O TERMO MPB FOI CUNHADO PARA SER DIDÁTICO E IDEOLÓGICO
Existe uma música popular brasileira? O que é realmente popular? O que andam escutando os estivadores do porto, os ribeirinhos, o pessoal das favelas e dos círculos e recôncavos nordestinos? O que a música popular brasileira significa quando ecoa nos ouvidos de nossa população?
Hoje, MPB é mais signo de “sofisticação” do que produção de massa. O povo gosta de música popular brasileira? Não. Quem gosta de MPB não é o “Povo”. O alvo de Adorno e os filósofos serialistas da arte (a famosa Massa de McLuham) gosta de forró, (Aviões do Forró, Cavaleiros do Forró) e outros nomes mais. Gostam de Eduardo Costa no sertanejo, nos falecidos Zezé (nome Gay) e Chitãozinho e Xororó (como ainda alguém pode se chamar xororó na época do Capslook, Webdesigner e delete)? A massa gosta de rasquiado e lambadão vendido em coletânea de Cd´s nas bancas da feira. A massa gosta de tecnobrega, calypso, zugui e outras cositas mais. A massa acredita piamente que escutar Roberto Carlos é MPB.
Eu, (na minha porção massificada) como massa, acredito neste tipo de música como catarse do corpo, como terapia do riso e da alegria espontânea, e a uso como forma de luxúria intelectual, uma espécie de esbórnia ou crack da existência livre e plena do peso do gosto, do peso da crítica. Vivo e escuto estas músicas livremente, como uma criança. E sou feliz por isso.
No entanto, o que temos que analisar profundamente é o conceito de MPB. O que ele abrange, quem congrega, o que congrega e como. Quando um artista não gosta de nada e não quer parecer burro ele fala que escuta MPB. Falar que gosta de MPB é tão específico quanto falar que gosta de World Music ou música em língua portuguesa. Ou seja, gosta de tudo ou nada ao mesmo tempo. A diferença entre o groove de Mombojó e Mundo Livre S/A é gigantesca entre o pseudo pernambuquismo de Zeca Balero e Lenine, ambos muito fracos de criatividade. Ou querer comparar Caetano Veloso com Chico Buarque é o mesmo que comparar Ivete Sangalo com Olodum ou Carlinhos Brow. Quem cria, como e para quem? MPB é algo abstrato, que consegue loucamente colocar no mesmo prato Titãs e Ana Carolina, Seu Jorge e Luís Melodia. Um pouco de Jorge Ben com Emílio Santiago. Definitivamente, MPB não pode ser considerada como gênero ou estilo. É muito pequena para congregar tanto. Por isso, eu tenho uma sugestão, com a mísera experiência de crítica musical e literário que me considerei. A MPB tem um problema terminológico que está na sua essência, sintetizada pela declaração de uma musicalidade brasileira, sua sonoridade e mensagem cultural, sob a ótica culta ou massificada, ou seja, alguns meios de divulgação de cultura definem o que é MPB e todos compram a idéia. Mas a sonoridade do Brasil, estatisticamente (sem precisar de tabular dados) é composta de: produções regionais possibilitadas pela inclusão digital (forró, brega, dance, lambadão, rasqueado, chote, pancadão, etc) e os heróis da resistência mainstream midiática, tal qual Ana Carolina (mais de oito temas de novela), Nando Reis, Ivete Sangalo ou Cláudia Leite (esta última uma criação da mídia para sublimar nossa vontade de ídolos femininos, belas e com voz de baiana negra).
Silogisticamente a MPB é um rótulo vazio que só leva em conta seu público. Um público arredio ao “povão”, que se considera extemporâneo aos fenômenos da massa que se auto-intitula sofisticado. A ausência de uma nomenclatura específica para todo tipo de música “melhorzinha” produzida no Brasil fez do termo MPB uma constante no vocabulário dos intelectualóides de plantão.
Nomes do novo samba, como Rômulo Froes, estão largados à margem de um estigma musical que não evolui. A MBP selecionada, ou “os escolhidos dos canais de comunicação” não andam e não inovam, e quando criam, faz “mais do mesmo”. Parou na bossa nova e afundou nos nomes já consagrados. A MPB, na verdade, é um conceito mercadológico para todo tipo de música que não é rock e sertanejo, estes sim, gêneros.
