MENU PRINCIPAL

quinta-feira, dezembro 04, 2008

ALUNOS SECUNDARISTAS DE CACOAL PRESTIGIARAM O I ENCONTRO REGIONAL DE PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURAS

By, Elisandro Félix de Lima

Em 05 de novembro, o curso de Letras das Faculdades Integradas de Cacoal (UNESC), que tem como coordenador prof. Jorge Luís de Freitas Lima, promoveu o I Encontro Regional de Professores de Língua Portuguesa e Literaturas. O evento teve como objetivo promover a atualização de profissionais da área de ensino de Língua Portuguesa e Literaturas, assim como, oportunizou a participação de acadêmicos do curso de Letras e alunos secundaristas da região.

O evento chamou atenção pelo grande número de inscrição ser de alunos secundaristas da região, em especial, os da Escola Daniel Berg de Cacoal que incentivados pelo professor Sérgio Nunes de Jesus, aproximadamente 60 alunos da escola inscreveram-se para o evento na categoria ouvinte.
No período diurno, os eixos temáticos do evento se voltaram para as implicações do Acordo Ortográfico sobre o ensino da língua materna. Já, à noite, os participantes puderam assistir à palestra sobre a produção machadiana, um tema em pauta pela decorrência da comemoração do centenário de morte daquele que, considerado pela crítica literária, um dos maiores expoentes da literatura Brasileira.


Ao final do evento, os participantes tiveram um momento de descontração ao som de Música Popular Brasileira (MPB), além de se alimentarem com as delícias de salgados e refrigerante que lhes foram servidas.

quinta-feira, outubro 30, 2008

ESCOLA CORA CORALINA EM CACOAL ENTREGA PREMIAÇÃO AOS ALUNOS CLASSIFICADOS PARA 2ª FASE DA OBMEP

ESCOLA CORA CORALINA EM CACOAL ENTREGA PREMIAÇÃO AOS ALUNOS CLASSIFICADOS PARA 2ª FASE DA OBMEP




By, Elisandro Félix de Lima

A escola estadual Cora Coralina no município de Cacoal, premiou nesta última sexta-feira (24), os alunos classificados para a segunda fase da 4ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), realizada em todas as escolas públicas do Brasil no dia 26 de agosto deste ano.



A OBMEP é um concurso promovido pelo Ministério da Ciência e tecnologia e do Ministério da Educação, com realização do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – IMPA e da Sociedade Brasileira de Matemática – SBM.
Dirigido aos alunos de 5ª à 8ª série (6° ao 9° ano) do Ensino Fundamental e aos alunos do Ensino Médio das escolas públicas municipais, estaduais e federais, que concorrem a prêmios de acordo com a classificação nas provas. Também, professores, escolas e secretarias de educação dos alunos participantes concorrem a prêmios.
O evento que tem como tema “Somando novos talentos para o Brasil”, propõe estimular e promover o estudo de Matemática entre alunos das Escolas públicas; contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Básica; identificar jovens talentos e incentivar seu ingresso nas áreas científicas e tecnológicas; promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento; incentivar o aperfeiçoamento dos professores das escolas públicas, contribuindo para a sua valorização profissional, e também, contribuir para a integração das escolas públicas com as universidades públicas, os institutos de pesquisa e sociedades científicas.
A professora Neusa Édina de Oliveira é quem coordena o evento na escola local e disse que “todos os alunos do Ensino Fundamental e Médio da escola Cora Coralina foram inscritos”. Esta primeira fase da OBMEP se caracterizou pela aplicação da prova objetiva em questões de múltipla escola, diferenciada por níveis (1,2,3). Nível 1 – alunos matriculados na 5ª ou 6ª série (6° ou 7° ano) do Ensino Fundamental. Nível 2 – alunos matriculados na 7ª ou 8ª série (8° ou 9° ano) do ensino Fundamental. Nível 3 – alunos matriculados em qualquer série do Ensino médio. Para todos os níveis o aluno deve está matriculado no ano letivo correspondente ao da realização das provas.

A direção da escola Cora Coralina se sentiu satisfeita ao premiar os 50 alunos aprovados para a 2ª etapa da OBMEP, o que caracterizou 5% dos alunos inscritos pela escola em cada nível, com melhor desempenho nesta 1ª fase, conforme rege o edital. Sendo, 9 (nove) aprovados do Nível 1; 11 (onze) aprovados do Nível 2; e, 30 (trinta) aprovados do nível 3.
Confiram abaixo os aprovados para a 2ª etapa da OBMEP da escola Cora Coralina que deverão fazer a prova no dia 08 de novembro de 2008 (sábado), às 12:30h (horário local).

NÍVEL 1.
Aline Rodrigues Beling
Andressa Mayara Degen
Bruna Stephani Santos Ataíde
Géssica K. da Silva Bernal
Lucas Francisco de Sousa
Mônica Gineli Alves
Rafael Pritski da Rocha
Thalysson Paulo Guves Pacheco
Valdemar Fernandes B. Junior

NÍVEL 2.
Cristian Rocha de Oliveira
Elielson Pinheiro da Silva
Guilherme Torrejon Passos
Hans Jhonson Costa Santana
Matheus Roberto Klein
Patrícia Martins Galvão
Rodrigo Ribeiro Fonseca
Thiago de Oliveira
Vanessa Letícia T. da Cruz
Vinícius Martins
Wesley Santos Freitas

NÍVEL 3.
Adriana Gomes Lopes
Alisson David da Silva
André Rodrigo de O. Souza
Andreska Lara Silva
Athilla Arcari Santos
Cecília Carolina A Borges
Dayane de Barba
Dhiego Novais do Nascimento
Diones Almeida Knaak
Ericlaudia Kiper Hertz
Guilherme Galileu Guedes
Hans Huber da Silva Sibien
Íris Suellen Mutz da Silva
Jakeline da Silva Souza
Janine Pereira Rosa
Karlla Karyna Teotônio Folli
Luana Sousa Moraes
Luiz Augusto da Silva
Márcio Junior R. Labenor
Maycon marques Klippel
Michelle da Silva Cuellar
Neilson da Silva
Nubielly Silvestre Oliveira
Regina Grejanini Borges
Renato Gomes Lima
Ricardo Martins Vizanotto
Sérgio Manoel Soares Silva
Thales Crispim Arcanjo
Thatiele Barreto da Silva
Weslei Alves da Silva

terça-feira, outubro 21, 2008

ALUNOS DO ENSINO MÉDIO DA ESCOLA DANIEL BERG, EM CACOAL, APRESENTAM TRABALHOS CIENTÍFICOS NA UNESC


Alunos do Ensino Médio da Escola Daniel Berg, em Cacoal, apresentaram trabalhos aos acadêmicos da UNESC na VI Jornada Científica.

By, Elisandro Félix de Lima

A VI Jornada Científica promovida pela Unesc nos dias 13, 14,15 e 16 de outubro de 2008, contou com a participação maciça dos alunos do ensino médio da escola Daniel Berg em Cacoal. Incentivados pelo professor de Língua Portuguesa e Literatura Sérgio Nunes de Jesus, cerca de cinqüenta alunos puderam apresentar aos universitários diversos trabalhos desenvolvidos em sala de aula durante o terceiro bimestre.
Levar os resultados dos trabalhos aos acadêmicos foi uma maneira diferenciada de promover as práticas de pesquisas com alunos prestes a concluírem o ensino básico, além de que os alunos puderam sentir o clima acadêmico.
A exposição em banners aconteceu no bloco das salas do curso de Letras e Pedagogia – a idéia era mostrar aos futuros professores os resultados de leituras e produção de escritas sobre os diversos temas escolhidos pelo professor da turma.
Em entrevista com alguns alunos, pudemos relatar parte do resultado da pesquisa realizada. A turma do 2° ano X e Y leram o livro “O Código da Vinci” de Dan Bown. O aluno Halbert Teixeira, em uma explanação sobre o livro, disse que “a obra foi muito criticada pela sociedade cristã e que retrata o que a Igreja católica escondeu por várias décadas”. Também, acrescentou que “falar sobre a obra, é provoca e aguça a curiosidade das pessoas em ler o livro”.
Outro trabalho apresentado por alunos do 2° ano X, foi sobre o Romantismo. Letícia Guimarães destacou a obra “Moreninha” de Joaquim Manoel de Macedo, como a que “marcou a primeira geração romântica no Brasil”. A segunda geração iniciou-se com a obra “Noite na Taverna”, de Álvares de Azevedo, autor este, “influenciado por Lord Byron um dos sete poetas malditos, que escreveu num período denominado mal do século”. A aluna também ressaltou que “a terceira geração romântica no Brasil, retrata a história do homem do sertão e urbano”. Já o aluno José Ronaldo disse que “a idéia de mostra este trabalho em banners na faculdade aos acadêmicos foi um método diferenciado e agradável de aprender fora da sala de aula”.
O banner da turma do 9° ano Y destacou a obra de Charles Dickens – “David Copperfield,” publicado em 1849 que “teve como importância, conhecer qual era o papel do homem no século XIX”, foi o que disse a aluna Laís Corrêa Brito Sobral. Outros alunos do 2° ano Y trabalharam com a obra de Alcântara Machado – “Brás, Bexiga e Barra Funda” – um livro que retrata a vinda dos imigrantes Italianos para o Brasil. O aluno Egon Luiz sintetizou que “o livro relata fatos reais ocorridos em 1927”. José Mauro acrescentou que “a obra focaliza três bairros paulista e que os descendentes de italianos vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas, ao contrário disto, acabaram sendo quase escravizados”.
Outro banner que muito chamou a atenção de quem passava pela sessão de pôsteres foi o da turma do 1° ano X, titulado de Movimentos populares na Idade Média, O aluno Sérgio Rafael disse que “o objetivo do trabalho foi retratar as primeiras revoltas da Idade Média, manifestos organizados por camponeses em busca de seus direitos”. Para o aluno Vitor Duarte, “as influências religiosas e políticas dos camponeses contribuíram para cultura da época, fazendo com que o homem procurasse melhoria de vida no contexto social”.
Na sexta-feira (16), último dia do evento, a Coordenação do NIP (Núcleo Integrado de Pesquisa) agradeceu a participação dos alunos, oferecendo espaço para apresentarem novas pesquisas no próximo ano.




