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quarta-feira, novembro 28, 2012

A NOÇÃO DE SUJEITO NA ANÁLISE DO DISCURSO


A NOÇÃO DE SUJEITO NA ANÁLISE DO DISCURSO: NOTAS INTRODUTÓRIAS A PARTIR DE HELENA NAGAMINE BRANDÃO
Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes*
Joice Estêfani Menezes Silva**
Ianis Gonçalves**
Adriana Gonçalves**
Hiverson Soares dos Santos**
Kátia Camilo**
Tatiane Alves  de Oliveira**
Débora Miranda**
Dentro da AD são várias as teorias em relação ao sujeito do discurso. Há a teoria que considera o sujeito como sendo o “eu”; assim, ele seria o centro da comunicação; outra teoria afirma que o “tu” exerce maior influência sobre o “eu”; caracterizando-se como o fator principal; há ainda a teoria que defende que o fator central não é o “eu” ou o “tu”, mas sim o espaço existente entre eles. 

segunda-feira, novembro 12, 2012

A TEORIA DA LINGUAGEM DE WALTER BENJAMIN E A REFUTAÇÃO DO SIGNO LINGUÍSTICO

Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes

Texto produzido na disciplina de Doutorado intitulada "Aspectos da Crítica Literária em Walter Benjamin", ministrada pelo professor Dr. Orlando Nunes de Amorim, a partir da leitura do ensaio "Sobre a Linguagem em Geral e sobre a Linguagem do Homem", parte da obra "Escritos sobre mito e linguagem".  


O presente texto parte da leitura do escrito intitulado “Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem do homem”, de 1916, que trata das ideias de Benjamin sobre a linguagem, passeando por sobre as águas do misticismo de origem judaica e navegando por uma proposta conceitual sobre a comunicação, levando em conta lógicas e suportes diferentes daqueles montados pela Linguística saussuriana e os estruturalistas posteriores.

quinta-feira, outubro 18, 2012

RESENHA DA OBRA “INTRODUÇÃO À ANÁLISE DO DISCURSO” CAPÍTULO I – HELENA H. NAGAMINE BRANDÃO


CAPÍTULO I – ANÁLISE DO DISCURSO

Rômulo Giácome de O. Fernandes[1]
Leiliane Xavier Azevedo[2]
João Valter Gabriel[3]
Sandra Maristela[4]
Tércio Silva Flor[5]
Valdomiro de Jesus [6]
Valéria Fagundes[7]

 1 ESBOÇO HISTÓRICO

Este trabalho tem por finalidade apresentar ao público leitor um resumo sintético sobre a Análise do Discurso (AD) do ponto de vista da autora Helena H. Nagamine Brandão em sua obra Introdução à análise do discurso em segunda edição publicada em 2004.

quinta-feira, outubro 11, 2012

SEMARTE 2012: JOSÉ EDUARDO MARTINS, CIPRIANO LUCKESI, ROSANA NUNES ALENCAR E SÉRGIO CANIBAL

SEMARTE 2012: 

Presença do Doutor Cipriano Luckesi, Educador e especialista em Avaliação, junto ao Coordenador do Curso de Pedagogia, prof. Nelson Rangel. (Foto 01) Mesa-Redonda com Rosana Nunes Alencar, especialista em Literatura Contemporânea, pesquisadora do GEPOEC, junto   ao poeta, professor e pesquisador na área de  Linguística, Dr. Sérgio Nunes de Jesus. (Foto 02). Dr. Francisco Cetrulo, Coordenador Pedagógico da UNESC, junto ao conferencista, José Eduardo Martins de Barros Melo, professor, poeta e partícipe do movimento "Independentes" do Recife na década de 80.(Foto 03). 




sexta-feira, outubro 05, 2012

SEMIÓTICA E JOÃO CABRAL DE MELO NETO: FRAGMENTOS DE UMA METODOLOGIA DE ANÁLISE


UM OLHAR SEMIÓTICO EM JOÃO CABRAL: “A EDUCAÇÃO PELA PEDRA” e “FÁBULA DE UM ARQUITETO”
By Rômulo Giácome

MINICURSO APLICADO NO SELL 2012, VILHENA, NOS DIAS 04 E 05 DE OUTUBRO DE 2012


A semiótica de linha americana pode ser muito bem aplicada no corpus literário. Simplificando marcas textuais da camada superficial em recursos, poderíamos ter, grosso modo, as seguintes relações:

    a)      Ícones: adjetivos e substantivos que remetem e inferem um sentido sensorial, (primeiridade);

O poema de João Cabral de Melo Neto, Educação pela Pedra, é imprescindível para ilustrar o intento teórico acima. Por meio de alguns ícones que irrompem de sua tessitura, tais quais: “resistência fria”; “flui”; “muda”; “carnadura concreta”; todas estas iconicidades remetem ao sensorial e tendenciam a eclodir na poética Cabralina da coisificação. No entanto, esta coisificação busca a tridimensionalidade do signo e não simplesmente a coisa / ser / objeto. É a face aparente, velada, áspera, sonora (...). Vejamos o poema para recolocar os ícones listados.

