terça-feira, abril 24, 2012

UM PRÓVÁVEL DIÁLOGO ENTRE DIÓGENES E DEMÓSTENES

UM PRÓVÁVEL DIÁLOGO ENTRE DIÓGENES E DEMÓSTENES
by Bernardo Schmidt Penna

Diógenes (404-323 a/C), filósofo grego dos Cínicos, famoso por desprezar as convenções sociais e os poderosos, se notabilizou por andar com uma lanterna à procura de um homem honesto e por morar em um barril.

Demóstenes Torres, senador da República, ex-Procurador de Justiça e ex-delegado de polícia, tornou-se conhecido por sua vociferação a favor da ética, sua defesa intransigente dos bons costumes e pela veemência de seus ataques. Ultimamente, figura nos noticiários policiais acusado de envolvimento com a máfia dos jogos ilegais de Goiás, seu estado natal.

Pode-se imaginar o diálogo que se segue, extraído de imaginária escuta telefônica autorizada, pensando mesmo o senador Demóstenes que o filósofo Diógenes havia terminado sua busca.

- Demóstenes: “Bom dia, o que o senhor faz com uma lanterna na mão em pleno dia?”

- Diógenes: “Procuro um homem honesto.”

- Demóstenes: “Que sorte a sua: Acaba de encontrar.”

- Diógenes: “E quem seria?”

- Demóstenes: “Eu, naturalmente. Famoso senador, defensor da ética e da moral. Acusador implacável. Incorruptível.”

- Diógenes: “Entre os animais ferozes, o de mais perigosa mordedura é o delator; entre os animais domésticos, o adulador.”*

- Demóstenes: “As injúrias, as calúnias e as difamações minam a resistência até de quem nada teme, mas permaneço firme na fé de que a verdade triunfará.”*

- Diógenes: “Até mesmo o sol penetra nas latrinas, mas não é contaminado por elas.”*

- Demóstenes: “A tudo suporto porque nada fiz para envergonhar meu partido, o Senado, Goiás e o Brasil. Essa é a verdade que, ao final, prevalecerá.”*

- Diógenes: “Devemos ter amigos que nos ensinam o bem; e perversos e cruéis inimigos, que nos impeçam de praticar o mal.”*

- Demóstenes: “Dói enfrentar o olhar sofrido de familiares torcendo para o tormento passar logo. Mas as inverdades chegam açodadas; a reparação, lentamente.”*

- Diógenes: “Perdão, meu senhor, mas, no mínimo, para o homem honesto, valem mais as atitudes do que as versões. E o que se tem mostrado contra o senhor não o faz enquadrar em minha busca.”

* As frases assinaladas de Diógenes foram colhidas da internet e as de Demóstenes de seu twitter.

Advogado, mestre em Direito e professor do Curso de Direito da Unesc. Bernardo@unescnet.br.



quarta-feira, abril 18, 2012

3º SILIC - SIMPÓSIO DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA (23, 24 E 25 de MAIO)

Evento de peso para a Literatura Contemporânea no Estado de Rondônia, conclamo a todos os acadêmicos, pesquisadores e professores a participarem e discuturem a literatura hoje, bem como seus diálogos com público, teorias, tendências e o regional, mote deste 3º Simpósio. Mais informações no site oficial:
www.gepec.unir.br/silic
Clique nas imagens para ampliá-las.






terça-feira, abril 10, 2012

CULTURA DE VIAGEM: LOCAIS, MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUEA E CENAS DE SP (2008)

EM 2008 CONHECI SÃO PAULO PELA PRIMEIRA VEZ; OS REGISTROS DESTA VIAGEM FICARAM GRAVADOS NA MENTE E EM FOTOGRAFIAS, PEQUENOS ÍCONES ATEMPORAIS DE UM GRANDE MOMENTO. ESTE RELATO TEM POR OBJETIVO DEMARCAR ESTA PEQUENA ICONOGRAFIA DE VIAGEM.

