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quinta-feira, setembro 26, 2013

VIAGEM ARGENTINA E URUGUAI (JANEIRO/2011) - 15 FOTOS E 11 DICAS

BUENOS AIRES - QUINZE FOTOS E ONZE DICAS

Esta matéria traduz a experiência adquirida em uma viagem realizada em Janeiro de 2011 à cidade de Buenos Aires, praticamente um núcleo cultural intenso e belo em nossa América do Sul. Volto minhas atenções ao foco cultural, indiciando a tendência editorial do blog. Não se constitui de dicas definitivas, mas sim de comentários sobre centros culturais e paisagens com alto grau estético, que para minha percepção tornaram-se inesquecíveis. 

segunda-feira, setembro 23, 2013

XVIII SELL - SEMINÁRIO DE ESTUDOS LINGUÍSTICOS E LITERÁRIOS - UNIR VILHENA (02 a 04 de Outubro)


EVENTO QUE CONGREGA PERSONALIDADES DAS ÁREAS DAS LETRAS, CRIAÇÃO, LÍNGUA E LINGUAGENS, PROMOVENDO O MAIOR ENCONTRO DO PROFISSIONAL LETRÓLOGO DA REGIÃO. 



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sexta-feira, setembro 13, 2013

TEXTO, DISCURSO E IDEOLOGIA: ENTRE DUAS VERDADES CIRCUNSTANCIAIS

By Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes


Entre a especificidade e localidade do texto, a mobilidade e processualidade do discurso. Onde o texto acaba por ser ponto de referência o discurso o utiliza formando seu mosaico de referentes. O texto enquanto suporte da comunicação, enquanto teorização na maioria das hipóteses, ou descrição / narração em outras. A criação em dados momentos. Mas no fim, o efeito total e totalitário é do discurso. Discurso enquanto finalidade. Discurso enquanto efeito proporcionado por um conjunto de fatores dentro / fora / com a linguagem.