quinta-feira, setembro 25, 2008

artigo - CULTURA KITSCH E REPRESENTAÇÕES ICONOCLASTAS

CULTURA KITSCH E REPRESENTAÇÕES ICONOCLASTAS
Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes[1]


RESUMO
O que é cultura Kitsch? Qual o seu papel na indústria cultural contemporânea? Como ela integra os vácuos de saber e necessidades sociais que o consumo alimenta e propaga? Como as representações iconoclastas adentram no imaginário artístico social? Estas são as questões abordadas por este artigo, que tem como objetivo geral, apresentar a cultura Kitsch ao universo acadêmico regional e apresentar a relação equinânime entre sua forma de cultura e as representações iconográficas enquanto mecanismo de propagação.
PALAVRAS-CHAVE: Cultura Kitsch; Iconoclastia; Indústria Cultural;

ABSTRACT
What is Kitsch culture? What is your role in contemporary cultural industry? As it incorporates the vácuos to know and social needs that consumption feeds and spread? As the representations iconoclastas adentram artistic imagination in society? These are the issues raised by this article, which aims to general, the present culture Kitsch the academic world and regional equinânime make the relationship between culture and their way of the representations iconográficas as a mechanism for spreading.
KEYWORDS: Culture Kitsch; Iconoclasm; Culture Industry;


INTRODUÇÃO

O presente artigo procura vislumbrar, no contingente amplo da cultura contemporânea, uma definição prática de produção Kitsch e suas implicações no cenário artístico erudito, definindo a iconoclastia como mecanismo desmodrômico de proliferação do Kitsch na nova desenvoltura da produção intelectual de consumo.

1 A PRODUÇÃO DE ARTE KITSCH

Muitas vezes entendido como réplica de obra de arte e interpretado como diluição destas mesmas obras consagradas, o Kitsch é um fenômeno da cultura contemporânea, demarcado pela panicéia do consumo, do ter sobre o ser e da aparência sobre a essência.
Oriundo do verbo alemão kitschen/verkitschen (trapacear, vender alguma coisa em lugar de outra), o termos kitsch adquiriu o significado de "falsificação" a partir de 1860. Porém, o termo kitsch foi usado pela primeira vez na metade do século XX, na obra do sociólogo francês Edgar Morin (1987, p17) intitulada Esprit du Temps. Guimaraens & Cavalcanti (1979, p.9) encontraram outra possível origem para o kitsch, além de considerarem a etimologia alemã. Para esses autores há uma versão na língua inglesa, provinda da palavra sketch, significando esboço. (SÊGA, 2008)

Algumas formas artísticas tem propriedades que impossibilitam uma distinção entre arte e artesanato; enquanto a primeira tem o caráter universal e a perfomance da linguagem em estado sublime, a segunda é a constatação da técnica pela técnica; o ato de repetir um procedimento artístico e perpetuar a mesma mensagem pragmática; a exemplo podemos citar a escultura, a modelagem, a arquitetura, entre outras formas, incluindo, em certo grau, a pintura, modalidades artísticas que exalam confusões conceituais sobre sua natureza original.
Aos olhos do crítico, o dilema arte e artesanato parece simples e de fácil solução; já aos olhos das pessoas com menos erudição, a ausência de experiências com a arte canônica, desqualifica o intelector dos códigos culturais mais clássicos de compreender o que vem a ser um cânone artístico em função de uma obra artesanal. A exemplo do regionalismo brasileiro, que sustentado por obras extensamente universais (Graciliano Ramos e Guimarães Rosa), soam demarcadas e datadas a partir da década de 60 (vide Jorge Amado).
Quando a cultura de massa, conceito de Benjamim (1892-1940) e Adorno (1903-1969) decide por utilizar de signos e formas culturalmente clássicas (um quadro de Mondrian, Magritte ou Duchamp, como exemplo), buscando respaldo na “massa” intelectora, esta extensão de um signo universal e artístico consagrado e sua reverberação dentro da caverna da cultura de massa, constrói um procedimento Kitsch. Este uso pragmático, assombrado pelo fazer da linguagem de consumo e da Indústria Cultural, formata e impele à produção de réplicas, miniaturas, referências e mais referências à arte erudita e pop, de modo a construir uma teia de ramificações que convergem sempre a um mesmo propósito, gerar cultura de massa em campos áridos.
Um documentário em um programa popular de grande audiência, que coloca a importância do vaso de Duchamp para a arte contemporânea, incorpora ao circuito informativo de um dado grupo, informações artísticas que serão estendidas ao ato de fruir nas camadas modulares iniciais, ou seja, um consumo destes objetos que remetam a esta idéia artística veiculada; camisetas com a ilustração do vaso de Duchamp, réplicas do vaso para mesas de escritório, artigos de divulgação com conteúdos incipientes sobre o tema e, em certa medida, uma pequena convulsão de interesse pela matéria; comentários “exclusivos” sobre o artista em rodas regadas a vinho e a consolidação do mecanismo primário de propagação ideológica, as referências.
Quando em grande escala, temos fenômenos culturais como o já consagrado exemplo do quadro de Leonardo Da Vinci, a “Monalisa”, que reverbera dentro da consciência artística da sociedade, constituindo uma catálise de obras clássicas inacessíveis ao público comum, o que perpetua a idéia oblíqua de gosto e prazer estético falseado pela condição de ser cultuado. Em suma, uma obra que tornou-se, inocentemente e sem consentimento, esplendidamente Kitsch.
Mais do que os valores artísticos, um determinado elemento torna-se Kitsch quando agrega em seu bojo e contexto, valores que diferenciam e dissociam os indivíduos dentro de um dado grupo social; conhecer Duchamp é uma forma de apresentar-se em condição intelectível de discutir sobre arte em um patamar mais amplo que a cultura Pop; citar nomes de autores sem os ter lido é altamente Kitsch, e torna-se objeto de dominação a partir da sedução do conhecimento. Este fenômeno ocorre muito na juventude com as bandas de Rock and Roll, que quando recebem muitos fãs, deixam de interessar; ou quanto determinado cantor ou cantora regrava grandes sucessos de outrora, que consolida uma pseudo-visão cultural do processo musical, eximindo a culpa de “vender” que atormenta todos os cantores imersos na idéia ingênua de que música é apenas catarse; (vide Marisa Monte e seus sambas, Fernanda Takai e sua “homenagem” a Nara Leão).
A cultura Kitsch nos assola e determina nossa relação com o conhecimento cultural da “indústria cultural contemporânea”; tirados os elementos da cultura clássica por essência, aqueles ancorados nos panteões universais e amarrados às dificuldades da erudição, (Esculturas Helênicas, obras simbolistas como Mallarmé e os Cantos de Maldoror, a literatura Clássica do renascimento e Realismo, os sonetos greco-romanos desde Homero a Camões na contemporaneidade, dentre outras milhares de produções) todo o resto de elementos que temos enquanto obra, estão vinculados à uma industria cultural que sobrevive e se retro-alimenta de sua própria produção; qual a relação artística entre um Crime e Castigo e O código de Da Vinci? Qual é mais sinal de erudição? Qual é mais sinal de cultura? Como saber se o que gostamos na MPB é realmente a nata e pode ser considerado fora das regras convenientes do gosto musical vigente, e assim, podem nos assegurar estarmos corretos em nossa cultura? Marisa Monte é símbolo de qualidade musical? Ou faz música Kitsch? A progressão modular e a sombra causada pela arte culta emoldura e standartiza objetos de consumo que se tornam kitsch, pois a necessidade de consumir esta arte, não requer qualquer critério de escala.

Ainda que, muitas vezes, se fale no kitsch como um conceito universal - reconhecível portanto em qualquer época e estilo artístico - a maior parte dos estudiosos localizam-no no seio da sociedade industrial, de feitio burguês, o que faz do estilo kitsch um dos produtos típicos da modernidade. A pujança do kitsch, coincide com a expansão do mercado e com a emergência da sociedade de massas que impõem normas à produção artística ditadas pela difusão e possibilidades de aquisição de produtos artísticos - de modo geral, reproduções e cópias - em função dos baixos preços. Os grands magazins, que abrem suas portas a partir da segunda metade do século XIX, dão vazão aos novos produtos que visam agradar às classes médias: porcelanas, bibelôs, estatuetas, cromos com reproduções de estampas e/ou figuras célebres etc. O kitsch apresenta-se desse modo como a arte que está ao alcance do homem, disponível nas vitrines e casas comerciais. (MOLES, 1975, p18)

Como reconhecer o sêmen primeiro, o verbo que fez a nova linguagem e que proliferou arte? Como entender o que é original do que é cópia? O inovador do pastiche? A proliferação de imagens, fotos, camisetas, comentários e diálogos que falam de filmes, músicas, quadros e literatura não passam de uma mesma teia, datada de anos e anos do mesmo conhecimento cultural, arraigado pela educação escassa e pela propaganda ideológica que somos obrigados e ter e a consumir?
A tarefa de crítica e reflexão sobre a produção Kitsch tem sua práxis determinada não pela exclusão ou pelo ato niilista de reprimir e negar; na verdade, compreender o processo nos atinge com algumas soluções um tanto quanto inusitadas:
1ª – A indústria cultural de Adorno e a crítica que Walter Benjamin fez a todo este emaranhado pegajoso de cultura não é um elemento externo a nossa construção cultural; na verdade, somos parte dela porque compartilhamos e moldamo-nas de acordo com nossas necessidades; necessitamos de uma didática cultural para poder, sistematicamente, compreender e consumir nossa produção artística; temos pouco tempo e conhecimento e, portanto, a diluição é inevitável; Jorge Luis Borges metaforizou esta condição em seu conto a “Biblioteca de Babel”, onde ele categoriza que as obras são exponenciais em suas bifurcações de produção e leitura; portanto, é impossível termos e adentrarmos ao todo;
2º – Vivemos em uma era de fetichismo pela imagem no bojo da linguagem; este fetichismo nos impede de ver o todo e de aprofundarmos dentro do conhecimento cultural; assim, temos ícones de cultura, fragmentos de saber artístico, pequenas imagens que representam o que gostamos e, assim, o que somos; é neste gancho que inserimos a iconoclastia contemporânea;

