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quarta-feira, março 16, 2011

ANÁLISE E COMPARAÇÃO DE TRÊS GRAMÁTICAS: Paschoalin & Spadoto, José de Nicola & Ulisses Infante e Emília Ferreiro.

By Helem Cristiane Aquino dos Anjos Fernandes

A presente análise objetiva fazer um levantamento acerca das Gramáticas Normativas, a fim de verificar se as propostas de ensino contidas em suas apresentações estão de acordo com o conteúdo presente nelas.
No entanto, como já foi dito, essa análise e comparação só tem por objetivo analisar as propostas, verificar se estão de acordo ou não com o conteúdo. Caso não esteja de acordo, especificar quais são os desacordos. Tudo isso para conhecer até que ponto há uma real preocupação do livro didático para com o seu leitor/usuário. Sabemos que a apresentação de uma Gramática é raramente lida, tanto pelo professor quanto pelo aluno, e é justamente por isso que surgiu o interesse em fazer este levantamento. 
Ao final dessa pesquisa, chega-se a uma resposta positiva, pois embora tenham sido encontradas propostas que não estão presentes no ensino do conteúdo, a maior parte está de pleno acordo.
GRAMÁTICA 01 -Gramática: teoria e exercícios” de Paschoalin & Spadoto
A primeira Gramática a ser analisada foi: “Gramática: teoria e exercícios” de Paschoalin & Spadoto, na qual foi possível observar uma proposta de trabalho diretamente voltada para os alunos, a fim de ajudá-los da maneira mais clara no ensino das regras gramaticais.
Embora a obra tenha sido organizada dentro de uma linha tradicional de ensino, isso não os impediu de inverter a ordem tradicionalmente conhecida, ou seja, em vez de iniciar os estudos gramaticais falando sobre a língua e seus principais conceitos, ou por Fonética, a gramática inicia com a Morfologia, por fazer crer que a relação nome/objeto é mais próxima dos estudantes das séries iniciais.
Também apresenta como proposta de ensino o estudo das classes gramaticais em sua forma e relação com as demais articulações, para que assim prepare o aluno para o estudo da sintaxe.
O estudo da fonética está inserido no terceiro capítulo da Gramática, precedendo a Sintaxe, a Estilística e os Apêndices.
Apresentada a posposta de ensino dessa gramática, é possível apontar, logo de início, uma grande contradição. Embora tenha-se proposto que quebraria a ordem tradicionalmente conhecida, iniciando com a Morfologia, constata-se que precedendo o primeiro capítulo, há uma rápida abordagem sobre língua, fala e níveis de linguagem, contrariando assim sua proposta inovadora.
Contudo, esse foi o único desacordo encontrado na proposta de ensino. As demais estão em perfeita harmonia com o conteúdo presente. Clareza na exposição do conteúdo, inter-relacionamento entre Morfologia e Sintaxe, em fim, conseguiram dar conta das principais regras da Gramática de forma simples, como propuseram.
GRAMÁTICA 02 - “Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa”, de José de Nicola e Ulisses Infante
Na segunda Gramática analisada, “Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa”, de José de Nicola e Ulisses Infante, assim como na primeira obra apresentada, também a dirige prioritariamente aos alunos, justificando que ele é o fim último de qualquer ação pedagógica. Portanto, que o livro deve ser um verdadeiro diálogo com o educando. Isto porque acredita-se que o papel do professor é o de um orientador, um companheiro do aluno na descoberta das possibilidades linguísticas.
Tomando como base essa postura, esta gramática procura desenvolver uma proposta facilitadora no tocante à apresentação de regras e conceitos, bem como de expor os fatos da língua de forma ampla e relacionada com a experiência linguística do cotidiano.
Apresenta diversos materiais linguísticos, tais como: textos literários e contemporâneos, letras de músicas populares, histórias em quadrinhos, notícias de jornais, anúncios publicitários, grafites, enfim, materiais que, de uma forma ou de outra, fazem parte do cotidiano dos alunos.
A idéia de trabalhar com essa diversidade linguística advém do desejo de fugir das normas batidas e desgastadas, que em nada se adequam à realidade dos alunos, isto é, os exemplos tirados da literatura extremamente erudita, presentes nas gramáticas, em vez de facilitar, dificultam ainda mais a compreensão.
Outra proposta é a elaboração de questões que levam em consideração as respostas pessoais advindas da interpretação dos alunos, que tem como propósito estimular o exercício da reflexão.
E por fim, se inclui ao estudo das normas gramaticais, elementos intertextuais, como: histórias em quadrinhos, músicas, ilustrações, que servem para valorizar os diferentes níveis de fala, retratando assim a língua portuguesa contemporânea.
Após efetuado o levantamento das propostas desta Gramática, observou-se os conteúdos, a fim de certificar se os mesmos estavam de acordo com a proposta.
Notau-se que os conteúdos estão de acordo com as propostas de uma forma geral. No entanto, identifica-se apenas um fator que não é coerente com a proposta. Diz respeito a relação à elaboração de questões que levam em conta as respostas pessoais dos alunos; observamos que essas questões não se encaixam totalmente nessa perspectiva, por serem objetivas demais para receberem respostas pessoais, pois são questões referentes aos textos e, geralmente, requerem uma resposta presente no próprio texto.

