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segunda-feira, novembro 21, 2011

(Viagem) PROJETO REPRESENTAÇÕES ICONOGRÁFICAS DA CULTURA QUILOMBOLA DO VALE DO GUAPORÉ: MITOS E RITOS



VIAGEM DE MOTO À VILA BELA DA SANTÍSSIMA TRINDADE PARA COLETA DE DADOS E PESQUISA SEMIÓTICA
ABAIXO SEGUE PROJETO E RELATO DA VIAGEM DE MOTO DIA A DIA - ACOMPANHE...

quinta-feira, novembro 17, 2011

FAÇA LETRAS!! UNESC

FAÇA LETRAS NA UNESC!

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terça-feira, novembro 15, 2011

PROJETO DE LEITURA NA ESCOLA JEAN PIAGET (ESPIGÃO DO OESTE); JORNADA CIENTÍFICA (MESA REDONDA - MÉTODOS DE PESQUISA); PALESTRA DR MILENA GUIDIO (UNIR)

JORNADA CIENTÍFICA - MESA REDONDA SOBRE MÉTODOS DE PESQUISA - EMBATE QUALITATIVO E QUANTITATIVO


PROFESSORES: REILI AMON-RÁ (ECONOMIA); ABRAÃO ROBERTO FONSECA (PSICOLOGIA); CLEBER ASSIS (PSICOLOGIA)


PALESTRA DRª MILENA CLÁUDIA MAGALHÃES DOS SANTOS GUIDIO - A TRAJETÓRIA DO PESQUISADOR NO ESTADO DE RONDÔNIA - RELATO

GRANDE AMIGA E COLEGA DE MESTRADO - A MAIOR LEITORA DE BARTHES QUE CONHEÇO


PALESTRA NO PROJETO "DISTÚRBIOS DE LEITURA" NA ESCOLA JEAN PIAGET
TEMA: AUGUSTO DOS ANJOS E O PERFIL DO DOCENTE ATUAL
ORGANIZAÇÃO: PROFESSOR AGILSON




GRANDE AMIGO E PADRINHO DA MINHA CARREIRA - PROFESSOR JOSÉ CARLOS CINTRA. MAIOR ESPECIALISTA, DOCENTE E ATIVISTA DA GRAMÁTICA QUE CONHEÇO NO ESTADO.



sexta-feira, novembro 11, 2011

(Opinião) - MENTE SÃ EM CORPO SÃO? TALVEZ NÃO

MENTE SÃ EM CORPO SÃO? TALVEZ NÃO

Bernardo Schmidt Penna*


A famosa frase do poeta italiano Juvenal (século I) “mens sana in corpore sano” atravessa os séculos e vem a cada dia ganhando novas interpretações, muitas vezes deturpadas e servindo de mantra para uma vida “correta e feliz”. Será mesmo que precisamos de uma mente sã? Ou o que seria efetivamente uma mente sã?


O genial escritor peruano Mario Vargas Llosa em seus “Cadernos de dom Rigoberto” (Ed Alfaguara, 2010, p. 98) faz dura e absolutamente razoável crítica à famosa expressão. Segundo ele, “quem disse que uma mente sã é desejável? “Sã”, nesse caso quer dizer tola, convencional, sem imaginação e sem malícia, arrebanhada pelos estereótipos da moral estabelecida. (...) Uma vida mental rica e própria exige curiosidade, malícia, fantasia e desejos insatisfeitos, isto é, uma mente “suja”, maus pensamentos, floração de imagens proibidas, apetites que induzam a explorar o desconhecido e a renovar o conhecido, desacatos sistemáticos às idéias herdadas, aos conhecimentos manipulados e aos valores em voga.”
Aduz ainda, na outra banda da questão, que aparentemente a prática de esportes, em que pese tornar o corpo saudável, não redunda numa mente sã, já que hoje se vê – e muito – desportistas se valendo de expedientes vis, trapaças, corrupção de árbitros, dopping etc.
As críticas do escritor, na pessoa do divertido personagem Dom Rigoberto, merecem aplausos. Sobretudo nos dias de hoje em que vivemos sob a “ditadura do bem” ou o “monopólio da virtude” por parte do Estado.
Invariavelmente e cada vez com mais veemência, nos dizem, por todos os canais, o que devemos fazer para termos uma vida “correta”. Mas correta aos olhos de quem? O tempo todo nos dizem o que devemos comer, o quanto podemos beber, que não se pode fumar absolutamente, que devemos praticar alguma religião, trabalhar o máximo que pudermos, o que devemos ouvir (normalmente de gosto duvidoso), ler ou consumir.
Será que tudo isso leva a uma mente sã? A autonomia individual vem sendo cada vez mais reduzida, quando deveria ocorrer o inverso. Se vivemos em uma sociedade pautada pelo liberalismo, a liberdade individual teria de ser promovida e não dirigida. Estamos sofrendo uma espécie de robotização em nome de valores, pessoas e dogmas seguramente questionáveis.
É imprescindível que se questione, que se polemize, que se descubra novos caminhos, sob pena de nos tornarmos servis a uma suposta moral que nem sempre atende de maneira inteligente a todos. Ou que não respeita opiniões ou diferenças. Polêmicas do passado se transformaram em grandes conquistas do presente. Não podemos conceber que ter uma mente sã (se isso for mesmo necessário) seja acatar tudo aquilo que nos impõem.


*Advogado, mestre em Direito e coordenador do curso de Direito da UNESC.

quinta-feira, outubro 27, 2011

(Artigo Científico) - PROVA DO ENEM NÃO TEM GRAMÁTICA!?

ANÁLISE MAIS DETIDA COMPROVA QUE AVALIAÇÃO DO ENEM NÃO CONTEMPLA QUASE NADA DA GRAMÁTICA NORMATIVA: MAS O QUE É A GRAMÁTICA?

Autora: Valdenice Oliveira Mendes

Orientador: Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes




RESUMO


O presente artigo tem como objetivo promover um estudo a respeito das provas do Exame Nacional do Ensino Médio - Enem 2008 e 2009, e descrever como a gramática normativa está sendo utilizada no Enem nesse período e se o exame contempla e exige os conhecimentos gramaticais. Por meio de uma análise, compreender se essas as provas do Enem contemplam as questões gramaticais, saber como, e onde contemplam e o grau de profundidade. Parte de referências conceituais fruto de revisão bibliográfica com leitura verticalizada para fundamentação teórica e respaldo metodológico, respeitando a técnica Crítico/Conceitual. Serão efetuadas análises descritivas das questões de Língua Portuguesa, onde serão avaliadas e classificadas segundo critérios específicos da pesquisa. Após esta classificação, as provas serão comparadas e os resultados serão expostos descritivamente e interpretados à luz da pesquisa qualitativa, sob o ângulo dos teóricos que embasam esta prática. Dos resultados obtidos, foi possível verificar que as questões de Língua Portuguesa do Enem 2008 e 2009 não contemplam a gramática normativa como deveria ser contemplado. Assim, é possível destacar que há uma necessidade maior em cobrar a norma gramatical da Língua Portuguesa nas questões do Enem, para que se possam ser cobradas as habilidades do aluno em relação a Língua Portuguesa.



