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quarta-feira, maio 17, 2006

AINDE QUE FIQUE, SEMPRE SOBRA

Por Rômulo Giacome de Oliveira Fernandes
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quando andamos no solo
seco solo tênue próximo
as linhas do caminho se fecham
e se cruzam por sobre elas mesmas;

fundem-se na pele o ferro e flutuando
o contorno da estrada circula no vento
e faz-se alto girando luminoso de fronte
formando uma auréola sufoca a cabeça que
pesada cai na terra da estrada
sem caminho formando o pó e mais nada

onde estaria no leito a acabar
sabendo que pedaços sensíveis
despedaçadas epidermes sofrem o peso
sufocante da escolha e da vida afora
correndo diante do vazio que agora

enegrecido pelas formas invisíveis
pedem um pouco de mim onde mim
mesmo estaria desperto a acordar
sem saber que o frio não corta
nem o fogo queima só o vazio silencioso
que marca o espaço, definha o sonho e
destrói a última gota de lembraça
ficando o resto, ainda, a contemplar
as sobras do tempo e da consciência
com a cara na lama, os pés na merda
a cabeça pendida ainda pedindo
e ainda mandando um recado à felicidade


Pra quem?

Se me perguntarem: o que?
Responderia ou não
“só uma folha dissolvendo-se ao vento”
Se me perguntarem, para que?
“O toque árido ao solo, a fome, a seca
O desassossego e a dissonância
Distância talvez”
Se me perguntarem, de quem?
“Do invisível que me fere o peito”
E o por que? (se ainda me perguntarem)
Sim. A solidão que devora o último pedaço de mim que ainda fica
E agora?
silêncio,
O ensurdecedor e maldito silêncio.


Me dispo da miséria
Corando-me da mágoa
A indiferença me resseca
E a coragem me abstém da sorte
Não existe medo onde não há perigo
Não há perigo onde tudo é des-importante
Não há importância onde tudo não é meu
Não há nada meu onde nada me detém:
Os olhos, a vontade e o coração
Tudo me (des)ocupa a mente
E foge aos olhos e mãos
Não quero nada
Que ainda
Possa
Ferir
Deixo as virtudes para os outros
Procurarei apenas os sentidos
Na inscrição
Que me habita
O desinteresse

7 comentários:

Roseli disse...

Nossa prof. vc estava realmente inspirado "possuido", quando escreveu este poema.
Deixa de modestia e passe a divulgá-la para todos.

Rômulo disse...

Obrigado! é verdade, devemos sempre mostrar e dar a mão a palmatória;
um grande abraço

Priscilla Gomes disse...

"Se me perguntarem: Quanto?" Talvez dissesse que seria possível dar uma nota à esses poemas, desde que o infinito pudesse ser retratado em um signo: perfeição...

Melina disse...

Muito bom o poema prof.
Vale ns comentários.
O meu é que sem dúvidas o silêncio é ensurdecedor, além disso ele é sábio.
Um abraço e boa sorte pra nós nos projetos.

romulo disse...

Escrever é muito importante para mim; talvez a arte não possa ser exclusivamente inspiração, mas nos faz tomar coragem para falar de coisas que não são ditas no cotidiano; Obrigado pela nota Priscilla; e obrigado pelo comentário Melina;

Anônimo disse...

Wesllen makel
quanto mais amplo for o vasio
mais repleto de virtude sera
pois a principal virtude de uma janela eo seu vasio.
eai profossor tranquilo
posso não ta estudando
mas ainda navego no seu blogger
gostei muito do seu texto
fas pensar no vasio rs...

Rômulo disse...

Pô wesllen; valeu pelo comentário;
como já havia dito: o sim e o não é agora; o silêncio é sempre eterno;
continue gostando de poesia;
como dizia Hegel: a linguagem é a casa do homem
abraços