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terça-feira, março 05, 2013

VIAGEM SÃO PAULO, MINAS GERAIS E RIO DE JANEIRO (JANEIRO/2011) - ENCONTRO COM O BARROCO DE ALEIJADINHO E DOZE PROFECIAS (CONGONHAS, MINAS GERAIS)


Construídas entre 1795 e 1805, pela Equipe de Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho), os Doze Profetas é uma obra prima do estilo Barroco, localizada no Adro Central da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos. Representa um ornamento Religioso, mas além disso, uma ambiguidade latente entre o Cristão e o Misticismo Oriental, projetando iconografias simples e ocultas, além de leituras especiais do texto bíblico.  By Rômulo Giácome 

O encontro oficial com o Barroco em uma viagem ao estilo on the Road seria o máximo. Não menos contundente, a falta de informação sobre as cidades que percorreria entre Juiz de Fora e Belo Horizonte, levou ao surpreendente pernoite em Congonhas, cidade da bela e histórica Igreja de Bom Jesus de Matosinhos.  Pendurada em uma montanha tipicamente mineira, estava ela; deslumbrante, com seu Adro Central repleto daquelas jóias Barrocas emolduradas e expressivamente esculpidas pelas mãos de nada mais nada menos que Aleijadinho. A surpresa da presença forte dos 12 profetas em Congonhas não merecia perca de tempo. A chegada foi a noitinha, que logo virou noite pronta; questionamentos rápidos sobre a localização da Igreja e lá já estávamos; nem mesmo hotel, nem mesmo lanche; a fome era de Barroco verdadeiro. Fome de história. E lá estava. Como mágica, uma belíssima Igreja, ao largo um prédio Colonial antigo (que seria nosso hotel) e os Doze Homens de Pedra Sabão, vivos, mais do que nunca, erguendo o braço, segurando suas profecias, adornados de animais; e tudo iluminado, imantado de beleza mística.

É bom salientar que não estava nos planos tal encontro. Era retorno de Petrópolis e a ressaca lúdica da viagem e a vontade de chegar permitiu uma pequena miopia entre o percurso de volta; Mas como o bom e velho estilo de viagem “pé na estrada” nunca falha, oportunizamos um encontro único.
Magnetizado pela antiguidade e pelo halo de experiência do local, procuramos hospedagem ali mesmo, em um casarão antigo, do período colonial e de formação do Paço central. 

A nossa surpresa foi que havia vagas e o preço era convidativo; no mesmo hotel havia restaurante; não foi uma experiência exuberante, mas eficiente. Abaixo a foto do profeta Isaías, caracterizado como mais velho;
 A noite passou rápido e era nítida a ansiedade de registrar as obras de arte; demarcar aquele momento importante. Logo no início do alvorecer, amanheço com o legado de Aleijadinho; a perspectiva era excelente; e a estátuas, complexas e ilustradas, pareciam irromper a qualquer momento do seu sono secular. A iluminação artificial já cedia lugar á iluminação solar, o que resultava em um efeito estético fascinante.



Vimos o sol nascer, eu, e Jeremias; A disposição dos Profetas no Adro Central remetem a uma intencional coreografia. Existe uma nítida comunicação entre os personagens, que dialogam por suas camadas profundas de entendimento; a simbologia de cada um reflete a iconografia de suas profecias, dialogando com seus movimentos indiciais; um estudo minucioso deve explorar melhor este diálogo polifônico entre os movimentos de cada profeta, sua iconografia e adorno, além da sua profecia; é muito importante assinalar que existe uma comunicação infra-semiótica, que se reflete na metáfora construída a partir da encenação. Teríamos então três planos de análise: o primeiro plano da simbologia intrínseca a cada profeta e seu cunho histórico; o segundo plano seus adornos, desde seus manuscritos, insígnias e ornamentos; o terceiro a relação potencial, fórica e disfórica entre eles;
A perspectiva Barroca de construção, principalmente de Aleijadinho, reflete os intentos mais místicos do que cristãos; sustentado por uma iconografia oriental, (rostos Afinalados, olhares aduncos, mantas e túnicas), refletem as várias facetas de um misticismo potencial. Abaixo, foto da belíssima e perfeita estátua de Daniel. Consta que talvez seja a mais perfeita, o que corrobora a tese de que tenha sido feita pelas próprias mãos de Aleijadinho. É muito expressiva e detalhista a forma como a face, a túnica e a Juba do Leão de Daniel está composta; expressa o verdadeiro entendimento do detalhe Barroco, da jóia trabalhada e composta para chegar ao máximo possível de riqueza. 


O trabalho detalhista que o Barroco de Aleijadinho vislumbra, pode ser visto, grosso modo, na túnica de Baruc, em seus detalhes e movimentos, extraídos de um material pesado como a pedra sabão. São detalhes tipicamente de Aleijadinho, pois demarca seu estilo de escultura; formas fluídicas com movimento e detalhe em pedra.
O sentido total do arranjo Barroco começa a fazer sentido quando vemos o todo; o Adro da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos; toda a dinâmica e movimento engendrada pelo gênio de Aleijadinho dispensa comentários. 