2 O AMÁLGAMA DA CULTURA KITSCH NA ICONOCLASTIA

Na era do design, as formas e as cores nunca foram categorias tão intensas de representação; o que outrora eram conhecidas formas de conhecimento e estruturação cognitiva do indivíduo cognoscente (dialética, estruturalismo, contraposição, metáforas, lógica) agora dão lugar ao pensamento / memória visual, expressão sensorial e raciocínio paramétrico, entre outras;
A forma sistematizada do conhecimento em pequenos pacotes (quantas de informação e saber) e a possibilidade de compartilhamento destas informações são percebidas na própria eclosão e propagação do conhecimento por meio do saber em infográficos, gráficos sinópticos, listas e estruturas, bem como na forma mais consistente e básica de organização do conhecimento hoje: as pastas e janelas; nunca uma perspectiva tecnológica conseguiu afetar tão profundamente o modo como a sociedade e a comunidade humana como um todo encara e organiza o saber quanto a informática e seus sistemas operacionais conseguiu determinar, baseados em plataformas multimídia e multitarefas; é a perfeita simbiose entre um conhecimento estruturado e didático, a imagem (ícones) e a forma (janelas), em um sistema orgânico e diluído de informações (Google).
Desta forma, o ícone é a lápide ou síntese totêmica de um dado conhecimento, feito por imagens, desenhos, ou qualquer outra forma visual, sucinta, sistemática e organizada, que tem a capacidade, enquanto elemento semiótico, de substituir uma informação e provocar outras.
Por outro lado, os ícones têm o potencial defeito de diluição da capacidade significativa de uma informação, da transposição de seu caráter axiológico para outro. Este desfacelamento da informação pura e completa dada pelo ícone, ocorre uma vez que sua representação é compacta, como uma pílula de saber.
Por esta característica assinalada acima, o ícone é um elemento Kitsch dentro do sistema cultural abrangente, servindo como condutor de cultura, mas de uma cultura resumida, amarrada ao contingente ideológico necessário à sobrevivência da lógica cultural do capitalismo tardio.
A iconoclastia é esta propagação de dado sistema cultural dentro da lógica total da Indústria de Cultura contemporânea, feita por imagens representativas do universo Kitsch. A moda tomou de assento esta premissa por meio da pirataria, emanando os ícones que constituem a alta-costura: bolsas falsificadas da Prada e Louis Vuiton são vendidas na rua 25 de março; perfumes Yves Sant Lauret e Ferrari, propagados para aqueles que se sentem próximos do Saara da sofisticação, do exclusivo e diferente, quase “cult”; poder acreditar que ao consumir o produto pirata, o indivíduo está compartilhando não os atributos reais e concretos do objeto adquirido (sua qualidade, por exemplo), mas sim o “saber” esta sofisticação, conhecer os nomes, as “marcas”, os ícones desta cultura interessante e atrelada ao exclusivo. É uma luta por valor agregado e não pela qualidade material, por isso que o fato da falsificação não interessa ao consumidor, pois o que ele devora não é o produto, mas a marca, o signo, o ícone da cultura.
O fato mais interessante ocorre quando existe uma intermediação entre o artístico canônico erudito com o popular coloquial; na pintura, podemos ver o uso do espectro de artistas consagrados, resumidos e sintetizados em sua forma mais comum e popular; o lado Pop de Mondrian; o lado Pop de Kandinski; o lado Pop de Miró; a crítica, enquanto ferramenta a serviço de qualquer sistema político / ideológico, consegue diluir estratégias artísticas complexas e apenas deixar as linhas fáceis, as arestas mais oblíquas, o aspecto mais convencional e popular, para construir a sensação de “poder ter” necessário aos menos abastados que querem consumir arte.
Para construir uma arte Kitsch no cenário das representações, nada melhor do que conhecer a forma de Silk Screen criada por Wandy Warhol com sua “Liz Taylor”; a réplica, a nuance do conhecido, a cópia exaustiva das feições célebres de uma beleza social, comunitária, genérica, mas sublime, usufruída por todos, popularizada, replicada e copiada a tanto e extremo, que fica apenas o que é de essencial, as formas perfeitas do ícone, que neste processo de múltiplas repetições, socializado e instituindo, vira símbolo de uma cultura. (o processo que imita o carbono, de tanto executar, o desgaste da quantidade de repetições consegue criar um efeito espectral da forma mais sintética e sublime do rosto da modelo). Esta cópia exaustiva até construir um símbolo é a premissa Kitsch, estatizada pela iconografia. Wandy chegava a copiar milhares de vezes uma mesma fotografia em busca do espectro do Pop.
Por um outro prisma mais complexo, a minimização dos processos de conhecimento do indivíduo quanto a sua própria história ficam diluídos na proliferação das imagens Kitsch do jornalismo publicitário e panfletário; a iconoclastia substituiu o profundo conhecimento histórico na medida em que a imagem passou a representar uma alteração social por completo, como um ícone semiótico; esta substituição da informação vertical pela horizontalidade da imagem, afeta o modo como as pessoas compreendem a história, consequentemente suas próprias vidas em sociedade; A queda do muro de Berlim pode ser traduzida por uma imagem de um jovem com uma picareta na mão e outro pichando o muro; a guerra do Kuaite pode ser compreendida pela tela de um vídeo-game, tal é sua extensão virtual (ou sensação de); grandes acontecimentos co-existem no imaginário Kitsch da maioria das pessoas, misturados às cenas que não fazem parte da mesma categoria; esta profusão iconoclasta mistura a imagem da queda da Bastilha com The Trooper do Iron Maiden; a guerra do Vietnã com um Helicóptero decolando ao som dos Creedence; este caos afeta a visão ideológica que temos de nosso próprio sistema político e social; fotos do Che convivem com logos da Nike e imagens de latas de Coca Cola; o universo iconoclasta é caótico e bombardeado a todo momento por mais e mais propagandas ideológicas e novos produtos que querem seu espaço neste filão cultural. Assim, atrelar um produto a um modo de vida é um grande passo à criação de um símbolo.

CONCLUSÃO

Se a proposta deste pequeno artigo for entendida como uma explicação dos conceitos propostos pelas palavras-chave, diga-se de passagem bem resumidos, o que interessa mesmo a este texto é dimensionar a importância da Iconoclastia dentro do processo de produção Kitsch, uma vez que o acesso a cultura erudita e canônica, bem como aos produtos sofisticados de uma elite abastada, tornaram-se possível pela diluição ocasionada pelo imaginário iconoclasta: imagens, réplicas, falsificações, reproduções, refilmagens e todo um contingente de mecanismos para a profusão e proliferação da cultura de consumo.


BIBLIOGRAFIA


BENJAMIN, W. Obras escolhidas: magia, técnica, arte e política. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. São Paulo: Ed. Brasiliense, Vol. I, 1985.
ECO, U. Apocalípticos e integrados. São Paulo: Perspectiva, 1987.
GUIMARAENS, D. e CAVALCANTI, L. Arquitetura e kitsch. Rio de Janeiro: FUNARTE,1979.
MOLES, A. O kitsch. São Paulo: Perspectiva, 1975.
MORIN, E. Cultura de massa no século XX – o espírito do tempo. Vol I e II, Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1977 / 1987.
SÊGA, C. M.P. O kitsch e suas dimensões. Brasília: Casa das Musas, 2008.
TEIXEIRA COELHO ,J. O que é indústria cultural. São Paulo: Brasiliense, 1981.

[1] Professor de Língua Portuguesa e Literatura, mestre em Teoria Literária pela UNESP / SP e pesquisador / coordenador do grupo de Pesquisa TEOLITERIAS.

Resenha - "LÍNGUA E LIBERDADE" - CELSO PEDRO LUFT

RESENHA CRÍTICA – LÍNGUA E LIBERDADE

Helem Cristiane Aquino dos Anjos Fernandes[1]

LUFT, Celso Pedro. Língua e Liberdade. São Paulo: Ática. 6ª edição. 1998.

A obra “Língua e Liberdade” de Celso Pedro Luft é composta por uma série de artigos jornalísticos publicados em diferentes épocas e tratam de um mesmo assunto: a importância da reformulação do ensino de língua materna. Esses artigos se colocam contra o ensino gramaticalista e purista da língua, que segundo o organizador só promove a insegurança e a opressão, pois ao invés de desenvolver as habilidades linguísticas dos alunos, os reprimem frente aos desvios cometidos em relação à norma culta da língua. Isto porque consideram apenas aquilo que é prescrito pela Gramática Normativa, não levando em conta os conhecimentos prévios internalizados, ou seja, conhecimentos que os alunos já chegam na escola sabendo.

