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sexta-feira, setembro 13, 2013

TEXTO, DISCURSO E IDEOLOGIA: ENTRE DUAS VERDADES CIRCUNSTANCIAIS

By Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes


Entre a especificidade e localidade do texto, a mobilidade e processualidade do discurso. Onde o texto acaba por ser ponto de referência o discurso o utiliza formando seu mosaico de referentes. O texto enquanto suporte da comunicação, enquanto teorização na maioria das hipóteses, ou descrição / narração em outras. A criação em dados momentos. Mas no fim, o efeito total e totalitário é do discurso. Discurso enquanto finalidade. Discurso enquanto efeito proporcionado por um conjunto de fatores dentro / fora / com a linguagem.


Não a linguagem restrita, baseada apenas na relação significante e significado. Mas a linguagem enquanto comportamento e valores, linguagem enquanto juízos a partir de signos não somente maternos, mas derivados de referências outras e afins, ou até não referências ou formas diferentes de indiciar.
A capacidade última de comunicar não pode ficar restrita ao texto, este texto entendido como recorte. Como portador de um conteúdo. Mas sim teríamos corretamente um texto maior, já construído, em construção e por ser construído, baseado em um estar sendo, na negação e na afirmação. Como uma espécie de leitura constante, um texto dialogando com outro texto e assim percebendo-se enquanto maior.
Por outro lado o discurso transborda o texto. É texto fora e dentro, mas também um conjunto de mais diálogos entre textos, ou o próprio diálogo, ou correlações entre textos que não são escritos, são comportamentos ou atitudes, axiomas transmitidos por signos sutis. O discurso acaba por construir-se a partir de posições discursivas / ou referentes de vozes que, ao final, ou um ponto, define um efeito de sentido não controlado, mas tentado, que acaba por construir identidades e comportamentos, afetando a cultura, definindo sujeitos e redefinindo a própria noção de subjetividade.  (FIORIN)
Eu não posso afirmar que o restaurante que inaugurou, constituído texto, aqui alegorizado, com ótimo serviço, boa decoração, boa comida e médio preço pode ser a segurança de uma experiência comunicativa agradável. Na decisão entre ir ou não, um conjunto de pontos de referência ecoam, decidindo se sim ou não, o custo benefício. Na entrada um conjunto de vozes me determinam onde sentar e como sentar, o que comer e como comer. E se lá está um inimigo, já tenho um ponto referente que pode acabar com a noite. Assim como uma discussão. Posso sair de lá com uma péssima referência ou trauma, como posso sair de lá otimamente. Este percurso gerativo de sentido é incontrolável, como o é a linguagem jogada ao público, semeia aqui e ali, floresce onde provavelmente floresceria ou onde nem imaginaríamos que florescesse.
Em como o texto, antes de ser lido, já é interpretado, julgado e avaliado, prescrito e entendido. Antes de tudo a ação judicativa da cultura. A cultura enquanto comportamento do leitor projetando no texto sua leitura. Em quanto não temos domínio total dos efeitos de sentido do texto, que se religioso, encontra fértil terreno no crente, se ateu, pode morrer sem argumento. A intensidade do discurso tem que encontrar eco na cultura, se encontrar, conjuminar, existir e promover efeitos.
Cultura enquanto código de valores e juízos engendrados no comportamento. Comportamento do leitor e do indivíduo que reproduz estes valores e os utiliza. E como o poder dominar estas referências constituem dominar um tipo de leitura, um tipo de valor, culminando em ideologia. Assim como a violência simbólica, advinda do esposo para com a esposa, ou do pai para com o filho, do policial para com o indivíduo. Assim como o poder simbólico, que reúne e exclui, pois enquanto estruturação, induz ao rótulo. (BORDIEU; FOUCAULT).
Nenhuma leitura é imparcial, neutra ou insólita, desde que usando os códigos deste tempo, espaço e cultura. O discurso humano é contaminado. Proferido de marte seria inteligível? Seria neutro? Não seria neutro nem inteligível, pois o entendimento do signo na linguagem é sempre uma operação ideológica. (BAKTIN).
Assim, é irrelevante discutir ou descobrir, na dialética dos juízos de certo ou errado, o que é certo ou errado, direita ou esquerda. Da natureza do próprio discurso ser dialético, ser valorativo e ser ideológico, pois a comunicação, em primeira instância, só existe conectada à ideologia, enquanto estruturação do pensamento social do ser falante, acaba por hierarquizar categorias de signos e suas interpretações.
E as verdades? Enquanto feitas da natureza “linguagem” não existem enquanto situações circunstanciadas e legitimadas por um tempo / espaço do agora. Isto porque são feitas de elementos que não existem sozinhos. De partículas de uma matéria fluídica chamada linguagem, que necessita se hierarquizar para ser Inteligível, de valores e comportamentos, de referências que estão sempre além. Assim, não existem por si mesmas, ontologicamente. São metáforas? (NIETZSCHE).
Entendê-las dentro da ideologia e entendê-las como representação e o peso axiológico que ela tem na vida cultural de cada um. Um Jesus loiro de olhos azuis sangrando na cruz? Ou Buda sentado, meditando? Ou satanás reunido em Paraíso Perdido? Ou a fuga de Adão e Eva do renascimento? Ou o capeta de tridente e queimando no fogo do inferno? Dentro da ideologia existe um efeito prático de sentido, que respinga, senão é o próprio comportamento do indivíduo dentro de sua cultura.
Compreender e tentar situar as verdades é apenas um trabalho de catalogação e legitimação de um discurso, proferido de uma pessoa autorizada. Esta autorização ocorre por mecanismos não domináveis, muitas vezes sociais e poucas vezes originais, genéticos quem sabe? Mas o trabalho de legitimação é ofício da ideologia, que controla os valores por meio das representações, por meio de declarações de certo e errado, por meio da religião, história e política, por meio do Direito e dos códigos de Ética.
Assim, é interessante entender a verdade como uma declaração que, feita de linguagem, é dita para alguém, em condições culturais ou não de decodificá-la e assimilá-la de maneira eficaz. Alguns estão mais propensos. Qual o significado da óstia para o índio? Atahualpa negou o princípio religioso Espanhol e foi degolado em praça pública.
A ideologia propõem-se sempre pelo poder opressivo do enquadramento social, do medo ou da inclusão; o medo imposto pelas representações culturais da idade média; a inclusão do modo de vida consumista de hoje.