Uma educação pela pedra: por lições;
Para aprender da pedra, frequentá-la;
Captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
Ao que flui e a fluir, a ser maleada;
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:
Lições da pedra (de fora para dentro,
Cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
E se lecionasse, não ensinaria nada;
Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
Uma pedra de nascença, entranha a alma.
Em sequência temos o índice. (secundidade)

      b)      Índices: Verbos e formas verbais que traduzem a dinâmica narrativa do texto;

Entendendo o poema de Cabral como uma micro-narrativa, teríamos a seguinte estrutura formal / verbal: Ação principal: “Aprender”; sub-ações específicas e necessárias: “frequentar”; “captar” (sentido diferente de escutar ou ouvir; estes são estáticos enquanto que captar pressupõe uma ação do ouvinte); “fluir”; “adensar-se”, verbo importante para a identidade do texto, uma vez que forma o sujeito “aprendiz” (que não se revela pois é impessoal); “adensar-se” possui forias relacionadas ao ato de se fortalecer, aprofundar. E por fim, um “soletrar”.
É possível inferir, por meio de uma relação actancial (sujeito à objeto) que o sujeito cognitivo do poema é impessoal e não necessita personalização ou referência; no entanto o “professor” mudo é a pedra. Podemos tentar propor que além de pedra / professor, ela é pedra / sílaba (verbo soletrar) e pedra / signo. Isto porque a pedra possui uma dicção de existência e não de voz. Basta existir para ensinar. E basta a experiência do homem sobre ela e sobre as formas naturais e puras para se entender e aprender.

       c)       Símbolos: referências demarcadas e legitimadas; (Terceiridade)

A forma narrativa / argumentativa do poema Educação pela Pedra evoca três disciplinas necessárias, que irrompem por meio dos símbolos: Moral, Poética e Economia; mesmo que esta economia encontre homônimo na máxima Cabralina, sua função simbólica é evidente. Assim, varremos e identificamos estes três símbolos acima descritos.

A lição de moral, sua resistência fria
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:

Neste momento é interessante explorar a semiótica na formação poética Cabralina. João abandona o símbolo e busca, quase sempre, a (des)referencialização dos signos poéticos.
Cabral abandona os símbolos; trabalha apenas com ícones e índices: (“casa apenas com teto e porta”, como veremos em Fábula de um arquiteto);
Para este raciocínio é preciso compreender uma analogia simples da semiótica poética:

Ícone à sem referência; (não podemos definir peremptoriamente o sentido)
Índice à sem referência; (idem)
Símbolo à referência; ou o mesmo que chamarmos o sentido do símbolo da eterna afirmativa “É”; Por outro lado, esta definição não é literária; definha o ente poético; assim, o símbolo carrega sobre si o estigma da definição, e não do devir (o vir a ser), que concatenará a afirmação correta: “pode ser” e não “é” na esteira das inferências de sentido.
Em outras palavras, o símbolo como limitador do texto Cabralino e de todo o texto poético, não consegue intercambiar-se poeticamente com outras unidades. Para tanto, é relevante entendermos o que chamo (ousadamente) de Transposição semântica.
Um símbolo só se comunica com outro símbolo de modo superficial; (pedra na entranha da alma); já os índices e ícones podem ser transmigrados; ao decompor o símbolo pedra em ícones e índices, ou semas, a transmissão torna-se efetiva
Pedra à rigidez, dureza, concretude, rispidez, resistência àentranha da alma” o Sertanejo é um forte; os semas impregnam na alma, promovendo a transposição do legado semântico do símbolo Pedra (que se (des)referencializa) para o objeto “alma”.

Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
Uma pedra de nascença, entranha a alma

                Ao dialogarmos com um Cabral que trata de “objetos”, devemos perceber que, pela sua necessidade poderosa de fugir dos referentes, sua linguagem evolui de uma espacialidade simples, para categorias mais complexas, incidindo em um conceito mais amplo de “dimensão”. Do espaço e coisa para a dimensão e categoria. Vejamos em fragmento do poema “Fábula de um arquiteto”:

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;

construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;

construir portas abertas, em portas;

            Observamos em “construir o aberto”, “fechar secretos” e “portas abertas” que o signo poético almeja a dimensão maior, designar as formas em sua plenitude: não é a porta. É seu vão, sua forma pura de vazio que permite a entrada, a dimensão do aberto e do permitido. É o espaço de entrada e não a coisa de madeira e seu portal. Nesta busca da forma pura /plena, Cabral chega aos índices, negando a finalização, negando o “fechar”, mas sim o abrir. É uma casa indicial, apenas porta e teto, tal qual Mondrian.

casas exclusivamente portas e teto.

                Nesta dimensão de abrir / fechar, o poema enseja esta dialética do aberto e fechado a partir das casas. Não a “casa”, mas um espaço sem limite / limitado, linhas imaginárias da temporalidade / espacialidade, que se intercalam. No ato de construir “aberturas” que se abrem, portas que se abrem dentro do espaço e sem portas, a lembrança clara da Biblioteca de Babel (Joge Luis Borges) como matriz da construção ilimitada de espaços, até chegar no todo é inevitável.