De um modo amplo, esta obra fomenta a necessidade de um ensino de língua materna que ajude o aluno a desenvolver-se pessoalmente e criticamente; pessoalmente pelo fato de dar ao discente a liberdade necessária para que ele desenvolva livremente sua criatividade e competência, sem os tolhimentos causados pelos frequentes apontamentos dos erros gramaticais. E criticamente, pois acreditam que o ensino de língua deve propiciar o máximo de experiências de leitura, escrita e fala para que os alunos possam desenvolver seu espírito crítico e comunicativo, tornando-os assim, sujeitos ativos do processo educacional.
Na primeira parte da obra é analisada a crônica de Luis Fernando Veríssimo “O gigolô das palavras”. Luft retira seus principais fragmentos e explica-os de acordo com a sua visão de ensino de língua materna.
Defende que a língua é uma entidade viva e, portanto, deve ser vista, analisada e ensinada como tal. Assinala, também, que o crucial na linguagem é comunicar da forma mais clara possível. Defende que devemos respeitar apenas as regras básicas da Gramática, pois existem regras totalmente dispensáveis para o uso eficiente da língua.
Os autores convergem seus textos na crença de que a língua é autodeterminada pelos seus usuários, isto é, só o costume pode determinar o que é certo e o que é errado. Dessa forma, a sintaxe da língua seria determinada pelo uso, não comportando, regras pré-determinadas. Isso quer dizer que seria desnecessário o longo e cansativo estudo das regras sintáticas.
Enfatiza que o ensino de Língua Portuguesa deve passar por mudanças radicais, a começar com a mudança de postura dos docentes frente ao alienado e alienante ensino gramaticista, que vê o aluno como um ser que não sabe.
É necessária uma prática sem opressão e sem medo, em que professor e aluno possam trabalhar em conjunto, para que assim o aprendiz possa liberar com total segurança suas capacidades, pois vê o professor como um guia motivador, e não como um ditador de regras, muitas vezes infundadas.
O ensino de língua materna deveria, em vez de ensinar os alunos a decorar conceitos e regras gramaticais, propiciar, em primeiro lugar, condições para eles desenvolverem a expressão oral; conscientizá-los como donos da língua, resgatando assim a confiança dos mesmos como falantes nativos.
Ao mesmo tempo, seria necessária a conscientização da importância da escrita, introduzindo e aperfeiçoando-a, ensinando-os realmente a escrever com demonstrações de como se estrutura um texto, de como as frases podem ser melhoradas, enfim, de técnicas de expressão para que eles tornem-se capazes de usar a língua falada e escrita com desembaraço e segurança, em qualquer situação.
Tudo isso é de essencial importância para resgatar o interesse dos alunos pelo aprendizado de Língua Portuguesa, pois até então o que vemos são alunos com aversão a essa disciplina.
É válido ressaltar que a proposta de Celso Pedro Luft é a reformulação do ensino de Língua Portuguesa. Quando ele critica o ensino normativista presente em grande arte das escolas ele não quer dizer que devam ser abolidas as Gramáticas. Luft defende a necessidade de se ensinar à língua de acordo com o que ela é, ou seja, uma entidade viva e em constante evolução. Portanto, que as gramáticas devam passar rapidamente por mudanças profundas, pois não condizem mais com a língua que hoje os alunos falam e conhecem.
Essa visão é totalmente lúcida, pois como continuaremos ensinando aos alunos regras gramaticais que há muito tempo não fazem mais parte da nossa língua? Ou que são totalmente desconhecidas por eles, como por exemplo: conjugações de tempos e modos verbais, pronomes de tratamento arcaicos, enfim, uma série de regras que a cada dia se tornam mais complicadas e infundadas.
Luft discorre e defende um ensino que elimine o excesso de regras, deixando somente as essenciais para o aprendizado da língua. Importante para ele é que o aluno aprenda e, acima de tudo, produza e pratique a leitura, a escrita, a oralidade. Que ele seja capaz de dominar a língua para se comunicar efetivamente por meio de todas as modalidades comunicativas.
O ensino da língua materna deve ser atraente, intrigante, interessante, prático para ser usado em nossa vida cotidiana; deve ser produtivo, para que os alunos possam aprender a sua real função e utilidade.
O ensino normativista, pautado em aulas enfadonhas em que os alunos precisam decorar regras gramaticais, bem como escrever dissertações que normalmente voltam recheadas de correções e que não há a menor expectativa de serem corrigidas pessoalmente, parecem ser úteis apenas para as avaliações. Não ensinam realmente ninguém, pelo contrário, geram cada vez mais aversão a essa disciplina, pois é um ensino opressor que parece querer mostrar apenas uma coisa: que os alunos não sabem de nada, ou melhor, o quanto os alunos são fracos.
Por fim, a leitura desta obra engendrará no profissional das letras e nos iniciantes acadêmicos, um pólo da dialética oposição entre gramática e língua social engendrada nos esteios acadêmicos e práticos. O certo é que, a dinâmica da língua não nos permite ensiná-la encubada. É preciso um ensino que considere seu movimento, suas especificidades. E para isso é preciso repensar este ensino. Suas metodologias e práticas devem estar situadas mais no plano pedagógico / linguístico do que no antigo método decora regras. Uma nova dinâmica da prática textual avança a passos largos, tais como o uso interativo da norma na prática social, novos vocabulários e áreas lexicais, novas formas semânticas de uso da língua aplicada em situações distintas e avaliativas (concursos por exemplo) novos mecanismos de produção textual focados nos gêneros e na funcionalidade. Assim, é preciso sincronizar uma nova língua, por um novo ensino, com novos usos e práticas sociais.

[1] Graduada em Letras pela UNESC, pós-graduanda em Metodologia e Didática do ensino Superior (UNESC), professora Universitária e colaboradora efetiva do TEOLITERIAS.

quinta-feira, setembro 11, 2008

MOSAICO CULTURAL

Rômulo Giacome de Oliveira Fernandes

Nestas notas gerais sobre cultura e comunicação, não poderia iniciar este post sem deixar de seguir a esteira da mass media deflagrada a partir de alguns filmes interessantes que vão justamente tocar o ponto da relação cultura de massa, comunicação e pragmatismo;
Assim, a fórmula atual para conquista das massas está centrada no poder de representação e representatividade; ou seja, a força necessária para algo tornar-se símbolo e a necessidade de ser ainda maior que símbolo; digamos que teríamos a fórmula semiótica:


-->ÍCONE (visualidade, design gráfico, força da logo), mais ÍNDICE (manifestação da ação, premissa, espectativa de agir), mais a legitimação social a partir da constante repetição, que constitui o SÍMBOLO;

Além da força de representação, constituída a partir da fórmula semiótica acima, será preciso a certificação dos detentores do poder de validar, a exemplo da mídia especializada; quando os aparelhamentos ideológicos sociais certificam o símbolo, ele passa a ter representatividade plena. O que lhe agrega força mítica e conceitual ao ponto de mudar valores e determinar ações.

O filme V de Vingança é um bom exemplo e possibilita excelentes análises:

Na trilha de V de Vingança, na cena onde V pede à Evey (Natalie Portman) uma dança, a música de fundo é "Bird Gerhl" que está no segundo álbum de Antony and the Jhonsons. Pois então, se o cinema não é uma opção para você, ficar em casa ao som do cd I’m a Bird Now,de Antony and Jhonsons Band, é simplemente magistral.

A capa do disco (foto acima) é uma homenagem à uma passagem onde entra o mito Lou Reed. Lou Reed chamou Antony para cantar com ele no "The Raven", último disco do ex-Velvet Underground. Daí foi convidado a viajar na turnê de lançamento, ficando conhecido por todos. A certa altura do show, Antony cantava a belíssima balada “Candy Says” que Reed escreveu para uma drag queen, sua amiga, que morreu aos 29 anos, lá no fim dos anos 70. Esta música Lou havia gravado mas nunca cantado em público. Ele viu em Antony um herdeiro legítimo das dores registradas na composição. O pupilo não se esqueceu da generosidade do mestre e estampou na capa de seu CD “I Am a Bird Now” ninguém menos que Candy Darling deitada numa cama de hospital

Antony toca algo próximo do puro estado de letargia epifânica, com aquele tom e necessidade de concentração básico em toda grande harmonia e delicadeza; as melodias são presentes, mas com uma sutileza e melancolia naturais, exalando tons de claro e escuro, com as dúvidas que sopejam nosso espírito musical; sem atropelos, ele conta as inquietações de modo resignado e sublime, atingindo algumas quimeras e perfeições por meio dos símbolos sinestésicos de sua música. Descubra Antony e the Johnsons Band.
Um breve retorno na linha do tempo nos permite indicar e pescar da memória musical a deliciosa e esperta banca ingleza Gomez. Com seu disco "Bring it On" Gomez (1998) fica na linha tênue entre o novo rock californiano e inspirado de um Wilco, com laivos enraivecidos do pós-grunge anglo-contemporâneo. Merece uma conferida. O rock inglêz nunca esteve tão produtivo quanto neste ano. Gomez é a tradução do modo acústico de encarar as baladas com o toque bem narrado e estruturado, belas melodias e estruturas instrumentais criativas. Compensa.
NO SENSE - Continuação ao mórbido-sujo II;





quinta-feira, setembro 04, 2008

Resenha - BATMAN “O CAVALEIRO DAS TREVAS” E O PODER DA REPRESENTAÇÃO (2008)

BATMAN “O CAVALEIRO DAS TREVAS” E O PODER DA REPRESENTAÇÃO (2008)
Rômulo Giacome de Oliveira Fernandes

Poderíamos iniciar esta resenha abordando a atuação maravilhosa de Heath Ledger e seu Coringa; falar que nunca se viu um vilão tão humano em suas patologias clínicas e sociais. Um psicopata do crime, que penetra e rompe a própria camada do tecido social mergulhando na epiderme criminosa, como um câncer do próprio câncer; ou também da atuação escandalosamente boa de Aaron Eckhart e seu promotor Harvey Kent,

quinta-feira, agosto 28, 2008

crônica - A RETÓRICA DO AMOR: EM BUSCA DE UM ESPAÇO PARA SER

A RETÓRICA DO AMOR: EM BUSCA DE UM ESPAÇO PARA SERRômulo Giacome O Fernandes
Edvard Munch - O grito - 1893

Sempre me compreendi como um homem. Compreendi-me como um ser que em toda a dimensão espaço / tempo da existência, existia de modo real, concreto e, efetivamente, habitava o rol das coisas palpáveis. A primeira dúvida quanto à minha existência foi quando percebi que o que eu sabia de mim mesmo era constituído através do discurso dos outros. O que os outros construíam de discurso sobre minha pessoa afetava o meu próprio reconhecimento. Legitimei esta constatação e percebi que para os outros, existo enquanto signo humano, dotado de sentido e intencionalidade, bem como bruta significação. A linguagem estava mais próxima de tudo do que imaginava. Se minha existência estava intimamente ligada ao discurso que faziam de mim, e se meu próprio auto-reconhecimento relacionava-se a como os outros me viam, a linguagem estava em mim mais do que eu imaginava. Conclusão, represento mais do que existo. Logo, se faço parte de um todo maior, onde tudo também representa e, minha pequena parte deste todo, (eu mesmo), age como signo, existo apenas enquanto linguagem. Reconhecendo-me enquanto processo da linguagem, amo como quem escreve um longo texto.



