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quarta-feira, agosto 31, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 14ª EDIÇÃO - CONCORDÂNCIA VERBAL: PERCENTAGEM E FRAÇÕES

By Elisandro Félix de Lima

COMO DEVE SER FEITA A CONCORDÂNCIA VERBAL, QUANDO HÁ NA ORAÇÃO PERCENTAGEM E FRAÇÕES?


Mais uma vez, venho publicar uma nota sobre a concordância verbal. São muitas as pessoas que têm procurado minha ajuda para revisão de Trabalho de Conclusão de Curso e, a maioria delas afirmam que se sentem inseguras sobre sua escrita em relação a pontuação e principalmente no que diz respeito a concordância verbal. De certo modo, não vou dizer que seja fácil compreender todas as regras da língua portuguesa, nem mesmo as mais de quinze regras para a concordância verbal. Além de, é claro, onde, há regras em que o verbo pode ou não concordar em número com o sujeito da oração. É o caso de percentagem e frações.

PERCENTAGEM

Pode se fazer a dupla concordância. Havendo um complemento, a tendência é concordar com ele.

Exemplos:
a) 20% resolverá o nosso problema.
b) 20 % resolverão o nosso problema.
c) 10% do alunado faltou à aula.
d) 10% dos alunos faltaram à aula.

FRAÇÕES

Pode se fazer a concordância com o numerador ou com o complemento.

Exemplos:
a) 1/4 do material chegou com atraso.
b) 1/3 das pessoas se dizem felizes.
c) 2/5 devem ser dissolvidos em àgua mineral.
d) 1/3 do livro é bobagem pura.

REFERÊNCIAS

PIMENTEL, Carlos. Português descomplicado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa Gramática Contemporânea: teoria e prática. São Paulo: Escala, 2009.

Elisandro Félix de Lima é graduado em Letras e especialista em Gramática Normativa da Língua Portuguesa pela UNESC - Faculdades Integradas de Cacoal.

quarta-feira, agosto 17, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 13ª EDIÇÃO - CONCORDÂNCIA VERBAL: CASOS ESPECIAIS COM SUJEITOS SIMPLES

Por Elisandro Félix de Lima


Expressões partitivas + substantivo/ pronome

Segundo Abaurre e outros (2010) quando o sujeito apresenta uma expressão partitiva seguida de um substantivo ou de um pronome no plural, o verbo pode ficar no singular (concordando com o substantivo que ocorre na expressão partitiva) ou ir para o plural.

EXPRESSÕES PARTITIVAS: "uma parte de..., grande parte de..., a maior parte de..., grande número de..., a maioria de..., a minoria de..., uma porção de ... etc).

Vejamos o exemplo: "A maioria dos alunos não foi à aula". Onde, (maioria dos alunos = expressão partitiva); (maioria = substantivo/ núcleo do sujeito/ 3ª pessoa do discurso, singular).

O verbo ficou no singular porque se optou por fazer a concordância verbal com o substantivo maioria, que é o núcleo do sujeito da frase.

O verbo poderia ir para o plural caso se optasse por fazer a concordância com o substantivo que aparece após a expressão partitiva, no núcleo do adjunto adnominal.

Exemplo: "A maioria dos alunos não foram à aula". Onde, (alunos = substantivo/ núcleo do adjunto adnominal/ 3ª pessoa do discurso, plural).

Para a maioria dos gramáticos, o plural, apesar de correto, não é estilisticamente aconselhável, como é o caso do exemplo: "A maioria das pessoas concordaram comigo".
Particularmente, sobre o assunto, concordo com a maioria dos gramáticos, não aconselho o plural.

Fonte Consultada:

ABAURRE, M. L. M. et al. Português: contexto, interlocução e sentido. São Paulo: Moderna, 2010, p. 343.
PIMENTEL, Carlos. Português Descomplicado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 154.