Assim, por que verdades? Este rótulo tem um ranço de idealismo sobrenatural. 

27 comentários:

monica giselli freitas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
monica giselli freitas disse...

Muito interessante! vejo neste texto o resumo do bimestre, tudo o que foi dito e lido. Muito bom, já sei onde estudarei para a prova...
Me interessei bastante por esse assunto.

Devonele Pereira Reis disse...

Simplesmente ótimo!!! realmente Monica é o resumo do bimestre. ÓTIMO POR QUE o conteúdo dessa matéria nos possibilita olhar para o que nos cerca com um olhar mais crítico e desconfiado com relação ao poder que as ideologia tem de nos assujeitar e nos conduzir para coisas que outrora não nos interessava, e que então nos transforma. Ela não vem a nos de forma clara, "escrachada", mas sim disfarçadas nos meios de comunicações e discurso que por falte de grandes esclarecimentos acabamos autorizando...Professor muito bom seu artigo, "meu orgulho" rssrss, um dia chego lá, e Parabéns pelo blog.

Leandro Campagnaro de Araújo disse...

Leandro Campagnaro de Araújo
É incrível como Análise do Discurso estuda a linguagem. Ao passo que passamos a conhecê-la percebemos que todos somos de alguma maneira indivíduos assujeitados. Pois, ao analisarmos melhor nosso próprio dircuso verificamos que de certa forma o que pensamos e reproduzimos foi construídos com base em algo que ouvimos ou lemos e achamos interessante e que sem percebermos começa a fazer parte da nossa vida. Realmente o texto é muito interessante. Um ótimo material de pesquisa.

kelly disse...

Muito bom!Esse estudo sobre a Análise do Discurso nós ajuda a tornarmos cidadões críticos perante a sociedade e a ver o mundo com outros olhos mediate ao poder do assujeitamento.
Que Deus te ilumine.

Thécio Loures disse...

É realmente incrível o poder do discurso. As pessoas que saem de sua realidade circunstancial e acreditam em si, não mais vivem debaixo do medo, porque não podemos ficar sempre subjugados a ele, nem sempre. De fato ele é muito importante, mas temos que ser sempre cuidadosos. Quanto mais medo da realidade, acomodação, medo de encontrar a verdade, medo da sociedade, mais nos afastamos da verdade. Ás vezes determinadas coisas não agradou ao indivíduo que proferiu o discurso a você, e mesmo você tendo como base, vários outros discursos positivos, você equivocadamente aceita o discurso negativo. E então, devemos seguir a minoria ou a maioria?
De repente você pode ser mais um dos muitos que gostaram, e com um bom discurso dominante, na hora certa passe adiante as informações convencendo mais gente, por isso vale a pena adotar a ideologia como principal ferramenta!