O amor é um texto. O amor é um texto que vem sendo escrito durante muitos séculos;
Mas, onde posso adormecer minha compreensão? Onde posso dormir sem cair e despencar em novos textos? O amor vem sendo construído durante toda a minha vida, e agora ele passa pela minha frente, em conceitos que eu acreditava serem imateriais, e que são simplesmente frases velozes, palavras, letras, formigas, passando, correndo, irão chegar ao fim dos tempos?
O fim dos tempos também é texto;
E o amor? Se não o quero, o nego; É fácil negar o amor. Enquanto texto, posso sempre negá-lo; é só construir a anti-tese; antítese, o paradoxo que agora, desapegado, não pode mais ser senão texto; é fácil, principalmente para quem conhece muito bem o mundo da linguagem; é fácil avaliar um discurso; medir uma oração.
Mas nem toda a retórica do mundo sustenta a morte; descontruo a vida e percebo que a morte não se textualiza; para a morte, não existe metáfora; a morte não aceita texto; mas, e o amor? A escritura pode despertar o amor, pode descrever o amor em seus sub-textos, visto que enquanto eu entendo o amor, entendo-o comigo; ele está em mim; em minha compreensão e em minha linguagem; mas o amor não termina; a escritura é uma armadilha da retórica.

Achava eu que sempre estava perto do amor; achava que o entendendo estava sentido-o; minha mente não conhece nada além daquilo que entendo estruturado, marcado pela referência; enquanto construía o amor em mim, como aquilo do que sempre compreendi, descontruía o Amor; e se mesmo este, ainda tão incognoscível, não fosse apenas um nome, perdido em uma língua estranha, compreendida por uma pobre mente limitada e sub-universal, como sub-referência a si próprio, estaria errando. Não posso referendar-me; só me conheço pelos outros, pelos modelos que os outros criaram para equipar minha parca, tola e limitada visão de mim enquanto signo de mim mesmo; para mim, não existo;
Procuro, neste exato momento, uma metáfora para exemplificar o que sinto; estou mentindo, pois não existo fora de mim, existo enquanto discurso; sou uma mentira naquilo que me compreendo; pego-me agora, sem pensar em nada, um instante de pura existência; preciso de um espaço fora da linguagem, para que possa existir. Estou sufocado. Não existo enquanto ser. Existo para despertar, para nomear, sou utilitário, tal qual um signo, sempre direcionando. Sinto-me preso a minha compreensão auto-reflexiva.
Deliro em Nietzsche: será que ele adoeceu por existir em si, como signo de si mesmo, e nesta limitação da linguagem, aprisionado como um ser particularizado pelo sistema carcerário dos limites conceituais e das estruturas criadas pela história, não morreu? Sim, porque a metáfora é a vaca gorda, deitada no pasto verdejante das hipóteses. Sim, Derrida estava certo, desconstrua. Decline o texto, destrua os nós, coesões e descubra que por trás de todo o texto, sim, existe o nada. E o nada é a única coisa que existe de verdade; é a única coisa que realmente toca a efetividade; sim, desconstrua e descubra que para cada texto, existe apenas uma intenção: a intenção de ser e a intenção de ter sido; eis que brincamos em um imenso teatro de intenções; onde estamos realmente?
Tudo o que vejo já não me satisfaz; procuro as lacunas deixadas por mim, procuro estar atento aos detalhes e se não existem procuro criá-los; na realidade, estou cansado em algum lugar de mim mesmo, na imagem que represento enquanto preso ao sistema de códigos que eu mesmo criei para encenar. Mas isto não me cansa como linguagem, na realidade quero sempre mais, sempre o argumento dentro do cenário, quero refletir sobre a vida, desmontar o código, avaliar o amor como um símbolo, aplicar os conectivos nos lugares certos, antever a coesão dos fatos que me apresentam, e minha cabeça dói; nesta tolice, sou apenas um fragmento boiando no mar de interjeições; como um ser pensante, não passo de um fragmento, sustentando o pensamento Universal naquilo que ele tem de repugnante: a idolatria e a pretensão;

Pensem em nada neste momento; deixem fluir o Caieiro (Fernando Pessoa); sim, deixe-me contemplar o infinito espaço de não pensar em nada, de não fazer nada, de não existir; (sim, porque já estou existindo cansativo, imitativo) estou imitando a mim mesmo, sou linguagem e isto me desespera; deixe-me pensar em nada e sentir o nada como um imenso vazio existencial. Deixe-me contemplar o vazio e o não medir o tempo, deixá-lo esgotar, até que canse de ser referência. O tempo não passa efetivamente, o tempo é simplesmente um discurso sobre a dinâmica da vida.
Só os desatentos são felizes; vamos Des-alfabetizar o mundo; não estamos condicionados a quem nos ama, mas somos aquilo que amamos; Pensando bem, criemos o processo de Des-Alfabetização. Des-alfabetizar o mundo é libertá-lo do estigma de encará-lo como um discurso pronto e acabado, sem o direito e a liberdade de desconhecer. Sim, pois o desconhecer das estruturas, o desconhecer das entre-linhas, é liberdade incondicional. Logo, pergunto-me: Leitura de mundo? É possível ler o mundo? Que mundo nos aparenta? Um conglomerado de recursos, de técnicas e instrumentais, códigos meta-explicados? Um entrecruzamento de acepções sobre o fenômeno real, onde o fato existe enquanto compreendido dentro da linguagem? Um pôr do sol poético? Um amor eterno? Até onde vai o efetivo e o imaginário? Nos adjetivos gastos pelo solado do tempo?

Uma rosa para o meu amor;
Não entendo a expressão de sentimento enquanto a manifestação de instrumentos semiotizados; uma rosa para meu amor; uma eterna rosa para meu eterno amor, em um amplo cenário de por do sol. É isto que eu sempre procurei, na pretensão de confundir realidade com discurso. Como se através destas representações semiotizadas pudéssemos enganar o mundo quanto aquilo que sentimos realmente. Um por do sol de Robert Frost, ou quem sabe, Keats. Eu caibo perfeitamente como um sintagma, dentro das minhas próprias crenças. Embolo-me na teia imaginativa dos vocábulos e acho, que isto, é vida. Vivemos simulando o que sentimos. O primeiro a pensar em simulações foi Platão, com sua mimese. Não vivemos o mundo, vivemos um mundo que construímos a partir do dado material imitativo. Vivemos em um simulacro onde tudo não é real, mas sim compreendido pela linguagem, abarcado pelos signos visuais, sonoros e até mesmo conceituais. O simulacro é simular a vida, como bem tocou no problema Jean Baudrillard. (Simulacros e Simulações).
Procuro um amor que sempre esteve dentro de mim, e que descontruí por tantos anos, e talvez agora, mais do que nunca, sepulte-o eternamente, renascendo o novo.


Quanto ao amor, há mais explicações sobre o amor em falar nada sobre o amor do que toda a nossa indumentária retórica. Lamento. De tudo isso, apenas AME.

PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS E ATIVIDADES

12 de AGOSTO 2008 - Simpósio Integrado de Ciências Humanas (SINCH) que tem como tema “Linguagem, ciência e relações sociais – a dialética do conflito”. O evento ocorreu no Campus da UNESC em Cacoal. Congregou os cursos de Letras, Pedagogia e Psicologia.
Participação com o mini-curso: "Como Ler pinturas abstratas" - Incursão da semiótica e teoria entre-textos na prática da decodificação simbólica e semi-simbólica;


23 de AGOSTO 2008 - Pós-Graduação complementar ao curso de capacitação GESTAR - São Miguel do Guaporé - Disciplina Ministrada: Metodologia e Didática de ensino de Língua Portuguesa nos anos iniciais: leitura e literatura. Turma maravilhosa e participativa.

sexta-feira, agosto 22, 2008

RESENHA CRÍTICA - POR QUE (NÃO) ENSINAR GRAMÁTICA NA ESCOLA

RESENHA CRÍTICA - POR QUE (NÃO) ENSINAR GRAMÁTICA NA ESCOLA
Helem Cristiane Aquino dos Anjos Fernandes[1]

POSSENTI,Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas/São Paulo: ALB, Mercado de Letras, 1996.