O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

                Muito que a semiótica discursiva tem buscado é a importância da máxima Greimasiana “de que só existe sentido na diferença”. Assim, a importância do discurso enquanto combinação / sintaxe de semas subterrâneos, conexões improváveis e relações entre termos de inovada elevação de sentido, perfaz o próprio projeto de poemas como Rios sem Discurso e Tecendo Manhã; o primeiro uma clara alusão à sintaxe semântica.
Por fim, no minicurso que deu origem a este texto, no frêmito da aula, exigiu este adendo, que fez todo o sentido e espero que agora o faça também. É importante salientar que o ícone e o índice se comunicam ao perceptum, e não à decodificação racional da linguagem; comunicar-se ao perceptum é uma forma singular de comunicação, pois tem eficiência garantida por meio de outros registros; assim, ícones e índices propiciam esta comunicação perceptiva por meio de cheiros, design, movimento, cores e formas, além de outras categorias sensoriais.
Assim, poderíamos chamar o perceptum de intuição? Ou sensorialismo? (sons, gestos, cheiros)

terça-feira, setembro 11, 2012

XVII SELL - SEMINÁRIO DE ESTUDOS LINGUÍSTICOS E LITERÁRIOS 2012 - VILHENA


Evento imperdível. Tradicional encontro dos pensadores e interessados pelo mundo letrólogo, em suas bifurcações, tangências e pêndulos. Reunião das tribos literárias, linguísticas e filológicas. Um respeitado evento, que nutre as artérias dos estudiosos das palavras, textos, vogais e consoantes, símbolos e símiles. 


Abaixo, seguem links especiais para o evento: 



quarta-feira, agosto 22, 2012

SEMARTE 2012 TERÁ COMO UM DOS PALESTRANTES O RENOMADO AUTOR CIPRIANO LUCKESI



 UNESC
Faculdades Integradas de Cacoal
Mantidas pela Associação Educacional de Rondônia
E-Mail: unesc@unescnet.br  -  Internet: www.unescnet.br
 Letras / Pedagogia


SEMANA DE ARTES NA UNESC / SEMINÁRIO PEDAGÓGICO
(MOSTRA ARTÍSTICA, ARTESANAL, CULTURAL E INTELECTUAL DE CACOAL E REGIÃO)

 DE 08 A 10 DE OUTUBRO DE 2012
CACOAL / RO


PROGRAMAÇÃO

SEGUNDA-FEIRA /  08 DE OUTUBRO / TEATRO MUNICIPAL



v 19:00
Ø Cerimônia de Abertura.

v 21:00 / 22:30
Ø Palestra: “Recife: Independência e/ou morte”
Ø Doutorando. José Eduardo Martins de Barros Melo (Poeta e Professor UNIR/Porto Velho)


TERÇA-FEIRA / 09 DE OUTUBRO – TEATRO MUNICIPAL



v 19:30 / 21:00
Ø Mesa-redonda: “Poesia contemporânea: rumos e tendências”
Ø Profa. Drª. Milena Cláudia Magalhães (UNIR/Pesquisadora GEPOEC)
Ø Profa. Doutoranda. Rosana Nunes Alencar (UNIR/Pesquisadora GEPOEC)
Ø Prof. Doutorando. Rômulo Giácome de O Fernandes (UNESC/Pesquisador GEPOEC)
Ø Prof. Dr. Sérgio Nunes de Jesus (IFRO/Cacoal)

v 21:00 / 22:30
Ø Mostras poéticas, recitais e performances teatrais
Ø Org. Curso de Letras (UNESC)


QUARTA-FEIRA / 10 DE OUTUBRO / TEATRO MUNICIPAL


v 19:15 / 22:15
Ø Palestra: “Professor e Prática docente: teoria e prática”
Ø Professor. Dr. Cipriano Luckesi (Autor e Pesquisador CNPQ)


v 22:15 / 22:40
Ø Cerimônia de Encerramento.
Ø Coquetel de encerramento da Semarte 2012.



INVESTIMENTO

ACADÊMICOS UNESC: 40,00 Reais

COMUNIDADE: 50,00 Reais

VAGAS LIMITADAS

CARGA HORÁRIA TOTAL: 15 Horas


COMISSÃO ORGANIZADORA
Nelson Rangel Soares Filho
Rômulo G. de Oliveira Fernandes
Cássia Regina Bazuco
Vera Lúcia Conceição da Silva
Carlos Alberto Suniga dos Santos
Elisandro Félix de Lima
Suzi Mara Ramires Gonçalves
Solange Arnoldt Bertotti
Cláudia Pereira dos Santos
Ismael Lemos de Souza
Danielle Perdocini
Valdomiro de Jesus
Cícera Carolina de Souza da Silva
Sandra Maristela de Oliveira


SUPERVISÃO

CURSO DE LETRAS
CURSO DE PEDAGOGIA

LOCAL E DATA

TEATRO MUNICIPAL DE CACOAL
08 a 10 de Outubro de 2012.