INTRODUÇÃO
Este artigo tem o objetivo de verificar como as questões do Enem contemplam o ensino da gramática normativa; compreender como as regras ou informações gramaticais são exigidas nas questões, bem como sua contextualização e também descobrir quais os objetivos das questões contemplando competências e habilidades. Neste, será colocado em questão o ensino da gramática desde que se iniciaram as avaliações do Enem. É possível perceber que a cada ano que passa, as questões com normas gramaticais vêm aparecendo cada vez menos. É por isso que se faz necessário repensar nas formas de ver as questões gramaticais nas provas do Enem, mostrar ao aluno a relevância da linguagem culta por meio da gramática normativa para a sua formação intelectual e profissional. Verifica-se que não há como ensinar gramática isolada do contexto social do aluno, porém ela não deve ser deixada de lado. Medir as habilidades e competências de um aluno vai além de questões com enunciados que agucem o seu raciocínio.
Assim como é necessário que o aluno aprenda os campos que compreendem a gramática (fonética, morfologia sintaxe e semântica) na escola, é necessário também que tais questões sejam acrescentadas às questões do Enem. Desta forma, é necessário que haja uma visão mais ampla em relação a elaboração das questões sobre o ensino da gramática. Tais medidas podem ser a base para que a visão em relação ao ensino da gramática nas avaliações do Enem seja ampliada, valorizada e, o mais importante, que acrescente ao aluno uma aprendizagem significativa. Desde a época antiga quanto atualmente, o ensino da gramática normativa é de grande importância para a formação intelectual do indivíduo. Com a falta de hábitos de leitura de milhares de brasileiros, o contado com a linguagem culta, bem como as normas gramaticais vai ficando cada vez mais escasso. Sabe-se que a prática de leitura nas aulas de língua portuguesa, vem a auxiliar o aprendizado das normas gramaticais, propiciando ao indivíduo um contato gradativo com a língua portuguesa. Esse contato é que faz com que a maioria dos leitores esteja preparada para realizar uma avaliação como a prova do Enem no final do Ensino médio. Porém, é possível perceber que, com o advento do Enem, as questões gramaticais vão ficando cada vez mais deixadas de lado. Desta forma, como está o ensino da gramática desde que surgiu o Enem? E como essa avaliação absorveu a gramática, principalmente nos anos de 2008 e 2009? Uma pessoa não aprende regras gramaticais com fragmentos de textos isolados do contexto social, mas sim com leituras significativas. Isso deixa claro que a prática de leitura tem relevância para o indivíduo, como também, faz-se necessário que o ensino das regras gramaticais esteja presentes nas aulas de Língua Portuguesa e também nas avaliações para medir como está o desenvolvimento do aluno. O Exame Nacional do Ensino Médio - Enem vem sendo uma das portas para que o aluno, ao sair do Ensino Médio, venha a se ingressar no ensino superior. Sua importância para avaliar o aprendizado do aluno é bastante significativa, uma vez que é por meio dela que ele irá apresentar suas habilidades e competências em todas as áreas do conhecimento e se mostrar apto para o mercado de trabalho. O presente artigo poderá ajudar os alunos, professores e escolas em relação à visão da importância do ensino da gramática e também, avaliar como está sendo atribuído o valor às questões gramaticais na avaliação. Este trabalho visa esclarecer o nível de profundidade da gramática aplicada nas questões do Enem em Língua Portuguesa, como já foi dito e para isso, serão verificados em três níveis: o primeiro, como é o ensino das regras gramaticais (normativo) nas provas do Enem; a segunda, verificar se existem fragmentos de textos que exigem a norma culta e terceiro, verificar se existem apenas interpretações de texto.

1 GRAMÁTICA: POR QUE É IMPORTANTE APRENDÊ-LA?Sabe-se que cada ser humano possui sua gramática internalizada. Toda pessoa possui seus conhecimentos linguísticos internos independentes de ir à escola. Seus conhecimentos linguísticos internos obedecem aos conhecimentos lexicais sintáticos e semânticos da língua. (POSSENTI, 2001) Percebe-se que não há só língua, mas sim, as línguas faladas e a língua escrita. Tais variações são causadas devido aos fatores internos da língua ou fatores sociais.
Quando um falante aprende a conhecer um verbo, perceberá que é uma palavra que pode variar em pessoa e tempo, isso, por causa do conhecimento implícito do indivíduo. Mesmo sem se dar conta, ele conhece cada palavra que pode conjugar. Nunca irá, por exemplo, conjugar a palavra “computador” ou a palavra “sempre”. (PERINI, 2002) O que se percebe é que ele necessita de ir à escola apenas para aperfeiçoar esses conhecimentos que já possui. “O domínio de uma língua é o resultado de práticas efetivas, significativas, contextualizadas.” (GERALDI (ORG), 1999, p. 36) Neste caso, o aluno precisa aprender a externar seus conhecimentos linguísticos na escrita, o que irá necessitar de uma aprendizagem adequada para somar a linguagem escrita a qual segue as regras gramaticais à sua gramática internalizada. A prática do ensino da gramática não deve ser uma prática exaustiva, mas sim, algo contextualizado com as práticas sociais do aluno, isso, para que ele possa acrescentar os conhecimentos da norma culta aos que já possui.
Uma das formas de terem contato com a língua escrita é por meio da prática de leitura e da prática da escrita de textos. Também, a forma de conceituar o momento da fala do aluno com as regras gramaticais, a prática do ensino da língua escrita pode tornar-se um método muito significativo Um dos problemas apontados por muitos críticos à língua e linguagem, é que os ensinos da gramática nas escolas estão sendo feitos de forma inadequada pelo fato de, mesmo com algumas teorias novas, as metodologias ainda são muito antigas.
Na escola, Geraldi (1999) defende que tal processo pode ser feito por meio da prática da leitura, da escrita e também do ensino das próprias regras gramaticais, com exemplos significativos para o aluno, defendendo, é claro, os métodos que incluam uma contextualização desses ensinos na vida dele.

Parece-me importante, sobretudo nos primeiros anos de contato com os textos, exercitar a leitura e a escrita, para que a reflexão teórica e histórica sobre eles se dê a partir de uma convivência e do processo que os gera: o trabalho criativo com a linguagem, a prática da expressão livre. (GERALDI (ORG), 1999, p. 22)

O ensino da gramática nas escolas junto à prática da leitura deve exercer a função de formar o cidadão um ser crítico, consciente do seu próprio discurso. Estudar a língua é, então, tentar detectar os compromissos que se criam por meio da fala e as condições que devem ser preenchidas por um falante para falar de certa forma em determinada situação concreta de interação. (GERALDI (ORG), 1999, p. 42)

O ensino da gramática nas escolas deve ser visto como um conjunto de atitudes que possam gerar benefícios maiores ao aluno, um deles, é poder comprovar suas habilidades e competências em uma avaliação como o Exame Nacional do Ensino médio - Enem.
Tais atitudes não podem partir apenas por parte do professor ou da escola, mas também da comunidade, do Estado e do Ministério da Educação. É possível ver que o problema da falta de domínio da escrita pela maioria dos jovens que terminam o ensino médio, é atribuído também às irresponsabilidades administrativas para com o ensino, bem como a falta de condições econômicas à educação. (GERALDI (ORG), 1999)
O baixo índice dos resultados das avaliações no Brasil pode ser causado por inúmeros fatores: além da falta de políticas públicas para a educação, falta de valorização aos profissionais da educação, não há também a prática dos métodos avançados de se ensinar a gramática, bem como a falta de recursos escolares para que o professor possa realizar um bom trabalho em sala de aula. Não há um apoio e métodos adequados para a educação, do contrário, não haveria o vergonhoso baixo índice de leitura. Quando há o ensino das regras gramaticais sem contextualização é possível avaliar que o aluno poderá adquirir uma visão de que a língua escrita é algo difícil e “chato”.

Podemos, sim, fazer o aluno crescer em linguagem, aumentando o vocabulário, os recursos expressionais, tomar consciência das potencialidades da língua. E dominar a escrita, pontuação, estrutura e parágrafos, técnicas de correção e aperfeiçoamento estilístico, variabilidade expressional. (LUFT, 2006, p. 88)


Desta forma, não há como cobrar questões com habilidades e competências sem aprender a internalizar as regras gramaticais por meio do aproveitamento do que o aluno já possui; não com exemplos de ensino isolados. O resultado disso tudo é o grande índice de reprovação nas avaliações, pois, sabe-se que o aluno possui seus conhecimentos e suas competências linguísticas internalizadas, mas com a diferença da língua escrita, aumenta a dificuldade, na maioria das vezes, de ler e compreender um enunciado.