Não ter conhecido São Paulo antes pode ter sido um erro cabal. Pode soar como um limitador cultural, pois viver fora da rota nos torna menos participativo no consumo e produção cultural. Mas por outro lado, um olhar mais detido e contemplativo, aquele mesmo olhar de perplexidade que assoma da curiosidade e desejo de novo, pode extrair novas perspectivas e formatos, bem como inaugurar uma outra forma de compreender a nossa história e as marcas que ela deixa em coisas, locais e pessoas.

O roteiro era Americana, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Neste ínterim, passar em São José do Rio Preto era resgatar todo um imaginário do Mestrado na UNESP, rever locais que vi em tão breve estada, rememorar situações bacanas e compartilhar com a Família. E um destes pontos centrais é o restaurante Sal e Brasa. De qualidade ímpar e extrema sofisticação, foi o portal de conversão para a  qualificação e defesa de minha dissertação. Era preciso voltar.  E com a família inteira.
Bairro Liberdade. Nos acolheu e acolhe sempre. Perdidos na selva de pedra, um oasis de luz / balão.
Um mundo nipônico a parte, com seus produtos, comida e suas idiossincrazias. Espetacular.

Até chegar na Estação da Luz, surpresas pelo caminho. A famosa rua de vestidos do Brás, expondo o casamento nu. Do alto, a noiva espera a felicidade (imagem 01). Na segunda imagem, o suporte clássico sustenta vestidos de noiva objeto, expostos ao lado de um anjo barroco que não acredita no casamento ou tem muitas dúvidas. O pós-moderno ato de pichar e demarcar o já demarcado simbolismo do branco / anjo. São Paulo e suas cenas de um cotidiano cult.
Nas portas do Museu da Língua Portuguesa, o olhar feliz de quem viu a palavra viva. Um projeto sensacional, que une informação, tecnologia, literatura, cultura e idioma.  Nas imagens abaixo, o eterno Augusto dos Anjos e seu clássico real; pegadas de palavras no chão, onde o pequeno Jeferson salpica o olhar alegre. Helem descobrindo a força vital do idioma. Todos professores felizes.

As palavras saltam do teto ao chão, em busca do leitor; e o leitor, em busca dela, se agacha e se ajoelha diante de sua magnitude. A palavra plástica em busca da sua forma, se dobra sobre si mesma em busca do seu sentido. No chão, no teto e em qualquer lugar, a palavra vaga-lume pisca.
Abaixo o antigo saguão de trem da estação da Luz. Formas grandiosas passam incólume aos olhos fatigados dos trabalhadores.   


A Pinacoteca, ladeada pelo belíssimo jardim, vulgarizado pela mão que afaga e apedreja.

São Paulo ferve. Tem febre e produz, divulga e consome. É o epicentro cultural Brasileiro. 
Helem e Thonny nas instalações modernas da Pinacoteca; arte moderna em bacias / antenas de captar atenção. Nas grandes salas abertas do museu, o pós-moderno rompe, já eterno.
É inegável que o contato cultural com museus e salas especiais, focadas em arte antiga ou moderna, traduz no homem sua espiritualidade mais importante: a capacidade de aprofundar-se e refletir sobre si mesmo a partir da arte.

quarta-feira, abril 04, 2012

DIFERENÇAS ENTRE MODERNISMO E MODERNIDADE

MODERNISMO E MODERNIDADE: DIVERGÊNCIAS NOMINAIS
By Rômulo Giácome


O timbre deste texto tem mais a ver com a exploração de experiências teóricas, fluídos de conhecimento e perspectivas críticas do que aportar em uma plataforma segura de um teórico ou recorte bibliográfico, pelos ombros de outros autores. Desta forma e tônica, o presente texto tem a pretensa vontade de dissociar os termos Modernismo e Modernidade, mesmo sabendo que esta tarefa pode estar incorrendo em posicionamentos contundentes.
Assim, ao estudar o Modernismo Brasileiro, principalmente seus antecedentes e sua fase heróica, monumento erigido pela semana de arte moderna, o termo modernismo parece saltar aos olhos como uma característica inerente ao processo de nacionalização, mudança de paradigmas e divergências críticas que eclodiu nos idos de 1922.
No entanto, o Modenismo, especificamente o Brasileiro, foi um movimento cultural e literário, demarcado por uma cronologia específica e crítica própria (que se amplia e diversifica no passar do tempo), bem como movimentos políticos próprios. Enquanto unidade teve sua égide sobre o experimentalismo, convergência de vanguarda e crítica literária, bem como o Nacionalismo. A propositura do moderno teve formas multifacetadas, por influir em um movimento de resistência, mas adequação aos movimentos rápidos e vanguardísticos que vociferavam no mundo inteiro. Também por transigir a crítica histórico / bibliográfica que predominou em nossa literatura, em busca de uma crítica mais apropriada ao discurso poético.