Na obra “Por que (não) ensinar gramática na escola”, de Sírio Possenti (1996), o autor apresenta uma proposta de mudança radical para o ensino de Língua Portuguesa. Argumenta que “para o ensino de língua materna mudar de verdade, não basta remendar alguns aspectos, é necessário uma revolução” (1996), pois, em nada vale mudar os programas de ensino se não houver mudanças nas escolas e nos professores. A hipótese do autor é que ensinar “língua” e ensinar “gramática” são coisas diferentes, por isso aposta no ensino da língua (viva e atual) e não de regras gramaticais (inusitadas e ultrapassadas), sendo assim, acredita que “o domínio competente da língua não requer o ensino de seus termos técnicos” (1996, p.54). Nessa obra, Possenti sugere várias propostas para o ensino de Língua Portuguesa que são de extremo bom senso, pois se constituem de metodologias alternativas, que com a conscientização do professor, ele mesmo pode aplicá-las em sala de aula. Como exemplos podemos citar: 1º) a valorização, sobretudo, da leitura e da escrita, acredita que se aprende a escrever escrevendo e a ler lendo; 2º) propõe a mudança do padrão de língua a ser seguido, isto é, trocar a Literatura Antiga que é o modelo, pela linguagem jornalística ou dos textos científicos, tendo em vista que, esses apresentam uma linguagem muito mais próxima do que falamos atualmente; 3º) sugere uma nova visão acerca do que o educador deve considerar como erros de escrita, ressaltando que existem muito mais acertos do que erros. Por outro lado, existem propostas, que a meu ver, estão muito além do que poderíamos aplicar como uma metodologia de ensino, pois para a sua adesão, necessária seria uma revolução cultural, ou seja, na mentalidade da sociedade e na formação dos profissionais da educação acerca de como o ensino passaria a ser entendido e conduzido. Digo isso por sermos filhos de uma Cultura de Ensino Pragmático, ou seja, aula de Língua Portuguesa é para se ensinar as regras gramaticais, e não ensinar a Língua, pois se subtende que o aluno não precisa aprender falar, mas sim escrever e ler. É válido dizer que, não me coloco contra a importância de uma revolução na educação, pelo contrário, a educação necessita urgentemente passar por grandes transformações. Porém, o que se percebe é que, muito se falam em transformações, mais isso sempre fica na superficialidade do discurso, e nunca se chegam ao cerne da questão. Por exemplo, na formação acadêmica de Letras, no ano de 2006, ainda não estamos sendo preparados para sermos professores de Língua, mas sim de Gramática, então como podemos falar em uma revolução no ensino de Língua Portuguesa se ainda estamos sendo preparados para dar aulas de regras gramaticais? (As propostas de Possenti que julgo estarem além do que conhecemos e entendemos como ensino de língua materna, por apresentarem uma concepção lingüística extremada são as que seguem): 1º) propõe que se ensine o que os alunos não sabem, ou quando eles erram, pois “o que é sabido não precisa ser ensinado” (1996, p. 50); 2º) acredita que o domínio efetivo e ativo de uma língua dispensa o domínio de uma metalinguagem técnica (p.53); 3º) enfatiza que, o que os alunos precisam é ler e escrever ativamente, e não decorar regras gramaticais; 4º) sugere que as aulas de gramática sejam abolidas, ou pelo menos, abolidas nas séries iniciais (p.55) Para esclarecer essa posição dual que tenho em relação à obra de Sírio Possenti, faz-se necessário uma breve explanação sobre os porquês dos pontos positivos e negativos que apresentei, pois de nada vale apontá-los se não houver uma tentativa de uma sólida justificativa. Quanto aos pontos positivos, enfatizei primeiramente a importância que o autor dá à leitura e à escrita. Concordo plenamente, por acreditar que é inconcebível um ensino que não valorize, sobretudo, o ato de ler e escrever; a leitura é de essencial importância no processo de formação do aprendiz, porque o possibilita, ao mesmo tempo, entrar em contato com o mundo da escrita e, com novas experiências e aprendizagens. Já a prática da escrita propicia uma outra experiência maravilhosa, o fato do aluno poder se comunicar por outro código de linguagem. Infelizmente o que vemos é que, embora alfabetizados, a prática da escrita competente está cada vez mais restrita, justamente por não haver nas escolas incentivo à leitura e a produção textual. Sendo assim, não há dúvidas de que “se aprende a ler lendo, e a escrever, lendo e escrevendo” (p. 48). A mudança do padrão de língua a ser seguido é, sem dúvida, outra proposta totalmente lúcida. Ora, como continuarmos ensinando arcaísmos que não fazem mais parte da língua que hoje falamos e conhecemos? Ensinar conjugações verbais da segunda pessoa do plural, tempos e modos, e outras tantas regras que nunca saberemos onde e como usar? Ensinar os mecanismos técnicos da Língua Portuguesa desde sempre foi tarefa árdua, imagine hoje, com todas as transformações que o dia–a-dia propiciam, ainda mais na Língua. Como deve ser difícil para uma criança ter que aprender as formas dito padrão da nossa língua se elas nunca as ouviu falar? Portanto, não há dúvidas de que mudar o Padrão de língua a ser seguido a ser seguido para os textos jornalísticos ou científicos é uma excelente proposta, pois esses estão muito mais próximos da língua que eles conhecem, sendo dessa forma, muito mais significativos. Outro ponto positivo é a concepção de erros e acertos. Segundo Possenti os alunos mais acertam do que erram (p. 43). A explicação é muita clara e óbvia, quando dizemos que um aluno ou outra pessoa fala tudo errado, devemos ter a devida atenção para observarmos também que o número de erros é maior que os tipos de erros, ou seja, os erros não devem ser corrigidos um a um mais sim a cada tipo de erro. Por exemplo, se encontrarmos quem diga “os livro”, “as casa”, “os amigo”, não estaremos nos deparando com três erros, mas apenas um, e o professor não terá que resolver três problemas, mas apenas um, substituindo simplesmente uma regra de concordância por outra (1996, p.44). Quanto aos pontos negativos, iniciei com a colocação do autor que diz: “ensinar o que os alunos não sabem, ou quando eles erram, pois “o que é sabido não precisa ser ensinado” (p,50). Tenho algumas ressalvas quanto a esse posicionamento. Primeiro, como saber certamente o que os alunos não sabem? Segundo, como mensurar adequadamente se o erro lingüístico representa mesmo um não saber ou o acerto um saber, tendo em vista que, tanto erros como acertos podem ser hipotéticos, ou seja, sem o saber aprendido? E terceiro, como ter certeza de que os alunos sabem, ou aprenderam realmente apenas olhando em seus cadernos as matérias já estudadas? Ter visto o conteúdo não é sinônimo de ter aprendido, pois a aprendizagem é algo relativo e acontece de formas diferentes em cada indivíduo, sendo dessa forma, muito complicado trabalhar com essas probabilidades. Outro posicionamento que julgo objetivamente pouco praticável é o de que “o domínio efetivo e ativo de uma língua dispensa o domínio de uma metalinguagem técnica”. Concordo que é totalmente possível dominar oralmente uma determinada língua sem ter o dominar de sua grafia, é o que mais ou menos acontece com os analfabetos, e falantes de línguas ágrafas. Todavia, não concordo que o domínio ativo de uma língua dispensa a sua metalinguagem técnica, pois não aprendemos a ler e escrever instintivamente, ou somente entrando em contato com os livros, precisamos de quem nos oriente e, nos ensine regras básicas do funcionamento da língua na escrita. Por exemplo, como saber quando se usa “x” ou “ch”, “m” ou “n”, “s” ou “z”, “g” ou “j” ? Como se socializar através da escrita se se supõe dispensável o ensino de suas regras? É muito válida a valorização da leitura e da escrita, e é sabida a intenção de se ensinar a ler e escrever através dos textos, todavia, não é válido querer dissimular o ensino das regras, pois mesmo através dos textos as regras deverão ser ensinadas. Sendo assim, o que existe é o intento de uma mudança na metodologia do ensino de Língua Portuguesa, fazer com que o ensino das regras torne-se mais significativo, e menos desconexo, enfadonho e ultrapassado. O que o ensino precisa é atender as necessidades reais de seus alunos, ou seja, que propicie a capacidade de ser um competidor em meio à nossa sociedade competitiva, e não um indivíduo a margem da sociedade por não possuir o domínio efetivo de sua própria língua enlarguecendo ainda mais a base da pirâmide hierárquica. E a meu ver é isso que o não ensino da gramática irá propiciar. Quanto ao terceiro posicionamento que enfatiza que os alunos precisam ler e escrever ativamente e não decorar regras gramaticais é sem dúvida, a princípio, muito válido, porém, volto a dizer que, o ensino das regras de funcionamento da língua subjás o ato da escrita e da leitura. E porque não ao mesmo aprender a ler, escrever e as regras? Qual o problema? Será que a palavra regras adquiriu um significado tão ofensivo ao ensino que nossos alunos não podem mais aprender e conviver com a sua significação? E por último, Possenti sugere que as aulas de gramática sejam abolidas, ou pelo menos, abolidas nas séries iniciais. Essa posição é bastante radical. Acredito que toda proposta de mudanças no ensino, deva se apresentar com metodologias sólidas de aplicação, ou seja, se proposta é mudar subtende-se que apresenta planos de aplicação melhores do que se tem. Todavia durante todo o percurso de sua proposta - que não há dúvidas é muito interessante - não encontrei essas tão importantes sólidas metodologias de aplicações, não que ele não apresente metodologias, apresenta sim, mas não ao nível da necessidade prática do ensino de Língua Portuguesa. Sendo assim, o que se pode observar é que sua proposta de ensino contém muitos pontos positivos e outros bastante polêmicos. E isso faz com que sua obra seja uma leitura ainda mais essencial para os letrandos, pois apresenta uma visão “lingüística” de ensino de Língua Portuguesa em contraponto à nossa forte cultura “gramatical” de ensino. Esse contraponto nos oportuniza refletir criticamente acerca do ensino e da pratica docente, pois temos um contraponto e não uma visão única. Sírio Possenti recebeu uma marcante formação Lingüística, foi aluno e acabou por se tornar discípulo de João Vanderlei Geraldi, um dos mais renomados lingüistas do Brasil. Daí herança da aplicação lingüística que beira, muitas vezes, o extremo, e que causa tanta polêmica.

[1] Graduada em Letras pela UNESC, pós-graduanda em Metodologia e Didática do ensino Superior (UNESC), pesquisadora na área das teorias de aprendizagem.

quinta-feira, agosto 14, 2008

Cinema - SANGUE NEGRO (BROTA SANGUE DO CORPO ÁRIDO)

SINOPSE
No início do século 20, no Texas, Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), um magnata do petróleo, tenta ensinar ao filho H.W. Plainview (Dillon Freasier) princípios que, na sua visão, considera importantes como família, ambição e riqueza nos negócios. Porém, ele terá de enfrentar o fato de que o filho começa a simpatizar com trabalhadores socialistas e seus ideais.



