segunda-feira, setembro 04, 2006

OFICINAS NA ESCOLA CARLOS GOMES - PROJETO CULTURA ITINERANTE

No dia 25 de Agosto, os acadêmicos do 4º período Letras / Inglês, desenvolveram a primeira etapa do projeto CULTURA ITINERANTE. Na ocasião, ofereceram 10 oficinas aos alunos da escola Carlos Gomes, nos dois períodos, manhã e tarde. O projeto atendeu mais de 500 alunos em ambos os períodos, levando informações e atividades sobre recital de poesias, leitura digital de filmes (épicos e desenho animado), linguagem da propaganda, oficina sobre piadas e charges, fábulas, crônicas contemporâneas, expressão corporal e teatro, literatura e música popular. O evento teve o total apoio da equipe pedagógica e direção, bem como de todos os membros do corpo docente da referida escola, que permitiram o uso de todas as aulas da sexta-feira para a relização do projeto. Organizado e Coordenado pelo estágio de Letras, sob responsabilidade do Prof. Rômulo Giácome, o evento agregou mais experiência aos futuros professores, criando um ambiente de discussão e prática das linguagens artísticas que cercam o ensino da língua portuguesa.
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PARABÉNS AOS ESTAGIÁRIOS, QUE DESEMPENHARAM SOBREMANEIRA SUAS ATIVIDADES E FORAM BEM ELOGIADOS PELOS ALUNOS NAS AVALIAÇÕES;

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(+ fotos) OFICINAS NO CARLOS GOMES - 25 DE AGOSTO
























sexta-feira, setembro 01, 2006

UM PRESENTE LITERÁRIO A TODOS

O TEOLITÉRIAS está de volta;
depois de quase dois meses sem postagem,
voltamos a ativa novamente;
Para tanto, vos presenteio com este belíssimo poema
em prosa de Jorge de Lima; Um achado, uma pérola;
Um dos grandes poemas em prosa da nossa língua,
que consegue subverter os limites entre o plástico e o verbal;
Aproveitem o presente e contemplem o sublime momento da poesia;
Abraços a todos;



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O grande desastre aéreo de ontem
Para Cândido Portinari


Vejo sangue no ar, 
vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. 
E o violinista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivárius. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. 
Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. 
Vejo sangue no ar, vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. Vejo a nadadora belíssima, no seu último salto de banhista, mais rápida porque vem sem vida. 
Vejo três meninas caindo rápidas, enfunadas, como se dançassem ainda. 
E vejo a louca abraçada ao ramalhete de rosas que ela pensou ser o paraquedas, e a prima-dona com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. 
E o sino que ia para uma capela do oeste, vir dobrando finados pelos pobres mortos. 
Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo, tão tranqüila e cega! 
Ó amigos, o paralítico vem com extrema rapidez, vem como uma estrela cadente, vem com as pernas do vento. 
Chove sangue sobre as nuvens de Deus. 
E há poetas míopes que pensam que é o arrebol.

LIMA, Jorge de. Poesia completa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980, 2 v, v. 1, p. 237).
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COMENTÁRIOS: Prof. Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes

Que belíssima pérola da contemplação. Na montagem plástica de uma cena, dinâmica e demarcada por um elemento caótico, existe dança, movimento, coreografia alargada pelos signos imagéticos, pela dimensão espacial (espaço físico, espaço dimensional). Em meio a uma explosão sugerida pelo desastre de avião, esta sensação tônica se dispersa em fragmentos de arte, de cores. A belíssima situação sêmica de uma catástrofe, catalisada e projetada na tela de sensibilidade (piloto com uma flor para amada), dançarinas sutilmente existindo e bailando, ramalhete de rosas contrastando com a dimensão azul do céu em meio a chuva de sangue. A técnica cubista se esbalda em um realismo dilacerante do impacto, da dor e do som das turbinas do avião, dos gritos e dos sons do próprio movimento. Nesta polifonia encarnada no êxtase da morte, habita a plenitude da arte. Que linda preciosidade. Abraços.