Não a linguagem restrita, baseada apenas na relação significante e significado. Mas a linguagem enquanto comportamento e valores, linguagem enquanto juízos a partir de signos não somente maternos, mas derivados de referências outras e afins, ou até não referências ou formas diferentes de indiciar.
A capacidade última de comunicar não pode ficar restrita ao texto, este texto entendido como recorte. Como portador de um conteúdo. Mas sim teríamos corretamente um texto maior, já construído, em construção e por ser construído, baseado em um estar sendo, na negação e na afirmação. Como uma espécie de leitura constante, um texto dialogando com outro texto e assim percebendo-se enquanto maior.
Por outro lado o discurso transborda o texto. É texto fora e dentro, mas também um conjunto de mais diálogos entre textos, ou o próprio diálogo, ou correlações entre textos que não são escritos, são comportamentos ou atitudes, axiomas transmitidos por signos sutis. O discurso acaba por construir-se a partir de posições discursivas / ou referentes de vozes que, ao final, ou um ponto, define um efeito de sentido não controlado, mas tentado, que acaba por construir identidades e comportamentos, afetando a cultura, definindo sujeitos e redefinindo a própria noção de subjetividade.  (FIORIN)
Eu não posso afirmar que o restaurante que inaugurou, constituído texto, aqui alegorizado, com ótimo serviço, boa decoração, boa comida e médio preço pode ser a segurança de uma experiência comunicativa agradável. Na decisão entre ir ou não, um conjunto de pontos de referência ecoam, decidindo se sim ou não, o custo benefício. Na entrada um conjunto de vozes me determinam onde sentar e como sentar, o que comer e como comer. E se lá está um inimigo, já tenho um ponto referente que pode acabar com a noite. Assim como uma discussão. Posso sair de lá com uma péssima referência ou trauma, como posso sair de lá otimamente. Este percurso gerativo de sentido é incontrolável, como o é a linguagem jogada ao público, semeia aqui e ali, floresce onde provavelmente floresceria ou onde nem imaginaríamos que florescesse.
Em como o texto, antes de ser lido, já é interpretado, julgado e avaliado, prescrito e entendido. Antes de tudo a ação judicativa da cultura. A cultura enquanto comportamento do leitor projetando no texto sua leitura. Em quanto não temos domínio total dos efeitos de sentido do texto, que se religioso, encontra fértil terreno no crente, se ateu, pode morrer sem argumento. A intensidade do discurso tem que encontrar eco na cultura, se encontrar, conjuminar, existir e promover efeitos.
Cultura enquanto código de valores e juízos engendrados no comportamento. Comportamento do leitor e do indivíduo que reproduz estes valores e os utiliza. E como o poder dominar estas referências constituem dominar um tipo de leitura, um tipo de valor, culminando em ideologia. Assim como a violência simbólica, advinda do esposo para com a esposa, ou do pai para com o filho, do policial para com o indivíduo. Assim como o poder simbólico, que reúne e exclui, pois enquanto estruturação, induz ao rótulo. (BORDIEU; FOUCAULT).
Nenhuma leitura é imparcial, neutra ou insólita, desde que usando os códigos deste tempo, espaço e cultura. O discurso humano é contaminado. Proferido de marte seria inteligível? Seria neutro? Não seria neutro nem inteligível, pois o entendimento do signo na linguagem é sempre uma operação ideológica. (BAKTIN).
Assim, é irrelevante discutir ou descobrir, na dialética dos juízos de certo ou errado, o que é certo ou errado, direita ou esquerda. Da natureza do próprio discurso ser dialético, ser valorativo e ser ideológico, pois a comunicação, em primeira instância, só existe conectada à ideologia, enquanto estruturação do pensamento social do ser falante, acaba por hierarquizar categorias de signos e suas interpretações.
E as verdades? Enquanto feitas da natureza “linguagem” não existem enquanto situações circunstanciadas e legitimadas por um tempo / espaço do agora. Isto porque são feitas de elementos que não existem sozinhos. De partículas de uma matéria fluídica chamada linguagem, que necessita se hierarquizar para ser Inteligível, de valores e comportamentos, de referências que estão sempre além. Assim, não existem por si mesmas, ontologicamente. São metáforas? (NIETZSCHE).
Entendê-las dentro da ideologia e entendê-las como representação e o peso axiológico que ela tem na vida cultural de cada um. Um Jesus loiro de olhos azuis sangrando na cruz? Ou Buda sentado, meditando? Ou satanás reunido em Paraíso Perdido? Ou a fuga de Adão e Eva do renascimento? Ou o capeta de tridente e queimando no fogo do inferno? Dentro da ideologia existe um efeito prático de sentido, que respinga, senão é o próprio comportamento do indivíduo dentro de sua cultura.
Compreender e tentar situar as verdades é apenas um trabalho de catalogação e legitimação de um discurso, proferido de uma pessoa autorizada. Esta autorização ocorre por mecanismos não domináveis, muitas vezes sociais e poucas vezes originais, genéticos quem sabe? Mas o trabalho de legitimação é ofício da ideologia, que controla os valores por meio das representações, por meio de declarações de certo e errado, por meio da religião, história e política, por meio do Direito e dos códigos de Ética.
Assim, é interessante entender a verdade como uma declaração que, feita de linguagem, é dita para alguém, em condições culturais ou não de decodificá-la e assimilá-la de maneira eficaz. Alguns estão mais propensos. Qual o significado da óstia para o índio? Atahualpa negou o princípio religioso Espanhol e foi degolado em praça pública.
A ideologia propõem-se sempre pelo poder opressivo do enquadramento social, do medo ou da inclusão; o medo imposto pelas representações culturais da idade média; a inclusão do modo de vida consumista de hoje.

Assim, por que verdades? Este rótulo tem um ranço de idealismo sobrenatural. 

sexta-feira, setembro 06, 2013

"O CRÍTICO AUTOR E O AUTOR CRÍTICO" com EVANDO NASCIMENTO E MARCOS SISCAR

O CRÍTICO AUTOR E O AUTOR CRÍTICO
by Rômulo Giácome

Qual a relação do crítico com sua própria obra? Quais os limites e intervenções da criação a partir do crítico-autor? Qual a convivência destas duas ações e personalidades? O presente texto discute estas questões a partir das respostas dadas pelos escritores / críticos Evando Nascimento e Marcos Siscar, na ocasião da mesa-redonda em que participei, ocorrida no 4º SILIC, em Vilhena, no dia 22 de Agosto de 2013. 