INSCRIÇÕES


Site da UNESC
Secretaria da UNESC


APOIO CULTURAL


FUNDAÇÃO CULTURAL DE CACOAL

SEDUC






segunda-feira, julho 02, 2012

OITO DISCOS E UM MICRO PANORAMA DA MÚSICA POP NACIONAL CONTEMPORÂNEA

Esta postagem tem o intuito de compor uma coletânea das 23 canções, dispersas em oito discos, dos últimos três anos, (2010, 2011 e 2012), que de um modo ou de outro, impactaram o que vos escreve; por outro lado, constituem comunicação com o novo, com o cânone, e com a experiência estética que procura inovar. Dentro do mínimo espaço, no desvão do pop com o cult, com o fácil e o trabalho, a arte e o artesanato, as presentes canções são exemplos de que ainda é possível construir boa música, neste interstício da pós-modernidade, dos ditos e desditos, e da falência da crítica. Não é definitivo, mas pode ser um pequeno panorama da boa música no Brasil. 
by Rômulo Giacome

quarta-feira, junho 20, 2012

O FOCO NARRATIVO NO CONTO “ÊXTASE” DE KATHERINE MANSFIELD

Na escrita desta pequena análise descritiva sobre o narrador, ainda estávamos sob a sombra da não leitura de “A Imitação da Rosa”, de Clarice Lispector. Um paralelo entre estes dois contos, assinalados e crivados pela visão da mulher na esteira do cotidiano familiar, nos permite entender uma parábola, um movimento circular, que inicia a partir do êxtase de Bertha, atingindo seu vórtice e ápice na felicidade extenuante desta protagonista de “Êxtase”, tendo seu equilíbrio em “Felicidade” de Virginia Wolf, culminando com o retorno ao solo do conto de Clarice, já citado: justamente na prostração diante da própria felicidade (Laura, sentada, sem encostar no sofá, com as mãozinhas cruzadas, olhar perdido); talvez imitando seu lado livre, ou o único lado que lhe conserva a vida. (flores silvestres);
Teoricamente, somente obras abertas, fugidias do que chamamos estado “alegórico fechado”, podem se comunicar de modo tão intenso e completo; isto porque fogem do tematismo, da figuração metafórica que empobrece as relações literárias; em suma, as obras abertas se comunicam intensamente em nível de discurso; as obras alegóricas se comunicam abertamente ao nível temático, prejudicial e simplista.  A presente análise é descritiva e aponta elementos narratológicos, especialmente do foco narrativo, discriminando suas ocorrências.

a) CUIDADO AO SEPARAR NARRADOR DE FOCO-NARRATIVO; Levando em conta a distinção, sempre cautelosa e racional, entre narrador (pessoa, personificação, personagem que narra) e Foco-narrativo (voz, opção e decisão narratológica), no presente conto, existe uma analogia e, senão, fusão entre estes dois elementos. 

b) NARRADORA: FEMININO (COMPARTILHA AS MESMAS INDIOSSICRAZIAS). Em virtude desta fusão e do jogo provocador posto pelo narrador, enquanto outra pessoa discursiva é provável e verificável a hipótese de uma narradora. Feminina porque existe uma voz autobiográfica falando pelas “costas” da personagem, como um alter-ego. Tanto esta narradora pode ser instituída por um “outro ser discursivo”, quanto pode ser a própria consciência livre de Bertha. Aquela consciência crítica que dialoga com as infâmias e vilanidades que afligem à protagonista, determinada pela antinomia de uma possível personificação maléfica do que é tratado no conto como “Esta Civilização”.

c) ARQUINARRADOR: TRANSVERSAL E INVASIVO;

[...] o que denominamos arquinarrador intruso: arqui-narrador, por se tratar de um narrador que, fugindo das tipologias convencionais, extrapola o plano diegético em um singular procedimento de auto-referencialidade; e intruso porque, tal como o narrador machadiano, interpela o leitor, levando-o a não se esquecer de que o mundo que tem perante os olhos, embora se ancore no real, é fictício. (ANDO, Revista USP, 2008, p.03)

Pode-se citar a dupla “objetividade – subjetividade”: enquanto para alguns é considerada objetiva a narrativa em que o narrador é representado, para outros a objetividade está na apresentação de um narrador externo, não representado, que se intromete no relato. (CINTRA, 1981, P.21)

d) NEUTRO E IDEOLÓGICO;

NEUTRO: DESCRIÇÕES IMPRESSIONSTAS; afastamento da câmera e do foco para ampliar a cena objetiva e descritiva, constituir ambientação.

E os outros? Careta e Coroa, Eddie e Harry, colheres subindo e baixando, guardanapos tocando lábios, migalhas de pão, tilintar de garfos e copos e conversas.

Havia tangerinas e maçãs tocadas por manchas avermelhadas. Havia pêras amarelas lisas como seda, uvas brancas cobertas por uma floração prateada, e um cacho repleto de uvas vermelhas, comprado especialmente para combinar com os tons do novo tapete da sala.