Os poetas modernistas, da alçada de Mário de Andrade e Oswald, deixaram um legado do pensamento modernista que mais influenciou o futuro da nossa poesia. O atuar sobre a literatura, agir sobre ela, para e com ela, provocaram os primeiros impulsos rumo à literatura de maior valor, com maior conteúdo teórico / canônico agregado.

Uma característica própria do Modernismo é ser encarado enquanto período delimitado cronologicamente e politicamente, dentro de um circuito de produção, crítica e leitor. Economicamente, a história literária e a teoria literária enquadram o modernismo conectado ao desenvolvimento econômico e urbano que o Brasil experimentou a partir de 1910 até a era Getúlio. Neste processo de produção inclui a “Paulicéia Desvairada” e o simulacro de uma sociedade urbana em consolidação. Um processo interessante de dilatação e decantação do Modernismo de 1922 foi a perspectiva tradicional que se assomou nas gerações modernas posteriores, culminando no verso de João Cabral, em passagem por Murilo Mendes e Jorge de Lima.

Tratando agora da modernidade, ela nasce do espírito de ruptura, de negação da tradição, da implantação de um cânone futuro repensado. É energia que se move pelos degraus da história literária, mola que impulsiona repelindo. A modernidade trafega pelo século XX, lançada que foi por autores como Baudelaire e Mallarmé. Os primeiros passos rumo a um verso mais elaborado, que encontre respaldo somente em sua estrutura rítmica e visual, foram alargadas pelas teorias modernas, como a Semiótica, que propôs a inauguração do signo poético. Recolhido pelos críticos concretistas, movimento que sofisticou e aparelhou a crítica literária brasileira, o signo deflagrou uma perfeita intersemiose entre o espaço branco do papel e a escrita, inscrição, sinal, signo, povoado de elementos verbivocovisuais. A modernidade, ao mesmo tempo que se lança inovadora frente á tradição, ao estratificado e canônico, se vendendo nova, tem que viver pouco. Manter-se nova é ter ciclo de vida, é ser vanguarda. A obra, enquanto objeto de consumo, mesmo que “moderna”, é refém de sua própria natureza de objeto de consumo estético. Pode e deve ser substituída enquanto proposta. A modernidade lança o contundente e inusitado para frente, tentando voltar ao presente explicando, via de teorias, formas, manifestos e discussões. A modernidade é caminho fértil da crítica. Em seus buracos, ditos e desditos o discurso crítico sobrevive, como corais, tornando a literatura povoada de cores e formas.

Como um fazer / querer / poder a modernidade se apropria das tecnologias da linguagem e das novas técnicas de comunicação. Pelo desgaste que a língua sofre durante seus séculos de existência, a busca por novos suportes e a mistura do procedimento com o fazer inauguram as modernidades pós 80 e do porvir. Assim como os blogs buscam na textualidade simultânea, no intimismo a subversão das antigas crônicas, os relatos e aforismos poéticos das redes sociais culminam na busca do alicerce de uma nova lírica. Uma suposta “lírica social?”; uma suposta teoria lírica vai ser desconstruída e outra será construída, à mercê do novo.
Por fim, a modernidade tem que conviver com a crise da poesia. A crise da poesia que reivindica uma “pedagogia da poesia”, uma práxis da poesia, um ativismo da poesia; um “colegiado” da poesia?
Em suma, o modernismo é um marco de formas diversas, conclusões teóricas díspares, mas um momento literário que se propagou e é estudado desde 1922 até 1950.
Já a modernidade é um espírito, uma práxis dentro do processo literário de produzir, recepcionar, publicar e estudar a literatura, levando em conta sua evolução. O modernismo é possível ver no passado. A modernidade ainda está acontecendo.


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