2 AS QUESTÕES DE LÍNGUA POTUGUESA DO ENEM NAS AVALIAÇÕES 2008 E 2009É sempre bom perceber a alegria de um estudante ao conseguir atingir os objetivos depois de um longo tempo de preparo nos estudos, contando o ensino básico todo. É possível perceber que, nesse preparo para o Exame Nacional do Ensino Médio- ENEM são exigidas habilidades e competências em várias áreas dos conhecimentos, e uma delas, é: Linguagem, Códigos e Suas tecnologias. É nesta área do conhecimento que estão inclusas as questões de Língua Portuguesa.
É possível perceber que tais questões de língua portuguesa exigem do aluno, um raciocínio hábil na área da linguagem. E as interpretações desta área do conhecimento, bem como as questões que envolvem o raciocínio lógico são bem mais exigidas do que a norma gramatical da Língua portuguesa nas questões do ENEM. Isso é bastante positivo, no entanto, é necessário levar em conta a necessidade de se exigir que as regras gramaticais também sejam bem mais cobradas desse aluno que se prepara para as questões do Enem, de forma que o seu desempenho seja bem mais proveitoso em relação ao aprendizado da Norma Culta da língua.
Antes mesmo de relatar dados desta pesquisados, é preciso levar em conta a necessidade lembrar que o conhecimento gramatical é todo o complexo normativo da língua engessado em certos conteúdos exemplares tais como: concordância, ortografia, regência, mesóclise, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, entre outros.
É válido lembrar que ao observar à prova do Enem 2008, cor azul, as questões que contemplam a Língua portuguesa são 10 ao todo. Já da prova do Enem 2009, também de cor azul, as questões que contemplam a Língua Portuguesa vão de 91 à 135, um número de questões bem maiores do que no Enem de 2008.
No ENEM 2008, é possível perceber que há uma prioridade em testar os conhecimentos do aluno nas interpretações textuais nas quais são testadas o raciocínio do aluno e também sobre literatura, como pode ser percebido nas questões 09, 12 e 13. Nesse caso vemos claramente do que se tratam as questões. Outros pontos marcantes na área de Linguagem, Códigos e suas Tecnologias é a linguagem tratando neste caso das linguagens formal e informal, como trata a questão 14 do ENEM 2008, já no que se toca a questão gramatical, não apresenta nenhuma questão com a norma gramatical de forma explícita.
Na prova do ENEM 2009, além de tratar da linguagem formal e informar (culta e coloquial), interpretações textuais, linguagem literária, funções de linguagem, gênero textual, funções de linguagem, língua falada e língua escrita, entre outros. No que se trata explicitamente da norma gramatical da L.P, é possível verificar que a questão de número 96 da prova azul do ENEM 2009, menciona nas alternativas desta questão, orações subordinadas e pronomes.
Em se tratando da prova do ENEM 2009, nas questões que envolvem a Língua Portuguesa é possível verificar que é muito raro uma questão que trata da gramática normativa.

Os principais recursos utilizados para envolvimento e adesão do leitor à campanha institucional incluem:
A – O emprego de enumeração de itens e apresentação de títulos expressivos.
B – O uso de orações subordinadas condicionais e temporais.
C - O emprego de pronomes como “você” e “sua” e o uso do imperativo.
D – A construção de figuras metafóricas e o uso de repetição.
E - O fornecimento de número de telefone gratuito para contato.

No que toca à gramática normativa, surgem de forma quase que implícita e noutros casos, bem superficiais, ou seja, não está sendo contemplada como deveria. No caso da única questão que mencionou a gramática normativa, ela surgiu “de relance” entre as alternativas, o que dá a entender que o nível de profundidade é bastante superficial e não contempla a norma gramatical como um todo.
Há uma preocupação em fazer com que o aluno consiga mostrar habilidades em: detectar a diferença entre linguagem culta e coloquial, linguagem falada e escrita, funções de linguagem, onde possa detectar quem é o emissor e o receptor de uma mensagem, entre outros pontos. Neste caso, a gramática está implícita dentro dos textos e das questões, porém, a gramática normativa quase não é mencionada.
Isso quer dizer que a norma gramatical da LP não está sendo tanto exigida nessas avaliações como deveria ser, em outras palavras, as questões do Enem 2008 e 2009 de Língua Portuguesa não contemplam a gramática normativa em um todo, como deveria ser contemplada.
Neste caso, é possível perceber que as questões de língua portuguesa que envolve a gramática são pouco mencionadas, levando em questão à importância de se aprender a gramática da língua portuguesa para que assim o aluno possa entender com mais clareza a língua que ele utiliza no seu cotidiano, bem como a diferenciação dessa língua falada com a língua escrita que é muito cobrada dele nas aulas de LP.
Uma sociedade anti-leitura na qual a maioria dos alunos tem preguiça de ler, é muito complicado aprender a gramática normativa e sua diferença entre a língua que ele utiliza no cotidiano e a norma culta, sem que ele encontre a necessidade de aprendê-la.
É bastante compreensível que as questões do ENEM 2008 e 2009 que se tratam da Língua Portuguesa são estruturadas com base nos conhecimentos que o aluno deve saber ao concluir o Ensino Básico. É neste pondo que colocamos em questão as competências a habilidades.
Por ser um Exame Nacional do Ensino Médio e carregar tantas responsabilidades e cobranças do Ensino Básico, é possível ver que não há uma cobrança maior das regras gramaticais nas provas do ENEM, isso faz com que o aluno não dê tanta importância para a gramática, ou pela dificuldade de compreensão e ou mesmo pelo desinteresse de achar que não é tão cobrado.
No caso das questões mencionadas que se tratam da LP, é muito importante valorizar a linguagem seus códigos e tecnologias, bem como explorar os conhecimentos linguísticos que circundam o universo do aluno e, nas provas no ENEM é bastante claro esses descritores. Mas o que é preciso entender é que, se não são cobradas essas normas gramaticais de forma explícita e com frequência nas questões do ENEM, o aluno não irá se preocupar em aprender a gramática normativa.
É sabido que há uma gramática implícita nessas questões, porém, a gramática normativa de maneira explícita, onde fica? Qual é a sua importância numa sociedade que não gosta de ler e, portanto, não se depara com ela a não ser na sala de aula ou em algum curso preparatório? É necessário levar em consideração, desta forma, que não há como aprender a norma culta da LP se não estiver presente, a gramática normativa.

CONSIDERAÇÕES FINAISNeste artigo foram analisadas as questões de Língua Portuguesa do Enem 2008 e 2009 para verificar qual é o nível de profundidade da gramática normativa presente nas avaliações: primeiro, se há gramática normativa, segundo, se há fragmentos de textos que exigem a norma culta e terceiro, se existem apenas interpretações de texto.
Desta forma, foi possível perceber que tais avaliações não contemplam o primeiro nível dos conteúdos engessados, mas sim, os dois últimos níveis. Assim, é possível perceber que tais avaliações privilegiam mais as condições de uso da Língua Portuguesa, do que as condições teóricas sobre a língua, ou seja, há uma preocupação em como o aluno está usando ou mesmo irá usar a língua, e não, se ele está aprendendo ou irá aprender as regras da gramática normativa.