Muito interessante. Parabéns pelo artigo professor!
Abraço

lenira kauz disse...

Muito bom esse texto,pois ele contribuiu ainda mais para meu ponto de vista sobre análise do discuso.
Também contribuirá para muitas outras pessoas que ainda tem dificuldade de entender sobre o assunto, Parabéns.





Vanira Marquarte disse...

É interessante como o discurso está presente em nossas vidas, nos acompanhando e ajudando a proferirmos palavras ou trechos, que no momento da fala o nosso inconsciente nos lança, silenciosamente e, isto, saindo da nossa boca, faz com que sejamos vistos de uma forma diferente e admirável pelo receptor, seja uma plateia ou seja somente um indivíduo.
Acredito que este texto possa ser útil para a prova, da qual estou morrendo de medo.
Parabéns pelo texto, professor.

LUCIA MICHELON disse...

PARABÉNS PROFESSOR O TEXTO É ÓTIMO, QUANDO SE TRATA DA ANÁLISE DO DISCURSO O CONTEXTO FICA SUPER INTERESSANTE...

Valdecir Fernandes disse...

Simplesmente gratificante esta análise,na qual ajuda a esclarecer as faces do texto, discurso e ideologia. Observações estas fazem com que possamos refletir e assim agirmos, pois podemos elaborar o discurso de uma forma que seja cativante e logo aceito.Observo que o poder do discurso é transformador e possibilita dominar. Logo se ousarmos em voos mais altos temos a ferramenta.OBRIGADO MESTRE RÔMULO pelo belíssimo artigo.
Valdecir Fernandes

Marina Marques De Andrade disse...

Muito interessante o poder que o discurso tem da assujeitar o ser, a pessoa age inconscientemente.O peso da ideologia no processo da comunicação e de assujeitamento do indivíduo.
PARABÉNS PROFESSOR PELO ARTIGO AJUDOU-ME A ESTUDAR PARA A PROVA.
AGRADEÇO A CONTRIBUIÇÃO!!

Marina Marques De Andrade disse...

Muito interessante o poder que o discurso tem da assujeitar o ser, a pessoa age inconscientemente.O peso da ideologia no processo da comunicação e de assujeitamento do indivíduo.
PARABÉNS PROFESSOR PELO ARTIGO AJUDOU-ME A ESTUDAR PARA A PROVA.
AGRADEÇO A CONTRIBUIÇÃO!!

sueli da silva disse...

É simplesmente magnifico o ;assujeitamento que o professor ROMULO nos faz na AD, fazendo com que tenhamos um pensamento crítico sobre ideologia,(assujeitamento ou manipulação).

valdson santos disse...

Olá!!! primeiramente parabenizo o mestre pelo belíssimo texto. Através de sua explanação percebe-se com muito mais facilidade a identificação e o poder da AD (Análise do Discurso) dentro e fora do discurso propriamente dito, impressionante como a ideologia imposta nos torna assujeitados (as)a determinadas regras e condições isso tudo, graças ao poder da AD, não é mera coincidência quando Bakthtin afirma que: "A matéria linguística é apenas parte do enunciado; existe também uma outra parte, não-verbal, que corresponde ao contexto da comunicação". isso deixa de forma clara que antes mesmo de falarmos algo, uma leitura já foi realizada, podendo causar grandes impactos. sucessos mestre!!!

Erika disse...

O texto colabora grandemente para o aperfeiçoamento do nosso conhecimento, quanto ao complexo entendimento sobre Discurso e Ideologia.A Análise do Discurso estuda a linguagem humana, a valorização da linguagem enquanto comportamento. Já o Discurso é construído a partir de posições discursivas, onde se analisa um conjunto de ideias e comportamentos, o que nos leva ao assujeitamento que de certa forma seria a reprodução de ideias que já faz parte do nosso conhecimento. A ideologia é o que nos domina!

Anônimo disse...