IDEOLÓGICO: PARTICIPAÇÃO E PARCIALIZAÇÃO. O narrador emite sua opinião; legitima ou não as escolhas de Bherta:
“Você é um amor - um amor!” disse beijando o seu bebê tão quentinho. “Eu gosto muito de você. Eu gosto muito de você.” E realmente, ela amava tanto a pequena B

e) FOCO NARRATIVO: DIFUSO E CONFUSO; misturam-se a voz com a pessoa; narrador com personagem; Divergência entre a personagem e o foco narrativo; Vozes de posições diferentes:

Que idiota que é a civilização! Para que então ter um corpo se é preciso mantê-lo trancado num estojo, como um violino muito raro? “Não, isso de violino, não é bem o que eu quero dizer”, pensou Bertha correndo escada acima e catando na bolsa a chave [...]

f) INSCRIÇÃO GRÁFICA DE MARCAS DE IRONIA; O narrador registra as marcas de ironia e as escolhas tensivas decisivas da trama. É prazeroso ao narrador ver as intempéries da protagonista.

“Telefone para a senhora” - era a babá que voltava triunfante e agarrava a sua pequena B. Voando escada abaixo. Era Harry.

g) IMERSÃO EM BHERTA E MISS FULTON. O narrador não só tem o poder de introjeção na protagonista, mas como contempla, com sua consciência onisciente, a consciência também de Fulton; o que pode ser um blefe do narrador.

“Você, também?” - que Pearl Fulton, ao mexer a bela sopa vermelha no prato cinza, estava sentindo exatamente o que ela estava sentindo (Bherta).


h) NARRADOR INFLUENCIA A TRAIÇÃO. Participando deste jogo, a narradora leva Bherta a onisciência da traição; uma vez que a verossimilhança não permitia que escutasse a voz de Fulton de Harry (esposo), sua consciência roçou na consciência de ambos os traidores, conduzidas pelas mãos perniciosas da narradora.

[...] inclinada para o lado. Harry afastou bruscamente o casaco, pôs as mãos nos ombros dela e a virou com violência. Seus lábios diziam: “Eu te adoro”, e Miss Fulton pousou seus dedos cor de luar no rosto dele e sorriu seu sorriso sonolento. As narinas de Harry tremeram; seus lábios se crisparam num esgar horrível ao sussurrarem: “Amanhã”, e com um bater de olhos Miss Fulton disse: “Sim”.

i) ARQUINARRADOR: A consciência plena de um narrador ideológico, decisivo e imprescindível à existência de Bherta, se dá na prova cabal da relação estreita entre ambas – Bherta e Narradora – que aflora no campo indicioso do discurso. A quem Bherta exclama? Quem é sua interlocutora algoz? O acaso?

“E agora, o que vai acontecer?”

   

terça-feira, junho 12, 2012

"SEMIÓTICA POÉTICA": AULA DE AGUINALDO JOSÉ GONÇALVES

O presente conteúdo é fruto das reflexões promovidas em sala de aula, na disciplina de "SEMIÓTICA DISCURSIVA", ministrada pelo professor Dr. Aguinaldo Josá Gonçalves, no curso de Doutorado em Teoria Literária, promovido pela UNESP / UNIR. As informações são resultantes de anotações de sala, com pequenas inferências.

I QUESTÕES INCIDENTAIS

Os presentes aforismo teóricos emergiram das aulas de semiótica discursiva. Estão construídos pela esteira de saberes literários da teoria poética, sob eixos de discussão binários: o temático e o discursivo. O Poético e o metalinguístico. A similitude e a contiguidade.

A questão da metalinguística na poética contemporânea pode ter sustentação na posição da crítica e teoria dentro do “escrever”; o artesão / escritor / teórico que escreve e “inscreve”, inserindo sua dicção e práxis dentro da produção. Com  que imbuída da criatividade na produção, inerente está a própria reflexão da arte na pós-modernidade, que coloca a produção em suspense, dialogando fora do corpo da poesia, constituindo sua criação. Sinteticamente, o discurso crítico e a reflexão teórica ficam parte da criação poética. Uma aporia desafiadora.

Do clássico até o romantismo é Alegórico e Analógico. Após, demarca-se a evolução para o Eixo da contiguidade no Realismo, inserido por Flaubert, Manet e Baudelaire.   

A similaridade é horizontal. Ela procura contato com o “ao lado”, o símile, o correspondente. A substituição dos termos por elementos não inerentes. A contiguidade é vertical. Ela implica uma decomposição em queda ou inclusão, como a escada.

Leitura obrigatória. “Alegoria no drama Barroco Alemão”. Walter Benjamim.

Autores da Modernidade. Edgar Alan Poe. “Um homem na multidão”; Baudelaire filtrou e catalizou grande arte da produção moderna, incluindo Poe. A exemplo do grande clássico "O Pintor da vida moderna".

Literalidade vem da força centrífuga. Literariedade é centrípeta. Centrífuga lembra Nortrop Fry em sua Teoria dos símbolos. Link com  “Marxismo e filosofia da linguagem” de Bakhtin. O signo refratário da literatura compõe o que chamamos gagueira (dicção literária). 

