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terça-feira, junho 12, 2012

"SEMIÓTICA POÉTICA": AULA DE AGUINALDO JOSÉ GONÇALVES

O presente conteúdo é fruto das reflexões promovidas em sala de aula, na disciplina de "SEMIÓTICA DISCURSIVA", ministrada pelo professor Dr. Aguinaldo Josá Gonçalves, no curso de Doutorado em Teoria Literária, promovido pela UNESP / UNIR. As informações são resultantes de anotações de sala, com pequenas inferências.

I QUESTÕES INCIDENTAIS

Os presentes aforismo teóricos emergiram das aulas de semiótica discursiva. Estão construídos pela esteira de saberes literários da teoria poética, sob eixos de discussão binários: o temático e o discursivo. O Poético e o metalinguístico. A similitude e a contiguidade.

A questão da metalinguística na poética contemporânea pode ter sustentação na posição da crítica e teoria dentro do “escrever”; o artesão / escritor / teórico que escreve e “inscreve”, inserindo sua dicção e práxis dentro da produção. Com  que imbuída da criatividade na produção, inerente está a própria reflexão da arte na pós-modernidade, que coloca a produção em suspense, dialogando fora do corpo da poesia, constituindo sua criação. Sinteticamente, o discurso crítico e a reflexão teórica ficam parte da criação poética. Uma aporia desafiadora.

Do clássico até o romantismo é Alegórico e Analógico. Após, demarca-se a evolução para o Eixo da contiguidade no Realismo, inserido por Flaubert, Manet e Baudelaire.   

A similaridade é horizontal. Ela procura contato com o “ao lado”, o símile, o correspondente. A substituição dos termos por elementos não inerentes. A contiguidade é vertical. Ela implica uma decomposição em queda ou inclusão, como a escada.

Leitura obrigatória. “Alegoria no drama Barroco Alemão”. Walter Benjamim.

Autores da Modernidade. Edgar Alan Poe. “Um homem na multidão”; Baudelaire filtrou e catalizou grande arte da produção moderna, incluindo Poe. A exemplo do grande clássico "O Pintor da vida moderna".

Literalidade vem da força centrífuga. Literariedade é centrípeta. Centrífuga lembra Nortrop Fry em sua Teoria dos símbolos. Link com  “Marxismo e filosofia da linguagem” de Bakhtin. O signo refratário da literatura compõe o que chamamos gagueira (dicção literária). 

PERIGO. Tomar a leitura pelos mitos e símbolos. Semantizar ou diluir. O grande escritor tenta destruir os mitos e símbolos. Desviar destes. Procurar o signo estético que é o signo refratário, contrário ao signo reflexivo, que implica um sentido pobre.

O leitor deve estar preparado para receber a ruptura da literatura. A mobilidade do discurso literário é decantada pelo leitor. Requer a nossa mobilidade enquanto analista e professor de literatura. Segundo Aguinaldo, não devemos ser “apenas” professores de Literatura em tom menor. Interpreto que a atitude do leitor literário é a desconstrução do texto e sua reconstrução pela peneira dos recursos e processos inerentes à arte e suas especificidades, levando em conta “caminhos” teóricos e procedimentais.

O que é a teoria do imagismo? Correlativo objetivo, ou seja, a construção da imagem insólita. A imagem construída do conhecido pelo desconhecido ou do desconhecido pelo conhecido. Ex: “Dentro da perda da memória” de João Cabral de Melo Neto; é um traço da modernidade e não da pós-modernidade. Em outras palavras, similitude pela disjunção. Na pós-modenidade é o contíguo. O verso da pós-modernidade é a desconstrução contígua.

II QUESTÕES DE PRÁTICA DE LEITURA (MACHADO DE ASSIS, DOM CASMURRO)

Ler Dom Casmurro pela ótica do olhar. Função conativa constituindo o anti-romance. Os capítulos iniciais procedem distanciando narrador de narrado; autor de narrador; tudo pela função fática. Relação espaço e tempo em Bachelart. “A poética do espaço”. A espacialidade da casa. Casa da caverna do engenho novo.

Relacionar Fry e suas categorias narrativas por arquétipos com Dom casmurro e as estações do ano.

No capítulo II de Dom Casmurro, a casa do Engenho Novo é reconstruída para consolidar a cena, que simbólica, indica o caminho da traição. Construída o contexto, como inferido por Binho, o Simulacro abre-se e constrói-se para a encenação ou estrelato do narrador, que irá incitar suas “cenas”, não memorialistas, mas presentificações, reminescências a partir de uma condição psicológica ad quo. A construção da casa prenuncia a “vivência” para melhor constituir o autor / narrador, que depois quer transmigrar para um narrador / autor.

Discutir a enfabulação (tematização) em Dom Casmurro é limitante e no máximo pode chegar até o processo de composição de uma ambiguidade sublime. No mais, fica tudo: a discursividade como força motriz de elementos literários que, perseguidos, levam à literariedade.   

No capítulo “O PENTEADO”, o cabelo age como potência narrativa de uma sinédoque que leva à narratividade. O entrelaçar os fios, alisá-los procurando a linearidade, a bagunça para a manutenção da tensão fórica, traduz uma alegora clássica dentro da literatura universal.


III OSWALD DE ANDRADE: SOB A ÓTICA DO SEU RADICALISMO (Aguinaldo Gonçalves)

Fusionismo dos gêneros. Contribuição da radicalidade de Oswald dentro de seu projeto de modernismo. Mix hapening style. (estilos misturados e sintetizados).

Lirismo desconstruído. Anti-lirismo. Advindo de uma sucata. Manuel de Antônio de Almeida em “Memórias de um sargento de milícias”.

Degraus do verso Livre. Walt Whitman? Simbolistas e pós-simbolistas (Mallarme). TS Elliot e Ezra Poud e a consciência do verso livre e a imagística.



Um comentário:

Marco Rocca disse...

Caro amigo e professor Rômulo. Andei sumido, pois meu blogger anterior, foi desativado pelo Google. Gostei muito da abordagem do assunto e muito me instruiu este texto na passagem: - PERIGO. Tomar a leitura pelos mitos e símbolos. Semantizar ou diluir. O grande escritor tenta destruir os mitos e símbolos. Desviar destes. Procurar o signo estético que é o signo refratário, contrário ao signo reflexivo, que implica um sentido pobre.

Sempre busquei em meus poemas existenciais fugir ao que chamo de versos "piegas" que é a afirmação dos mitos sociais existentes. Busco sempre apontar em direção da auto-afirmação do personagem, que utilizando da linguagem lírico-poética, preconiza suas idéias, anseios e no meu caso propriamente dito, difundir o ideal libertário.