O fato de Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007) estar sendo comparado a Cidadão Kane é um evidente exagero, justificado pela ansiedade da mídia em eleger novos clássicos adultos numa Hollywood cada vez mais infantilizada. É um exagero, mas há na comparação certa razão: o incensado drama épico de Paul Thomas Anderson trata, como a obra-prima de Orson Welles, de um homem que tem tudo e ao mesmo tempo não tem nada. (Marcelo Hessel)

Resenha filme - SANGUE NEGRO (BROTA SANGUE DO CORPO ÁRIDO)
Grandes experiências e grandes percepções são conquistadas a partir da consciência do percurso, de cada etapa, cada momento e conquista, palmo a palmo; dessa forma, todo filme épico acaba por ser um ato de descobrir, como uma onda que leva várias coisas ordenadamente e simultaneamente a uma direção; Sangue Negro não é um épico, diga-se de passagem, mas é uma onda que avassala, em um crescente sem proporções;

terça-feira, agosto 05, 2008

O NO-SENSE NO IMAGINÁRIO POP

No meio do caos de informações Pop, do somatório de inutilidades de consumo e produção artística, do universo Kitsch da réplica e imitação à teia de referências, contatos, pseudo-críticas artísticas sem análises e leituras sem interpretação, alguma coisa tem que sustentar essa panacéia toda no vácuo criativo;

segunda-feira, julho 28, 2008

NO-SENSE

Por. Rômulo Giacome
O no-sense é uma ruptura com a lógica discursiva e ideológica, que amarrada em sua linearidade, consegue desviar e constituir humor; o no-sense tem a marca da ausência, do desvio e, inclusive, do devir, pois demarca o pico ou clímax que não existe, senão na própria sátira ao gênero;

sexta-feira, julho 11, 2008

CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS: A FORÇA DO ATO E A ALEGRIA DO SILÊNCIO

CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS: A FORÇA DO ATO E A ALEGRIA DO SILÊNCIO
Por Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes SINOPSE
Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é Johann (Peter Ketnath), alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é Ranulpho (João Miguel), um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante.

sexta-feira, julho 04, 2008

PALESTRA EM BURITIS: O OFÍCIO DO PROFESSOR E A ALEGRIA DE ENSINAR

O foco da palestra é a alegria: aqui entendida como o estímulo que une, vende e, porque não, educa também;

Professora Lurdes;
O símbolo da modernidade urbana: o semáforo;
Meu amigo Gustavo, arrebentando;

Dia 28 de Junho, eu e meu grande amigo e parceiro Gustavo Costa Reis, diriginimo-nos até o município de Buritis para ministrar uma palestra à educadores e profissioanis da educação do município e região; a viagem em si mesma já é instigante, pois o município de Buritis é famoso por estar no epicentro de confitos por madeira e terras, inclusive sendo palco de ações da LCP (Liga dos Camponeses Pobres); Mas a impressão sobre o município foi a melhor possível; gente muito amistoza e franco desenvolvimento, o que não me é estranho, uma vez que sou nativo deste estado e aprendi a conviver com estes movimentos exploratórios e desenvolvimentistas;

Veja abaixo a manchete institucional sobre a palestra:
UNESC informe
Informativo acadêmico da UNESC – Faculdades Integradas de Cacoal
03/07/2008
UNESC OFERECE PALESTRA A EDUCADORES NO MUNICÍPIO DE BURITIS




Com a finalidade de aproximar as regiões quanto às questões educacionais, bem
como estreitar as relações entre a comunidade educacional de Buritis e a UNESC,
no sábado, dia 28 de junho, os professores Ms. Gustavo Costa Reis e Ms. Rômulo
Giácome de Oliveira Fernandes, a convite da professora Maria de Lurdes Lacerda,
Diretora do Instituto de Ensino Educar, palestraram para um público de
educadores e profissionais da área da educação. A palestra sobre o tema “O
Ofício do professor: a alegria de ensinar”, proferida pelo professor Rômulo
Giácome, tratou da alegria como elemento contextual imprescindível ao ofício do
educador, uma vez que a alegria é ingrediente que une, consolida e inclusive
educa. A segunda palestra, proferida pelo professor Gustavo Reis sobre o tema
“Administração de carreira: é possível ser feliz no trabalho?”, tratou dos
requisitos indispensáveis ao professor de sucesso, abordando as habilidades do
professor contemporâneo. Por fim, segundo os professores, o saldo do encontro
foi muito positivo, pois viabilizou o intercâmbio de experiências e a troca de
informações relevantes ao processo educacional.

quinta-feira, julho 03, 2008

LIVRO: MANOEL DE BARROS E SUAS IGNORÂNÇAS

Manoel de Barros - A palavra que goteja sentido
Por Rômulo Giacome O Fernandes
19/08/2005

A leitura de Manoel de Barros precede a leitura dos códigos, precede a leitura dos símbolos e precede a leitura do verso. Sua condição de vácuo entre o sentido / ser / significante propõe mais do que a própria teoria. Nele, ela se perde e se reencontra no desconhecer da palavra.
"Ocupo muito de mim com o meu desconhecer"
Não é a palavra nova, não é a nova forma ou velha forma em pastiche. É o verbo em estado de coisa. Verbo em estado de essência, que fala através dos seres, animais, pequenos pedaços de pedaços de signos soltos.
"Ninguém que tenha natureza de pessoa pode esconder suas natências"
A forma como cada palavra recebe a dádiva da indicação e como cada indicação, por mais simples que seja, perde seu sentido imediato e passa a significar aquilo que nunca / sempre significou. A perfeita relação semântica entre indicadores em potencial faz com que sua poética consiga aproximar as antigas noções das simples nominalizações.
"Sou o passado obscuro destas águas?"
Uma natureza semântica, sem a beleza das imagens, não comporia a perfeita visão poética. Mais do que encabalar o verbo, crucificar os nomes, Manoel deixa a imagem, por si mesma, alavancar os sentidos, ruminando tal qual o boi no pasto pantaneiro.
O mínimo, diriam alguns, seria a marca predatória de uma readaptação dos antigos modernos, Drummond e Bandeira. Na realidade, o mínimo está na concepção, o mínimo está na perda da grandiloqüência verbal para uma grandiosa contemplação essencial. A palavra vale enquanto suporte de constatações, que fincadas no verde, fincadas no ato de repetir até ficar diferente (Repetir repetir, até ficar diferente), formam o imaginário de Barros. Não se inventa palavras. Não se cria novas constatações. A realidade semântica de Manoel está em sua forma de recitar um idioma novo, onde o que ficou de resto de suas lembranças expressam referências que são todas nossas. Usar algumas palavras que não tenham idioma.
Nesta criação e lapidação de um idioma novo, correlacionamo-os ao grande Guimarães Rosa, como o próprio Manoel de Barros afirmou, certa feita: "Temos que enlouquecer o verbo, adoecê-lo de nós, a ponto que esse verbo possa transfigurar a natureza. Humanizá-la."
Mas: por que ler Manoel de Barros? Por que ler esta obra que procura apalpar as intimidades do mundo de maneira verbal? Ler para reconhecemos o lirismo recôndido nos vãos das pequenas impressões.Ler para sustentar a palavra em seu estado latejante de sentido, onde ela se nega a ser simplesmente lagartixa, rio, sapo, pasto, boi, mosquito. Ler para reabrir um rol de experiências sutis dentro da própria experiência sutil.Ler para penetrar na poesia de maneira bruta, e sair levemente, de soslaio, assustando-se com versos, assustando-se com a nova condição do mundo, depois da leitura.

Fonte: http://www.leialivro.sp.gov.br/texto.php?uid=5507

terça-feira, junho 10, 2008

GRUPO DE PESQUISA "SENTIDOS" LANÇA PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DE LINGÜÍSTICA APLICADA DA REGIÃO NORTE

Idealizada, coordenada e articulada pelo professor Ms. Sérgio Nunes de Jesus, em agradável evento na Livraria Café e Cultura, foi lançada, solenemente, a primeira revista de lingüística aplicada da região norte, intitulada SENTIDOS. Esta publicação é fruto do grupo de pesquisa homônimo, ligado ao Curso de Letras da UNESC, responsável por pesquisas no campo da lingüística e da análise do discurso aplicados a diversos gêneros textuais;

Na ocasião, esteve presente o professor e coordenador do curso de Letras, Jorge Luís de Freitas Lima, bem como professores, acadêmicos e amigos que prestigiaram o importante momento científico e cultural para o estado. Segundo o professor Sérgio, foram dois anos de pesquisa, produção e compilação para originar e publicar a revista Sentidos. Ainda segundo o professor, é uma vitória coletiva do grupo de pesquisa da UNESC, que contribuiu para que este sonho se tornasse realidade. Eu também estive lá, e posso afirmar que a revista Sentidos é um marco para a pesquisa no campo das áreas de lingüística e análise do discurso, uma vez que convergirá em motivo de mais produções publicadas e com isso, criação de novos vetores de ciência da linguagem em nossa região;
Abaixo seguem as fotos dos presentes ao evento;













PALESTRA SOBRE "TÉCNICAS SEMIÓTICAS APLICADAS À COMUNICAÇÃO DE MASSA" NA ULBRA - JI-PARANÁ

Neste mês de maio participei de alguns eventos importantes para divulgação das idéias deste "mundo letrado";
No dia 26 palestrei na Ulbra de Ji-Paraná, na abertura da 3ª Mega Semana de Comunicação; o tema da palestra foi "Técnicas Semióticas aplicadas à comunicação de Massa"; tive muita receptividade e as idéias semióticas conseguiram ecoar dentro do Jornalismo e da Publicidade, público acadêmico que lá estava; aproveitei para divulgar o meu grupo de Pesquisa TEOLITÉRIAS - UNESC;
Prof. Itazil; responsável pelo convite;
Quadro de professores; ao lado esquerdo, coordenador do curso de Comunicação, prof. Marcos Lock;

sexta-feira, maio 16, 2008

PÓS-MODERNIDADE LITERÁRIA

FONTES E ORIGENS DO PÓS-MODERNO SOB O PRISMA DA ESTÉTICA
Por Prof. Ms. Rômulo Giácome de Oliveira Fernandes

