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terça-feira, outubro 31, 2006

DICAS PARA A ANÁLISE LITERÁRIA

DICAS PARA A ANÁLISE LITERÁRIA
Prof. Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes


DÊ MARGENS ÀS PRIMEIRAS IMPRESSÕES;

- Destaque o Valor Denotativo das palavras primeiro, pois é preciso conhecer o referencial para desvendar os sentidos;

- Valorize as Imagens; realize-as com fidelidade e clareza de detalhes; elas darão informações valiosas sobre o texto

PROCURE AS CONTRADIÇÕES:

- Segundo a semântica Greimasiana, o sentido sempre está na diferença; faça uma leitura inspecional procurando estranhamentos ou referências não determinadas; procure também os exageros;

SAIBA DISTINGUIR O GÊNERO:

- Um poema também pode estabelecer contatos com gêneros narrativos; observe se ele é mais descritivo, dando ênfase aos adornos ou detalhes nas imagens; ou se é narrativo, valorizando uma ação, uma cena, um momento; Ou totalmente lírico, valorizando um devaneio, um pensamento, uma digressão;

DESCUBRA O EU LÍRICO E SUAS RELAÇÕES

- Um poema, classicamente, é sempre um falar emotivo sobre algo ou alguém, ou quase sempre de si mesmo; por mais que um sujeito fale de outro ou de outra coisa na poesia, ele sempre estará “implicando” um estado d´alma próprio. Procure estabelecer relações do eu lírico com aquilo (algo ou alguém) que ele fala.

RECURSOS

- A metodologia básica de análise parte da proposição:

a. Descrever e Classificar os recursos;

b. Analisar a intencionalidade do autor em propor aquele recurso;

c. Analisar a composição daquele recurso, ou aquilo que faz dada “metáfora” (por exemplo) funcionar como tal, representando uma significação a partir das possibilidades de sentido;

d. Efetuar uma leitura original sobre a obra, interpretando-a a partir dos sentidos conotados dos signos postos (significado).
Comprovar a leitura original a partir dos fundamentos textuais.

- Observe que qualquer signo posto em uma obra literária é um recurso; uso de adjetivos, imagens, substantivos, verbos, neologismos; a escolha de um termo em detrimento de outro é marca do recurso;

- As figuras de linguagem de um modo geral são sempre recursos importantes na poesia;

- A escolha de um ritmo ou de uma rima, bem como aliterações e assonâncias também são intencionalmente recursos poéticos que irão concentrar significação;

domingo, outubro 08, 2006

RENATO RUSSO NÃO MORREU

Domingo, aproximadamente 22:00 de calor e chuva; mesmo que ao fundo tenha sons avulsos de chuva, pequenas nuvens de calor exalam do corpo da terra; a vontade de escrever foi mais forte que a preguiça e a loucura foi solta após seções cavalares de músicas de CSS (Cansei de Ser Sexy) e os filmes Taxi Drive e Apocalipse Now Redux;

BLOG DO MARCELO CAMELO
Que os Los Hermanos representam ainda alguma coisa nova no novo rock and rola (enrola) e pululam interesses hermafroditas na MPBS (S de samba), bem, todos sabem; o novo-velho album deles, quatro, soa intrigantemente, bossa. Bem, mas o que interessa agora é ler o que o marcelo camelo, ilustre componente da banda, escreve em um blog hospedado na globo.com. O primeiro dos já dois textos escritos por ele são bem banacas; separados os excessos retóricos de início pensante do autor, acoselho dar uma acessadinha; o primeiro texto é bem semiótico; fala de armadilhas do mundo icônico, de representação e de questões quase que semióticas da linguagem; bem legal; (até parece que o cara leu Santaella); acoselho; o que também é importante comentar, é que o Marcelo Camelo escreve manuscrito e digitaliza o papel, dando uma pessoalidade interessante à composição; o segundo ponto bacana é a possibilidade de comentar o escrito; enfim, acessem:

http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7403,00.html

RENATO RUSSO, O HOMEM QUE NUNCA MORRE: MITO
Minha paixão pelo Renato Russo começou como começa toda paixão adolescente; mas diferente de como termina (precocemente) ficou mais forte e deu origem à uma dissertação de Mestrado pela UNESP. O trabalho sob o título A EFICÁCIA DA CANÇÃO EM RENATO RUSSO: UM ESTUDO DAS PAIXÕES trabalha um viéis comunicativo de uma linguagem determinada por uma ontologia "subjectiva ina especime" como afirma Eric Landowski. Esta abordagem semiótica, procura descrever alguns recursos da semiose da produção comunicativa. Como toda paixão adolescente, quando vemos a pessoa amada depois de alguns anos, sentimos o coração tremer, e vibramos novamente. Foi isso que aconteceu depois que o vi no fantástico. Maior e melhor poeta que Cazuza, Renato ainda continua perdido no meio da década de 80, talvez tornando-se ainda mais cult, determinando a força de lançamento mítico que lhe dará uma inércia eterna. Bem, esperamos. Eu já escrevi um pedaço mínimo dessa história.

PÓS GRADUAÇÃO NESTE SÁBADO
Fechou com uma pequena confraternização, neste sábado (07 de Outubro), a última etapa da pós-graduação em Gramática Normativa; conclui a disciplina de Estilística, procurando trabalhar recortes expressivos da arte poética;



DRUMMOND X PICASSO - TEORIA SEMIÓTICA DA REPRESENTAÇÃO - INTERSEMIOSE
Muitos símbolos se reiteram dentro de um organismo vivo, pulsante e representativo que é a peça artística; mas, quando estes símbolos pulam do tempo único e transpassam referências em outros textos, temos a presença coletiva e legítima da representação. Observemos e analisemos.

Quando nasci, um anjo torto
      desses que vivem na sombra
      disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
      As casas espiam os homens
      que correm atrás de mulheres.
      A tarde talvez fosse azul,
      não houvesse tantos desejos.
      O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.

      Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu
      [coração.
      Porém meus olhos
      não perguntam nada.

Pedaços - Reconstituição - Remontagem



Pernas - Símbolos Coletivos