REFERÊNCIAS

BECHARA, Evanildo. Ensino da gramática. Opressão? Liberdade?. São Paulo: Ática, 1991.
GERALDI, João Wanderlei (org.). O texto na sala de aula. 2. ed. São Paulo: Ática
PERINI, Mário A. Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 2002.
POSSENTI, Sírio. Porque (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras, 2001.
LUFT, Celso Pedro. Língua e liberdade. 8. ed. São Paulo: Ática, 2006.

segunda-feira, setembro 26, 2011

CURSO DE LEITURA POÉTICA: O PODER DAS ENTRELINHAS (AGUINALDO GONÇALVES)

LETRAS/UNESC REALIZOU CURSO DE LEITURA POÉTICA COM CRÍTICO LITERÁRIO RENOMADO

Nos dias 28, 29 e 30 de Setembro o Curso de Letras da UNESC realizou curso com o poeta, semioticista e crítico literário Aguinaldo José Gonçalves, livre-docente e professor da UNESP. O Objetivo do curso, segundo seu idealizador, professor Rômulo Giácome (coordenador do curso de Letras) foi “oferecer um curso de Leitura poética aos acadêmicos e ex-acadêmicos de Letras da UNESC, como forma de melhor qualificar o curso perante a demanda profissional do Estado, ampliar a experiência acadêmica e a qualificação do letrólogo, possibilitando contato com um profissional de renome nacional. O evento é exclusivo para acadêmicos e ex-acadêmicos de Letras/UNESC e contempla muitas das habilidades e competências requeridas pelo novo perfil profissional do Curso.













quarta-feira, setembro 21, 2011

XVI SELL (SEMINÁRIO DE ESTUDOS LINGUÍSTICOS E LITERÁRIOS) UNIR - VILHENA

XVI SELL (UNIR - VILHENA) 05, 06 e 07 de Outubro.
A todos os letrólogos, docentes da área de línguas e comunicação, pesquisadores, semioticistas e linguistas, produtores de arte e jornalistas, evento imperdível.
Com certeza a UNIR nos congratula com mais uma importante versão do SELL, projeto idealizado pelo brilhante professor Osvaldo Cupertino, que ao longo de todos estes anos, foi o pilar da minha formação letróloga e a de mais uns milhares de professores deste rincão regional. IMPERDÍVEL. Segue abaixo programação.



Programação

05 de outubro

8h - Entrega do material
10h às 11h30min - Sessões de comunicação
14h – Abertura
15hConferência - Literatura e Identidade em Les Cordes-de-Bois de Antonine Maillet – Prof. Dr. Nelson Luís Ramos (UNESP)
19h Conferência - O procedimento estilístico - escolha e/ou desvio da norma linguística? – Prof. Dr. José Carlos Lemos (UFCE)

06 de outubro
8h às 11h30min - Minicursos
14hConferência – Poesia não! Escritor Frederico Barbosa (Casa das Rosas)
19hConferência - O ensino de línguas: definição de prioridades – Prof. Dr.ª Maria Irandé Costa Morais Antunes (UFCE)

07 de outubro
8h às 11h30min - Minicursos
14hConferência – No labirinto da poesia contemporânea Profª Dr.ª Susanna Busato (UNESP)
19hConferência Narrativa e poesia: dois atos de desrealização para a construção de mundos – Prof. Dr. Aguinaldo José Gonçalves (UNESP)

Minicursos
1 – Poesia Contemporânea: entre olhares de versos - Profª Dr.ª Susanna Busato (UNESP)
2 - Literatura e Identidade - Prof. Dr. Nelson Luís Ramos(UNESP)
3 - Análise de textos: fundamentos para uma prática significativa - Prof. Dr.ª Maria Irandé Costa Morais Antunes (UFC)
4 - Criação Poética: Poesia e Consciência da Linguagem - Frederico Barbosa (Casa das Rosas)
5 - Reflexões sobre a poética da narrativa - Prof. Dr. Aguinaldo José Gonçalves (UNESP)
6 - A criatividade para a produção de textos na escola - Cleice Medeiros (Escola do Legislativo)
7 - Planejamento Educacional - Maísa Soares de Oliveira (Escola do Legislativo)
8 - Ficção e filosofia: leitura em devir - Profª Dr.ª Heloisa Helena Siqueira Correia (UNIR)
9 – A sociolinguistica e o ensino da Lingua Materna – Prof. Dr. José Leonildo Lima (UNEMAT)
10 – Aulas de Português nos tons MPB – Ms. Enísia Soares (UAB/UNIR - Faculdade de Ouro Preto do Oeste)
11 - Competências para o ensino da língua inglesa na atualidade – Prof. Dr. José Amarino Maciel (UFAM)
12 - Ferramentas da Web 2.0 para o ensino – Prof. Esp. Marcos Adriel Sampaio e Marcos Leôncio Teixeira (REN/SEDUC)

OFICINA
13 - A Construção de mamulengos - Prof.ª Gabrielle Vasconcellos

CONVERSA COM O ESCRITOR

07 de outubro
9h – Poeta, que bicho é esse? - Frederico Barbosa (Casa das Rosas) - (Salão da Aciv)

sexta-feira, setembro 09, 2011

Documentário: LIXO EXTRAORDINÁRIO - João Jardim / Vik Muniz / Jardim Gramacho

LIXO EXTRAORDINÁRIO: COMO UMA COISA SE TRANSFORMA EM OUTRA E COMO UMA PESSOA PASSA A SER ELA MESMA.