A MPB que realmente é “popular” não tem encarte e muito menos CD com capa. A MPB de sangue, genuína, está suportada pelos CD´s piratas, vendidos nas feiras, trocados e tocados em aparelhos “I phodes” pretos da “foston”. É o tecnobrega do maderito, o homem alucinado do Pará, ou no fenômeno Dejavu. No DJ maluquinho ou no gaviões do forró, Luan Santana e João Bosco e Vinícios. Todos podem se retorcer na cadeira, mas quando o Amado Batista começa a tocar, muitos lembram tempos áureos ou cantam suas canções com humor, mas que no fundo não é mais do que um tributo à uma produção que se imortalizou na memória popular.
Eu até indico o documentário “BREGA S/A”, disponível para download gratuito em que encerra a questão do tecnobrega enquanto um parêteses cultural em nosso universo brasileiro musical. Esta “janela” gerida pelo brega, proporciona um tipo extremamente particular de composição, produção, distribuição e comercialização a partir da rede informal e paralela aos grandes managers da cultura nacional. Além disso, o filtro do “brega” cataliza qualquer outra forma musical de sobre-existir, amordaçando o forró, o dance e sua batida binária (pancadão ou hip hop) com melodias conhecidas e teclado programado ao “tosco designer”.
Em suma, não é a música popular brasileira que está em crise. É o antigo tipo de veiculação e distribuição de cultura que está rompido e destituído. O jabá cedeu lugar às grande corporações que patrocinam os clipes e os shows em grandes eventos. TIM Festival, Nokia Trends, só para citar dois dos grandes festivais. Mas a manutenção de um status quo onde a TV e o Rádio indicam, solitários, o que devemos escutar e comprar, é um retrocesso, tendo em vista que a Internet já proporciona a virtualização da composição e sua distribuição, sendo extremamente mais democrática.
O conceito de MPB é uma criação simplista de uma ideologia comercial que tem que didatizar para ser entendida. Diluir para ser fruída (gozo do objeto estético). Certa vez, em entrevista, Arnaldo Antunes afirmou que era impossível separar música em gavetinhas. Impossível separar “Pérola Negra” do Lúis Melodia com “Tábua das Esmeraldas” de Jorge Bem.
Esta é a real essência da MPB: um conceito que tenta classificar tudo, mas não define nada.
Existe uma música popular brasileira? O que é realmente popular? O que andam escutando os estivadores do porto, os ribeirinhos, o pessoal das favelas e dos círculos e recôncavos nordestinos? O que a música popular brasileira significa quando ecoa nos ouvidos de nossa população?
Hoje, MPB é mais signo de “sofisticação” do que produção de massa. O povo gosta de música popular brasileira? Não. Quem gosta de MPB não é o “Povo”. O alvo de Adorno e os filósofos serialistas da arte (a famosa Massa de McLuham) gosta de forró, (Aviões do Forró, Cavaleiros do Forró) e outros nomes mais. Gostam de Eduardo Costa no sertanejo, nos falecidos Zezé (nome Gay) e Chitãozinho e Xororó (como ainda alguém pode se chamar xororó na época do Capslook, Webdesigner e delete)? A massa gosta de rasquiado e lambadão vendido em coletânea de Cd´s nas bancas da feira. A massa gosta de tecnobrega, calypso, zugui e outras cositas mais. A massa acredita piamente que escutar Roberto Carlos é MPB.
Eu, (na minha porção massificada) como massa, acredito neste tipo de música como catarse do corpo, como terapia do riso e da alegria espontânea, e a uso como forma de luxúria intelectual, uma espécie de esbórnia ou crack da existência livre e plena do peso do gosto, do peso da crítica. Vivo e escuto estas músicas livremente, como uma criança. E sou feliz por isso.
