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quarta-feira, abril 20, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 5ª EDIÇÃO - OS VÍCIOS DE LINGUAGEM

BY ELISANDRO FÉLIX DE LIMA


O tópico gramatical desta edição tem como objetivo resolver uma questão de língua portuguesa da prova do concurso público, elaborada pela Faepesul, para o cargo de Técnico Administrativo, na prefeitura de Santa Catarina. Como tema da questão, temos o conteúdo, os vícios de linguagem.

Muita gente sonha com a aprovação em um concurso público e, vivem a busca do grande segredo. Como ser aprovado? O segredo para alcançar um bom resultado, sem dúvida, é estudar exaustivamente. E claro, na hora da prova manter tranquilidade para ler e interpretar o que se pede nas questões. As opções de respostas das questões de múltipla escolha são, geralmente, bastante confusas. O candidato tem que ficar atento as palavras chaves, como por exemplo: todos, exceto, geralmente, sempre, incluindo, na maioria, às vezes, nem sempre etc.

Quando o candidato tem um domínio médio do conteúdo, com bastante calma e concentração, ele pode obter bons resultados. Porém, cada proposição deve ser analisada, com atenção, conforme segue a dica abaixo.

Resolução da questão n° 8 – Língua Portuguesa – (Faepesul).

A questão pede para assinalar a proposição correta no que se refere aos vícios de linguagem. Os vícios de linguagem são palavras ou construções que vão de encontro às normas gramaticais. É comum, no dia a dia, que pessoas venham cometer equívocos de pronúncia ou de escrita, esses equívocos podem estar relacionados aos vícios de linguagem.

A questão:

Assinale a alternativa correta no que se refere aos vícios de linguagem:

a) Na frase “O torcedor pagou vinte reais por cada ingresso”, temos um barbarismo.

b) Na frase “Os fregueses da padaria preferem pão com mortandela”, temos um pleonasmo.

c) Na frase “A grande maioria da população brasileira é apaixonada por futebol”, temos uma cacofonia.

d) Na frase “Ele não conhece o seu métier”, temos um arcaísmo.

e) Na frase “O pai proibiu o filho de sair em sua motocicleta”, temos uma ambiguidade.

Na frase (A) precisamos localizar qual é o vício de linguagem que prevalece. Aparentemente, é uma frase sem nenhum erro, realmente, não há erro de ortografia, porém há um vício de linguagem e não se trata de um barbarismo. O “defeito” na construção frasal, por assim dizer, trata-se da expressão “por cada” que dá a entender (porcada), que é classificado como uma cacofonia, isto é, relativo ao som. A cacofonia é o som desagradável produzido por um encontro acidental de sílabas. Esse tipo de cacofonia se classifica como cacófato. Também, a cacofonia pode ser do tipo de eco. O eco caracteriza-se pela repetição de um som em um enunciado. Um exemplo de eco “é importante que o anunciante atinja o comerciante”. A palavra cacofonia vem do grego “Kacós (mau, ruim); Fone (som)” = “som ruim”.

Na frase (B) não contém um erro de pleonasmo. Para que se entenda melhor, pleonasmo trata de frase do tipo “subir para cima, descer para baixo”. O vício de linguagem encontrado na frase (B) trata-se de, agora sim, barbarismo na grafia. Barbarismo é o desvio na pronúncia, na grafia ou na semântica. A palavra que causa estranheza no enunciado é mortandela, que na maneira correta de escrita deve ser mortadela.

Na frase (C) trata-se de um vício de linguagem. A expressão “grande maioria” é uma redundância. “Grande” já quer dizer “maior/maioria”, ainda, em outro contexto, o “das figuras de linguagem”, a frase poderia ser uma hipérbole, isto é, exagero.

Na frase (D) a palavra “métier”, trata-se de um estrangeirismo, no francês quer dizer “profissão/ ofício”. Se no passado, a palavra “métier” foi utilizada aqui no Brasil para se referir à profissão, pode ser que, atualmente, essa palavra seja considerada um arcaísmo. Assim, arcaísmo é um tipo de palavra arcaica, isto é, palavra que não é mais usada em nossa língua. E essa questão causa bastante dúvida, uma vez que, a palavra confere com o conceito. Porém, arcaísmo não é considerado um vício de linguagem.

A frase (E) é a considerada correta, uma vez que se trata de uma ambiguidade no pronome possessivo “sua”. Ambiguidade ocorre quando uma frase dá margem a duas ou mais interpretações. Na frase dá a entender que o “filho” está proibido de sair na “motocicleta” do “pai” e na motocicleta “dele”, ou seja, a quem pertence a motocicleta? Esse duplo sentido corresponde a ambiguidade que é um vício de linguagem.

Se o candidato analisar minuciosamente cada questão e suas opções de respostas terá maior chance de aprovação.

REFERÊNCIAS

COLEÇÃO FIQUE POR DENTRO. Língua Portuguesa: a comunicação fácil e direta. Barueri: Gold, 2001.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o dicionário da língua portuguesa. 6. ed. Curitiba, Positivo. 2005.

Elisandro Félix de Lima é formado em Letras pela UNESC – Faculdades Integradas de Cacoal, Pós-graduando em Gramática Normativa da Língua Portuguesa, Prof. Tutor nos cursos a distância da UNISA e revisor textual.

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