GRAMÁTICA 03 - “Novas Propostas: literatura, gramática e redação”, de Emília Ferreiro et all
A terceira Gramática analisada “Novas Propostas: literatura, gramática e redação”, de Emília Ferreiro e outros autores, apresenta uma concepção diferenciada de ensino de língua portuguesa em relação às outras obras até então citadas.
A ênfase de ensino está na diversidade linguística, como leitura, escrita, níveis de linguagem presente nos diversos textos, do que no ensino das regras gramaticais.
Isso se comprova na forma em que a obra foi estruturada. As literaturas brasileira e portuguesa estão presentes no primeiro capítulo, mostrando de forma explícita a sobrevalorização da linguagem em detrimento da normatização.
No que tange a Gramática, há uma proposta de trabalhar teoria e prática com o intuito de evidenciar a estrutura e funcionamento da língua, para assim possibilitar o aprimoramento do uso da linguagem, de forma que o aluno possa se comunicar adequadamente em qualquer situação que exija o uso da boa oralidade ou da escrita. Portanto, esse é o seu grande diferencial, pois leva em conta não só a aprendizagem das regras, na sua forma artificial e fragmentada, mas acima de tudo a aprendizagem do funcionamento da linguagem na prática, na aplicação das diferentes formas de comunicação: leitura, escrita e oralidade.
Por fim, o terceiro capítulo, concentra-se a produção textual, a saber: dissertação, narração e descrição; apresenta também exercícios de leitura e escrita das mais variadas manifestações literárias, no intuito de desenvolver seus conhecimentos sobre o uso do padrão culto da língua.
Constata-se que a obra está em perfeita harmonia com suas propostas, valendo dizer que ela, em especial, é uma ótima indicação para os professores que estão realmente conscientes de que o ensino puramente normativista da língua não leva ao domínio efetivo da linguagem. É sobretudo pela prática constante da leitura, da escrita e da oralidade que os alunos conseguem aprender e desenvolver suas competências comunicativas.
A autora é graduada em Letras Vernáculas UNESC e Especialista em Metodologia e Didática do Ensino Superior UNESC, professora universitária UNESC/Cacoal e colaboradora efetiva do TEOLITERIAS.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá,
Parabéns e obrigada Profª Helen por esta análise comparativas as gramáticas. Posso lhe afirmar que muito nos ajudará, conheço a de Paschoalin & Spadoto e, realmente é muito boa, a maneira que você nos a apresentou nesta análise nos auxiliará muito na profissão; quanto as demais ainda não as conheço, mas pelas suas exposições merecem especial atenção.
Mais uma vez quero felicitá-la por esta contribuição e dizer que estaremos aguardando seus próximos escritos.
Abraços,
Sandra Maristela