No entanto, o que temos que analisar profundamente é o conceito de MPB. O que ele abrange, quem congrega, o que congrega e como. Quando um artista não gosta de nada e não quer parecer burro ele fala que escuta MPB. Falar que gosta de MPB é tão específico quanto falar que gosta de World Music ou música em língua portuguesa. Ou seja, gosta de tudo ou nada ao mesmo tempo. A diferença entre o groove de Mombojó e Mundo Livre S/A é gigantesca entre o pseudo pernambuquismo de Zeca Balero e Lenine, ambos muito fracos de criatividade. Ou querer comparar Caetano Veloso com Chico Buarque é o mesmo que comparar Ivete Sangalo com Olodum ou Carlinhos Brow. Quem cria, como e para quem? MPB é algo abstrato, que consegue loucamente colocar no mesmo prato Titãs e Ana Carolina, Seu Jorge e Luís Melodia. Um pouco de Jorge Ben com Emílio Santiago. Definitivamente, MPB não pode ser considerada como gênero ou estilo. É muito pequena para congregar tanto. Por isso, eu tenho uma sugestão, com a mísera experiência de crítica musical e literário que me considerei. A MPB tem um problema terminológico que está na sua essência, sintetizada pela declaração de uma musicalidade brasileira, sua sonoridade e mensagem cultural, sob a ótica culta ou massificada, ou seja, alguns meios de divulgação de cultura definem o que é MPB e todos compram a idéia. Mas a sonoridade do Brasil, estatisticamente (sem precisar de tabular dados) é composta de: produções regionais possibilitadas pela inclusão digital (forró, brega, dance, lambadão, rasqueado, chote, pancadão, etc) e os heróis da resistência mainstream midiática, tal qual Ana Carolina (mais de oito temas de novela), Nando Reis, Ivete Sangalo ou Cláudia Leite (esta última uma criação da mídia para sublimar nossa vontade de ídolos femininos, belas e com voz de baiana negra).
Silogisticamente a MPB é um rótulo vazio que só leva em conta seu público. Um público arredio ao “povão”, que se considera extemporâneo aos fenômenos da massa que se auto-intitula sofisticado. A ausência de uma nomenclatura específica para todo tipo de música “melhorzinha” produzida no Brasil fez do termo MPB uma constante no vocabulário dos intelectualóides de plantão.
Nomes do novo samba, como Rômulo Froes, estão largados à margem de um estigma musical que não evolui. A MBP selecionada, ou “os escolhidos dos canais de comunicação” não andam e não inovam, e quando criam, faz “mais do mesmo”. Parou na bossa nova e afundou nos nomes já consagrados. A MPB, na verdade, é um conceito mercadológico para todo tipo de música que não é rock e sertanejo, estes sim, gêneros.
A MPB que realmente é “popular” não tem encarte e muito menos CD com capa. A MPB de sangue, genuína, está suportada pelos CD´s piratas, vendidos nas feiras, trocados e tocados em aparelhos “I phodes” pretos da “foston”. É o tecnobrega do maderito, o homem alucinado do Pará, ou no fenômeno Dejavu. No DJ maluquinho ou no gaviões do forró, Luan Santana e João Bosco e Vinícios. Todos podem se retorcer na cadeira, mas quando o Amado Batista começa a tocar, muitos lembram tempos áureos ou cantam suas canções com humor, mas que no fundo não é mais do que um tributo à uma produção que se imortalizou na memória popular.
Eu até indico o documentário “BREGA S/A”, disponível para download gratuito em que encerra a questão do tecnobrega enquanto um parêteses cultural em nosso universo brasileiro musical. Esta “janela” gerida pelo brega, proporciona um tipo extremamente particular de composição, produção, distribuição e comercialização a partir da rede informal e paralela aos grandes managers da cultura nacional. Além disso, o filtro do “brega” cataliza qualquer outra forma musical de sobre-existir, amordaçando o forró, o dance e sua batida binária (pancadão ou hip hop) com melodias conhecidas e teclado programado ao “tosco designer”.
Em suma, não é a música popular brasileira que está em crise. É o antigo tipo de veiculação e distribuição de cultura que está rompido e destituído. O jabá cedeu lugar às grande corporações que patrocinam os clipes e os shows em grandes eventos. TIM Festival, Nokia Trends, só para citar dois dos grandes festivais. Mas a manutenção de um status quo onde a TV e o Rádio indicam, solitários, o que devemos escutar e comprar, é um retrocesso, tendo em vista que a Internet já proporciona a virtualização da composição e sua distribuição, sendo extremamente mais democrática.
O conceito de MPB é uma criação simplista de uma ideologia comercial que tem que didatizar para ser entendida. Diluir para ser fruída (gozo do objeto estético). Certa vez, em entrevista, Arnaldo Antunes afirmou que era impossível separar música em gavetinhas. Impossível separar “Pérola Negra” do Lúis Melodia com “Tábua das Esmeraldas” de Jorge Bem.
Esta é a real essência da MPB: um conceito que tenta classificar tudo, mas não define nada.