Elisandro Félix de Lima é graduado em Letras e pós-graduado em Gramática Normativa da Língua Portuguesa pela UNESC - Faculdades Integradas de Cacoal, além de atuar como Revisor Textual de Monografias e Artigos Científicos.



sexta-feira, agosto 12, 2011

NOTAS TEÓRICAS SOBRE EDGAR ALAN POE


MODELO POÉTICO DA MODERNIDADE


By Rômulo Giácome





Poe foi um legítimo filho da loucura. Sua vida imita a obra, ou a própria obra imita a vida, construindo sua maior especialidade: equilibrar-se, por meio da linguagem, entre a verdade e a mentira; entre o natural e o sobrenatural; entre a lógica e o devaneio.
Se perguntares se existe sobrenatural em Poe, aquele sobrenatural entendido como o místico em situações que ferem a ordem da existência, ou a exteriorização dos terrores e seus protagonistas, podemos afirmar que não.
Tanto em O Gato Negro como Manuscrito encontrado em uma garrafa, não existe uma frente exterior de elementos extra-humanos, ou efeitos ilógicos que sobressaem da realidade. Ou seja, um terror externo, personificado. Na realidade, é uma dialética entre crenças e superstições simbólicas equilibradas frente à lógica e a razão, sobre o viés da loucura. Existem motivos psicológicos e espirituais, sugeridos pelas estratégias narrativas, por simbologias, valores depreendidos por situações e não por conceituações. Não existem definições, mas situações de enunciação que constroem enunciados polifônicos. Logo, o terror de Poe é fruto de uma larga, silenciosa e contínua força psicológica.
O elemento mágico depreendido pela narrativa de Poe não está concentrado no enunciado, mas sim na enunciação, nas estratégias narrativas utilizadas, em uma comunicação direta que exprime o fluxo da lucidez / insanidade. Assim, mágica é o trabalho com a narrativa, com sua estruturação e adequação, o que torna Poe vanguardista e influente no meio modernista / simbolista da poesia e prosa. O trabalho com o símbolo permite várias facetas de leitura e realização narrativa. (gato preto, plutão, desenhos insignes, ossos humanos em fossos profundos, etc)
Logo, por meio de um jogo, configurado por truques da linguagem, ele vai tirando véus da realidade. Em um eterno movimento, a narrativa lança o elemento mágico e depois o substitui, pondera ou minimiza, até atingir a verossimilhança. No manuscrito, o navio efetua ações impensadas, tais como manter-se no turbilhão, vagar a velocidades impensadas e a existir com materiais tão antigos (madeiras porosas). No entanto, estas perspectivas mágicas estão emolduradas pela solidão e a possível alienação a qual o personagem se encontra, o que pode justificar esta visão onírica. Uma causa psicológica para um efeito místico. Ele suscita que o navio é de outras eras, não existente neste plano, quando afirma que o formato deste era “lembrado” em contos seculares. No entanto, a sugestão de Poe é maior que a definição, o que o faz influente no meio simbolista.
Edgar Alan Poe deve ser lembrado como um gigante do conto. Naquilo que este tem de mais maravilhoso. O poder de atrair, culminar em um clímax ardoroso, sugerir e impactar. Em enunciados e motes ricos, se constrói um tratado sobre o fazer literário, com técnicas contemporâneas de criação de verossimilhança (os contos têm sempre uma justificativa prévia). Como é o caso e Leonor, que Poe divide em dois momentos: um de lucidez, mesmo que eivada de inocência pueril. E outro de loucura, onde os fatos não podem ser marcados como válidos.
O forte conteúdo moral ou (amoral) também pode ser vislumbrado em O barril de Amontillado. Neste, obcecado pela vaidade, Fortunato se perde na escuridão e na própria insensatez, pois só descobre muito tarde que era uma cilada. A pequena câmara que sepultou o personagem é a passagem e o pesadelo dos vaidosos, obcecados pela própria existência.
Com uma morte rodeada de mistérios (1849), Poe descortinou a narrativa moderna para a posterioridade. Inaugurou um cânone não tão considerado erudito, recebendo críticas e censuras. Mas sua obra permanece, atingindo em cheio dois amplos campos da arte moderna: o flanco da cultura pop e o campo da técnica literária. Poe é leitura obrigatória em qualquer carreira letróloga.

domingo, agosto 07, 2011

SHOW DO NX ZERO EM PIMENTA BUENO PECOU PELO ATRASO E QUALIDADE DO SOM

Esperado desde às 23:00 horas, o NX Zero só começou a tocar às 1:10 da manhã, com um som muito alto e desequilibrado, atordoando a todos com o zumbido dos instrumentos.