By Rômulo Giacome

Co-Produzido por João Jardim e com a trilha sonora do Moby, este documentário traz planos e reflexões que se intercomunicam e se congregam em dois grandes vetores: uma discussão sobre arte, principalmente moderna; e a relação arte / função social, desde a acepção da art manager, categoria ritualizada pela pós-modernidade. (atuação do artista e uma forma de arte processo, desencadeando perspectivas sobre materiais, técnicas e formas de interação do ente estético).
Tudo começa quando o artista Vik Muniz, já conceituado e imbricado no sofisticado mundo da arte debut decó, uma vertente da arte para ricos, com intuito decorativo, passa a planejar uma atuação mais viva no campo social, buscando fazer uso da sua plataforma e produção artística em uma comunidade de catadores de Lixo do Rio de Janeiro. Premeditadamente, o artista busca oferecer a uma comunidade carente algo com sua arte e popularidade, o que realmente aconteceu.
Antes é importante que tracemos uma mínima contextualização de Vik Muniz. Vik é um artista moderno, brasileiro, morador dos EUA, que produz painéis e obras que possuem ampla comercialização e iconicidade relativamente forte. Ou seja, sua comunicação iconoclasta trafega entre ritos artísticos da pop art, com desenvolturas decó, passando por ousadias contemporâneas, chegando na propositura de construir um questionamento sobre o próprio material da produção, inferindo e majorando esteticamente na relação material x ideia. Este último estigma é o mais forte, pois já re-produziu layouts de Wandy Warol de café e achocolatado, como crianças pobres sob base de açúcar.
Assim, desta haste de questionamento do artista sobre os materiais que trabalha, agregando um forte desejo social, fez com que Vik e seu produtor caíssem de paraquedas em Gramacho, palco central deste documentário. O nó nevrálgico é: produzir arte do lixo e reverter em capital social, retirando aqueles integrantes do lixão da sua situação social, nem que seja em intelecto, espírito ou consciência.
O documentário começa a tomar volume à medida que Vik entra em contato com os personagens centrais, com marcas pessoais fortes, histórias de vida interessantes e marcadas por dramas e tragédias. Este ritual de progressiva tensão de merecimento x miséria, equaciona a necessidade de sublimação e evolução que cada personagem irá percorrer.
O primeiro personagem é Tião, líder da comunidade e coordenador da cooperativa, que recicla o lixo e transforma o esforço comum em salário. A trama propõem que Tião é o maior leitor do grupo, demonstrando seu caráter idealista e liderança natural, assim como sua cultura maior que os demais. Nessa esteira, o documentário também trafega em personagens femininas fortes, como a cozinheira “Irmã”, figura célebre e orgulhosa, que ostenta vinte anos no meio do lixão, cozinhando em condições precárias para todos os catadores. Esta cena merece recorte: desabada sobre pilhas e pilhas de lixo, em uma lareira nesta floresta degradante, Irmã mantém sua cozinha mambembe, com um fogareiro, panelas grandes e água em um pequeno balde. Nele é lavado desde os produtos até os talheres e pratos. Vik também se corresponde com a bela Suelem, menina / mulher, com seus dois filhos e gestante do terceiro, que prefere reciclar o lixo do que cair na prostituição. Emblemática, Suelem sintetiza as réstias de valores e dignidade que movem uma menina, a empunhar moralidade em meio a nenhum resquício de elemento sadio.
Estas personagens remontam a face individual / coletiva, como produto da representação humana e social de Gramacho. Na busca de maior forma simbólica, Vik procura ressaltar um layout que vislumbre todo o contingente iconoclasta de cada um destes personagens ativos, colocando-os em situações representativas. Tião lembra Marat na famosa cena de sua morte; a menina Suelem está santificada com seus dois filhos, re-lembrando e recolocando a presença de Nossa Senhora Aparecida; Irmã, com um balde na cabeça, demarca o trabalho feminino, a labuta de uma espécime rara de pessoa, aquela que só pode nascer da adversidade, moldada o caráter por meio de duros golpes da própria vida. Mas a melhor de todas, pessoalmente, é Magna; sua feição destaca um processo de revitalização da consciência, de encontrar uma vitória e liberdade perdida, uma atitude escondida a muito tempo, fato que irá ser comprovado no decorrer do documentário.
Poderíamos resumir a metodologia de Vik em duas fases: a primeira é a busca de personagens que possam ser matéria prima de layouts ou ícones de qualidade expressiva, conteúdos fóricos interessantes. A segunda fase é a materizalização desta ícone por meio da produção com o lixo, fato que levou os próprios coletadores a botar a mão no “material reciclável”, como afirmava Zumbi, outro personagem emblemático. Sob a batuta de Vik, os coletadores iam moldando os traços e expressões das personagens. Talhadas e erigidas no próprio lixo, as formas iam se transformando em alguma coisa que não era gente, lixo ou painel fotográfico. A coisa ia tomando uma consistência e por mais que pensássemos: é forma feita do lixo, não era assim que parecia mais. Era agora algo que tinha um efeito estético impressionante, como se atingisse uma cópia ou receptáculo de igual proporção no fruidor deste tipo de arte.
Bem, mas encaminhados os trabalhos e apresentado um mundo diferente daquele tangenciado pelos catadores, Vik deparou-se com um problema de ordem ética: ninguém queria voltar ao lixo. Todos queriam outras formas de trabalho e de vida. A viagem para Londres, onde Tião teve a oportunidade de presenciar um leilão de sua própria representação, tocou os protagonistas desta trama de modo agudo. Não tinha como voltar. Já não era mais provável e nem possível voltar a forma de vida anterior. Deste pequeno e aparente dilema, outro surgiu maior: os projetos sociais tem a pretensão de mudar os “menos favorecidos”. Mas até que ponto os menos favorecidos são realmente “menos”? Em que sentido? O documentário trafega por meio desta possibilidade de ajuda mútua, análoga, entre agente e paciente. Mas quem é paciente ali? Quem é fraco ali? Não é nada fácil trabalhar a noite catando lixo, em situações insalubres, comer o que encontra, morar em locais improváveis e ainda sorrir.
O vácuo existencial entre o sonho e o ter demarca que o próprio agente, Vik no caso, não detém o “mais” para determinar o que pode ou não ajudar os outros. Como ele mesmo diz: “Quando eu não tinha nada, queria tudo; agora que tenho tudo, não quero mais nada”. E a vida torna-se a fatídica e enfadonha, e correta e rica forma de se entediar com a existência. Muito se pode depreender deste documentário.
Pode ser uma forma da elite se mostrar não tão fugaz e fútil, ao oferecer oportunidade a um grupo social, levá-los à arte, ao pico do mezzon decó, e depois deixá-los livre para sonhar.
Mas creio que o ponto mais forte da trama, que discute algo sobre a arte contemporânea, compartilhada em seu escaninho, é a transformação de vidas a partir de perspectivas diferentes. Ser olhado e se olhar por outro viés é condição de mudança efetiva. Talvez a própria trama me tenha feito olhar por outro viés. Indico a todos este documentário, muito bem produzido e bem arquitetado. Que mudemos também.

quarta-feira, agosto 31, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 14ª EDIÇÃO - CONCORDÂNCIA VERBAL: PERCENTAGEM E FRAÇÕES

By Elisandro Félix de Lima

COMO DEVE SER FEITA A CONCORDÂNCIA VERBAL, QUANDO HÁ NA ORAÇÃO PERCENTAGEM E FRAÇÕES?


Mais uma vez, venho publicar uma nota sobre a concordância verbal. São muitas as pessoas que têm procurado minha ajuda para revisão de Trabalho de Conclusão de Curso e, a maioria delas afirmam que se sentem inseguras sobre sua escrita em relação a pontuação e principalmente no que diz respeito a concordância verbal. De certo modo, não vou dizer que seja fácil compreender todas as regras da língua portuguesa, nem mesmo as mais de quinze regras para a concordância verbal. Além de, é claro, onde, há regras em que o verbo pode ou não concordar em número com o sujeito da oração. É o caso de percentagem e frações.

PERCENTAGEM

Pode se fazer a dupla concordância. Havendo um complemento, a tendência é concordar com ele.

Exemplos:
a) 20% resolverá o nosso problema.
b) 20 % resolverão o nosso problema.
c) 10% do alunado faltou à aula.
d) 10% dos alunos faltaram à aula.

FRAÇÕES

Pode se fazer a concordância com o numerador ou com o complemento.

Exemplos:
a) 1/4 do material chegou com atraso.
b) 1/3 das pessoas se dizem felizes.
c) 2/5 devem ser dissolvidos em àgua mineral.
d) 1/3 do livro é bobagem pura.

REFERÊNCIAS

PIMENTEL, Carlos. Português descomplicado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa Gramática Contemporânea: teoria e prática. São Paulo: Escala, 2009.

Elisandro Félix de Lima é graduado em Letras e especialista em Gramática Normativa da Língua Portuguesa pela UNESC - Faculdades Integradas de Cacoal.

quarta-feira, agosto 17, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 13ª EDIÇÃO - CONCORDÂNCIA VERBAL: CASOS ESPECIAIS COM SUJEITOS SIMPLES

Por Elisandro Félix de Lima


Expressões partitivas + substantivo/ pronome

Segundo Abaurre e outros (2010) quando o sujeito apresenta uma expressão partitiva seguida de um substantivo ou de um pronome no plural, o verbo pode ficar no singular (concordando com o substantivo que ocorre na expressão partitiva) ou ir para o plural.

EXPRESSÕES PARTITIVAS: "uma parte de..., grande parte de..., a maior parte de..., grande número de..., a maioria de..., a minoria de..., uma porção de ... etc).

Vejamos o exemplo: "A maioria dos alunos não foi à aula". Onde, (maioria dos alunos = expressão partitiva); (maioria = substantivo/ núcleo do sujeito/ 3ª pessoa do discurso, singular).

O verbo ficou no singular porque se optou por fazer a concordância verbal com o substantivo maioria, que é o núcleo do sujeito da frase.

O verbo poderia ir para o plural caso se optasse por fazer a concordância com o substantivo que aparece após a expressão partitiva, no núcleo do adjunto adnominal.

Exemplo: "A maioria dos alunos não foram à aula". Onde, (alunos = substantivo/ núcleo do adjunto adnominal/ 3ª pessoa do discurso, plural).

Para a maioria dos gramáticos, o plural, apesar de correto, não é estilisticamente aconselhável, como é o caso do exemplo: "A maioria das pessoas concordaram comigo".
Particularmente, sobre o assunto, concordo com a maioria dos gramáticos, não aconselho o plural.

Fonte Consultada:

ABAURRE, M. L. M. et al. Português: contexto, interlocução e sentido. São Paulo: Moderna, 2010, p. 343.
PIMENTEL, Carlos. Português Descomplicado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 154.

