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quarta-feira, abril 04, 2012

DIFERENÇAS ENTRE MODERNISMO E MODERNIDADE

MODERNISMO E MODERNIDADE: DIVERGÊNCIAS NOMINAIS
By Rômulo Giácome


O timbre deste texto tem mais a ver com a exploração de experiências teóricas, fluídos de conhecimento e perspectivas críticas do que aportar em uma plataforma segura de um teórico ou recorte bibliográfico, pelos ombros de outros autores. Desta forma e tônica, o presente texto tem a pretensa vontade de dissociar os termos Modernismo e Modernidade, mesmo sabendo que esta tarefa pode estar incorrendo em posicionamentos contundentes.
Assim, ao estudar o Modernismo Brasileiro, principalmente seus antecedentes e sua fase heróica, monumento erigido pela semana de arte moderna, o termo modernismo parece saltar aos olhos como uma característica inerente ao processo de nacionalização, mudança de paradigmas e divergências críticas que eclodiu nos idos de 1922.
No entanto, o Modenismo, especificamente o Brasileiro, foi um movimento cultural e literário, demarcado por uma cronologia específica e crítica própria (que se amplia e diversifica no passar do tempo), bem como movimentos políticos próprios. Enquanto unidade teve sua égide sobre o experimentalismo, convergência de vanguarda e crítica literária, bem como o Nacionalismo. A propositura do moderno teve formas multifacetadas, por influir em um movimento de resistência, mas adequação aos movimentos rápidos e vanguardísticos que vociferavam no mundo inteiro. Também por transigir a crítica histórico / bibliográfica que predominou em nossa literatura, em busca de uma crítica mais apropriada ao discurso poético.

Os poetas modernistas, da alçada de Mário de Andrade e Oswald, deixaram um legado do pensamento modernista que mais influenciou o futuro da nossa poesia. O atuar sobre a literatura, agir sobre ela, para e com ela, provocaram os primeiros impulsos rumo à literatura de maior valor, com maior conteúdo teórico / canônico agregado.

Uma característica própria do Modernismo é ser encarado enquanto período delimitado cronologicamente e politicamente, dentro de um circuito de produção, crítica e leitor. Economicamente, a história literária e a teoria literária enquadram o modernismo conectado ao desenvolvimento econômico e urbano que o Brasil experimentou a partir de 1910 até a era Getúlio. Neste processo de produção inclui a “Paulicéia Desvairada” e o simulacro de uma sociedade urbana em consolidação. Um processo interessante de dilatação e decantação do Modernismo de 1922 foi a perspectiva tradicional que se assomou nas gerações modernas posteriores, culminando no verso de João Cabral, em passagem por Murilo Mendes e Jorge de Lima.

Tratando agora da modernidade, ela nasce do espírito de ruptura, de negação da tradição, da implantação de um cânone futuro repensado. É energia que se move pelos degraus da história literária, mola que impulsiona repelindo. A modernidade trafega pelo século XX, lançada que foi por autores como Baudelaire e Mallarmé. Os primeiros passos rumo a um verso mais elaborado, que encontre respaldo somente em sua estrutura rítmica e visual, foram alargadas pelas teorias modernas, como a Semiótica, que propôs a inauguração do signo poético. Recolhido pelos críticos concretistas, movimento que sofisticou e aparelhou a crítica literária brasileira, o signo deflagrou uma perfeita intersemiose entre o espaço branco do papel e a escrita, inscrição, sinal, signo, povoado de elementos verbivocovisuais. A modernidade, ao mesmo tempo que se lança inovadora frente á tradição, ao estratificado e canônico, se vendendo nova, tem que viver pouco. Manter-se nova é ter ciclo de vida, é ser vanguarda. A obra, enquanto objeto de consumo, mesmo que “moderna”, é refém de sua própria natureza de objeto de consumo estético. Pode e deve ser substituída enquanto proposta. A modernidade lança o contundente e inusitado para frente, tentando voltar ao presente explicando, via de teorias, formas, manifestos e discussões. A modernidade é caminho fértil da crítica. Em seus buracos, ditos e desditos o discurso crítico sobrevive, como corais, tornando a literatura povoada de cores e formas.

Como um fazer / querer / poder a modernidade se apropria das tecnologias da linguagem e das novas técnicas de comunicação. Pelo desgaste que a língua sofre durante seus séculos de existência, a busca por novos suportes e a mistura do procedimento com o fazer inauguram as modernidades pós 80 e do porvir. Assim como os blogs buscam na textualidade simultânea, no intimismo a subversão das antigas crônicas, os relatos e aforismos poéticos das redes sociais culminam na busca do alicerce de uma nova lírica. Uma suposta “lírica social?”; uma suposta teoria lírica vai ser desconstruída e outra será construída, à mercê do novo.
Por fim, a modernidade tem que conviver com a crise da poesia. A crise da poesia que reivindica uma “pedagogia da poesia”, uma práxis da poesia, um ativismo da poesia; um “colegiado” da poesia?
Em suma, o modernismo é um marco de formas diversas, conclusões teóricas díspares, mas um momento literário que se propagou e é estudado desde 1922 até 1950.
Já a modernidade é um espírito, uma práxis dentro do processo literário de produzir, recepcionar, publicar e estudar a literatura, levando em conta sua evolução. O modernismo é possível ver no passado. A modernidade ainda está acontecendo.


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