimento dos Ritos e Mitos culturais da tribo Cinta Larga, o que proporcionaria uma delimitação cultural mais nítida em relação aos fazeres (ritos) e valores simbólicos (mitos) que compõem o núcleo da cultura supracitada. A possibilidade de algumas certificações teórico / científicas proporcionaram uma validação maior ao trabalho em virtude do reconhecimento do terreno a ser suplantado.

- Questões como a análise das narrativas em sua forma viva, a serem relatadas pela liberdade de uma coleta in loco.
- A perspectiva de uma teorização e análise intensa da memória como condutora de cultura.
- A narrativa como memória cristalizada e a linguagem como fio condutor de análise semiótica, uma vez que parte de um suporte de representação que reconstrói valores culturais.
- A metodologia da análise qualitativa dos dados, fazendo uso da força interpretativa

A partir destes alicerces, foi possível orientação na pesquisa


Abaixo segue o link para leitura completa do artigo:

EM BUSCA DA MEMÓRIA DO POVO INDÍGENA CINTA LARGA: UMA REMANESCÊNCIA DA NATUREZA ORAL
http://www.unescnet.br/NIP/edicoes/20071/Artigo3.mht
RESUMO Este trabalho traz a tona à cultura do povo Cinta Larga, com o intuito de propagar esta manifestação cultural que é tão rica, tendo como objetivo a valorização do outro. Este outro existe enquanto povo brasileiro, enquanto sujeito, língua, e enquanto crença. Estudar e buscar a temática indígena não deu-se da noite para o dia, mais fora constituído de passo a passo, (Pesquisa de Campo), para a elaboração desse trabalho, o qual consiste na pesquisa de um tema inovador, sendo portanto, fundamental para a valorização desse povo enquanto raça. A relevância deste trabalho, portanto, está ligada às memórias do povo indígena Cinta Larga, primeiro porque não há nada escrito a respeito do referido assunto, segundo porque esta pesquisa será fonte de conhecimento para outros povos que queiram conhecer a cultura dos povo Cinta Larga.


A professora Fairuse Moreira do Carmo possui amplo material catalogado sobre a memória cultural Cinta Larga e é referência regional no tema.