PERIGO. Tomar a leitura pelos mitos e símbolos. Semantizar ou diluir. O grande escritor tenta destruir os mitos e símbolos. Desviar destes. Procurar o signo estético que é o signo refratário, contrário ao signo reflexivo, que implica um sentido pobre.

O leitor deve estar preparado para receber a ruptura da literatura. A mobilidade do discurso literário é decantada pelo leitor. Requer a nossa mobilidade enquanto analista e professor de literatura. Segundo Aguinaldo, não devemos ser “apenas” professores de Literatura em tom menor. Interpreto que a atitude do leitor literário é a desconstrução do texto e sua reconstrução pela peneira dos recursos e processos inerentes à arte e suas especificidades, levando em conta “caminhos” teóricos e procedimentais.

O que é a teoria do imagismo? Correlativo objetivo, ou seja, a construção da imagem insólita. A imagem construída do conhecido pelo desconhecido ou do desconhecido pelo conhecido. Ex: “Dentro da perda da memória” de João Cabral de Melo Neto; é um traço da modernidade e não da pós-modernidade. Em outras palavras, similitude pela disjunção. Na pós-modenidade é o contíguo. O verso da pós-modernidade é a desconstrução contígua.

II QUESTÕES DE PRÁTICA DE LEITURA (MACHADO DE ASSIS, DOM CASMURRO)

Ler Dom Casmurro pela ótica do olhar. Função conativa constituindo o anti-romance. Os capítulos iniciais procedem distanciando narrador de narrado; autor de narrador; tudo pela função fática. Relação espaço e tempo em Bachelart. “A poética do espaço”. A espacialidade da casa. Casa da caverna do engenho novo.

Relacionar Fry e suas categorias narrativas por arquétipos com Dom casmurro e as estações do ano.

No capítulo II de Dom Casmurro, a casa do Engenho Novo é reconstruída para consolidar a cena, que simbólica, indica o caminho da traição. Construída o contexto, como inferido por Binho, o Simulacro abre-se e constrói-se para a encenação ou estrelato do narrador, que irá incitar suas “cenas”, não memorialistas, mas presentificações, reminescências a partir de uma condição psicológica ad quo. A construção da casa prenuncia a “vivência” para melhor constituir o autor / narrador, que depois quer transmigrar para um narrador / autor.

Discutir a enfabulação (tematização) em Dom Casmurro é limitante e no máximo pode chegar até o processo de composição de uma ambiguidade sublime. No mais, fica tudo: a discursividade como força motriz de elementos literários que, perseguidos, levam à literariedade.   

No capítulo “O PENTEADO”, o cabelo age como potência narrativa de uma sinédoque que leva à narratividade. O entrelaçar os fios, alisá-los procurando a linearidade, a bagunça para a manutenção da tensão fórica, traduz uma alegora clássica dentro da literatura universal.


III OSWALD DE ANDRADE: SOB A ÓTICA DO SEU RADICALISMO (Aguinaldo Gonçalves)

Fusionismo dos gêneros. Contribuição da radicalidade de Oswald dentro de seu projeto de modernismo. Mix hapening style. (estilos misturados e sintetizados).

Lirismo desconstruído. Anti-lirismo. Advindo de uma sucata. Manuel de Antônio de Almeida em “Memórias de um sargento de milícias”.

Degraus do verso Livre. Walt Whitman? Simbolistas e pós-simbolistas (Mallarme). TS Elliot e Ezra Poud e a consciência do verso livre e a imagística.



sexta-feira, maio 25, 2012

LITERATURA REGIONAL - CARLOS ALBERTO SUNIGA DOS SANTOS E SUA OBRA "IMAGO" (2002)

by RÔMULO GIÁCOME DE O FERNANDES

A presente postagem objetiva apresentar um pouco da produção poética de Carlos Alberto Suniga dos Santos e sua obra "Imago" (2002). O presente conteúdo foi comunicado por mim no 3º SILIC, Simpósio de Literatura Contemporânea, que ocorreu em Vilhena (24 de Maio, 2012).


O regional sempre foi motivo de muito embate. Até hoje não é possível antever uma solução a este dilema teórico, uma vez que a crítica balizada anda “preguiçosa”, como afirmou Milena Magalhães, na abertura do 3º SILIC, Vilhena, 2012.

quinta-feira, maio 17, 2012

COMUNICAÇÃO E PERSUASÃO: A IDEOLOGIA DO SIGNO

By Helem Cristiane Aquino dos Anjos Fernandes*

Mikhail Bakhtin foi um dos primeiros estudiosos a atentar para a importância de se estudar a natureza do signo linguística para se reconhecer os tipos de discurso. Esse interesse o levou a formular uma das mais brilhantes teorias sobre o assunto. Em seu livro Marxismo e filosofia da linguagem, o teórico expõe que é impossível afastar dos estudos das ideologias o estudo dos signos. 

segunda-feira, maio 07, 2012

ASPECTOS DO ROMANCE: CONFERÊNCIA SOBRE "A INVENÇÃO DE MOREL" de ADOLFO BIOY CASARES

CICLO DE PALESTRAS: ASPECTOS DO ROMANCE (Origem. Percursos. Perspectivas).
Tema da Minha Conferência: "Adolfo Bioy Casares e a Invenção de Morel".