Com mãos sujas no tecido branco da criação o crítico autor escreve com medo. Medo da sua própria linguagem e do seu próprio projeto de literatura não se enquadrar no “projeto” de literatura desenquadrado de todos. A composição ou esta divisão entre o ato criador e o ato crítico parece que pode sim, caber em um mesmo corpo. O que muda é talvez a postura, ou a práxis que cada ação desencadeia. Assim ocorre com os renomados e sagazes professores / críticos / autores Marcos Siscar e Evando Nascimento. A pergunta central é: “onde liga o crítico e desliga o criador”; ou “onde liga o criador e desliga o crítico”, ou ainda “o crítico ligado junto ao criador” modula entre várias nuances de respostas possíveis.
Talvez para Evando Nascimento o ponto central é saber quando o “Crítico atua na própria composição”, intervindo na mente criadora ou no próprio produto final. Assim, constitui-se do querer saber os limites e (des)limites desta intervenção ao nível da composição, efetuada por ação de uma mente crítica, que na modernidade tem sido cada vez mais niilista. Parênteses meu (vivendo da evasão, o discurso crítico sobre a crise torna-se um circunlóquio ad infinitum, que não deixa outra razão senão escrever e produzir. A tensão provocada por esta angústia de entender a produção atual, seu pensamento e pensar, faz da criação a melhor forma de fazer crítica. A crítica na própria produção da obra. O que poderíamos entender como a práxis perfeita, na estreita relação entre o refletir e o fazer. No entanto, a criação nem sempre desemboca nas confluências da crítica literária e do pensar a arte. Muitas vezes ela é produto de sínteses de vozes, modulações ou emulações próprias e inerentes à própria arte, como é o caso do memorialismo ou auto-ficção).  


            Por outro lado, a posição de Marcos Siscar acabou por se moldar na premissa de que não são exatamente conflituosas as posições de crítico e produtor. Na verdade são complementares e intercambiáveis. Isto porque elas não atuam de modo independente. Elas se consolidam em momentos que podem se interseccionar, seja quando acontece o refinamento da produção final, seja no próprio pensar o projeto literário. O entendimento da criação enquanto diálogo crítico é uma situação de escritura original e formadora, constituindo as pontes com a literatura do passado e presente, definindo as vanguardas do futuro.
            Entre o crítico autor e o autor crítico, também surge a ideia do leitor ideal, tão amplamente revolvida por pensadores como Umberto Eco e Roland Barthes. Esta figura virtualizada na mente do criador de arte é uma identidade nos murais do marketing literário. Entender este perfil de leitor, livre, não açoitado pela ideologia acadêmica, livre da docência e suas marcas ideológicas, abstêmio das teorias e sistemas teóricos da esquerda e direita, dos fluxos de poder, das formações discursivas que criam empatia, dos recursos midiáticos de compra e proliferação da cultura livreira neste país, talvez seja a grande utopia do criador em busca do seu leitor.

            Talvez o leitor ideal é aquele que consome a literatura sem propósito, livre de pragmatismo e bandeiras. Frui o texto com a atenção do gozo e se alimenta dos diálogos com o prazer.  Bancários e Contadores, leitores de Rubem Fonseca e Dalton Trevisan. Juristas que se deliciam com Camus e Kafka. Mesmo que não queiramos, o fio fino de náilon liga um perfil a uma coisa, e esta coisa é o livro.
            O leitor ideal não fundamenta estruturalmente a obra que lê, mas conta sua experiência com o maior dos entusiasmos ao todos; esta obra vagueia pelas mesas de bar e pode entrar em casas antes não acessadas; podem parar na mão de adolescentes e, de repente, não mais que de repente, chegar em um programa de entrevistas aparentemente culto de um canal fechado.
            O leitor ideal dialoga com o hoje: o econômico e o cultural, como assim queiram os partidários de Jameson. O autor de hoje nem sempre é o crítico literário. O autor de hoje nem sempre compartilha academicamente da literatura. Mas não o pode ser se nunca fora um crítico. Crítico na melhor acepção possível. Talvez na acepção romântica que Benjamin trata em seu estudo “O conceito de crítica de arte no romantismo alemão”. Crítico no átimo da acepção “pensar a criação literária”.