Elisandro Félix de Lima é graduado em Letras e pós-graduado em Gramática Normativa da Língua Portuguesa pela UNESC - Faculdades Integradas de Cacoal, além de atuar como Revisor Textual de Monografias e Artigos Científicos.



sexta-feira, agosto 12, 2011

NOTAS TEÓRICAS SOBRE EDGAR ALAN POE


MODELO POÉTICO DA MODERNIDADE


By Rômulo Giácome





Poe foi um legítimo filho da loucura. Sua vida imita a obra, ou a própria obra imita a vida, construindo sua maior especialidade: equilibrar-se, por meio da linguagem, entre a verdade e a mentira; entre o natural e o sobrenatural; entre a lógica e o devaneio.
Se perguntares se existe sobrenatural em Poe, aquele sobrenatural entendido como o místico em situações que ferem a ordem da existência, ou a exteriorização dos terrores e seus protagonistas, podemos afirmar que não.
Tanto em O Gato Negro como Manuscrito encontrado em uma garrafa, não existe uma frente exterior de elementos extra-humanos, ou efeitos ilógicos que sobressaem da realidade. Ou seja, um terror externo, personificado. Na realidade, é uma dialética entre crenças e superstições simbólicas equilibradas frente à lógica e a razão, sobre o viés da loucura. Existem motivos psicológicos e espirituais, sugeridos pelas estratégias narrativas, por simbologias, valores depreendidos por situações e não por conceituações. Não existem definições, mas situações de enunciação que constroem enunciados polifônicos. Logo, o terror de Poe é fruto de uma larga, silenciosa e contínua força psicológica.
O elemento mágico depreendido pela narrativa de Poe não está concentrado no enunciado, mas sim na enunciação, nas estratégias narrativas utilizadas, em uma comunicação direta que exprime o fluxo da lucidez / insanidade. Assim, mágica é o trabalho com a narrativa, com sua estruturação e adequação, o que torna Poe vanguardista e influente no meio modernista / simbolista da poesia e prosa. O trabalho com o símbolo permite várias facetas de leitura e realização narrativa. (gato preto, plutão, desenhos insignes, ossos humanos em fossos profundos, etc)
Logo, por meio de um jogo, configurado por truques da linguagem, ele vai tirando véus da realidade. Em um eterno movimento, a narrativa lança o elemento mágico e depois o substitui, pondera ou minimiza, até atingir a verossimilhança. No manuscrito, o navio efetua ações impensadas, tais como manter-se no turbilhão, vagar a velocidades impensadas e a existir com materiais tão antigos (madeiras porosas). No entanto, estas perspectivas mágicas estão emolduradas pela solidão e a possível alienação a qual o personagem se encontra, o que pode justificar esta visão onírica. Uma causa psicológica para um efeito místico. Ele suscita que o navio é de outras eras, não existente neste plano, quando afirma que o formato deste era “lembrado” em contos seculares. No entanto, a sugestão de Poe é maior que a definição, o que o faz influente no meio simbolista.
Edgar Alan Poe deve ser lembrado como um gigante do conto. Naquilo que este tem de mais maravilhoso. O poder de atrair, culminar em um clímax ardoroso, sugerir e impactar. Em enunciados e motes ricos, se constrói um tratado sobre o fazer literário, com técnicas contemporâneas de criação de verossimilhança (os contos têm sempre uma justificativa prévia). Como é o caso e Leonor, que Poe divide em dois momentos: um de lucidez, mesmo que eivada de inocência pueril. E outro de loucura, onde os fatos não podem ser marcados como válidos.
O forte conteúdo moral ou (amoral) também pode ser vislumbrado em O barril de Amontillado. Neste, obcecado pela vaidade, Fortunato se perde na escuridão e na própria insensatez, pois só descobre muito tarde que era uma cilada. A pequena câmara que sepultou o personagem é a passagem e o pesadelo dos vaidosos, obcecados pela própria existência.
Com uma morte rodeada de mistérios (1849), Poe descortinou a narrativa moderna para a posterioridade. Inaugurou um cânone não tão considerado erudito, recebendo críticas e censuras. Mas sua obra permanece, atingindo em cheio dois amplos campos da arte moderna: o flanco da cultura pop e o campo da técnica literária. Poe é leitura obrigatória em qualquer carreira letróloga.

domingo, agosto 07, 2011

SHOW DO NX ZERO EM PIMENTA BUENO PECOU PELO ATRASO E QUALIDADE DO SOM

Esperado desde às 23:00 horas, o NX Zero só começou a tocar às 1:10 da manhã, com um som muito alto e desequilibrado, atordoando a todos com o zumbido dos instrumentos.


Aparentemente o show da banda é bom; eles tem vibração e os ingredientes certos para conquistar o público. No entanto, estes atrapalhos reduziram drasticamente a qualidade do show.

A hipótese para o atraso pode ter sido o público, que até às 0:0 horas era muito pequeno.

Mas mesmo assim, se eu conhecesse mais de uma música do grupo teria sido um grande show, pois a banda tem muito "punch" no palco. Recordei-me apenas de "razões e emoções" que eu não sei se cantaram, porque sai antes.

O bom mesmo é poder encontrar os amigos e aproveitar a liberdade do rock and roll como pano de fundo.

(...)

O Capital Inicial, que tocou em Ariquemes no último dia 30, tambem apresentou problemas no som, que deixou a voz de Dinho sem alcance para quem estava na arquibancada. Sem pegada, o vocal de dinho "entristeceu" a arquibancada e alegrou a arena com seu pop / rock dos anos sempre.

(...)

quarta-feira, agosto 03, 2011

TÓPICO GRAMATICAL 12ª EDIÇÃO - DIFERENÇA ENTRE "A CERCA DE", "HÁ CERCA DE" E "ACERCA DE"

By Elisandro Félix de Lima


Há três maneiras de empregar a expressão “cerca de”. Ela pode vir precedida da preposição “a” (a cerca de) quando significar “perto de, próximo de, aproximadamente” como se pode observar na frase “Estávamos a cerca de 5 quilômetros da cidade”. Nesse caso, a expressão só pode ser usada com números arredondados, isto é, nunca em casos como esse “Estávamos a cerca de 98 metros do local”. O correto é arredondar para o numeral 100. Já em “há cerca de” a referida expressão “cerca de” vem precedida do verbo “haver”, o que equivale a “faz” ou indica tempo transcorrido. “Há cerca de um mês os médicos da cidade fizeram greve”. Não se deve usar essa expressão com a palavra “atrás”, porque a frase pode se tornar redundante. Como é o caso de “Há cerca de um mês atrás os médicos da cidade fizeram greve”. Já a expressão “acerca de” é uma locução prepositiva, isto é, relaciona dois termos em uma oração. Essa expressão é empregada com o sentido de “a respeito de, sobre” como se pode ver no exemplo “Discutimos acerca do aumento salarial”.
Portanto, ao usar dessas expressões, é preciso observar o sentido delas no texto.


Referências:


BASTOS, José Antônio. S.O.S Português. In: Revista Nova Escola. n. 234, ago. 2010, p. 20.
COSTA, José Maria da. Manual de Redação Profissional. 3. ed. Campinas: Millennium, 2007.

segunda-feira, agosto 01, 2011

SEGUNDA LITERÁRIA - CONTO "PAI E FILHO"

"PAI E FILHO"
By Rômulo Giácome


A cama cintilante, na luz cintilante de uma lâmpada incandescente amarela. O dedinho e toque leve, pequenino, suspirando proteção. Nos arcos, da fumegância da luz amarelada, lava, a noite parava. Intensa. Medo? Não. Incômodo. Pequenos toques e abraços, tremores corporais de um corpinho miúdo, guarnecido ao meu peito. Liso corpo de criança, leve e sem desilusões, apenas aquelas que levam ao sonho / pesadelo, ao cair da tarde. Ao anoitecer eterno do breu, um pequeno frêmito: pai! Te amo!
Te amo também muleque! Vai dormir!
- Pai!! Te amo(...)
Acima das paredes brancas, dispostos infantilmente, carrinhos, fotos, palhaços, fitas amarelas, bolinhas e coloridos amarelados. Portas de um guarda-roupa aberto, adesivos e motivos coloridos. O quarto gira nos suspensos cavalinhos alados, resplandecendo nas rodinhas e moniaturas de motos e carrinhos lilás / vermelho. Quando saio (...)
Acima das paredes brancas, um infinito em chamas; fumaças fantasmagóricas caem como plumas e nuvens lisérgicas; cabeças rolam no tecido branco, dissipando vermelhos e amarelos sobre o fundo transparente da inocência. Monstros vagueiam nas sombras do teto.
Abraçados, um sentimento de unidade percorre nossas veias. Virados de costa, abandonamos o tempo.