"A invenção de Morel é considerada uma obra-prima. Notadamente fruto de um grande argumento, é um relato que desafia os limites da ficção, história e estória. Na tônica literária criada por Borges trafega entre fatos narrados por meio de um diário que, ora legitimado ora refutado, torna-se um penetrar o labiríntico e inconstante cenário memorial de um homem crispado por alucinações, doença e medo. Visões em um local inóspito (uma capela, piscina e museu?) lhe despertam para refletir sobre a própria vida. Misteriosamente, as aparições fantasmagóricas em uma Ilha deserta, que mata "de fora para dentro" é uma excelente alegoria para discutir a imortalidade dentre outras variáveis humanas. Segundo Borges: "Li e reli. Não é exagero chamá-lo de perfeito".






terça-feira, abril 24, 2012

UM PRÓVÁVEL DIÁLOGO ENTRE DIÓGENES E DEMÓSTENES

UM PRÓVÁVEL DIÁLOGO ENTRE DIÓGENES E DEMÓSTENES
by Bernardo Schmidt Penna

Diógenes (404-323 a/C), filósofo grego dos Cínicos, famoso por desprezar as convenções sociais e os poderosos, se notabilizou por andar com uma lanterna à procura de um homem honesto e por morar em um barril.

Demóstenes Torres, senador da República, ex-Procurador de Justiça e ex-delegado de polícia, tornou-se conhecido por sua vociferação a favor da ética, sua defesa intransigente dos bons costumes e pela veemência de seus ataques. Ultimamente, figura nos noticiários policiais acusado de envolvimento com a máfia dos jogos ilegais de Goiás, seu estado natal.

Pode-se imaginar o diálogo que se segue, extraído de imaginária escuta telefônica autorizada, pensando mesmo o senador Demóstenes que o filósofo Diógenes havia terminado sua busca.

- Demóstenes: “Bom dia, o que o senhor faz com uma lanterna na mão em pleno dia?”

- Diógenes: “Procuro um homem honesto.”

- Demóstenes: “Que sorte a sua: Acaba de encontrar.”

- Diógenes: “E quem seria?”

- Demóstenes: “Eu, naturalmente. Famoso senador, defensor da ética e da moral. Acusador implacável. Incorruptível.”

- Diógenes: “Entre os animais ferozes, o de mais perigosa mordedura é o delator; entre os animais domésticos, o adulador.”*

- Demóstenes: “As injúrias, as calúnias e as difamações minam a resistência até de quem nada teme, mas permaneço firme na fé de que a verdade triunfará.”*

- Diógenes: “Até mesmo o sol penetra nas latrinas, mas não é contaminado por elas.”*

- Demóstenes: “A tudo suporto porque nada fiz para envergonhar meu partido, o Senado, Goiás e o Brasil. Essa é a verdade que, ao final, prevalecerá.”*

- Diógenes: “Devemos ter amigos que nos ensinam o bem; e perversos e cruéis inimigos, que nos impeçam de praticar o mal.”*

- Demóstenes: “Dói enfrentar o olhar sofrido de familiares torcendo para o tormento passar logo. Mas as inverdades chegam açodadas; a reparação, lentamente.”*

- Diógenes: “Perdão, meu senhor, mas, no mínimo, para o homem honesto, valem mais as atitudes do que as versões. E o que se tem mostrado contra o senhor não o faz enquadrar em minha busca.”

* As frases assinaladas de Diógenes foram colhidas da internet e as de Demóstenes de seu twitter.

Advogado, mestre em Direito e professor do Curso de Direito da Unesc. Bernardo@unescnet.br.



quarta-feira, abril 18, 2012

3º SILIC - SIMPÓSIO DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA (23, 24 E 25 de MAIO)

Evento de peso para a Literatura Contemporânea no Estado de Rondônia, conclamo a todos os acadêmicos, pesquisadores e professores a participarem e discuturem a literatura hoje, bem como seus diálogos com público, teorias, tendências e o regional, mote deste 3º Simpósio. Mais informações no site oficial:
www.gepec.unir.br/silic
Clique nas imagens para ampliá-las.






terça-feira, abril 10, 2012

VIAGEM SÃO PAULO E MATO GROSSO DO SUL (JANEIRO/2008): LOCAIS, MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUEA E CENAS DE SP (2008)

EM 2008 CONHECI SÃO PAULO PELA PRIMEIRA VEZ; FUI DE CARRO E OS REGISTROS DESTA VIAGEM FICARAM GRAVADOS NA MENTE E EM FOTOGRAFIAS, PEQUENOS ÍCONES ATEMPORAIS DE UM GRANDE MOMENTO. ESTE RELATO TEM POR OBJETIVO DEMARCAR ESTA PEQUENA ICONOGRAFIA DE VIAGEM.