Parabéns professor pelo belo trabalho que muito contribui para o nosso crescimento intelectual, nos faz entender melhor o discurso no nosso dia a dia e vem enriquecer ainda mais as nossas aulas, pois recentemente estudamos sobre esse assunto muito interessante. Aprendemos ainda mais sobre assujeitamento acredito que todos que leram esse texto aprenderam um pouco mais sobre discurso e no contexto de cada um analisar o discurso que envolve a vida.

Anônimo disse...

Parabéns professor pelo belo trabalho que muito contribui para o nosso crescimento intelectual, nos faz entender melhor o discurso no nosso dia a dia e vem enriquecer ainda mais as nossas aulas, pois recentemente estudamos sobre esse assunto muito interessante. Aprendemos ainda mais sobre assujeitamento acredito que todos que leram esse texto aprenderam um pouco mais sobre discurso e no contexto de cada um analisar o discurso que envolve a vida.

Roseli Figueiredo disse...

Parabéns professor pelo belo trabalho que muito contribui para o nosso crescimento intelectual, nos faz entender melhor o discurso no nosso dia a dia e vem enriquecer ainda mais as nossas aulas, pois recentemente estudamos sobre esse assunto muito interessante. Aprendemos ainda mais sobre assujeitamento acredito que todos que leram esse texto aprenderam um pouco mais sobre discurso e no contexto de cada um analisar o discurso que envolve a vida.

Neusa Caetano disse...

Portanto ,a AD vai além do texto, trazendo sentido pré- construido ,e para nós acadêmicos do curso de letras é muito gratificante contar com um texto como esse,pois existem muitos estilos diferentes, o que esses estilos parecem ter em comum é de que a linguagem é um meio neutro de refletir, e uma certeza da importância central do discurso na vida social do homem. Parabéns professor pelo texto ,pois o mesmo contribui muito para o nosso crescimento intelectual e pessoal ,obrigada mestre!

Creuza Conceição Caetano. disse...

A capacidade de estarmos envolvidos em um dialogo seja como leitores ou ouvintes voltado pela ótica da ANALISE DO DISCURSO nos tornamos ambos sujeitos ativos dessa construção. Assim, vejo que a AD tem a capacidade de nos tornamos SUJEITOS mais FLEXIVEIS para poder compreender e assimilar
aquilo em que é transmitido através dos discursos e sem dúvida nos lapida cada vez mais para crescermos intelectualmente .Congratulations! Mestre.


Maria Dorotéia disse...

Belo texto!! muito esclarecedor.

Maria Dorotéia disse...

Belo texto!! muito esclarecedor.

Maria Dorotéia disse...

Belo texto!! muito esclarecedor.

rosi marafon disse...

O texto nos apresenta uma abordagem sobre a análise do discurso, que consiste em analisar de maneira sistemática o discurso, ultrapassando todos os elementos envolvidos: língua e linguagem, e inclui uma reflexão de elementos externos ao texto falado ou escrito. Nos faz olhar com outros olhos para tudo que nos cerca com uma visão crítica de que nada é por acaso, tudo tem uma intenção.Parabéns Professor belíssimo texto.

CLAUDIA N. WUTKE disse...

TEXTO MUITO BOM E ESCLARECEDOR IRÁ NOS AJUDAR MUITO NAS AULAS.(CLAUDIA WUTKE)

FLAVIO SOUZA disse...

É INTERESSANTE como que por trás de um discurso há sempre uma finalidade que, muitas vezes, nos é desconhecida.Os políticos que o digam. Não é à toa que há tantas igrejas por aí. Aliás, o Capeta deve ser perito no tema, ele foi um dos grandes beneficiários das ideologias. Pintaram o cara tão feio, que agora ele vêm bonito e ninguém o reconhece, aí ele faz a festa! Tem gente sentando no colo dele e pensando que é a Gisele bundchen! (eu sei que tem um trema no "u"e, é que eu não conseguí colocá-lo) Parabéns professor! Flávio Souza

FLAVIO SOUZA disse...

É INTERESSANTE como que por trás de um discurso há sempre uma finalidade que, muitas vezes, nos é desconhecida.Os políticos que o digam. Não é à toa que há tantas igrejas por aí. Aliás, o Capeta deve ser perito no tema, ele foi um dos grandes beneficiários das ideologias. Pintaram o cara tão feio, que agora ele vêm bonito e ninguém o reconhece, aí ele faz a festa! Tem gente sentando no colo dele e pensando que é a Gisele bundchen! (eu sei que tem um trema no "u"e, é que eu não conseguí colocá-lo) Parabéns professor! Flávio Souza