sexta-feira, julho 01, 2011

NEWS: XXII "FALE" EM VILHENA; TERCEIRÃO DO DANIEL BERG EM JURI SIMULADO NA UNESC; CONFRATERNIZAÇÃO DE LETRAS NA CASA DO PROFESSOR RÔMULO;

ALUNOS DO TERCEIRO ANO DA ESCOLA DANIEL BERG SIMULAM TRIBUNAL DO JURI NA UNESC


by Rômulo Giácome Nesta última segunda-feira, dia 27 de Junho, no Auditório do Júri Simulado / UNESC, os alunos do Terceiro ano Plus da Escola Daniel Berg, orientados pelo professor de Literatura Rômulo Giácome de O Fernandes em parceria com o Curso de Direito da UNESC, sob a égide do professor Bernardo Shimidt Pena, simularam integralmente um Tribunal do Júri. A ré era nada mais nada menos que a Capitu; e a vítima, nosso pobre e duvidoso Bentinho, personagens do famoso romance de Machado de Assis, Dom Casmurro. A iniciativa deste tribunal é um projeto literário que pretende aproximar dois campos: os personagens dos Romances com o Direito, construindo noções gerais das ciências Jurídicas com a vontade de ler cuidadosamente as obras literárias. Segundo o Coordenador do Curso de Direito, Bernardo Shimdt Pena, as portas da IES e do Curso de Direito estarão sempre abertas aos estudantes interessados em conhecer o mundo das práticas jurídicas. Por outro lado, o idealizador do projeto, professor Rômulo Giacome, afirma que teremos novos Júris pela frente.


XXII FALE (FÓRUM ACADÊMICO DE LETRAS) VILHENA - UNIR - CONSIDERAÇÕES DE PARTICIPANTE






O XXII FALE (FÓRUM ACADÊMICO DE LETRAS) é a profusão do pensamento letrólogo e docente pelas ramificações do curso em todo o Brasil. Nada melhor que ler sua própria descrição para entendermos melhor seu propósito:



O FALE, Fórum Acadêmico de Letras, é um evento promovido pela ANPGL, Associação Nacional de Pesquisa na Graduação em Letras, que a cada ano acontece em uma Universidade, tendo como objetivo traçar metas de pesquisa para o aluno da graduação em Letras. Neste ano, realiza-se na UNIR, Universidade Federal de Rondônia, campus Vilhena, em parceria com o GEPŒC – Grupo de Pesquisa em Poética Brasileira Contemporânea (UNIR Vilhena). O FALE é um espaço para a socialização da pesquisa como processo constitutivo do saber adquirido na Universidade. Desse modo, estabelece com a Universidade um caráter de permanente discussão a respeito dos modos de transmissão de conhecimento, tendo como prioridade a inserção do acadêmico desde a graduação no universo da pesquisa. As conferências, mesas-redondas e oficinas acontecem em torno das políticas e experiências de pesquisa. E, nestas, tanto professores como acadêmicos são
convidados a traçarem, juntos, planos que fomentem a ideia de produção científica contínua e independente de auxílios. Um dos objetivos principais é acabar com a distinção entre aluno pesquisador e não-pesquisador, de modo que o tripé ensino, pesquisa e extensão seja indissociável na formação do estudante de Letras. No FALE, todas as oficinas são “oficinas de pesquisa”, o que significa dizer que as discussões das áreas passam pela criação e/ou desenvolvimento de um projeto de pesquisa por cada participante.


O ÚNICO REGISTRO DE EXISTÊNCIA DA MINHA PESSOA NO EVENTO (TIRANDO O CERTIFICADO, É CLARO)
A MOTO PRONTA PARA A VIAGEM À VILHENA - CATARSE


CONSIDERAÇOES ACADÊMICAS QUE PUDE ADQUIRIR A PARTIR DA MINHA PARTICIPAÇÃO:



1. NÃO EXISTE HIERARQUIA DE PESQUISA E PRECONCEITO ADVINDO DESTA - QUALQUER TIPO DE PESQUISA QUE POSSUA CIENTIFCIDADE E ÉTICA DEVE SER CONSIDERADA


2. LUGAR DE FAZER PESQUISA É NA GRADUAÇÃO


3. "TODO PROFESSOR DEVE TER ATITUDE INVESTIGATIVA; PORTANTO, TODO PROFESSOR É UM PESQUISADOR"



CONFRATERNIZAÇÃO DO TERCEIRO LETRAS EM MINHA CASA (SEM COMENTÁRIOS DE BOM)




INDICAÇÕES FUTURAS:


- RESENHA DE "CIBERCULTURA" PIERRE LEVY


- TUDO SOBRE O FUTURO SHOW (FUTURO DO PRESENTE) CAPITAL INICIAL EM ARIQUEMES


- DOCUMENTÁRIOS: THE ROCKERS X TECNOBREGA


- LETRAS RULES!!!

segunda-feira, junho 20, 2011

TRANSLEITURAS SEMIÓTICAS: RECORTANDO ISOTOPIAS TEMÁTICAS NA IDENTIDADE "CONSCIÊNCIA"

A "CONSCIÊNCIA" E SEU PODER TEMÁTICO: ISOTOPIAS DISPERSAS EM TEXTO E IMAGEM


By Rômulo Giácome





Muito se tem dissertado sobre a consciência, ausência dela ou má formação da mesma, no tecido da linguagem e do discurso; inclui-se aí a tessitura das potência fóricas de determinação de sentido, como o não-ser, não-poder ou não-fazer, elementares na construção desta consciência. Acrescentemos também a larga profusão literária do tema em "CRIME E CASTIGO" de Fiodor Dostoiévski, extremamente debatido nas lâminas da crítica literária e até da própria psicologia e psicanálise Frouydiana.

De todo o modo, a consciência está eleita como uma categoria de primeiro time nas universalizações e tematizações literárias contemporâneas, podendo ser vista como dor psico / física, na medida que instaura um discurso auto-destrutivo sobre o sujeito. Esta dor é fruto de sua ação extra-cultural, como navalhas cortantes sobre a intensidade da moral e valores ainda consolidados na psique das personagens, que acionam fatos e atos configuradores da auto-flagelação.

Por outro lado, a consciência é o teto físico da religião, que fora dela tem a intensidade material mais forte do que a fé e mais devastadora que a crença, nascendo um feto horripilante chamado culpa.


A arte, com seus diálogos modulares, ou seja, sobrepondo códigos expressivos por sobre a camada viva das tensões, lampeja a realidade submersa, sinalizando indicialmente, aos mais preparados, a força dialética que gera energia viva, humanidade e saber real.


Esta dialética, quanto tratamos de consciência, é a sinergia entre a potência do fazer-sem-razão(razões) para o poder-não-podido-fazer, que evoca a intensidade do outro eu: forte, mais intenso e condutor da verdade, o carrasco que assola, visceral e apaixonado.

A figura do carrasco é tambem a figura animal do medo, do devastador e devastadores monstros da verdade, que potencializam o abstrato. Como nesta tela de GOYA (O SONO DA RAZÃO PRODUZ MONSTROS)








Nela o medo é materializado pelo olhar transegípcio das formas humano / animais / noturnas / felinas. No desdobrar do tudo pode ver, sob a âncora da onisciência mística do medo. Medo: nada mais que a projeção de outro eu, um espelho de inferioridade sobre o oculto, o indefinível, previsível na noite, na penumbra e na lembrança da morte. A noite é o altar do isolamento e da solidão; na cama, um encontro consigo mesmo, abre a arca e exala a fragrância seminal do deconhecido. AUGUSTO DOS ANJOS celebrou a vississitude do sono e da solidão; da parede intransponível da razão, apenas a consciência penetra no vácuo do habitual, do rotineiro. Esta presença fantasmagórica e material é o MORCEGO.