Aparentemente o show da banda é bom; eles tem vibração e os ingredientes certos para conquistar o público. No entanto, estes atrapalhos reduziram drasticamente a qualidade do show.

quarta-feira, agosto 03, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 12ª EDIÇÃO - DIFERENÇA ENTRE "A CERCA DE", "HÁ CERCA DE" E "ACERCA DE"

By Elisandro Félix de Lima


Há três maneiras de empregar a expressão “cerca de”. Ela pode vir precedida da preposição “a” (a cerca de) quando significar “perto de, próximo de, aproximadamente” como se pode observar na frase “Estávamos a cerca de 5 quilômetros da cidade”. Nesse caso, a expressão só pode ser usada com números arredondados, isto é, nunca em casos como esse “Estávamos a cerca de 98 metros do local”. O correto é arredondar para o numeral 100. Já em “há cerca de” a referida expressão “cerca de” vem precedida do verbo “haver”, o que equivale a “faz” ou indica tempo transcorrido. “Há cerca de um mês os médicos da cidade fizeram greve”. Não se deve usar essa expressão com a palavra “atrás”, porque a frase pode se tornar redundante. Como é o caso de “Há cerca de um mês atrás os médicos da cidade fizeram greve”. Já a expressão “acerca de” é uma locução prepositiva, isto é, relaciona dois termos em uma oração. Essa expressão é empregada com o sentido de “a respeito de, sobre” como se pode ver no exemplo “Discutimos acerca do aumento salarial”.
Portanto, ao usar dessas expressões, é preciso observar o sentido delas no texto.


Referências:


BASTOS, José Antônio. S.O.S Português. In: Revista Nova Escola. n. 234, ago. 2010, p. 20.
COSTA, José Maria da. Manual de Redação Profissional. 3. ed. Campinas: Millennium, 2007.

segunda-feira, agosto 01, 2011

SEGUNDA LITERÁRIA - CONTO "PAI E FILHO"

"PAI E FILHO"
By Rômulo Giácome


A cama cintilante, na luz cintilante de uma lâmpada incandescente amarela. O dedinho e toque leve, pequenino, suspirando proteção. Nos arcos, da fumegância da luz amarelada, lava, a noite parava. Intensa. Medo? Não. Incômodo. Pequenos toques e abraços, tremores corporais de um corpinho miúdo, guarnecido ao meu peito. Liso corpo de criança, leve e sem desilusões, apenas aquelas que levam ao sonho / pesadelo, ao cair da tarde. Ao anoitecer eterno do breu, um pequeno frêmito: pai! Te amo!
Te amo também muleque! Vai dormir!
- Pai!! Te amo(...)
Acima das paredes brancas, dispostos infantilmente, carrinhos, fotos, palhaços, fitas amarelas, bolinhas e coloridos amarelados. Portas de um guarda-roupa aberto, adesivos e motivos coloridos. O quarto gira nos suspensos cavalinhos alados, resplandecendo nas rodinhas e moniaturas de motos e carrinhos lilás / vermelho. Quando saio (...)
Acima das paredes brancas, um infinito em chamas; fumaças fantasmagóricas caem como plumas e nuvens lisérgicas; cabeças rolam no tecido branco, dissipando vermelhos e amarelos sobre o fundo transparente da inocência. Monstros vagueiam nas sombras do teto.
Abraçados, um sentimento de unidade percorre nossas veias. Virados de costa, abandonamos o tempo.