O primeiro a falar em “pós-modernismo” foi Perry Anderson, que cunhou o termo após tê-lo ouvido de um autor hispânico chamado Frederico de Onís, na ocasião ele o utilizou para alicerçar um pensamento conservador dentro do próprio modernismo. Perry Anderson escreveu "As Origens da Pós-Modernidade" (Ed. Jorge Zahar, 1999), figurando como um grande pesquisador das questões culturais e sociais da atualidade, sendo que a primeira (cultura) nos afeta diretamente, partindo para o viés de análise deste pequeno ensaio.
Antecipadamente, não podemos deixar de ressaltar que esta discussão está engendrada sobre duas condições básicas: a constituição de uma sociedade e seus meios de produção e cultura, e por outro lado, a consciência histórica enquanto agente ou paciente dos processos de reconhecimento e representação. No primeiro âmbito, Fredric Jamesom "Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio" (ed. Ática, 1991) aborda de maneira sistemática e crítica os mecanismos de apropriação da consciência cultural através de uma indústria cada vez mais sofisticada de bens de consumo. Alguns mecanismos de inserção de uma vivência cultural destinada a suprir necessidades são frutos do fetiche pela imagem, uma espécie de reação ao novo capital, o capital devir, aquele que é nutrido pela ausência de repressão e imersão completa na própria vivência. Em outras palavras, a sociedade corrompida pelas próprias necessidades de consumo, busca na produção modernizada, um tempo de informação, como se pudéssemos estabelecer um diálogo exterior com nossa própria consciência.
Ao meu ver, esta bridge que procura unir um vácuo de existência com a possibilidade do ter e do poder, também é criticada por toda a epistemologia da pós-modernidade. O que parece é que todos os críticos ao pós-moderno vêem em Jamesom mais um forte candidato à cadeira marxista do que um crítico literário revolucionário e contemporâneo. Jamesom não é reacionário. Ele encara os modos de produção cibernéticos como suportes ao ir e vir de novas informações produtivas, de novos saberes eficazes e humanos e o enriquecimento da humanidade através das novas habilidades e tecnologias.
A partir desta interpretação do pensamento de Jamesom frente ao cinema, música e pintura consideradas de ruptura, vemos que seu marxismo já é tangenciado por laivos de abstração. O contexto artístico pós-moderno parte de que uma nova ordem social está em voga. A força bestial com que a tão famigerada “Indústria Cultural” (Adorno) toca a ordem de produção de arte é fruto de uma adoção do discurso produtivo como se fosse sua, a adoção do discurso de outrem como legítimo (ideológico). A arte passa por um processo de tentativa de legitimação, busca por uma saída de alteridade.
Acredito que nada possa residir tão pernicioso nas atuais estruturas que não sobressaia momentos de ruptura importantes ao desenvolvimento social. Jean François Lyotard que escreveu em 1979 o livro "A Condição Pós Moderna", procurou de maneira epistemológica e estética, traçar uma ordem discursiva para a pós-modernidade. Desta obra podemos extrair, dos inúmeros postulados, um que me parece salutar para a ocasião: a legitimidade do discurso. Na pós-modernidade a necessidade do discurso crítico para fruição da arte é inegável. A obra de arte passou a estar centrada dentro de um discurso estético que a sustenta e a suporta enquanto veiculadora de idéias e informações. Na literatura esta nova postura foi deflagrada por Ezra Pound e James Joyce (Ulisses), ambas obras de fragmentação e atadas a evolução do estudo da linguagem. (Semiótica e Lingüística). Os próprios russos já pretendiam uma nova estética literária, atada aos valores: fragmento, alusão, imagem, discurso e signo (Mayakovski, Andrei Biéli entre outros).
Aqui no Brasil, a nova ordem aferida nos oitocentos por Mallarmé foi devidamente re-trabalhada pelos irmãos Campos e Décio Pignatary na poesia concreta. Contudo, a legitimação da arte pelo discurso, e aqui entraria a crítica marxista contra os excessos do mesmo, também estariam previstas em lastros de realidade itinerante e poderosa. Ao contrário do que muitos pensam, a literatura pós-moderna é um contato com o real. Marcas como o cotidiano, o romance urbano, a crônica, a sátira e toda a produção Beatnik e Regionalista estão amarradas a uma noção de verossímil crítico. Por outro lado, a geração de 22 abriu às portas da produção popular regional, em uma ampla pesquisa estética, que no arcabouço da intelectualidade brasileira, deflagrou na literatura pós-moderna como ganchos de ruptura.
É irônico termos rupturas na pós-modernidade com a literatura popular, tendo em vista que muitos críticos a vêem como redutora e limitadora desta produção. Com o advento das novas tecnologias discursivas, na geração pós-guerra, tivemos a revitalização de autores como Patativa do Assaré, Pedro Kilkerry e a Lama e Caos do manguebeat. Ora, convenhamos que identificar sintomas de fragmentação na arte pós-moderna como defeito, é esquecer as cicatrizes deixadas pela arte Iluminista e Romântica, elitista e altruísta. O Pós-moderno literário possui um projeto, e este projeto tem marcas profundas na adequação social dos meios de produção de massa e domínio das novas tecnologias.
Nunca foi tão possível acessar a informação, e nunca foi tão possível preconizar uma “epistemologia da Internet”. Os Happening e os Madefake, arte multimídia e textos de qualidade estão sendo produzidos em volumes exponencial, e somente através de novos mecanismo de produção e absorção de arte teríamos como escapar do mercado editorial. Fugir dos domínios editoriais, bem como nossos românticos fugiram da Editora da Monarquia, é uma nova forma de encarar os modos de produção. A constatação sociológica de uma sociedade dês-moldada e renitente de contradições, é o júbilo e regozijo da arte. Banhando-se freneticamente nestas disjunções inerentes ao ser, poder, ter e parecer, a literatura vai concretizar seu projeto de re-estilização projetiva da sociedade através da nova narrativa e da nova consciência histórica de descontínuos.
Aqui entra o segundo item mencionado acima, uma construção de historicidade através da representação. Em uma época de meandros de projeções e devir assentado na reprodução em escala potencial, um mundo de representações artísticas possuem mais força e poder do que em décadas anteriores. Do tecnicismo concreto ao tecnicismo subjetivo, ganha o último como saber estético. Esta crise de representação é bem articulada por Siscar, em seu artigo Figuras do Presente:
Neste fechamento do presente sobre si mesmo, já não de trata dizer que a vida
imita a arte, pois a crença na presença pura pretende exceder virtualmente,
fantasmaticamente, a própria representação do real (1999:p50)
Esta figurativização do representamem como identidade do pós-moderno literário, tem no simulacro uma identificação tênue com a linha traçada por Derrida quando ele afirma que “nada existe fora do texto”. A arte sempre procurou categorias de existência antagônicas à sua condição de linguagem ficcional. Encontrou forte apoio existencial no simulacro de Baudrillard. “É sempre uma questão de provar o real através do imaginário, de provar a verdade pelo escândalo, de provar o trabalho por intermédio da greve, de provar o capital pela revolução" (BAUDRILLARD, 1998).
Drummond já preconizava a existência de um simulacro na vivência poética, na arte de amarrar a condição do ser com a noção do parecer, fecundando uma literatura de metáforas amplas e ligadas ao coletivo sentimento do mundo. A linha que divide a vida da personagem com a existência real sempre foi a mesma linha que dividiu o sonho da concretude. Estas representações mor, que as novas narrativas pós-modernas procuram estender dentro do cenário de produção atual, é a estreita hiperonímia entre um ato de devorar a si mesma para assinalar a força da fome.
Mas toda representação artística está validada por sobre uma égide de categoria semiótica: seja na presentificação do sublime, seja no ato de narrar as desventuras humanas. A reinvenção da palavra e o pastiche, são técnicas contemporâneas para deflagrar sentidos. Se antes a arte estava para o real como substituto, agora ela o tem apenas como âncora referencial. O foco não é mimetizar o sensorial, o existente, mas sim utilizá-lo como matéria prima para transportar ao sonho, ao fantástico, e modernamente, à intimidade, ao pessoal. A existência individual é muito interessante e cara, como metonímia salutar à procriação de idéias. Copiar novas idéias como em uma série ou linha de montagem, não é exatamente o êxito pós-moderno.
O êxito pós-moderno na literatura está em deixar o leitor co-piloto de sua obra, como em uma espécie de farsa desdobrada, a leitor tem a parca sensação de domínio do texto, abertura e interpretação própria. Ele acredita estar sendo proprietário de si mesmo, enquanto na realidade está sendo apropriado, está sendo fio condutor da arte, desposando as dúvidas e separando-se das certezas rumo à consciência. Jorge Luís Borges, em seu conto Loteria da Babilônia, de modo sutil e alegórico, remonta como o discurso penetra nas camadas mais profundas da sociedade, do indivíduo e da consciência. Como a apropriação da representação tem o poder e o fazer de mudança (ideologia). Assinalo que tanto a boa literatura (Jonh Barth, por exemplo), quanto a indústria efêmera da arte comestível, possuem os mesmos recursos. Seduzir e provocar são elementos poéticos utilizados na propaganda moderna. Isto por si mesmo mostra a força da literatura enquanto modalizadora de novas linguagens e técnicas.
Mas notem que o contrário não é verdadeiro. A propaganda atual reconhece na tônica literária um braço ágil e forte para domesticar. O grande problema é que a ausência de educação formal e lacunas sociais, afetam o desenvolvimento da grande arte, fazendo com que muitos afirmem que a culpa é da própria arte. Esta crise de problematização desarranja o modo como vemos e entendemos a literatura, passamos a acreditar que literatura popular é literatura de péssima qualidade e que a boa literatura é incognoscível. Esta inversão de valores deturpa os estudos literários e mostra que mais fraca do que a arte de um modo geral, está os sistemas políticos, tanto de esquerda quanto de direita, que ainda não conseguiram resolver suas próprias idiossincrasias, imaginem as da literatura.
LINKS IMPORTANTE QUE COMPLEMENTAM O TEXTO
1. O problema da criatividade e os contextos de produção pós-modernos;
2. 16 Paradigmas de entendimento do pós-moderno Literário;
3. O Processo de Criação contemporâneo e algumas considerações extemporâneas;
4. Análise literária acadêmica de um poema Concreto;