 Além da encenação possibilitada pela disposição dos profetas no elevado, a visita à Congonhas é indispensável pelas belíssimas esculturas em madeira das estações da paixão de Cristo. De uma beleza rara, elas remontam uma iconografia italiana de fluidez, demarcando uma riqueza de detalhes e cores. 
Por fim, esta experiência enriquecedora, possibilitou-me contato com a arte Barroca de Aleijadinho, o que contribui sobremaneira nas aulas. É inegável que o contato com a obra torna-se uma forma intensa de valorização e recepção dos códigos não explícitos no consumo de arte. 

13 comentários:

Joice Stêfani disse...

Que legal professor! Lembro que no 1º Período vc disse que tinha vontade de ir até Congonhas conhecer de perto as obras de Aleijadinho, que bom que, mesmo sem planejar, vc conseguiu. Seria um desperdício chegar tão perto e não vê-las, pois realmente são belíssimas, riquíssimas em detalhes que se tornam muito mais aparentes e marcantes ao vivo. Faltou visitar Ouro Preto, um lugar incrível tbm, mas tenho certeza que não faltarão oportunidades, e quem sabe, mais um acaso do destino.

Rômulo Giacome Fernandes disse...

Olá Joice; bom te ver por aqui; Ouro Preto está na agenda para o final do ano rsrs; e ganhei um Bônus Barroco; em Julho farei a rota do Barroco Andino; Abraços

Letras Unesc disse...

olá querido professor passei por aqui! kkkkkkkkkkkkkkkkk (brincadeirinha)... Então, quanto a análise da obra dos profetas de Aleijadinho, fica vísivel a perfeiçao do enrriquecimento de detalhes, e acabamento dessa obra, PERCEBE-SE tambem, comparando as esculturas que umas possuem feição mais idosa e outros possuem a feição mais jovem. Quanto talento desse Aleijadinho. Incrível, eu também gostaria de conhecer pessoalmente alguam obra dele :D

by: Pamella Costa

Rômulo Giacome Fernandes disse...

Pamela, ao vivo ainda é mais especial mesmo; existe uma aura de vida muito intensa; abraços

Letras Unesc disse...

Ola professor Rômulo o que mais me encanta na arte Barroca, e principalmente nas esculturas de Aleijadinho e como você mesmo disse, e a perfeição com riqueza de detalhes que dão realidade e movimento as peças, e como ele mistura diversos estilos do barroco como o rococó e estilos mais clássicos.

by: Camila Biss

Letras Unesc disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria Doroteia feitosa Simao disse...

Ola professor, que privilegio o seu conhecer pessoalmente tão grande e fascinante obra;o Barroco nos encanta pelos detalhes perfeitos que somente um grande escultor como Antonio Francisco Lisboa poderia criar.Impressionante.
By:Maria Dorotéia

Rosi Marafon disse...

Olá professor que privilégio conhecer o santuário do Bom Jesus de Matosinhos, mais precisamente as esculturas feitas por Antonio Francisco Lisboa, renomado escultor barroco, essas obras representam o que há de melhor nesta fase da literatura brasileira, as riquezas de detalhes impressiona. Essa matéria nos ajuda a compreender mais sobre este período e desperta cada vez mais o gosto pela arte.

Rosi Marafon disse...

Olá professor que privilégio conhecer o santuário do Bom Jesus de Matosinhos, mais precisamente as esculturas feitas por Antonio Francisco Lisboa, renomado escultor barroco, essas obras representam o que há de melhor nesta fase da literatura brasileira, as riquezas nos detalhes impressionam. Essa matéria nos ajuda a compreender mais sobre este período e desperta cada vez mais o gosto pela arte.

Flávio disse...

Aí professor, parabéns pelo artigo!
Desculpe aí se você conhece a obra pessoalmente e a gente não!rs
Flávio Souza

Flavio Souza disse...

acredito que é um desmerecimento a existência de Aleijadinho ser questionada por alguns estudiosos, é claro que se a obra foi ou não feita por Aleijadinho,isso não diminui sua fantástica beleza e perfeição, mas deixa muito vago no espaço a sua identidade Histórica. As coisas se tornam ainda mais atraentes quando carregam consigo marcas que nos ajudam a conhecer o seu autor e através de sua biografia, viajar no tempo e imaginar até o que ele estava pensando ao trabalhar e o que desejava nos dizer em tempos tão distantes.

Laryssa Lys disse...

Nossa, isso muito me interessa, e me deixou bastante curiosa. Vou colocar na minha listinha de lugares que preciso conhecer.
E, belo artigo professor.
É uma honra ler seu blog, e saber que você já foi meu professor.

Laryssa Lys disse...

Professor, eu decidi estragar com tudo que me foi ensinado rsrs.
http://vomitandoemlinhas.blogspot.com.br/
Caso você queira conferir e morrer de desgosto rsrs
Até mais.