quarta-feira, abril 04, 2012

DIFERENÇAS ENTRE MODERNISMO E MODERNIDADE

MODERNISMO E MODERNIDADE: DIVERGÊNCIAS NOMINAIS
By Rômulo Giácome


O timbre deste texto tem mais a ver com a exploração de experiências teóricas, fluídos de conhecimento e perspectivas críticas do que aportar em uma plataforma segura de um teórico ou recorte bibliográfico, pelos ombros de outros autores. Desta forma e tônica, o presente texto tem a pretensa vontade de dissociar os termos Modernismo e Modernidade, mesmo sabendo que esta tarefa pode estar incorrendo em posicionamentos contundentes.
Assim, ao estudar o Modernismo Brasileiro, principalmente seus antecedentes e sua fase heróica, monumento erigido pela semana de arte moderna, o termo modernismo parece saltar aos olhos como uma característica inerente ao processo de nacionalização, mudança de paradigmas e divergências críticas que eclodiu nos idos de 1922.
No entanto, o Modenismo, especificamente o Brasileiro, foi um movimento cultural e literário, demarcado por uma cronologia específica e crítica própria (que se amplia e diversifica no passar do tempo), bem como movimentos políticos próprios. Enquanto unidade teve sua égide sobre o experimentalismo, convergência de vanguarda e crítica literária, bem como o Nacionalismo. A propositura do moderno teve formas multifacetadas, por influir em um movimento de resistência, mas adequação aos movimentos rápidos e vanguardísticos que vociferavam no mundo inteiro. Também por transigir a crítica histórico / bibliográfica que predominou em nossa literatura, em busca de uma crítica mais apropriada ao discurso poético.

Os poetas modernistas, da alçada de Mário de Andrade e Oswald, deixaram um legado do pensamento modernista que mais influenciou o futuro da nossa poesia. O atuar sobre a literatura, agir sobre ela, para e com ela, provocaram os primeiros impulsos rumo à literatura de maior valor, com maior conteúdo teórico / canônico agregado.

Uma característica própria do Modernismo é ser encarado enquanto período delimitado cronologicamente e politicamente, dentro de um circuito de produção, crítica e leitor. Economicamente, a história literária e a teoria literária enquadram o modernismo conectado ao desenvolvimento econômico e urbano que o Brasil experimentou a partir de 1910 até a era Getúlio. Neste processo de produção inclui a “Paulicéia Desvairada” e o simulacro de uma sociedade urbana em consolidação. Um processo interessante de dilatação e decantação do Modernismo de 1922 foi a perspectiva tradicional que se assomou nas gerações modernas posteriores, culminando no verso de João Cabral, em passagem por Murilo Mendes e Jorge de Lima.

Tratando agora da modernidade, ela nasce do espírito de ruptura, de negação da tradição, da implantação de um cânone futuro repensado. É energia que se move pelos degraus da história literária, mola que impulsiona repelindo. A modernidade trafega pelo século XX, lançada que foi por autores como Baudelaire e Mallarmé. Os primeiros passos rumo a um verso mais elaborado, que encontre respaldo somente em sua estrutura rítmica e visual, foram alargadas pelas teorias modernas, como a Semiótica, que propôs a inauguração do signo poético. Recolhido pelos críticos concretistas, movimento que sofisticou e aparelhou a crítica literária brasileira, o signo deflagrou uma perfeita intersemiose entre o espaço branco do papel e a escrita, inscrição, sinal, signo, povoado de elementos verbivocovisuais. A modernidade, ao mesmo tempo que se lança inovadora frente á tradição, ao estratificado e canônico, se vendendo nova, tem que viver pouco. Manter-se nova é ter ciclo de vida, é ser vanguarda. A obra, enquanto objeto de consumo, mesmo que “moderna”, é refém de sua própria natureza de objeto de consumo estético. Pode e deve ser substituída enquanto proposta. A modernidade lança o contundente e inusitado para frente, tentando voltar ao presente explicando, via de teorias, formas, manifestos e discussões. A modernidade é caminho fértil da crítica. Em seus buracos, ditos e desditos o discurso crítico sobrevive, como corais, tornando a literatura povoada de cores e formas.

Como um fazer / querer / poder a modernidade se apropria das tecnologias da linguagem e das novas técnicas de comunicação. Pelo desgaste que a língua sofre durante seus séculos de existência, a busca por novos suportes e a mistura do procedimento com o fazer inauguram as modernidades pós 80 e do porvir. Assim como os blogs buscam na textualidade simultânea, no intimismo a subversão das antigas crônicas, os relatos e aforismos poéticos das redes sociais culminam na busca do alicerce de uma nova lírica. Uma suposta “lírica social?”; uma suposta teoria lírica vai ser desconstruída e outra será construída, à mercê do novo.
Por fim, a modernidade tem que conviver com a crise da poesia. A crise da poesia que reivindica uma “pedagogia da poesia”, uma práxis da poesia, um ativismo da poesia; um “colegiado” da poesia?
Em suma, o modernismo é um marco de formas diversas, conclusões teóricas díspares, mas um momento literário que se propagou e é estudado desde 1922 até 1950.
Já a modernidade é um espírito, uma práxis dentro do processo literário de produzir, recepcionar, publicar e estudar a literatura, levando em conta sua evolução. O modernismo é possível ver no passado. A modernidade ainda está acontecendo.


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