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

A busca da isotopia perfeita para engendrar a força vital desta categoria nos faz recorrer a carga semântica de "outro", poderosa forma externa de cobrança do culposo, do peso, do externo, das forças extensivas que assolam a consciência. Desde a abertura do portal da razão pelo sonho, onde os monstros e seus olhos felinos (GOYA), ferramentas da culpa, até a mordida sanguinolenta do morcego, na goela escaldante de líquido seminal (AUGUSTO DOS ANJOS), chegando nos para-quedas de Jack Kerouac (LIVRO DOS SONHOS), belíssimas formas plásticas de levesa x peso, sentido x insanidade de uma mente pop. Estes para-quedas que caem, soterrando partes ainda claras da mente enegrecida. (JACK KEROUAC)



VAGAMENTE O SONHO É ANGUSTIANTE. O grupo formado por nós está num lugar ao ar livre, rodeado por uma multidão de espectadores que presencia um imenso ato de espírito de camaradagem e solidariedade, enquanto cada um de nós (apesar da naturalidade com que se conversa, sem parar, quase alegremente) se reveza na posição central do círculo para receber o impacto, apesar de bastante suave, do pára-quedas que vem descendo lá do céu, uma espécie de aríete mental e desentimento de culpa, só que verdadeiro, concreto e então assumo meu lugar, bem na última hora, quando um de meus amigos insiste: "Jack, é a tua vez" paro ali embaixo e aquilo se despenca lá de cima; branco, imenso, adejante, provocando um calafrio instantâneo no meu crânio, em algodoado reconhecimento (...) se ergue de novo, saltando para o alto e muito longe, quase a perder de vista, onde recomeça a descer para a terra. (O LIVRO DOS SONHOS, p.152)

As representações culturais italianas, como que fornos de um grande pão material e iconoclasta da cultura renascentista, demarcou o grande "delito infame" da humanidade. O ápice da conduta vertiginosamente maléfica, que pode ser traduzida em itsunamis de efeitos de culpa e consciência. A CAPELA SISTINA sempre deve ser relembrada como ornamento estético desta faceta cultural, deflagrada pelo movimento de "crime". MICHELÂNGELO (CAPELA SISTINA)









Mas a consciência, enquanto elemento estranho, enquanto "outremização" necessária, se faz presente na folha da parreira, nas inúmeras folhas de parreira e ardilosas "fugas", demarcadoras da consciência, espalhadas pela arte ociedental, pela cultura, pelo pensamento humano / religioso do enorme pecado capital. A maior de todas as culpas deveria estar sustentada de uma leitura dogmática; como um fígado corduroso, repleto de dogmas ensebados, a leitura da culpa cristã é uma alegoria do silêncio.






Por outro lado, que consciência mais devastadora aquela que cunhou a culpa no empíreo, na maior e nas mais tensas batalhas literárias que o ocidente já viu? Que consciência mais aguda e profunda, senão aquela que gera a culpa pelo maior pecado da humanidade, aquele que fez com que todos pagassem pelo crime da infâmia e do desaviso. O Adão de JOHN MILTN é um homem assolado pelos tentáculos pontiagudos e sanguinolentos dos efeitos do seu ato. "PARAÍSO PERDIDO" é um ícone literário das potenciais "desastresas da incosciência", do amor sobre a ordem, do instinto e curiosidade sobre a lógica. Retensão que se esvai pelos lados, tais quais barragens de água que não contém toda a matéria forte e instável da água que, busca em cada milímietro espaço para crescer e explodir e força.



Em Milton, há um trecho colossal do poema épico que vem erigir o monumento da visão racional da consciência. O instante em que os olhos da razão percebem o maldito, o malfeito. E depois, somente o mal-agouro.



"De Adão tira Miguel a névoa aos olhos


devida de Satã as vis promessas


que, de sabor do proibido fruto


mais longa e clara vista lhe auguravam


Então os nervos ópticos lhe alimpa


e a ver altos portentos lhos adapta


de arruda e eufrásia aos sucos ajuntando


três gotas que da vida à fonte apara


de Adão aplica aos olhos tal colírio"
(PARAÍSO PERDIDO, p. 457)



Neste momento diáfano, Miguel projeta a lança da Consciência na rutilândia desesperança de Adão, confrontando forças distensas e propensas na conversão entre o certo e o errado. Miguel lhe mostra a cena apocalíptica de uma terra sensível às dores do mundo; de uma terra com necessidade de fecundação e esforço. De uma terra devastada pela culpa do ato original, apregoada pelo dilúvio, pela morte e pela traição. E logo, o amálgama da culpa surge, ilhado no Empíreo.




"Desgraçadas visões


quanto melhor me fora atra noite


os quadros me escondestes do futuro


das desgraças somente assim sofrerá


o quinhão meu, gravame assaz custoso;


mas hoje em peso sobre mim recaem


todas que destinadas se reservam


ao castigo de séculos sem conto


(PARAÍSO PERDIDO, p.475)



Poderíamos ficar nos degladiando com a teoria e lançando mais e mais camadas de tensões conflitivas e pulsantes da consciência sob o eixo da arte visual e verbal; como anéis saturnianos em diáfanas tonalidades e feições, a angústia é material e espiritual, pois se comunicam na tessitura plana do discurso artístico, em uma simbiose de forças representativas que sempre buscam as camadas mais profundas dos sentidos, as discorrências etéreas e que pulsam, latentes, no âmago da existência.

quarta-feira, junho 08, 2011

TÓPICO GRAMATICAL - 11ª EDIÇÃO - PRÓCLISE, MESÓCLISE E ÊNCLISE

By ELISANDRO FÉLIX DE LIMA



A edição "tópico gramatical" desta semana traz aos leitores-estudantes uma nota básica sobre próclise, mesóclise e ênclise. Muita gente já deve ter ouvido falar sobre esse conteúdo na escola, ou pelo menos, já deve ter se deparado com essas três "palavrinhas estranhas" em alguma prova de concurso.
A próclise, a mesóclise e a ênclise tratam-se do emprego dos pronomes, antes, no meio ou depois do verbo.


A próclise (antes do verbo)
Exemplos:
Não lhe falei isto.
Voltaram porque lhes interessava.
Deus o ajude!
Insistiu para lhe dizerem a verdade.

Mesóclise (no meio do verbo)
Exemplos:
Encontrar-lhe-ei uma solução.
Encontrá-lo-ia se pudesse.

Ênclise (após o verbo)
Exemplos:
João, diga-me a verdade.
Voltou trazendo-nos boas notícias.
É fácil entendê-lo.

A regra é básica, como foi avisado, porém, sabe-se que o leitor-estudante, com o tempo, pode esquecer como aplicar corretamente os conceitos. Para isso, o "macete" é usar de referências que facilitem a fixação do conteúdo. Vejamos:

Para a próclise você deve lembrar de "P" de primeiro (quer dizer, antes do verbo); a mesóclise lembre-se do "m" de meio (quer dizer, no meio do verbo) e; a ênclise lembre-se de "en...fim" (quer dizer, fim, por último, depois do verbo). Lembre-se, isso não é regra, é simplesmente, uma dica para facilitar a fixação dos conteúdos.


Elisandro Félix de Lima é graduado em Letras e pós-graduado em Gramática Normativa da Língua Portuguesa pela UNESC - Faculdades Integradas de Cacoal.

terça-feira, junho 07, 2011

TERCEIRA SEMARTE - CURSO DE LETRAS EM DESTAQUE


III SEMARTE 2011 - SEMINÁRIOS PEDAGÓGICOS (25 a 27 de Maio)



O mural de fotos abaixo apresenta o andamento e a participação dos meus queridos alunos do Curso de Letras que marcaram presença maciça no evento. Saibam todos que este evento foi feito com muito carinho pensando na formação de todos.


Abaixo, Professor Dr. Aguinaldo José Gonçalves. Um bruxo da semiótica! Meu grande mestre e amigo.